O Diabo veste terno
16 Surtando
Notas iniciais
POV Edward
Que inferno!
Por que?
Porque ela consegue provocar isso em mim?
O que Isabella faz para que eu me sinta tão vulnerável?
Que sentimentos são esses que ela consegue despertar que nem mesmo eu sabia que poderia experimentar?!
Justamente na hora do almoço, quando pensei em chama-la para se juntar a mim, eu a vi conversando com aquele rapaz.
E só podia se a droga do seu namorado.
Jacob.
Eu nunca havia me sentido tão fora de mim como me senti naquele momento.
E depois de um longo e estressante dia, finalmente estava na tranquilidade da minha casa.
A qualquer minuto Isabella traria o livro.
Então senti meu telefone vibrar.
— Fala Alice. – Disse mal humorado.
— Boa noite para você também irmãozinho. – Ela respondeu sarcástica. – Adivinha quem conseguiu uma reunião com os executivos da Lacoste na quinta-feira?
Franzi a testa.
— Na quinta feira Alice? Justo o dia da minha reunião com o pessoal da Gucci?
Ela fez uma pausa.
— Caramba, é mesmo! – Mais uma pausa. – Bem, a não ser que você mude a reunião do pessoal para a noite, por que você vai precisar ir até Utica. E antes que comece a surtar, já conversei com Sam, e ele disse que tem voos disponíveis para tarde. Vai ser rápido, e ainda você voltara a tempo de sua reunião e...
— Mas Alice, como você marca uma reunião assim tão encima da hora?! Agora eu vou ter que mudar todo meu cronograma e...
— Correção, suas assistentes vão ter que fazer isso né?
Revirei os olhos.
— Que seja.
— Bem, amanhã resolvemos isso, eu só queria te contar a novidade. Ah, sim, Bella já entregou o livro?
Escutei o barulho de uma porta se fechando.
— Tenho que desligar Alice.
Sai de meu escritório, indo em direção a sala, e para minha surpresa o livro já estava na mesa.
Ela já havia ido embora.
POV Bella
Resolvi não dormir na casa de Jacob aquela noite, eu não havia planejado terminar a minha noite daquele jeito, e além do mais eu precisava de roupas limpas.
Resolvi dar outra chance a ele, e no fundo estava me sentindo aliviada por isso.
Estava sentada no sofá, e de repente olhei para meu celular.
Era um pouco tarde para ligar para Rosalie, então resolvi mandar mensagens.
(...)
Bella você é muito coração de manteiga mesmo! Se fosse comigo eu teria feito ele se rastejar para mim.
Balancei a cabeça, então digitei.
Você sabe que eu não sou assim.
Rosalie estava digitando uma resposta.
Tem razão.
Mas se você está bem assim, quem sou eu para contrariar?
Então respondi:
Na verdade, não estou tão bem como gostaria.
Por que?— Ela escreveu.
Eu não tive coragem de dizer que o trai também.
Logo em seguida ela escreveu:
E você não vai dizer né amiga? Quero dizer, para que estragar as coisas agora?
Eu sei Rose, mas a culpa está me matando!
Ela digitava outra resposta:
Bella, você tem que parar com essa mania de querer ser honesta o tempo todo! Caramba, ele te traiu na cara dura! Por um acaso você acha que ele teria alguma pretensão em te contar se não fosse o seu flagra?
Acorda Bella!
Eu sabia que Rosalie tinha razão.
Ele poderia não me contar, e quem sabe até quando ele levaria esse caso para frente. Mas mesmo assim...
Eu me sinto suja por ter dormido com meu chefe.
Rosalie digitou outra resposta:
Correção Bella: Dormido com o gostoso e CEO da Runway. Não é para qualquer uma!
Só Rosalie para fazer piadas em uma situação como essa.
Aquilo foi um erro, e não iria se repetir.
(...)
Acordei com o barulho de chuva.
Será possível que choveria a semana toda?
Calcei minhas botas de cano longo preto, e vesti um suéter azul marinho com um suspiro pesado.
A semana estava passando lentamente, e de repente me dei conta que em poucos dias completaria 4 anos que Jacob e eu estávamos juntos.
Já estava a caminho da Runway quando senti meu celular vibrar.
Será possível que eu nunca fosse me acostumar com isso?
— Isabella, Edward precisa das encomendas da Dolce & Gabanna, e você já sabe, ele quer café. Descafeinado e puro. – Ela disse com a voz rouca.
(...)
Cheguei voando no prédio da Elias Clark, e quase esbarrei em uns executivos que estavam no caminho.
Por sorte não derrubei café neles.
