O Dia Perfeito de Lily Evans
1 Único
Notas iniciais
"uma fic onde a Lily tem o jantar de noivado da irmã e td tem q ser perfeito, mas td da errado a unha dela borra o esmalte o vestido rasga o corte de cabelo fica torto o boy termina de manhã e ela n tem date até q o amigo chato aka james potter decide salvar o dia e ajudar ela"
É nóis

Petúnia vai casar. E isso significa que eu vou poder ficar em paz na minha casa. Eu sei, eu sei. Eu, Lily Evans, no auge dos meus 21 anos deveria estar vivendo sozinha, conquistando a minha independência, plena na faculdade e tudo mais. Porém, eu descobri que essa vida de morar sozinha/com colegas de quarto não é pra mim. Então, eu vou adiar esse momento até não poder mais.
Olhei pela ‘sei lá qual vez’ para a minha lista de preparativos para o jantar de noivado da Petúnia. Eu queria que tudo fosse perfeito pra eu fechar esse capítulo da minha vida e começar os meus anos dourados sem a minha irmã mais velha na mesma casa que eu.
1) Vestido.
Ah sim, o meu vestido. Eu usei dois meses de salário, antes de me demitir para me focar na caçada ao estágio, para comprar um vestido em uma boutique chique aqui da cidade. Eu tinha feito uma promessa a mim mesma quando eu tinha 15 anos que um dia eu ia comprar alguma coisa dessa boutique chique, e depois de seis anos eu realizei o meu sonho.
É rosé, um pouco metalizado, com alças largas e decote em V na frente e atrás. Era justo e depois se abria em uma saia rodada e curta. É a coisa mais linda que já entrou no meu guarda roupa e eu agradeço todo dia pela vida.
2) O cabelo.
Eu tinha visto um corte “moderno e ousado”, de acordo com a revista Vogue, e minha hora já estava marcada no salão. Eu vou arrasar naquela festa.
3) O sapato.
Uma linda sandália de salto grosso com uma cor semelhante a do meu vestido, as tiras eram beges e é super confortável.
4) O esmalte.
Com uma cor semelhante a do meu vestido. Coleção de uma atriz famosa que foi mais caro que o lanche da faculdade, mas valeu a pena.
(Eu sei, eu ia estar cheia de tons de rosa, mas foi tudo cuidadosamente planejado e nada vai dar errado).
5) Meu acompanhante.
Amos Diggory, mais conhecido como meu namorado. Estamos juntos há dois anos.
Tudo está perfeito e tudo é perfeito e tudo é lindo.
James Potter Chato
Hey Lily o que você acha de sairmos hoje?
Ah pronto. Como num passe de mágica, a minha felicidade some. Ignorei a mensagem e tentei voltar a me concentrar na lista, mas James Potter Chato não para de me mandar mensagem.
Lily
Lily
Eu sei que você está aí
Você acabou de postar um storie
Eu e essa minha mania de postar storie. Tá feliz Mark Zuckerberg??
James Potter ou James Potter Chato é o melhor amigo do namorado da Marlene, que é minha melhor amiga. A gente saiu algumas vezes juntos e ele me trata como se eu fosse a melhor amiga dele. Ele é legal e tudo mais, mas não me deixa em paz.
Não
Vamos Lily
O que você tem pra fazer hoje?
Eu tenho que checar tudo para o jantar de noivado
e você sabe disso
Você já não fez isso umas quinze vezes só nessa semana?
Eu e minha mania de postar stories.
E daí??
Eu só quero ter certeza, tudo tem que ser perfeito
Tá, mas você já checou quinze vezes
James a gente tem que ficar preparada pra tudo tá?
Eu posso achar que tudo está bem e depois vai e não está
Tem que ter certeza
Quinze vezes não é certeza?
James deixa eu cuidar das minhas coisas tá
Tchau
Tchau...
