O Dia em Que... (Coletânea de Oneshots)

13 O dia em que Wanda ficou doente.


Notas iniciais
Eu pensei em várias maneiras diferentes de como começar essas notas em específico, mas honestamente não consigo me definir por uma só. Então vamos ver o que essa colcha de retalhos vai virar ahahahaha Então... oi, pessoal! Retornei com mais uma postagem na terça-feira, depois de dois anos e meio sem nem pensar nessa coletânea. Talvez isso seja um exagero; eu pensei, e retornei a ela, diversas vezes nesse período. Mas as minhas ideias de oneshots foram ficando de lado até pouquinho tempo atrás, quando eu resolvi finalmente postar o remake de For Those About to Love. A partir daí, eu comecei a pensar mais nesse casal, ter e ressuscitar ideias, e sentir a necessidade de voltar a escrever com constância esses dois. A ideia dessa oneshot veio de um livro que estava lendo no início do ano, e junto de uma outra ideia que ainda está em fase de desenvolvimento. É engraçado pensar que, em todos esse anos escrevendo a Wanda e o Visão, eu nunca tinha escrito (ou ao menos não me lembro de ter escrito) o Visão cuidando dela durante um resfriado ahahaha. E o que mais me deixou feliz nessa história foi ter escrito em um final de semana, sendo uma das maiores da coletânea até agora (!!) Por ora, sem mais delongas, desejo uma excelente leitura ~ ♥ ~

— Trinta e oito e meio — Natasha insistiu em falar o resultado em voz alta e chacoalhar o termômetro digital, ainda que o número estivesse claro no visor e bastasse apertar um botão para desligá-lo. — Nada de missões para você hoje, mocinha.

O estado lastimável de Wanda, se arrastando com indisposição, dor de cabeça e o nariz entupido desde a noite anterior, já era um indicativo daquele veredito. Ainda assim, ela gemeu, como se esperasse uma resposta diferente.

— Eu quero ir com você — choramingou, e Natasha até demonstrou uma fagulha de pena por trás dos olhos verdes, sem, contudo, arredar sua posição.

— Você precisa de um antitérmico, água e descanso, e a Quinjet não vai poder oferecer nada disso. Mas não se preocupe — ela falou enquanto guardava o termômetro —, o Visão vai ficar na base, e vou pedir para ele ficar de olho em você até eu voltar.

Wanda estremeceu com as cobertas pesadas em seu colo, não de frio ou de descontentamento, mas por algum sentimento que não sabia nomear. Não queria que Visão a visse daquele jeito— e Natasha pareceu perceber o incômodo no ambiente, porque em seguida acrescentou:

— Você não precisa sair do quarto se não quiser, e tenho certeza que o Visão vai só bater na porta e perguntar se você precisa de alguma coisa.

— Você alguma vez já viu o Visão bater na porta?

Natasha gargalhou tão alto que precisou se corrigir, balançando a cabeça.

— Tem razão. Porém eu não sou irresponsável de tirar você do conforto da base nesse estado. Eu sei que não é a situação que você queria ficar sozinha com o Visão, mas...

Wanda podia não estar em condições de repreendê-la, mas seu olhar de censura acompanhou Natasha pegando um dos comprimidos na cabeceira para oferecer à Wanda, e saindo do quarto com seu recipiente de água na mão para enchê-lo na cozinha.

— Agora, descanse. — Natasha ordenou e ela prontamente obedeceu, voltando a deitar e fechar os olhos até que um silêncio tranquilo a embalasse.

~.~

Quando Wanda abriu os olhos novamente, já passava do meio-dia e a Quinjet estava longe dali.

Ela considerou voltar a dormir no instante que sentou na cama, porém sua barriga roncou, indicando que precisaria repensar os planos. Sem muita vontade, ela se levantou e caminhou em direção ao banheiro para lavar o rosto.

Céus, ela estava péssima.

No reflexo do espelho, ela estava com o rosto abatido, os cabelos bagunçados e as bochechas vermelhas.

Wanda jogou um pouco de água fria no rosto e assoou o nariz, sentindo um certo alívio. Também usou um pente para colocar os fios de cabelo no lugar e, percebendo que estava tudo em ordem, saiu do quarto torcendo para não esbarrar com Visão no caminho entre seu quarto e a cozinha.

O plano era simples: comer uma fruta e voltar para o quarto. A última coisa que ela queria era ficar mais tempo do que o necessário em pé – e Natasha tinha razão em deixá-la em casa, por mais que Wanda reclamasse –, portanto, não contava com um cheiro delicioso de comida vindo da cozinha. Até onde sabia, só ela e Visão estavam na base. Então por que havia alguém cozinhando?