Cheguei no meu andar, e vi que a porta do escritório de Edward estava aberta.
Então vi Victória em sua mesa, e ela levantou cabeça assim que cheguei.
— Ainda bem que você chegou, eu estava quase indo buscar o café dele! – Ela disse pegando um lenço de papel e assuando o nariz.
Então de repente ele apareceu na porta. Estava ao celular e pegou o café da minha mão sem dizer nada e voltou para sua sala.
— Bom dia meninas. – Alice veio saltitante até nossas mesas.
— Bom dia. – Nos duas dissemos ao mesmo tempo.
— Victória você já confirmou todos os convidados da festa da sexta-feira?
— Ainda não, estou quase surtando! – Ela disse focada em seu computador. – Eu preciso confirmar tudo até quinta.
— Faça isso. – Ela disse olhando em direção a sala de Edward. – Vejo vocês depois.
Então voltou saltitante para porta de vidro.
— Que festa? – Eu perguntei para Victória.
Ela me olhou como se eu tivesse perguntado “que horas são em marte?”
— A festa beneficente. — Ela disse. — Acontece todos os anos. É um evento de moda importantíssimo, não sei como trabalha aqui e ainda não sabe disso Isabella! – Ela disse arrogante.
Então continuou.
— Edward sempre dá essa festa, e leva sua assistente com ele. É uma noite de glamour, ou seja, usa-se trajes de gala nesse tipo de evento. Tenho esperado por isso a meses! Vou usar Valentino! Vou ver várias celebridades do mundo da moda... Vai ser incrível!
Então tá.
— Isabella. – Edward apareceu na porta interrompendo a conversa. – Preciso que desmarque minha reunião dos executivos da Gucci da quinta-feira à tarde, para noite. Vou precisar ir até Utica depois do almoço e só retornarei no final da tarde. Ache um restaurante, faça as reservas e confirme para mim.
— Sim senhor Cullen.
(...)
Na quarta-feira estava contando os dias para a semana acabar.
Já havia voltado e saído tantas vezes do prédio, que até havia perdido a conta.
Mas agora, eu tinha de correr, pois já haviam se passado mais de 15 minutos desde que Victória havia me ligado, e Edward provavelmente a essa hora estaria sentado em sua cadeira giratória, perguntando-se onde exatamente eu me metia toda aquela manhã. — Acho que o logotipo do Starbucks no lado da xícara, e as sacolas pesadas nunca o orientou.
Mas antes que eu pegasse tudo no balcão, meu telefone tocou. E, como sempre, meu coração acelerou.
Eu sabia que era Victória ou Edward, mas ainda assim me apavorei.
O identificador de chamadas confirmou a minha suspeita.
— Ele está aqui e está com um péssimo humor. — Ouvi Victória sussurrar do outro lado da linha com a voz fanha.
Puxa vida, mas que novidade!— Pensei sarcasticamente.
— Você já deveria ter chegado! – Ela continuou toda ranzinza.
— Estou fazendo tudo o que posso Victória. — Resmunguei, tentando equilibrar os copos e as sacolas gigantes da Chanel em um braço e com o outro segurava o telefone.
— Então venha logo!
Então ela desligou.
Como se eu precisasse de mais alguém gritando o que eu deveria fazer!
Às vezes acho que Victória se achava Edward de saias, por que era tão ranzinza e mandão quanto ele.
(...)
Na quinta-feira estava um pouco mais aliviada, pois sabia que depois do almoço Edward estaria bem longe da Runway em mais uma reunião, e felizmente desta vez não precisaria acompanha-lo.
Me peguei sorrindo ao saber que pela primeira vez naquela semana teria um dia tranquilo na Runway.
Até que o telefone tocou.
— Escritório de Edward Cullen. — Dei um suspiro, pensando que não havia uma única pessoa no mundo com quem eu gostaria de falar nesse momento.
Estava curtindo a minha paz pela primeira vez.
— Isabella? É você? — a voz inconfundível ocupou a linha e pareceu filtrar-se no ar da sala.
Embora fosse impossível alguém escutar do outro lado da sala, Victória ergueu os olhos em minha direção.
— Alô, Sr. Cullen. Sim, sou eu. — Me segurei para não revirar os olhos. — Posso ajudá-lo?
Então por um momento fiz um cálculo rápido.
Seu voo deveria ter decolado há menos de dez minutos.
Como era possível ele estar me ligando em pleno voo?
— Espero que sim Isabella. — Seu tom era seco. — Esqueci a merda do meu celular no escritório e esse que estou é inútil! consequentemente, não tenho o número de ninguém. Isso é inaceitável! Totalmente inaceitável! Como posso conduzir os negócios sem os números dos telefones?
