O Diabo veste terno
4 Trabalho dos infernos
Notas iniciais
POV Bella
Depois de ter colocado os sapatos altos. — que eu sabia que iriam provavelmente me custar um tornozelo torcido. – Eu tentava puxar em minha mente tudo que Edward havia me pedido para fazer.
O pior de se estar nervosa, é que meu cérebro parecia congelar.
Ele disse para ligar para um tal de Demar... Dema... Droga, esse tal de “D”. Para minha sorte. – Ou não, Victória voltava para sua mesa, e não tinha uma cara muito boa.
— Psiu! – tentei chamar sua atenção, sem fazer muito barulho, pois a porta do escritório de Edward estava aberta. – Psiu! – tentei novamente, e desta vez ela levantou a cabeça.
Então me lançou um olhar mortal.
— Que foi garota, está achando que eu sou um gato, ou o que? – ela disse em um tom ríspido, porém, com o volume de voz reduzido.
— Edward falou para... – minha voz saiu como um sussurro, então levantei-me da minha mesa, indo até a sua.
— Ele quer que ligue para um tal de Demar... Dema, eu não lembro o nome...
— Demarchelier? – ela disse com as sobrancelhas erguidas?
— Isso! Isso mesmo! – Disse aliviada por ela entender do que eu falava.
— Está bem, pode deixar, que eu ligo.
— Você tem o número?
Victória revirou os olhos.
Então ela pegou seu telefone, e começou a discar. Alguns segundos depois ela começou a falar.
— Edward Cullen irá falar com o senhor. – Ela disse, então uma fez pausa. – Sim, pode deixar.
Edward apareceu na porta.
— Conseguiu o Demarchelier? – ele perguntou impaciente olhando em minha direção.
— Estou com o senhor Biers na linha. – Victória disse, então ela apertou um botão no telefone, transferindo a ligação, e colocando o telefone no lugar.
Edward voltou para sua sala.
Victória voltou sua atenção para seu computador.
— Espera, espera, tem mais algumas coisas. – Eu disse colocando meus pensamentos em ordem. — Ele me chamou na sala, e falou algo sobre o píer 59 as oito, e depois sobre Jane...
— Fale mais baixo! – ela me interrompeu.
Reduzi minha voz.
— E algo sobre uma modelo, e depois de acessórios que ele não gostou, e 15, ou 20 saias da... Calvin Klein!
— Ele disse alguma coisa sobre cor, modelo, tamanho? – seu tom era um sussurro.
— Não. – Eu afirmei. – Eu tentei perguntar, mas...
Victória arregalou os olhos.
— Você é louca? – ela me olhou séria. – Nunca, em hipótese alguma pergunte algo para Edward Cullen, você me entendeu?
Balancei a cabeça assustada por seu sermão.
— Está bem, eu cuido de todo resto, e você vai na Calvin Klein. – Ela disse pegando o telefone de sua mesa, e ligando para alguém.
— Eu?
Ela olhou para mim.
— Ah, me desculpe querida, você tem alguma coisa mais importante para fazer agora? – ela disse sarcástica. – Tipo um desfile no corredor de quem tem a saia mais horrorosa? — ela deu uma risadinha maldosa.
Ai Cruella.
O que ela tinha contra a pobre da minha saia?
(...)
O motorista parou o carro na guia, desci apressada, já havia voltado da Calvin Klein, mas Edward decidiu que eu teria que voltar, porque as saias que eu trouxe não serviriam.
Droga, se o homem dissesse o que ele queria especificamente, ou apenas respondesse as minhas perguntas, poderia facilitar mais o meu serviço, mas não, ele tinha que ser um filho da puta arrogante.
O telefone tocou mais uma vez.
— A...
— Você já chegou?— A voz arrogante de Edward soava do outro lado da linha.
— Sim senhor Cullen, eu acabei de chegar, vou ligar assim...
Ah, nossa, o apressadinho já havia desligado.
Tá bom.