Ao adentrar o cômodo, a figura de Visão tornou-se predominante naquele espaço, até porque seria estranho se não fosse; não pela aparência robótica que mantinha se destacando, mas pelo fato de se encontrar completamente perdido entre as panelas, temperos, e o tablet apoiado na bancada. Parecia sair fumaça das engrenagens na sua cabeça, e Wanda não conseguiu evitar a risada que escapou de seus lábios, anunciando sua presença.

Visão levantou os olhos do fogão e sua expressão pareceu suavizar, ainda que milimetricamente, quando ela se aproximou, puxando uma cadeira alta para sentar e espiando a tela acesa do tablet. Pela posição dos itens, em lista, parecia se tratar de uma receita.

— Olá, Wanda — disse Visão com a voz gentil e a expressão séria como sempre. — Por acaso eu a despertei?

Wanda chacoalhou a cabeça.

— Por quê?

— Só... Eu deixei uma panela cair antes — ele admitiu, e Wanda escondeu um sorriso. — Fiquei preocupado de tê-la perturbado.

Ela novamente movimentou a cabeça, e Visão pareceu aliviado, os olhos novamente fixos na comida em sua frente.

— O que você está fazendo? — finalmente arriscou perguntar, apoiando os cotovelos na mesa e o rosto entre as mãos.

— Bom, Natasha me pediu para ficar de olho em você, e eu pesquisei como poderia ajudá-la. Aparentemente, a sopa é um alimento nutritivo em casos de infecções respiratórias como resfriado e gripe.

Visão apontou para os equipamentos em sua frente, como se quisesse mostrar a surpresa que estava preparando, antes de finalizar:

— Parece mais fácil do que realmente é.

Wanda sentiu as bochechas queimarem contra as palmas de suas mãos.

— Como você está se sentindo? — ele perguntou, e Wanda ficou feliz pela mudança no assunto, captando uma leve preocupação em seu tom de voz.

— Como se um trem tivesse passado por cima de mim — sua voz soava nasalada, e ela fungou, puxando a secreção em um movimento rápido.

Visão exibiu um sorriso completo, com os dentes alinhados iluminando seu rosto – o que era uma raridade –, e Wanda sentiu seu coração dar um mortal para trás.

— Suponho que você nunca tenha sido atropelada por um trem para dizer.

— Não, nunca fui. O sentimento permanece, porém.

Os dois compartilharam uma risada baixa enquanto Visão posicionava um prato fundo e uma colher em sua frente, transportando a panela do fogão para a bancada. O aroma estava delicioso, nas proporções que o olfato dela conseguia apontar.

— É de carne com legumes — Visão rapidamente explicou enquanto ela se servia. — Imaginei que pudesse acordar com fome, e colocar uma quantidade satisfatória de proteína pode mantê-la saciada por mais tempo. O líquido também vai ajudar com a sua hidratação.

Wanda encheu a colher com pedaços de legumes fatiados e a carne quase desmanchando de tão macia, a quentura do caldo parecendo abrir as narinas trancadas e esquentando seu corpo por dentro. Depois de degustar sob o olhar ansioso do sintozóide, ela balançou a cabeça, sorrindo.

— Está muito boa, Vizh — disse entre uma colherada e outra —, só faltou um pouco de sal.

— É complicado medir ingredientes. Como devo proceder com “sal à gosto”, se a sopa é para outra pessoa?

Wanda soltou uma gargalhada, fungando novamente ao final.

— Não se preocupe, a maneira que você preparou está ótima. Obrigada.

Visão assentiu, apoiando os cotovelos na superfície lisa da bancada e simplesmente observando Wanda enquanto ela comia. Com a cabeça baixa, concentrada na sopa, ela demorou alguns segundos para encará-lo por cima da ponte do nariz e dizer:

— Você não precisa ficar literalmente de olho em mim, Vizh — Wanda indicou a fileira de cadeiras ao seu lado. — Por que não me faz companhia?

Ele pareceu atordoado por suas palavras, porém não deixou transparecer mais do que o mínimo, e se acomodou ao lado dela, deixando uma cadeira de distância entre os dois. Wanda resolveu quebrar o silêncio após algum tempo, questionando:

— Como sabia que eu estava dormindo? Já que mencionou que eu poderia ter acordado com fome.

— Natasha me avisou quando deixou a água em seu quarto. Por falar nisso, você está com sede?

Ela limpou o rosto com um guardanapo próximo.

— Um pouco.