Acho que era uma pergunta retórica.
— Hmmm, bem, Sr. Cullen, sinto muito sobre isso. – Disse dando de ombros.
Sinto cassete nenhum, isso sim.
— Me poupe de suas bajulações — Ele devolveu em um tom seco.— Estive analisando meu itinerário. Por que ainda não recebi nenhum e-mail de confirmação sobre o jantar de hoje à noite?
Ele falava como se tudo dependesse de mim.
— Bem Senhor Cullen, é porque o senhor Garrett ainda não conseguiu uma confirmação absoluta do pessoal dele, mas ele disse que havia noventa e nove por cento de chance de que pudessem...
— Isabella.— Ele disse em um tom pausado, e acho que o ouvir bufar do outro lado da linha. — Responda-me uma coisa: noventa e nove por cento é o mesmo que cem por cento?
Cassete.
Que homem chato.
Mas antes que eu pudesse lhe responder, ouvi-o dizer a alguém, (provavelmente à aeromoça), que ele não estava “particularmente interessado as normas e regulamentos da companhia relacionados ao uso de aparelhos eletrônicos” e para “aborrecer outra pessoa com esse tipo merda”.
— Mas, senhor, é contra as regras, e vou ter de pedir que desligue até termos alcançado a altitude de cruzeiro. Simplesmente não é seguro. — Ouvi a mulher dizer em um tom de educado, quase suplicante.
Pobre Aeromoça.
— Isabella, ainda está me ouvindo?
— Por favor senhor, em nome da companhia terei de insistir. Desligue o seu telefone!
Senti meu rosto formar um imenso sorriso.
Comecei a imaginar a cara de Edward odiando ser tratado como mero mortal. Minha boca estava começando a doer por conta do sorriso largo.
— Isabella, a aeromoça está me obrigando a encerrar a ligação. — Ele parecia mais irritado.— Ligarei de volta, assim que possível. Nesse meio-tempo, quero que você ligue para o pessoal da Gucci, e confirme nosso jantar das 19:30, e preciso que confirme com Victória a lista de todos os convidados de amanhã a noite. Isso é tudo.
Então como sempre ele desligou.
— O que ele queria? — Victória perguntou assuando o nariz.
— Bem, ele quer que eu ligue para os assessores da Gucci, para a tal reunião de hoje à noite, e ele quer que sejam confirmados imediatamente porque sem dúvida noventa e nove por cento não é tranquilizador o suficiente para ele.- Não consegui esconder meu tom de ironia. — Ah, e disse alguma coisa sobre os convidados de amanhã. Não devo ter entendido direito. De qualquer maneira, ele vai ligar de novo daqui a trinta segundos.
Victória respirou fundo, e não disse nada.
Talvez apenas estivesse se contendo para suportar meu mal humor.
Obviamente não era fácil para ela.
(...)
Estava tamborilando os dedos na mesa, e olhei para o telefone.
Ele deve ter lido a minha mente, pois o telefone tocou imediatamente na mesma hora.
Fiz alguns cálculos e percebi que provavelmente a essa hora ele já deveria ter aterrissado.
Dei uma rápida olhada no itinerário segundo a segundo que Victória havia construído tão meticulosamente, e mostrou que ele agora deveria estar no aeroporto a caminho da Runway.
— Escritório de Edward Cu...
— Isabella! — Ele praticamente grunhiu.
Ele estava irritado.
— Me ligue imediatamente com o Demarchelier!
— Sim, Sr. Cullen, por favor, só um momento. — Pressionei o botão de espera e comecei a procurar pelo número do Demarchelier.
Mas para variar eu não conseguia ligar, e cada segundo que passava era motivo para Edward se aborrecer, e logo ele já estaria gritando: “Onde diabos ele está? Por que você não consegue encontrá-lo? Não sabe como se usa um telefone? Eu preciso da ligação para ontem!”
Então vi Victória vindo em minha direção.
— O que está acontecendo?
— Ele quer o Demarchelier — disse.
O nome fez com que ela voasse correndo para minha mesa.
(...)
— Boa tarde, Senhor Garrett. Sou Isabella Swan, assistente de Edward Cullen. Estou ligando para confirmar sobre o jantar de hoje à noite.
— Sim, é claro, nos falamos a pouco.— Ele disse em um tom educado.
— Então para confirmar, vocês irão se encontrar no restaurante Friedman´s na 132 W 31st St, as 19:30.
— Sim, está certo. Eu e meus sócios estaremos aguardando por ele.
