O Diabo veste terno
30 Mascarede
Notas iniciais
POV Bella
Os desfiles que se seguiram nos últimos dias conseguiram mudar minha concepção sobre como eu enxergava a moda. De alguma forma eu começava a entender todo o mecanismo dos desfiles.
Nunca me importei muito com esse assunto até me formar em jornalismo e vir trabalhar em uma revista de moda. Sempre considerei o assunto como algo fútil e banal.
Antes de entrar para a Runway, eu nunca tive qualquer interesse, ou contato sobre o assunto. Acho que talvez a única referência mais próxima era minha melhor amiga, Rosalie, que sempre foi muito mais antenada a esse assunto do que eu.
Mas desde o meu primeiro desfile, ver as cores e os volumes absurdos que as modelos usavam nas passarelas, as formas complexas e a imagem dos desfiles fizeram eu ter outra visão.
Acho que realmente essa cidade tem magia.
Estava parada em frente a grande janela francesa com o notebook aberto. Já fazia um tempo que estava sentada ali. Eu sabia que a essa hora Edward provavelmente estaria em seu quarto resolvendo algum problema da Runway, que de alguma forma não paravam de surgir, e ele não queria ser incomodado por ninguém.
Era incrível a maneira como ele conseguia conciliar as obrigações, mesmo estando a tantas milhas de distância em um outro país.
Comecei a refletir sobre o primeiro desfile, e o modo como as coisas ficaram. Aquela noite depois que voltamos da festa, o modo como ele me beijou, como tudo ficou intenso entre nós.
Ele disse que eu despertava algo nele naquela noite.
Fiquei martelando essa frase em minha cabeça, tentando desvendar o que isso poderia significar, tentando dar algum sentido aquelas palavras.
Toda vez que eu pensava nisso, sentia borboletas no meu estômago.
Tentei conversar com Rosalie, mas lembrei que ela estaria fora a semana toda com Emmett, em Gatlinburg, Tennessee, e o sinal de lá era péssimo. Então tive que debater isso comigo mesma, e é claro, não cheguei a nenhuma conclusão.
Talvez se Tanya não tivesse aparecido e interrompido...Mas desde aquela noite não tocamos mais no assunto.
Suspirei, tentando voltar ao meu foco. — Os desfiles.
Tínhamos um cronograma sobre tudo que seria feito no dia, todos os horários eram impecavelmente organizados. Eu devia tudo isso, é claro, a Victória que ficou preparando isso durante semanas antes de ficar doente. Eu precisava recompensa-la de alguma forma.
Hoje era sexta feira, estava completando uma semana desde que chegamos e o dia seguinte estava marcado para um grande evento.
Comecei a olhar todo o cronograma da viagem. — Como se eu já não o tivesse decorado.
Todas as manhãs íamos até o restaurante do hotel nos reunir com os responsáveis do desfile daquele dia. Cada dia era uma pessoa diferente, as vezes até mais de uma pessoa responsável.
Depois Alice nos puxava para um tour pela cidade (essa era uma das minhas partes favoritas). Depois, ficávamos trabalhando em nossos quartos, escrevendo relatórios, fazendo anotações que fossem relevantes. É claro que também sempre havia algum jornal, ou emissora que faziam fila só para conseguir alguma entrevista com Edward e Alice. Naqueles primeiros dias eu pensei que não iria conseguir lidar com todo aquele alvoroço de pessoas, mas felizmente eu tinha Kate para me ajudar, ela tinha experiencia em lidar com a imprensa.
(...)
Quando voltamos do almoço do restaurante Alice não parava de tagarelar animadamente sobre o evento que se seguiria no dia seguinte. É claro que toda essa falação não havia começado naquela manhã. Alice falava com empolgação sobre o evento fechado que seria sediado em um grande salão em uma parte nobre da cidade.
— Você vai adorar essa festa. – Ela dizia para mim enquanto íamos para o saguão do hotel.
— Deixe-me ver se entendi. – Disse. – Você disse que vamos ter que usar uma máscara?
Alice riu.
— Sim, vai ser muito divertido! – Ela disse animada. – Eu já planejei tudo. – Ela disse decidida.
— É claro que planejou. – Edward disse. — Você não parou de falar sobre isso nos últimos dias. – Ele disse revirando os olhos.
Alice mostrou a língua para ele.
— Então Bella. – Ela se virou para mim ignorando-o. – Já sabe o que irá vestir? – Ela disse com os olhos verdes brilhando de entusiasmo.
— Err. – Disse. – Eu não sei. – Disse dando de ombros. — Eu nunca fui a um baile de máscaras antes.
Alice pareceu chocada.
— Nunca? – Ela disse.
Balancei a cabeça.
— Então queira me acompanhar. – Ela disse pegando meu braço. – Temos um grande evento para ir, e eu já sei exatamente o que você vai vestir.
(...)
Depois de quase três horas na “O’Scarlett” – Uma loja muito sofistica de vestidos que ficava há uns 20 minutos do hotel, finalmente encontramos um vestido e mascara perfeitos.