— Só um momento, por favor — Visão imediatamente atravessou o chão e retornou em poucos instantes com a garrafa d’água de Wanda, posicionando-a em sua frente. Ela agradeceu, bebendo um longo gole antes de voltar a se concentrar na sopa.

— Como vai a missão deles?

— Tudo conforme o planejado, felizmente — Visão apoiou o cotovelo na bancada, virando-se para encarar a companheira de equipe.

— Uma pena eu não poder ir junto — Wanda deixou sua expressão amuar, sugando as bochechas, e prosseguiu com a divagação: — Mas nem seria possível. O Steve iria matar a Nat se ela me deixasse ir na missão nesse estado.

Ela deixou a frase no ar, cutucando o caldo com a ponta da colher. Visão passou para o assento mais próximo, e gentilmente afastou uma mecha de cabelo do rosto de Wanda, pondo-a atrás da orelha, completamente desatento ao efeito que aquele gesto havia provocado nela.

— Eu não gosto de ficar de escanteio — Wanda admitiu, um nó se formando em sua garganta. Pensou em Natasha cuidando dela, e em Visão, que havia deixado suas obrigações para preparar uma sopa para alimentá-la. — Não quero ser um estorvo.

Visão não disse nada a princípio, limitando-se a aproximar seu rosto do rosto dela. Ele plantou um beijo no topo de sua cabeça, e parecia não ter pressa para sair daquela posição, mantendo os lábios e o nariz mergulhados no cabelo de Wanda ao tempo que sua mão, que antes repousava ali, atravessava os fios caindo em sua nuca em movimentos circulares.

Ela desejava, em seu íntimo, que não estivessem sozinhos na base sob aquelas circunstâncias. Por mais que o fato de Visão desejar ativamente cuidar dela despertasse alguns sentimentos escondidos em seu coração, ainda queria estar disposta o suficiente para poder manter uma conversa longa com ele, sem medo de outras pessoas atrapalharem.

Depois do que pareceu ser um longo tempo, mas não deve ter sido mais do que alguns segundos, a voz tranquila e calma de Visão preencheu os ouvidos dela:

— Não pense que você é um estorvo, Wanda — suas palavras eram tão gentis que ela sentiu seu corpo amolecer no assento. — Você jamais será, nem para mim, nem para ninguém.

Wanda engoliu a massa que se formava em sua garganta e assentiu. As mãos de Visão percorreram seus braços, provocando pequenos arrepios onde seus dedos tocavam, até alcançarem sua cintura, trazendo-a mais para perto em um abraço apertado.

— Posso dizer por mim, mas tenho certeza que Natasha pensa de forma parecida. Cuidar de você é um prazer. Nós dois, e todos da equipe, só queremos que você se sinta melhor logo para voltar às suas atividades. Você compreende?

Ela novamente assentiu, e uma súbita sensação de frio a enlaçou quando ele se afastou, levando o prato vazio até a pia.

— Acho que vou tomar um banho e depois deitar de novo — Wanda anunciou ao se levantar do assento.

— Posso ajudar em algo mais?

Ela já caminhava em direção a saída, e parou no lugar ao ouvir aquelas palavras, sentindo um sorriso desabrochar em seus lábios. Olhando por cima dos ombros, não perdeu a chance de provocá-lo:

— Está querendo ajudar no meu banho, Visão?

Visão arregalou os olhos, completamente surpreso. Ela não sabia que ele conseguia se sentir tão acanhado, gaguejando algumas palavras antes de Wanda interrompê-lo com uma risada, movendo as mãos na frente do corpo.

— É brincadeira, Vizh — ela olhou para frente novamente, mordendo o lábio inferior. — Vejo você depois.

~.~

Wanda acordou em sua cama algumas horas depois de tomar banho.

Lembrava de tremer de frio depois de desligar o chuveiro, então apenas vestiu um pijama quente e se jogou na cama até aquela sensação de tremor passar. Em algum momento deve ter fechado os olhos e, quando os abriu novamente, a tarde nublada deu lugar à escuridão do início da noite atravessando a janela.

Exceto que não estava tudo escuro. Ela correu os olhos pelo quarto, na direção de uma lâmpada ligada no canto oposto de onde estava deitada, e quase se assustou com uma figura sentada ao lado de sua escrivaninha, porém, sentiu uma onda de alívio ao perceber quem era.

— Visão?

O sintozóide levantou o olhar do livro que tinha em mãos e sorriu sem mostrar os dentes, colocando o objeto sobre a escrivaninha e flutuando até parar ao lado dela na cama desarrumada. Visão era bem mais alto do que ela em seu normal, parecendo ainda mais alto no desnível provocado pelo colchão.

