O Diario de Uma Eterna Apaixonada
1 Reconhecendo uma paixonite.
Nunca fui exatamente a garota alta e loira de corpo esbelto, sempre tive minhas curvas, mas sempre fui um pouco gordinha, meu cabelo encaracolado chegava a ser chamado de loiro, mas não passava de um castanho estranho, e claro, eu possuía apenas 1,60 de altura. O mais cômico de não ser a garota dos sonhos de um garoto? Eu sempre tive tudo o que quis e nunca me senti feia, nunca fui insegura. Tinha tudo na medida certa e estava satisfeita. Eu era a garota que conhecia todo mundo, uma das poucas que estudava na mesma escola desde os três anos, os funcionários e professores me conheciam desde sempre e eu me sentia completamente confortável naquele prédio de três andares, simples, com turmas únicas e pequenas.
Eu tinha minhas amigas mais fieis, mas falava com todos na nossa turma pequena de apenas 24 alunos. Samuel entrou na escola cinco anos antes de eu me apaixonar por ele. No ano de 2012 o garoto que me tiraria o folego constantemente apareceu pela primeira vez com uma camisa cinza, acompanhado do pai. Eu o vi rapidamente. Foquei meu olhar nele e logo o classifiquei como bonito. Ele era alto, meio gordinho e tinha um topete escuro alto, seus olhos eram castanhos e eu simplesmente gostei do modo humilde que ele se aproximava do salão.
Os anos se passaram e Samuel nunca foi exatamente motivo de grande atenção para mim. Ele se tornou mais e mais atraente, um pouco galinha e definitivamente um dos mais populares da escola. Todos o adoravam. Ele era tudo o que uma garota queria, mas eu queria mais. Apesar de tudo, eu o achava infantil, grosso e rude. Engraçado, porém, exagerado. Foi no nosso último ano que eu o conheci de verdade. E então me apaixonei.
***
Eu havia perdido alguns quilos nas férias, mas o uniforme da escola não valorizava muito esse fato. A blusa preta e cinza e a calça jeans azul eram uma combinação esquisita. Meu pai insistiu em me levar para escola no primeiro dia, o que não era comum. Assim que cheguei na frente da escola, respirei fundo e sorri. Eu era, como sempre fui, a primeira aluna a chegar. Cumprimentei os funcionários e entrei no salão de chão vermelho e paredes brancas. Sentei-me numa cadeira de plástico que estava por ali e esperei alguém da minha pequena turma aparecer. Não demorou muito para todos começassem a chegar.
Naquele primeiro dia eu me sentei num lugar incomum e Samuel se sentou atrás de mim. Foi simples. Um lugar. Uma cadeira. Por causa dessa escolha aleatória de assento cresceu uma estranha amizade entre nós, Samuel e eu, durante dois meses. Nós nos encontrávamos depois das aulas e as vezes eu ia para sua igreja aos domingos, vivíamos nos esbarrando em eventos sociais, como casamentos ou até funerais. Samuel não era exatamente o melhor exemplo de pessoa. Por isso cabeças balançavam em sinal de desaprovação e, sem dúvida, muitas línguas se rendiam às fofocas, mas nada fizeram para impedir nossa amizade.
Depois de exatamente cinco semanas, eu percebi que não conseguia pensar em outra coisa que não fosse relacionada a Samuel. Louca? Talvez. Doente? Com certeza. Samuel havia invadido minha mente, meu corpo e logo eu passei a acreditar na ideia deformada de amor que minha melhor amiga, Rachel tinha. Naquele dia, uma sexta feira, tudo mudou.
— Estou apaixonada. — Eu falei para minha irmã mais velha, que com um sorriso assentiu.
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