O vestido era de um azul oceano tomara que caia, longo bordado com pedras em prata , que fazia um formato de ampulheta no corpo. A máscara era estilo Veneziano, em formato de asa de borboletas em tons de azul escuro e prata que camuflava quase todo o rosto. Haviam algumas pedras que estavam destacados do lado esquerdo da máscara, enquanto do outro lado ela ficava menos exposta, o que dava um ar de mistério nela. Acabou que essa se tornou minha parte favorita de todo o look.
Depois Alice escolheu alguns acessórios para compor a roupa, então finalmente voltamos para o hotel.
(...)
O desfile daquela tarde não se estendeu por muito tempo, apenas um pequeno grupo de pessoas estavam reunidas para aquele evento, pois o evento do dia seguinte seria a principal atração daquela semana.
Tanya havia saído com o motorista, para pegar seu vestido em uma loja que ela havia encomendado, Alice e Kate foram para o SPA do hotel, elas me convidaram para me juntar a elas, mas eu disse que precisava terminar algumas anotações e entrega-las para Edward.(O que não era totalmente mentira) e iria aproveitar o tempo livre para fazer isso.
Tanya esteve me olhando torto durante todos aqueles dias, e isso já estava começando a me irritar. Depois daquela noite que ela havia aparecido bêbada na porta do quarto, eu cheguei a pensar que ela fosse invadir o quarto. – O que felizmente não ocorreu. – Mas de alguma forma ela parecia desconfiar do meu envolvimento com Edward, ou talvez eu só estivesse paranoica.
Comecei a pensar sobre isso depois de irmos jantar em um restaurante fora do hotel dois dias depois daquele primeiro desfile.
Kate havia comentado sobre um bistrô que ficava ao lado da Torre Eiffel, e que queria muito conhecer. — O 58 Tour Eiffel, um restaurante muito requisitado pelos turistas.
Depois de algum tempo, quando estávamos todos comendo e conversando despreocupadamente sobre assuntos aleatórios, Tanya olhou para mim, com um sorrisinho irônico.
— Então...- Ela pousou seu vinho na mesa. — Deve estar sendo muito puxado para você, não é mesmo Isabellinha querida?
Argh!
Nada me irritava mais do que chamar o meu nome no diminuitivo.
E eu não me lembrava de ter dado algum tipo de intimidade a ela.
Franzi a testa pela pergunta.
— Não entendi. – Respondi em um tom neutro, querendo saber aonde ela queria chegar.
Seu sorriso cresceu ainda mais.
— Ah, sabe como é, fazer todo o trabalho de assistente, ir a tantos eventos, e dormir sempre tão tarde da noite...— Ela parou por um minuto sorrindo para mim.
Senti meu rosto queimar.
Ela sabia.
Eu não sei como, mas ela sabia.
Porra.
Olhei disfarçadamente para Edward, mas tudo o que eu vi, foi ele beber seu vinho tranquilamente com cara de paisagem.
Não, com certeza ela não disse nada demais.
— Na verdade, está tudo bem.— Dei um sorriso amarelo, olhando para o meu prato.
É claro que ela disse isso de uma forma muito sutil, ninguém, a não ser eu estava pirando.
Sim, talvez eu estivesse mesmo paranoica.
Mas frase a seguir, no entanto, não me pareceu nada, NADA sutil.
— É mesmo?— Ela sorriu. — Que bom ouvir isso, por que uma noite dessas eu estava indo para o bar, e posso jurar que ouvi gemidos vindos do seu quarto. Espero que esteja tudo bem agora...
Puta que pariu.
Quase cuspi meu vinho.
Inferno!
— Jura?—– Disse quase enfartando. — Deve ter sido algum gato no cio. – Disse dando um grande gole no vinho, tentando soar o mais natural possível.
Óleo de peroba, me patrocina.
Edward deixou escapar um riso.
Tanya apertou os olhos me fuzilando.
Então Alice, — Graças a Deus. — Começou a tagarelar sobre um modelo em que estava trabalhando para a próxima coleção, então ela e Kate embalaram animadamente na conversa, tirando totalmente o foco de todo aquele assunto embaraçoso.
(...)
No sábado, logo depois que voltamos do almoço, Alice resolveu ir buscar nossas roupas, então ela saiu com o motorista. Kate e eu ficamos conversando nesse meio tempo no salão do hotel, e Tanya, para variar, havia saído para bater perna em alguma loja.
Depois subimos para nossos quartos, Kate disse que precisava adiantar alguns relatórios antes do desfile.
Estava no meu andar, parada em frente ao quarto de Edward. Eu sabia que a essa hora ele provavelmente estaria resolvendo algum assunto da Runway. Bati levemente em sua porta. Eu podia ouvir sua voz, deveria estar no telefone, no entanto ele não parecia em seu melhor humor.
— ...QUANDO?!- Eu o ouvi gritar.— VOCÊ SÓ PODE ESTAR QUERENDO FAZER PIADA!— Ele fez uma longa pausa. – QUANDO EU VOLTAR DESSA VIAGEM VOCE NÃO VAI MAIS... PARE DE ME INTERROMPER! NÃO. – Outra pausa. — EU AVISEI ISSO HÁ SEMANAS SAM! ESTOU DE SACO CHEIO DO SEU PESSOAL FAZENDO MERDA!
Então de repente os gritos cessaram. Ele abriu a porta me encontrando congelada em frente ao seu quarto.
Ele fez sinal para que eu entrasse, com o celular ainda no ouvido, fechando a porta logo em seguida.