Ele pediu licença para colocar a mão em sua testa, verificando que ela estava sem febre.

— Como se sente, Wanda?

— Melhor, surpreendentemente — ela fungou e se espreguiçou no lugar, sentindo as bochechas ficarem coradas com o pensamento que surgiu em sua mente em seguida. — Você... Ficou aqui enquanto eu dormia?

Visão deixou escapar uma risadinha.

— Eu vim trazer a sua garrafa e verificar se precisava de algo, e vi que você tinha adormecido novamente. Só que você segurou o meu pulso quando eu parei ao seu lado e pediu para eu ficar, então eu fiquei.

O rubor em suas bochechas tornou-se mais intenso quando se visualizou fazendo isso, e também por perceber haver mais uma coberta sobre ela, que não estava ali quando se deitou. Wanda escondeu o rosto entre as mãos, os dedos frios contrastando com a pele quente das bochechas.

— Não atrapalhei você?

— De maneira alguma — ela observou seu sorriso por trás das frestas dos dedos. — Eu subi duas vezes até a sala de controle para verificar, mas, na segunda vez, Natasha apenas disse que eles estavam dando conta e que eu poderia vir cuidar da “princesa adormecida”, palavras dela.

Wanda soltou uma gargalhada, deixando os braços penderem ao lado do corpo. Visão tocou sua bochecha, provocando um curto calafrio nela, deixando seus dedos escorregarem lentamente por sua mandíbula em uma carícia suave.

— Obrigada por ter ficado comigo, Vizh.

Ela sorriu com o canto da boca, tomando impulso em seguida para levantar da cama.

— Não quer descansar mais um pouco? — Perguntou Visão, repetindo seu movimento. — Sua recuperação depende de líquido e repouso.

Não eram as circunstâncias que gostaria de ter passado aquela tarde com Visão, mas o dia ainda não havia terminado, e o destino trabalhava de maneiras estranhas certas vezes.

Bastava aproveitar a chance.

— Quero descansar um pouco na sala, vendo televisão com você — ela deu uma piscadinha. — Sobrou um pouco daquela sopa do almoço? — Ele indicou que sim. — Só preciso acertar o sal…

~.~

Alguns dias depois, Wanda caminhava pela Base entre um treino e outro quando uma figura familiar a tirou de sua rota.

— Visão!

Visão parou onde estava, sorrindo para ela.

— Olá, Wanda. Você está melhor?

— Estou completamente recuperada, graças à Natasha e a você — um sorriso animado dividiu suas bochechas, já levemente coradas. — Queria poder agradecer pela sua ajuda naquele dia.

— Não há o que agradecer, Wanda. Fico feliz que esteja se sentindo bem novamente.

Antes de retornar para suas atividades e deixar que Visão retornasse para as dele, Wanda furtivamente passou os braços ao redor de seus ombros largos e o puxou para perto, beijando-o delicadamente sobre os lábios. O movimento foi tão súbito e leve que Visão mal teve tempo de reagir, limitando-se a colocar as mãos sobre sua cintura e observar as chamas de seus olhos ardentes e o brilho de seu sorriso quando se separaram.

— Só espero ter a oportunidade de ficar sozinha com você de novo em breve, sem um resfriado para atrapalhar.

Visão riu, balançando a cabeça e puxando-a para um novo beijo, rápido, mas intenso. A ponta de seus dedos apertou a pele de Wanda por cima do tecido da roupa, e Wanda sorriu ainda com os lábios colados nele.

Talvez estar na base sob aquelas circunstâncias, e com Visão para cuidar dela, não fosse tão ruim quanto ela pensava.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Eu não vou conseguir manter uma constância de postagem como tinha em 2021, a cada semana e pouco postar uma oneshot, mas vou me esforçar ao máximo para manter alguma frequência nas postagens aqui. E claro, sempre vou avisar quando atualizá-la em For Those ou alguma outra fanfic em andamento :) Eu falei nas notas finais de Kyoto, 1999, mas eu reitero aqui que não tenho atualmente tempo ou energia para reescrever todas as minhas fanfics como fiz com For Those. Esse remake está sendo muito bom para mim, porém não tenho vergonha de dizer que passei por alguns maus bocados até achar o ritmo certo. Torço que logo consiga trabalhar em alguns projetinhos mais longos! Essa semana eu vou assistir Deadpool & Wolverine, e também temos San Diego Comic Con, então dedos cruzados por notícias relativas a nossa bruxinha e ao nosso robô favorito!! Recebam um abraço bem quentinho da Vanilla Sky ~ ♥ ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.