— Obrigado Sr. Garrett.
Desliguei o telefone.
Bom, esta parte estava feita.
Agora eu só precisava mandar um e-mail para meu chefe.
De: Isabella Swan
Para: Edward Cullen
Assunto: Jantar
Boa tarde, Sr. Cullen
A respeito sobre a reunião, consegui ligar para confirmar sobre o jantar de hoje à noite, o Sr. Garrett e seus sócios estarão aguardando o senhor no Friedman´s ns 228 W 47th St as 19:30.
Atenciosamente Isabella Swan.
Assistente Júnior, Runway Enterprise Holdings, inc
(...)
Então recebi uma notificação na minha caixa de e-mail.
Era de Edward.
De: Edward Cullen
Para: Isabella Swan
Assunto: Afazeres
Estou a caminho.
Preciso que vá até a Polo Wear, pegue três caixas com minhas encomendas, e passe na lavanderia e pegue minhas roupas.
Quando eu voltar vou querer o meu café me esperando. — Um expresso descafeinado sem açúcar.
Isso é tudo.
Edward Cullen
CEO, Runway Enterprise Holdings, Inc
Mesmo em um simples e-mail ele conseguia ser mandão.
(...)
Eu havia acabado de voltar da Starbucks e segurava as caixas empilhadas em um braço e o café no outro.
Provavelmente a essa hora ele deveria ter chegado.
Quando ia apertar o botão do elevador, um dedo longo e branco entrou em minha direção.
— Boa tarde Sra. Swan. – Edward disse simplesmente.
Fiquei parada no lugar.
— Então, não vai entrar? – ele perguntou.
Não respondi, e me segurei para não revirar os olhos em sua frente.
Então ele pegou o café da minha mão.
Poxa, bem que ele poderia me ajudar com essas sacolas também.
Ogro.
(...)
Finalmente depois de entregar o livro, eu estava livre, então resolvi passar em meu apartamento pois iria passar a noite no apartamento de Jacob.
(...)
Eu havia acabado de estourar pipoca no micro-ondas, o cheiro de manteiga derretida invadia todo o apartamento. Iriamos assistir um filme na Netflix, era para ser uma noite tranquila.
Até meu celular tocar.
Olhei para tela.
Era meu chefe.
Jacob franziu a testa.
Dei de ombros. Então suspirando atendi.
— Alô...
— Isabella. Tem alguma ideia de por que estou te ligando? - Seu tom era contido.
Por que você é chato para caralho talvez? – Tive vontade de responder, mas me contive.
Como eu não disse nada, ele continuou.
— É porque estou a exatamente 45 minutos sentado no restaurante ao qual você reservou. — Sua voz era calma. — Ah, mas espere um pouco. Não é neste restaurante que o pessoal da Gucci está me esperando... — Mais uma pausa. — POR QUE ELES ESTÃO NA FILIAL DO OUTRO LADO DA CIDADE! VOCÊ MANDOU A DROGA DO ENDEREÇO ERRADO PARA ELES! COMO VOCE PÔDE FAZER ISSO?!TEM IDEIA DO QUE FEZ?!
Engoli em seco.
Puta que pariu!
Comecei a tremer de nervoso.
— Bella, você está bem? – Senti Jacob me sacudir.
— E-eu, mas, mas...
Fiquei congelada.
— Pare de ficar gaguejando e dê um jeito nessa situação! É O SEU TRABALHO! SUA RESPONSABILIDADE! – Ele gritou irritado do outo lado da linha.
Então ele desligou.
Mas que inferno!
(...)
Dez minutos depois de me explicar para o Senhor Garrett, e lhe pedir infinitas desculpas, consegui um carro para deslocar o pessoal da Gucci para o restaurante em que meu chefe estava.
O senhor Garrett parecia um homem de muito bom humor, diferente do meu chefe, então é claro que ele riu de toda aquela situação.
Mas no momento eu não estava para achar graça de nada, afinal depois do que havia acontecido, eu não esperava que Edward fosse compreensivo, isso se ele não decidisse me demitir, o que a essa altura seria totalmente plausível.
Respirando fundo três vezes, liguei para ele, para avisar que o pessoal da Gucci estava chegando.
— Sr. Cullen. – Tentei dizer em um tom calmo. — Consegui um carro para deslocar o Sr. Garrett e seus sócios. Sinto muito por todo o transtorno que causei.
Ele deu um suspiro.
— Eu espero que sinta mesmo Isabella.— Ele disse sério. — Mas não se preocupe, vou achar uma maneira de puni-la.— Ele disse em um tom divertido na última frase.
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