— Eu.Não.Quero.Nem.Saber! – Ele disse cada palavra pausadamente. — Apenas resolva isso! – Ele disse irritado, jogando o celular em cima da cômoda.
Então inesperadamente ele se virou para mim, agarrando-me pela cintura, colando seus lábios no meus. Sua língua me invadiu, ela estava exigente e rude contra a minha.
O beijo foi intenso, como se de alguma forma ele estivesse descontando todas as suas frustrações naquele momento. Retribui o beijo, sentindo toda a intensidade em meus lábios. Ele colocou a mão atrás da minha nuca, deixando seus dedos deslizarem suavemente pelos meus cabelos.
Eu estava pegando fogo. Cada centímetro de pele estava irradiando calor.
Nos separamos brevemente para recuperar o folego, encostamos a testa um no outro.
— Oi. – Ele disse finalmente. Seu rosto estava mais sereno.
— Oi. – Disse. – Está tudo bem? — Perguntei.
Ele deu um suspiro.
— Não é nada. – Ele disse franzindo a testa. – Não temos que falar sobre essa merda agora.
Ele se afastou, indo se sentar na grande cama, passando as duas mãos pelos cabelos.
Alguma coisa o perturbou, mas claramente ele não ia falar nada para mim.
— Você quer que eu vá embora? – Disse.
Eu não queria ir, mas iria se ele quisesse ficar sozinho.
Seus olhos levantaram para encontrar os meus. Eles estavam diferentes, pareciam tristes.
— Não. Fique, por favor.
Fui em direção a cama, me sentando ao seu lado.
Ele se virou para mim. Seus olhos verdes pareciam nublados e translúcidos. O arrogante e imponente Edward Cullen de segundos atrás, gritando em seu telefone havia desaparecido, e em seu lugar estava apenas um homem que me confundia, mas que me deixava despedaçada a cada vez que eu via a tristeza transparecer em seu olhar.
Ele ergueu a mão para o meu rosto. Seu polegar delicadamente acariciou minha bochecha.
Fechei os olhos, inclinando meu rosto em suas mãos.
Seu nariz passou ao longo da minha mandíbula. Sua respiração estava quente e pesada. Minha mão pressionou seu bíceps, enquanto sentia seu rosto descer e subir da minha mandíbula, até meu pescoço. Senti seus lábios pressionarem o ponto sensível atrás da minha orelha, provocando arrepios em minha pele.
Ele começou a desabotoar minha blusa de linho branca com certa brutalidade, acariciando meus seios por cima do sutiã.
Ele parou as caricias, me empurrando no colchão, fazendo com que eu me deitasse. Chutei meus sapatos enquanto ele subia em cima de mim, pressionando seu corpo contra o meu. Seus olhos estavam escuros de desejo. Ele agarrou meus pulsos e prendeu meus braços acima da minha cabeça. Minha respiração automaticamente acelerou.
Ele voltou a me beijar, sua boca fervorosa contra a minha.
Ele se interrompeu por um momento arrancando seu suéter e camisa de uma só vez pela cabeça, a jogando de lado. Sua mão começou a passear pelo meu corpo, enquanto ele mantinha a outra presa acima da minha cabeça.
Sua boca desceu para o meu pescoço, fazendo caminhos lentos de beijos molhados com a língua até chegar em meus seios.
Ele parou, se afastando por um momento, terminando de tirar minha blusa, e desabotoando meu sutiã, liberando meus seios. Ele se inclinou, provocando cada bico com a língua e, depois, com os dentes. O agudo daquela sensação atravessou meu corpo arrancando um gemido de minha garganta.
Ele finalmente soltou minhas mãos, alisando meu sexo por debaixo da saia.
Ele continuava suas provocações com a língua.
Ele deslizou minha saia e calcinha de uma só vez, deixando-me finalmente nua.
Ele desafivelou a calça, puxando sua ereção para fora, sem tirar completamente a calça, me penetrando profundamente.
Ele me preenchia por completo.
Sua respiração estava ofegante e se igualava à minha.
Ninguém nunca me fez sentir daquele jeito e eu sabia que jamais faria.
Ele tomou novamente minha boca, a língua buscando a minha com movimentos aveludados profundos, até que eu mal conseguia respirar.
Gemi quando ele retrocedeu e então, voltou a penetrar mais fundo.
— Ah!
Ele pegou novamente minhas mãos entre as dele e as segurou com força acima da minha cabeça, com firmeza suficiente para que eu não conseguisse me mexer.
Meus seios roçaram com os pelos macios de seu peito.
Edward estava olhando para mim, seus olhos verdes preenchidos com desejo enquanto mantinha as estocadas profundas.
Eu podia sentir meu clímax se aproximando. O suor em sua testa e a linha de expressão me diziam que ele também estava quase lá.
Projetei meus quadris para a frente soltando um gemido quando senti ele me preencher no limite. Ele agarrou meus quadris com força.
A sensação da cadência de seus movimentos ritmados e meticulosos me fez querer fechar os olhos, mas ao mesmo tempo eu não queria desviar deles.
— Juntos – Edward ele disse, seu hálito quente se espalhando em meu rosto.
— Juntos. – Repeti quase sem ar, sentindo-o expandir e pulsar dentro de mim, preparando-se para o orgasmo.