Atravessei a rua, que estava uma loucura, cheia de carros querendo passar. Novamente o telefone começou a tocar.
— Oi.
— Edward precisa que você vá até a sede da Hermes, e pegue 30 cachecóis que encomendamos na semana passada. Depois vá a Dulce & Gabbana, e pegue a encomenda dele. Edward acabou de sair, para uma reunião das modelos da capa do mês que vem, quando voltar ele vai querer mais café. Passe na Starbucks, e traga mais 3 cafés, sem açúcar e puros. E quentes Isabella.
Então ela desligou.
— Sim muito quentes. – Eu disse em voz alta para o telefone já desligado.
(...)
Depois de quase duas horas fora, eu finalmente retornei para o prédio da Runways. Meus braços estavam completamente cheios de sacolas pesadas, o salto alto estava me matando, e eu ainda segurava a droga dos cafés da Starbucks, tentando equilibra-los e ao mesmo tempo abrindo a porta.
Quando passei pela porta do meu andar, Victória veio em minha direção, como uma abelha zangada.
— Nossa por que você demorou tanto?! – ela disse com um tom de voz irritado. – Eu queria ir ao banheiro! – Ela disse enquanto retirava as sacolas dos meus braços.
— Nossa, você não foi desde que eu saí? – perguntei enquanto apoiava os cafés na minha mesa.
— Você acha que esse trabalho aqui é brincadeira? – ela disse me encarando. -Agora fique aí, porque se eu não for agora, sou capaz de explodir!
E saiu correndo pela porta de vidro.
Fui até a minha mesa, onde Victória havia posto o código de acesso para o computador. Quando eu ia me sentar...
— VICTÓRIA!
Ah não.
Fui em direção a sala.
Abri a porta, ele estava com os olhos na tela do computador.
— Não sabe bater? – ele disse sem desgrudar os olhos da tela.
Mas que cacete, ele não me chamou?
— Onde está o meu café Victória? Sabe muito bem que ele tem que estar aqui quando eu chego.
— Me desculpe senhor Cul...
— Não a chamei aqui para ouvir suas ladainhas, apenas traga o meu café. É só isso.
Respirei fundo e contei até três de trás para frente mentalmente.
3...2...1...
— Você é surda garota? Vá logo!
Dei um aceno rápido, e corri em direção a minha mesa, voltando com seu café.
— Aqui está Senhor Cullen. – Eu disse colocando um sorriso falso no rosto.
Ele deu um gole no café.
— Este café está frio, traga outro. — ele disse sem me olhar. — Quero um expresso descafeinado sem açúcar.
Ele só podia estar brincando!
— E quente Victória. Muito quente.
— É Bella.
— O quê? — ele disse.
— Nada. — Me controlei para não revirar os olhos na sua frente.
Sai de sua sala com passos largos, fechando a porta atrás de mim, com um pouco mais de força exigida.
Filho da puta, desgraçado, arrogante imbecil. Tomara que engasgue e morra com esse café maldito.
Sim, eu estava puta da vida xingando o meu chefe mentalmente, pois felizmente a minha sanidade ainda existia.
Ah, detalhe, esse foi só o meu primeiro dia ali.
Nos outros dias que se seguiram, não foi nada diferente.
Ora Edward pedia que eu, “Victória” fosse na lavanderia pegar suas roupas, depois que eu fosse em alguma grife chique pegar as encomendas da Runway, e que eu fosse na Starbucks.
Sim, eu ia muito lá.
Quando eu chegava em casa, tudo que eu queria da minha vidinha era dormir. Mas no dia seguinte eu tinha que enfrentar a fera.
Naquela semana, quando eu achei que já estava adaptada ao trabalho, estava no restaurante dos funcionários do prédio, eu tinha em meu prato: um delicioso purê de abobora, aspargos salteados na manteiga, uma porção de batatas fritas, um bife, e uma salada verde, porque eu sou muito fitness.
