O Diario De Margaret
6 Capítulo 6- Brian
Duas batidas na porta me tiram dos meus pensamentos.
- Entre.- Digo e minha mãe entra no quarto.
- Filha, se arrume para o enterro da sua irmã.- Diz ela com uma voz de choro.
- Tudo bem.- Digo e ela sai.
Antes de me arrumar me olho no espelho. Se eu não me conhecesse diria que eu sou a Margaret. Somos tão parecidas. Isso deve trazer realmente muita dor para a minha familia, ver uma pessoa tão parecida com Margaret e ficar lembrando toda hora que ela esta morta por um motivo que ninguem sabe.
Talvez se eu pintasse e cortasse meu cabelo eu não traria tanto sofrimento e as coisas poderiam melhorar um pouco. Ou talvez não...
Pego meu vestido preto, o que eu vou usar no enterro de Margaret. O coloco e percebo que usando preto eu fico ainda mais parecida com minha irmã, se isso é mesmo possivel.
Vou ate o banheiro, tranco a porta. Tiro o vestido e coloco um roupão. Pego a tesoura e uma tinta preta, o sonho de Margaret era pintar o cabelo mas ela sempre soube que ficaria insatisfeita com o resultado.
O que é mais ironico, é que eu quero ficar diferente dela mas vou pintar o meu cabelo da cor que ela sempre quis. Não vai fazer efeito. A sorte é que eu tambem ja pensei em pintar meu cabelo por isso tambem tinha uma tinta escondida. Azul. Coloco a preta no lugar e pego a azul.
Começo cortando o meu cabelo, a cada corte da tesoura eu via um pedaço da igualdade ir embora. Depois de curto, na altura do meu pescoço, eu passo a tinta.
Depois de um tempo meu cabelo esta finalmente da cor que eu queria, não estava ruim mas tambem não estava bom.
Coloco novamente meu vestido e dessa vez não me sinto tão igual, eu finalmente me sinto unica. Mesmo não sendo isso o que eu gosto, mesmo gostando de ser igual minha irmã...eu sei que minha família só vai se recuperar se não tiver uma segunda Maegaret andando pela casa.
Destranco a porta do banheiro e saio.
- Finalmente saiu, estamos te esperando a um bom...- James parou de falar quando percebeu a minha mudança.
Desci as escadas deixando James parado com a boca aberta. Meus pais estavam la embaixo e quando me viram tiveram a mesma reação que meu irmão.
- Vamos?- Pergunto.
- O..O que..O que você...Filha você... Por que você...- Minha mãe tentava formar frases completas porem não estava conseguindo.
Depois de um tempo em choque, eles finalmente ficaram normais e fomos ao enterro.
Resumindo o que aconteceu: vimos varias pessoas, que nunca nem ligaram para Margaret, chorando. O padre falou algumas coisas. Minha mãe e outras pessoas, inclusive eu, jogamos flores um pouco antes de enterrarem o caixào, e depois disso o enteraram. Enterraram minha irmã.
O meu plano de tentar ser forte para minha familia foi embora. Eu mão consegui segurar todas as lagrimas que vieram. Sai daquele lugar rapidamente. Não conseguia ver aquela cena tão triste. Depois de ja longe me sento embaixo de uma arvore. As lagrimas não paravam de cair e minha visão ja estava borrada. Mesmo assim consegui ver uma pessoa se aproximando.
- Você esta bem?- Perguntou a pessoa, um homem. Enxuguei minhas lagrimas e pude observa-lo melhor. Alto e forte.
- Sim, obrigada.- Digo fungando.
- É a irmã gemea da Margaret, certo?- Ele perguntou. Assenti.
- Engraçado, me disseram que você era identica a ela. É parecida tudo bem mas identica...- Ele diz.
- Eu mudei o cabelo.- Digo e ele sorri.
- Eu percebi.- Ele diz se sentando ao meu lado.
- Desculpe não me apresentar antes, sou Brian.- Ele diz
- Amanda.- Digo e ele ri, o escuto ele sussurrando "eu sei"
- Eu sou um amigo da sua irmã. Ela tinha tantos segredos e só os contava para mim. Ela sempre falou bem de você, ela te amava muito. Um dia eu perguntei se você sabia dos segredos dela, ela disse que não e que eu estava proibido de contar. Disse que você ia descobrir sozinha na hora certa. Eu sempre quis saber como.- Ele diz dando um sorriso.
- Eu a amava muito tambem.- Digo e algumas lagrimas caem pelo meu rosto, logo as enxugo.
- Ela sabia disso. — Ele diz segurando o choro.
— Ela usava drogas.- Eu digo chorando desesperadamente. Ele me olha de um jeito compreensivo e eu via algumas lagrimas caírem de seus olhos.
- Amanda, eu sei que você quer saber sobre a vida da sua irmã mas por favor confia em mim. Você não vai gostar do que ira descobrir. — Ele diz serio com os olhos vermelhos, segurava meus dois braços.
Me soltei dele e me levantei. Sai correndo e fui me encontrar com minha familia que estava me esperando no carro.
- Onde você estava Amanda?- Pergunta meu pai com raiva enquanto eu entrava no carro.
- Sozinha.- Respondo
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