— Meu Deus, Isabella! – uma lufada de ar escapou de seus lábios, e seu corpo de repente ficou rígido, com os olhos presos ao meu.
Arqueei o corpo quando senti o clímax me jogando em um turbilhão de sentimentos incontroláveis.
Soltei um grito quase desesperado, meu corpo estava trêmulo em seus braços.
Ele deu um gemido profundo, todos os meus músculos internos se contraíram para se agarrar a ele.
— Isabella! – Ele arfou.
Minha voz saiu entrecortada.
— Edward!
Um grunhido sufocado se seguiu enquanto ele se esvaziava dentro de mim.
Ficamos parados ali por um instante antes dele desabar em cima de mim.
Ficamos assim, sem falar, sem nos mexer, até que ele se deslizou para fora de mim, se deitando do meu lado, e me puxando para o seu peito.
— Acho que você vai ficar com hematomas.
Olhei de volta para ele e vi seus lábios apertados em uma linha fina.
— Não estou preocupada com isso. – Disse.
— Talvez você devesse.
Deslizei a mão por seu peito.
— Não sei o que está passando na sua cabeça Edward, mas eu gostaria que você conversasse mais comigo. Se você realmente não quiser, tudo bem, eu entendo. – Disse. – Mas não me rejeite.
— É isso que você chama de rejeição? — Ele franziu a testa. — Usar seu corpo como um saco de pancadas?
Franzi o cenho com a definição que ele havia acabado de usar.
Tudo bem, ele foi um pouco bruto e provavelmente me deixaria dolorida mais tarde, no entanto eu não me importava. Quando estávamos juntos, eu me sentia conectada a ele de alguma forma.
— Eu gosto quando você perde o controle assim, Edward. Não transforme isso em algo ruim.
— Mas e se for? Deixar você toda roxa... — ele balançou a cabeça.
— É por isso que você vem se reprimindo todas as vezes? – Perguntei.
— O que eu sinto por você, Isabella, todo esse sentimento confuso, com todo o resto que está acontecendo, às vezes é simplesmente intenso demais. Eu me sinto como se fosse estraçalhar nós dois.
Ele fechou os olhos por um momento.
Balancei a cabeça.
— Não se preocupe. – Disse. – Eu não quero que as coisas mudem.
(...)
Estávamos deitados na cama, faltavam menos de duas horas para o evento.
— Vou dizer a Alice que ela pode ir na frente com as outras, assim podemos ficar mais um pouco aqui. – Edward disse me puxando em seus braços.
Sorri.
— Só tem um pequeno furo no seu plano. – Disse.
— É mesmo? – Ele disse levantando uma sobrancelha. – E qual seria?
Me virei para encara-lo.
— Se Alice resolver subir para me chamar no meu quarto, ela vai notar que eu não estou. – Disse. – O que levantara suspeitas.
Ele torceu a boca.
— Além do mais, teremos que descer de qualquer forma.
Ele suspirou.
— Eu sei.
(...)
O desfile daquela noite havia sido sediado em um imenso salão, " The península Paris". Era um lugar imenso, e ficava perto de um ponto turístico, o " Arco do triunfo", um gigantesco arco que havia sido construído para comemorar as vitória de Napoleão, com um observatório.
(...)
O desfile havia sido fantástico, mas o evento seguinte estava me deixando ansiosa.
(...)
Convidados deslizavam pelos corredores do grande salão em seus trajes elegantes, e mascaras de todos os tipos de cores e modelos.
Os outros já haviam seguido para o salão, Edward cochichou em meu ouvido assim que a limusine parou:
— Já podemos colocar nossas mascaras.
Sorri pegando a caixa com as máscaras.
Edward colocou a sua, era uma máscara preta, que cobria apenas metade de seu rosto, igual ao do fantasma da ópera, deixando seu rosto sombrio.
Quando estávamos na entrada, ouvi a música ao fundo. Sorri ao reconhecer a melodia: One Republic, All the right moves. O tema era muito apropriado. Comecei a me sentir no clip da música.
Edward me conduziu para dentro do salão, sua mão nunca deixando minha cintura. Fotógrafos iam famintos em sua direção, disparando flashs de todos os ângulos possíveis. Embora isso já não fosse novidade, não era algo ao qual eu achava que pudesse me acostumar.
O local por si só era de tirar o fôlego, com várias janelas que iam do teto ao chão com uma vista das paredes de pedra originais iluminadas na noite.
O salão estava lotado, como havia ficado na semana anterior.
Encontramos Alice logo a frente conversando com algumas pessoas. Eu só a reconheci pela altura, e o cabelo espetado. Seu vestido era de cetim prata chumbo que combinava com seu corpo magro e seus cabelos curtos. A máscara que ela usava era impressionante, cobria quase seu rosto todo, era azul toda trabalhada nas bordas com pedras, que eu não duvidava que fossem verdadeiras. Na lateral de seu rosto uma impressionante quantidade de penas de pavão, misturada a penas maiores de tons cinza, azul e preto iam compondo toda a estrutura da máscara.
Assim que ela nos viu, deu um aceno animado.
Tanya estava fazendo poses para um dos fotógrafos.
