O Dilema de Uma Adolescente
2 Capítulo 2- Conversa no Recreio
Notas iniciais
Boa Leitura.
No intervalo:
-Hum, olá de novo. — eu disse depois de ter encontrado o novo garoto
-Oh – ele pareceu se assustar com minha chegada — oi, e então, tudo bem com você? A pancada de ontem não te machucou não, né ? -perguntou ele.
-Não, nem um pouco, posso sentar com você?- perguntei com uma voz doce
-Você quer sentar comigo? — espantou-se ele
-Bem, a menos que você esteja esperando alguém — eu disse rindo.
-Não é isso, é que ... como é meu primeiro dia aqui, achei que no recreio eu acabaria ficando de lado, como se ninguém quisesse me conhecer.
-Bem, já que estou aqui, acho que significa alguma coisa – olhei nos olhos dele
-É, acho que tem razão — Alex deu espaço para que eu pudesse sentar
-E então, o que achou do colégio?
-Bem, ele não tem tudo que eu queria, mas parece que é um colégio bom para se estudar – ele olhou para o prédio branco à nossa frente
-E poderia me explicar o motivo de você ter corrido de mim da primeira vez que nos encontramos depois de me falar seu nome?- perguntei em um tom meio bravo
-Bem, o negocio é o seguinte, quando você perguntou o meu nome, tinha me lembrado que deveria voltar para casa as 18:00, mas acabei me atrasando por causa da batida.
-Por acaso a sua mãe brigou muito com você?- perguntei com medo de ter feito ele passar por alguma briga desnecessária em casa
-Na verdade eu não tenho mãe – ele olhou para o chão meio triste — ela acabou falecendo quando eu tinha uns 6 anos, mas tenho um pai super carinhoso, felizmente ele só ficou preocupado comigo.
-Sinto muito ter te perguntado isso.
-Não precisa se desculpar, você não sabia, agora, será que pode me dizer o seu nome?
-A sim, já ia até esquecendo de me apresentar, meu nome é Letícia, mas prefiro que me chamem de Lety.
-É um prazer te conhecer, mesmo que a gente já tenha se visto ontem à tarde.
-Na verdade, naquela hora que você falou o seu nome no parque, eu não consegui ouvir, já que você estava longe demais.
Nós dois começamos a rir, de repente ele parou e ficou me encarando, também parei e fiquei olhando para ele, parecia que tinha alguma coisa nos meus olhos, pois ele ficou olhando fundo dentro deles, depois que desviou o rosto, ele me perguntou:
-Por acaso você está triste com alguma coisa?
-Não, por quê?- perguntei assustada
-É que pelos olhos das pessoas, dá para ver como realmente se sentem, agora, estou vendo que você está se sentindo um pouco triste.
Eu me espantei com a explicação dele, como alguém conseguia ver o que a pessoa estava sentindo? O pior de tudo, é que enquanto ia falando, ele ia chegando mais perto de mim e eu não ia percebendo, então falei:
-Por que estaria me sentindo assim?
-Isso não dá para saber, mas consigo sentir pelo seu olhar, que seu coração está sofrendo.- ele olhava cada vez mais dentro de meus olhos.
-Meu coração?- perguntei confusa
-Sim... -de repente ele percebeu que estávamos perto demais e falou — Ai não desculpa te falar tudo isso, esquece o que eu disse. -disse ele vermelho e se afastou um pouco.
-Não precisa se desculpar. Você é a primeira pessoa que consegue ver como eu me sinto, — eu também estava vermelha, toquei na mão dele e acrescentei — Todo mundo acha que só sou uma amiga a mais para o currículo da vida, bem, exceto minhas 3 melhores amigas.
-E elas conseguem ver o que eu vejo?- ele perguntou sem tirar os olhos de mim
-Às vezes, mas só quando eu quero demonstrar o que sinto.
De repente, ele pegou a minha mão que estava na dele e estava prestes a falar algo, mas o sinal do final do recreio tocou, depois do susto que nós dois tomamos, ele me olhou de novo e disse:
-É melhor a gente subir, senão o professor vai brigar com a gente logo no meu 1° dia aqui.
-Sim, vamos.
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