— UAU, nunca vi ninguém aqui comer essa quantidade de comida de uma só vez. – A mocinha baixinha, Alice disse sorrindo para mim, enquanto pegava uma concha de uma sopa laranja.
— Não sou planta para fazer fotossíntese, eu como mesmo. – disse enquanto dava uma mordida em uma das batatas do meu prato.
— Você tem sorte por ter um metabolismo acelerado. – Ela disse enquanto pegava alguns croutons para colocar em sua sopa.
Sorri para ela.
— Não me diga que as outras funcionárias daqui não comem?
Ela deu uma risada.
— Bem, comem, mas não como você. No máximo uma salada verde, e uma maça.
Balancei a cabeça incrédula.
— Como elas conseguem? – disse sem acreditar.
Alice deu de ombros.
— Algumas pessoas acham que vale a pena.
Depois Alice me convidou para que eu me sentasse com ela, e com alguns funcionários responsáveis pela parte gráfica da revista. Ela ficou intercalando suas conversas entre mim, e os editores gráficos, estava sendo um almoço agradável.
Até o celular dela tocar.
— Sim, obrigada Quil, já estou subindo. – Ela disse desligando fazendo uma careta. – Temos que ir Edward adiantou a reunião para trinta minutos, e ele está sempre está 15 minutos adiantados. – Ela disse me encarando.
Olhei para o meu relógio.
— E o que isso quer dizer?
— Que já estamos atrasadas, venha!
Corremos para o elevador, largando nossas comidas inacabadas.
Quando íamos subir, um senhor entrou no elevador.
— Boa tarde Alice. – Ele deu um aceno.
— Boa tarde Sr. Clearwater. – Ela disse.
— Como vai a edição deste mês?
— Está indo muito bem, obrigada. – Ela deu um sorriso, mas olhava para frente da porta do elevador.
— Soube que Edward cancelou todas as jaquetas de couro que havia encomendado, e adiantou as roupas de inverno. – Ele disse a encarando.
— Sim. – Ela disse olhando para os pés.
— E quanto isso vai custar? – ele perguntou com um vinco na testa.
Alice deu um suspiro pesado.
— 300 mil dólares.
— Meu deus! — ele disse espantado. – Ele deve estar uma pilha, não?
Alice balançou a cabeça em concordância.
— E quem é esta jovem? – o homem disse apontando para mim, como se só agora tivesse notado minha presença neste cubículo.
— É a nova assistente de Edward, Isabella.
— Muito prazer Isabella. – Ele disse sorrindo estendendo a mão.
— Bella. – Eu disse sorrindo.
Então o elevador parou.
— Bem meninas, eu tenho que ir. E parabéns pelo novo emprego Bella. Milhões de garotas se matariam por isso.
Sorri amarelo.
Sei, é porque elas ainda não vieram trabalhar para o capeta.
Ele saiu do elevador, e eu estava novamente sozinha com Alice.
— Quem era? – eu perguntei.
— Harry Clearwater, trabalha nos recursos financeiros da empresa, acabou de voltar de férias.
— Ah.
(...)
Quando chegamos ao nosso andar, estava uma loucura como sempre. Pessoas correndo desesperadas de um lado para o outro, e Edward estava gritando com alguém.
E a porta estava fechada.
— ... NÃO QUERO SABER!— ele gritava audivelmente de sua sala. — EU NÃO PEDI ESSAS MERDAS. EU QUERO QUE ME MANDE O QUE EU PEDI! NÃO DESCULPO NÃO! VOCÊS E SEUS FUNCIONÁRIOS SÃO UM BANDO DE INCOMPETENTES.
Alguns minutos depois, ele abriu a porta do escritório, e posso jurar que seu rosto estava vermelho de raiva. Como ninguém saiu de sua sala chorando, conclui que ele estava ao telefone.
— Alice. – Ele disse com um tom seco.
Alice olhou para mim.
— Bella, preste atenção em tudo que for dito, e anote o que puder. – Ela disse em um sussurro enquanto passávamos pela porta.
Socorro Deus.
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