Ela estava com um vestido roxo berinjela de cetim, colado ao corpo, sua máscara era a coisa mais escandalosa que eu havia visto. Era toda roxa composta de pedras, penas e joias, e tinha várias camadas de colares de pérolas minúsculas que estava agregada a máscara.
Ela veio em nossa direção.
— Edward querido, você está muito bonito! – Tanya veio em sua direção, dando um beijo em sua boca.
Parecia que a cena estava em câmara lenta. Foram os três segundo mais torturantes de se presenciar.
Edward a afastou rapidamente.
— O que diabos você acha...?!
Ela deu uma risada.
— Qual o problema querido? – Ela disse com um tom de inocência. — Não há nada de mais, você não concorda, Isabella?
— Não a meta nisso! – Ele a cortou. – Você...
— Edward Cullen! – Ouvimos uma voz masculina. — Eu sou capaz de reconhece-lo mesmo com essa máscara! – Um homem muito elegante vestindo um terno cinza veio em sua direção interrompendo a conversa.
Ele usava uma máscara estilo teatral, toda trabalhada em pedras. Estava acompanhando com um jovem rapaz, que logo reconheci.
— Aro. – Edward deu um aceno se recompondo. — É bom ver você. – Ele disse. — É bom vê-lo também, Sr. Newton.
O rapaz deu um aceno tímido.
— Tanya, está muito bonita, como sempre! – Ele disse beijando sua mão.
— Obrigada querido. Você também está encantador. – Ela lançou um sorriso forçado.
— E quem é essa encantadora jovem ao seu lado? – Aro perguntou. – Não me diga que é sua namorada!– Ele sorriu para mim.
Senti meu coração palpitar.
Tanya riu.
— O que, ela? – Ela disse debochada. — É só a assistente dele.
— Oh sim! – O homem sorriu. – Acabo de me lembrar, nos encontramos há alguns meses em uma festa. – Ele disse. – Jamais esqueço um rosto bonito quando vejo um. – Ele piscou para mim. — Está muito elegante minha jovem. – Ele disse dando um beijo em minha mão.
O sangue correu para as minhas bochechas com o elogio.
Depois que Aro se afastou, mais três homens vestidos elegantemente vieram ao seu encontro, dando apertos de mão, e sorrisos calorosos.
Nesse meio tempo, Tanya foi se exibir para outro fotografo.
Edward conversava com os homens, quando Alice veio em minha direção.
— Com licença Edward, mas vou roubar Bella de você por alguns instantes. – Ela disse sorrindo. — Bella, quero que conheça algumas pessoas. – Alice disse me puxando pelo braço. Edward lançou um olhar para Alice, mas não disse nada. – Talvez já sabendo quem ganharia a discussão.
Alice me levou para um pequeno grupo de designers. Era um grupo muito simpático, composto por três mulheres e dois homens, eles eram americanos.
Depois Alice me apresentou para alguns estilistas, e me apresentou todo o salão.
Ficamos conversando despreocupadamente depois de encontrarmos Kate no bar.
Kate estava muito elegante com um vestido pêssego e mascara dourada em formato de gato. O cabelo preso no alto deu um toque elegante.
Alice pediu três Martines, e fiquei sentada na banqueta do bar, enquanto as duas conversavam, não prestei atenção a conversa.
Estava repetindo a imagem de Tanya encostando nos lábios de Edward.
Aquilo começou a me perturbar mais do que eu gostaria.
E mesmo que ele a tenha afastado quase imediatamente, não conseguia apagar o fato do que havia acontecido.
O modo como Tanya falou quando aquele homem perguntou a Edward se eu era sua namorada... Ela falou como se eu fosse algum tipo de aberração.
E ele não disse nada.
— ...Até então, estamos bem. — Ouvi a voz de Edward se aproximando. -Temos boas expectativas de crescimento.
— Sem dúvida. – Um dos homens falava com ele. – Soube que é um expert em networking...
Olhei para a direção das vozes, encontrando seu olhar.
— Depois conversamos. – Ele disse dando um breve aceno aos homens, um deles deu uma batidinha em seu ombro, então ele veio em direção onde eu estava sentada.
Voltei para o meu Martine.
— Oi. – Ele disse.
— Oi.
Ele pediu uma bebida ao barman.
— Espero que minha irmã não a tenha cansado muito. – Ele disse passando o polegar em meu lábio inferior.
— Na verdade não. — Disse.
Olhamos para trás, Alice havia engatado em uma conversa animada com um grupo de pessoas.
— Que bom. – Ele disse se aproximando do meu ouvido com um sorriso muito provocativo. — por que tenho planos para nós.
Não disse nada.
— Está tudo bem? – Ele disse levantando meu queixo para encara-lo.
— Está. – Disse.
— Você parece chateada. – Ele disse me encarando com um vinco entre as sobrancelhas. Então de repente vi suas pupilas oscilarem. – Se é pelo que Tanya fez. – Ele disse balançando a cabeça. – Não foi...
— O que nós somos? – Perguntei a ele interrompendo-o.
Ele franziu a testa.
— Não entendi.
— Você e eu, eu quero dizer. – Disse. — O que nós somos? – Perguntei a ele.
Ele me encarou perplexo.
— Eu não sei. – Ele disse passando a mão entre o cabelo. – Achei que isso estava tão indefinido para mim, quanto para você.
— E está. – Disse. – Esse é o problema.
— Edward Cullen. – Um homem de máscara de tragédia veio em sua direção. – Gostaríamos de fazer uma entrevista, represento o jornal...
Antes que o homem pudesse terminar de falar, me levantei da bancada.
(...)
Já fazia um tempo que estava andando pelo salão. As pessoas estavam animadas, em um grande murmúrio de conversas. Procurei pelo banheiro, finalmente encontrando um.
Quando sai, estava olhando distraidamente para o grande lustre do salão, quando esbarrei em alguém.
— Me desculpe! – Disse.
Era um homem.
Ele usava um terno muito elegante em um tom de vinho. Sua máscara era animalesca, em forma de uma raposa. Definitivamente era uma máscara muito elegante.
O homem com máscara de raposa olhou para mim uma vez, dando um aceno com a cabeça, então se afastou.
Que estranho.
— Bella eu estava te procurando! – Alice veio em minha direção, desviando minha atenção.
— Ah, o que foi Alice? – Disse distraída.
— Queria falar com você sobre o evento da festa.
Franzi a testa.
— Pensei que o baile de máscara já fosse o evento. – Disse confusa.
— Bem... Sim. – Ela mordeu o lábio. – Um dos eventos.
— Um dos eventos? Como assim?
— É que teremos um leilão.
Apertei os olhos.
— Que história é essa de leilão Alice Cullen? – Disse cruzando os braços.
— É o leilão da primeira dança, para arrecadar fundos ao EBA European Burns Association. – Ela disse rápido. — É uma instituição que cuida de queimados em todo o continente. Todos os anos a Runway participa dele.
— Leilão de dança. – Disse. — Eu não sei Alice.
Alice revirou os olhos.
— Vamos lá Bella, é só uma dança, vai ser divertido, Kate também está participando, além do mais, será por uma boa causa.
Mesmo que fosse por uma boa causa, eu não sei se ia gostar de ter que ficar em um palco com pessoas dando um lance em mim.
— Mas eu nem sei dançar! – Disse. – E eu nunca participei de um leilão antes.
— Por isso vai ser mais divertido! Então, eu posso contar com você? – Ela disse piscando seus olhinhos verdes brilhantes.
Suspirei.
Pelo visto não teria jeito.
— Sim. – Disse. — Você pode.
(...)
Haviam pelo menos umas dez mulheres esperando ao lado do palco.
Alice estava do meu lado, cochichando animadamente com Kate.
— Senhoras e Senhores! – Um homem com uma máscara branca, e que por um acaso falava meu idioma, começou a falar ao microfone. — Pela tradição do baile de máscaras teremos o ponto alto mais aguardado desta noite!
Oh claro, muito aguardado. – Pensei. — Principalmente para alguém que acaba de ser informada...
— ... Peço a vocês, senhoras e senhores para manterem sua identidade em sigilo durante a dança, vamos manter o mistério por trás das máscaras. As damas e cavalheiros podem se identificar pelo primeiro nome, se assim preferirem.
Então o homem olhou em direção a onde estávamos paradas, apontando para a primeira mulher a ponta.
A mulher subiu ao palco. Uma luz extremamente forte foi jogada em direção onde ela estava.
Wow.
Isso não podia ser mais constrangedor.
Seu vestido era cor de rosa rodado, ela usava uma máscara delicada prateado estilo carnavalesca.
— A primeira, Sra. Nettie! -Ele disse. – Nettie sabe falar alemão, pratica snowboard e toca violoncelo. – Ele disse piscando em sua direção. Obviamente ele estava exagerando para torna-la atrativa. — Os lances já podem começar. Quem quer ser o primeiro a dar o lance? – O leiloeiro perguntou.
— Eu! – Um homem ao fundo gritou. – Mil dólares!
— Mil dólares, senhoras e senhores! Alguém dá mais?
— Três mil dólares!
— Três mil dólares! – Ele fez uma pausa. — Dou-lhe uma... dou-lhe duas...vendido!
Uma salva de palmas foi dada.
A mulher parecia envergonhada, então se dirigiu a escada do palco, saindo com seu “comprador”.
Logo em seguida o leiloeiro apontou para a outra mulher, que subiu ao palco. Novamente a luz forte foi jogada em sua direção.
— A próxima, Sra. Lucy! – Ele disse. – Lucy pratica polo aquático, sabe pilotar um helicóptero, e quer entrar para marinha. Quem quer dar um lance?
— Bella. – Alice me cutucou. – Não é divertido? – Ela sorriu.
Não pude deixar de admitir alguma graça naquilo tudo, ao mesmo tempo que achava muito bizarro.
Parecia mais como aqueles leilões de garagens do canal A&E* mas o lance lá era com objetos inanimados, e não com pessoas
— ... Eu ouvi cinco? – O leiloeiro perguntou.
— Sete mil dólares! – Ouvimos um homem da frente dar um lance.
A mulher pareceu satisfeita, quase aliviada. Ele deveria ser seu par, supus.
— Sete mil dólares!
Comecei a pensar se Edward daria um lance em mim.
Eu deveria me sentir mal se ele não fizesse um lance?
Talvez ele não quisesse uma exposição tão grande no meio daquelas pessoas, conclui.
Mas se tivesse alguma sorte, talvez alguém gastasse três mil dólares em uma dança comigo. Só acho que seria um dinheiro muito mal gasto, já que eu não sei dançar.
— A próxima, Sra. Isabella!
Ai merda.
— Sua vez. – Alice deu uma palmadinha nas minhas costas rindo.
Olhei nervosamente através da plateia assim que subi.
A luz forte foi jogada em minha direção. Parecia mais uma luz de espaçonave.
Eu odiava ser o centro das atenções.
Só Alice para me meter em uma situação dessas.
Olhei para Edward, ele estava sorrindo para mim.
— Isabella sabe falar cinco idiomas, pratica motocross e ski. Quem quer dar um lance?
Quanta propaganda enganosa...
— Cinco mil dólares. – O homem de marcara de corvo deu um lance.
Nossa.
— Dez mil dólares – Edward deu um lance logo em seguida.
Uau.
Foi o lance mais alto até agora.
Mas pelo menos foi rápido...
— Quinze mil dólares. – O homem de máscara de raposa que eu havia visto deu um lance.
O quê?!
As pessoas começaram a se virar para procurar pelo homem misterioso parado quase ao fundo.
O estranho acenou para Edward.
— Bem, senhores! – O Leiloeiro interrompeu. – Parece que estamos tendo uma disputa muito acirrada aqui...
— Vinte e cinco mil dólares! – Edward disse interrompendo o homem no palco.
Cassete.
Isso estava começando a ficar estranho, quero dizer, mais estranho.
Eu queria poder sumir do palco.
ET’s, essa seria a hora perfeita para vocês me abduzirem.
— Trinta. — O estranho replicou tranquilamente.
O murmúrio da multidão morreu, então todos passaram a olhar para mim, e para os dois homens que estavam com essa estupida e sem sentido competição de “quem esbanja mais.”
— Cavaleiros, contenham-se. – O leiloeiro começou a falar. – Lembrem-se de que este leilão...
— Cinquenta. — Edward disse com um tom contido.
CASSETE.
Cinquenta mil dólares por uma estupida dança?!
Edward olhou para o estranho impassível, ele estava irritado.
Todos estavam olhando para ele.
— Sessenta e cinco. – O homem continuou.
Poderia isto ser mais embaraçoso?
— Cem mil dólares! – Edward disse com a voz firme, e eu podia sentir a ameaça em sua voz.
MAS O QUÊ?!
Alguém por favor pode fazer eu sumir agora mesmo?
— Inacreditável! – O leiloeiro disse. — Cem mil dólares pela adorável Isabella. Dou-lhe uma... Dou-lhe duas...— O leiloeiro olhou para o homem misterioso, balançando a cabeça.
Por favor, não dê mais um lance.
Por favor, não dê mais um lance. -Comecei a repetir em minha cabeça
— Vendido!
Respirei aliviada.
Uma salva de palmas foi dada, em meio àquela situação embaraçosa.
Edward se encaminhou para o palco, me ajudando a descer.
— Muito bem, senhoras e senhores... – O leiloeiro continuou. – O próximo lance...
— Edward! – Eu disse chocada. – Mas que diabos foi isso? – Disse.
— Foi um leilão. — Ele disse despreocupado.
— Quem era? — Perguntei assim que estava de volta ao chão.
Ele olhou para mim.
— Alguém que está tentando me tirar do sério. – Ele disse franzindo a testa. — Agora se não se importa, quero ter a chance de ter a minha dança.
— Uma dança muito cara. — Lembrei a ele.
Ele deu um sorriso torto.
— Tenho certeza que valera cada centavo. – Ele piscou. – Só não sabia que gostava de esportes tão radicais. – Ele zombou. – E sinceramente, acho que você não mencionou em seu currículo que sabia falar cinco idiomas. – Ele disse divertido.
Revirei os olhos.
(...)
Quando finalmente o leilão terminou, todos estavam posicionados no meio do salão.
Edward me conduziu no cento da pista de dança.
— Eu não sei dançar. Você acabou de desperdiçar cem mil dólares, sabia disso?
Ele sorriu.
— Tudo depende de quem a conduz, Sra. Swan. – Ele disse me levantando pela cintura, colocando meus pés sobre os seus.
— Ei! – Eu reclamei.
A musica começou a tocar: All I Need, Within Temptation.
Ele começou a se mover com facilidade, enquanto rodopiávamos no salão.
— Viu? – Ele riu. – Você está dançando.
Sorri.
— Me sinto como 5 anos.
Ele riu.
— Não acho que pareça ter 5. – Ele disse me analisando. – Talvez uns 7? – ele disse me puxando para mais perto dele.
Revirei os olhos.
Depois de algum tempo dançando, percebi que realmente estava gostando.
Mas eu sabia que o motivo, era por que ele estava fazendo isso.
(...)
Quando a primeira música terminou, nos juntamos a Alice e Kate no bar.
Kate havia dançado com um homem que deu o lance em 10 mil para dançar com ela, mas ela disse que ele pisou no pé dela praticamente durante toda a dança.
Estávamos rindo e conversando despreocupadamente, quando o homem de máscara de raposa se aproximou de nós.
— Com licença. – O homem disse. — Sou nobre o bastante para admitir uma derrota. – Ele disse formalmente. — Mas será que poderia ter a honra da próxima dança com a dama?
Senti Edward ficar rígido em meus braços.
— Acho que deveria perguntar a ela. – Ele disse em um tom de voz cortante.
Fiquei tensa.
Eu odiava ficar no meio das coisas.
— Você me daria a honra? – O homem se virou para mim fazendo uma reverencia, então pela primeira vez notei algo muito familiar nele.
— Err. – Olhei nervosamente para Alice.
— É apenas uma dança. – Ele sorriu exibindo uma fileira de dentes brancos perfeitos.
Sim, definitivamente algo muito familiar.
Olhei para Edward, ele não parecia estar em seu melhor humor, mesmo com a cara coberta pela máscara.
— Vá dançar. – Edward disse em um tom seco. Então virou as costas.
— Edward...
O homem sorriu em minha direção.
A música começou a tocar.
A Drop In The Ocean, Ron Pope.
O estranho pegou minha mão e me puxou para a pista de dança, segurando-me forte. Eu me mexi mecanicamente para segui-lo, envolvida rápido demais naquela situação para planejar uma saída.
Ele diminuiu a velocidade e me girou para perto dele, fazendo contato repentino de nossos corpos. Fiquei tensa.
Quando Edward estava me conduzindo, estava tudo bem, mas agora eu estava por mim mesma.
— Relaxe. — O homem sorriu, se aproximando tanto de mim que sua boca estava quase em meu ouvido, sua respiração quente encostando em minha pele.
Apertei o maxilar e respirei fundo.
— Quem é você? – Disse.
Ele riu.
— Esqueceu que devemos manter isso em segredo?
Bufei.
— Acho que isso já perdeu o efeito, já que obviamente você parece me conhecer e se não me engano, conhece o homem ao qual disputou toda essa cena ridícula.
— Nossa, você está brava. – Ele disse achando graça.
Ignorei seu comentário.
Então pela primeira vez notei um cacho loiro saindo para fora da máscara.
Jasper.
Isso fazia sentido, já que Edward pareceu mudar completamente seu comportamento.
— Não acredito! – Disse. — Por que você está fazendo isso?
Ele riu.
— Não me culpe. – Ele tentou soar inocente.
— Não me peça isso Jasper Hale, quando você começou essa cena toda!
Minha voz estava instável. Eu queria soar mais controlada do que me sentia.
— Eu comecei isso? – Ele disse. – Eu não diria isso com tanta certeza.
— O que quer dizer? – Disse.
Ele não falou nada.
Casais ao nosso redor sorriam e dançavam, e eu não conseguia ver Edward em lugar nenhum. Alice e Kate estavam paradas na pista de dança jogando conversa fora.
— Sabe, eu achei que ganhar o leilão da primeira dança seria fácil. – Ele disse. – Mas novamente Edward teve que estragar meus planos.
Novamente?
— Sabe que tudo isso foi um absurdo, não sabe? – Disse. – Todo esse exibicionismo.
— Diga isso ao seu chefe.
Revirei os olhos.
— Não faz sentido nenhum. — Disse. — Parece mais uma briga infantil.
Ele me puxou para mais perto.
— Eu adoro uma boa briga. – Ele piscou.
Franzi a testa.
— O que você quer com tudo isso Jasper?
— Acho que você já sabe. – Ele disse aproximando seu rosto do meu.
Lutei contra a vontade de me debater e afasta-lo. Ele ergueu meu pulso, segurando-o como uma prensa, aproximando nossos corpos ainda mais com o outro braço.
— Vamos lá, Isabella, vamos ser bem honestos aqui. — Ele disse, inclinando-se ainda mais perto do meu rosto. – Ninguém consegue resistir a mim, então, por que não para de fazer joguinhos, e admita que se sente atraída por mim?
O QUÊ?!
Eu não podia acreditar.
Como ele podia ser tão convencido?
— Você está enganado. – Disse sentindo raiva.
— Estou? – Ele sorriu. – Eu acho que não.
A boca dele raspou no meu braço, subindo para o meu pescoço e todo meu corpo congelou, o pânico se instalando.
— O que você acha que está fazen...
Antes que eu pudesse continuar, sua boca me invadiu. A pressão de seus lábios eram firmes nos meus. Fiquei parada, o choque me invadindo. Tentei empurra-lo, mas ele ainda continuava com o aperto firme em meu corpo, então fiz a única defesa que eu tinha. Mordi com força sua boca.
Ele imediatamente se afastou.
— Porra! – Ele disse passando a mão na boca. Eu havia mordido forte o suficiente para corta-lo – Sua louca!
— Me deixe em paz! – Gritei.
Varias cabeças se viraram para olhar aquela cena.
Não sei de onde Edward surgiu, mas de repente ele estava do meu lado.
— Você está bem? – Ele disse com a voz fria.
— Estou. – Disse.
— Ela pode cuidar de si mesma! — Jasper disse irritado apontando para o próprio lábio sangrando.
Edward se virou com um olhar ameaçador. — Um olhar que literalmente poderia matar. — Então, como em câmera lenta, eu o vi avançar para cima de Jasper, golpeando-o no queixo em um golpe perfeitamente cronometrado, fazendo-o desmoronar no chão.
Porra.
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