Fiquei um tempo encarando a tela do celular, aqueles três pontinhos me incomodaram um pouco. Fiquei com pena ou sei lá, eu tenho a sensação de que a pessoa não ficou feliz ou algo assim. Os três pontinhos sempre amolecem meu coração e aposto que James usa e abusa disso.
Tá bom tá bom
Eu saio com você
Passa aqui às 20h?
Claro *carinha feliz*
Suspirei com raiva de mim mesma.
Eu não tenho como me controlar. Eventualmente, durante essa saída com James, eu vou postar um storie e aí eu teria que ouvir um discurso ciumento de Amos, o qual vou ignorar. Aliás, isso é uma coisa que me incomoda nesse meu relacionamento. O ciúme excessivo. É ridículo e me irrita.
Mesmo assim, comecei a me arrumar para sair com o James. Uma coisa que eu não gostava quando ele me mandava essas mensagens do nada me chamando pra sair, é que ele nunca fala para onde vamos. E não tem nenhum padrão para comparar. Tem vezes que vamos ao cinema, outras que só vamos jantar, outras que andamos pela cidade de um lado para o outro conversando e tem vezes que ele me leva para lugares que eu nem sabia que tinham na cidade.
Onde vamos dessa vez?
Ele não fez a gentileza de responder, mesmo depois de 5 minutos, então coloquei uma calça jeans mesmo.
Às 20 horas em ponto, eu vejo o carro dele chegando e depois ele caminhando em direção à porta. Meus pais adoram James e já fizeram questão de frisar várias e várias vezes que ele é muito mais gentil e agradável do que Amos. Por isso, corro para abrir a porta primeiro. Porém, quando desço o último degrau da escada, eu ouço minha mãe.
— Ah James, querido! Que surpresa agradável! Entre, por favor, James querido.
Pronto. Vamos ficar uma hora aqui.
Meu pai estava no escritório, mas ao ouvir o nome “James”, ele abre a porta rapidamente.
— James! Que bom que você está aqui!
Francamente. Isso é outro motivo que Amos reclamar. Uma vez ele estava aqui e James chegou de surpresa e ficou para jantar. Meus pais nem olharam para a cara de Amos e ficaram conversando com James o jantar inteiro. Amos reclamou disso por uma semana inteira e tudo que eu pensava era “Se você acha isso, então porque não tenta agradar meus pais, ao invés de reclamar sem parar para mim??” A verdade é que o meu relacionamento com Amos não estava no seu melhor momento e quanto mais eu penso nisso, mais eu tenho certeza que não vai durar muito mais. Porém, eu só espero que eu possa lidar com isso tudo depois do casamento da Petúnia.
— Mãe. Pai. – Eu digo me aproximando enquanto meus pais falavam e falavam com James e minha mãe lhe servia uma xícara de chá. – Eu e James vamos sair agora, é por isso que ele está aqui. – James não diz nada e bebe o chá, mas meus pais param o que estavam fazendo e se entreolham. 30 anos de casamento permitiam algumas intimidades.
Eles se viram com sorrisos.
— Claro, Lily querida. – Minha mãe tira a xícara da mão de James. – Vão logo então, a noite é uma criança.
— Pode voltar a hora que quiser, Lily. A noite é sua! – Meu pai diz e me empurra delicadamente até a porta, mamãe faz a mesma coisa com James. Eu só tenho tempo de pegar meu casaco antes que meu pai fechasse a porta na minha cara.
Honestamente, eu estava chocada.
James e eu começamos a rir e fomos andando até o carro dele – ah! As vantagens de ser filho único.
— Esqueci de te falar. – Ele diz assim que estendo a mão para pegar na maçaneta. – Você vai ter que se trocar, vamos no Le Blanc.
— O quê?! – E só então percebi que James estava muito bem vestido e eu acho que nunca vi isso antes. – Como você conseguiu uma mesa lá? Amos tentou e estava lotada pelos próximos dois meses.
— Lily... – Ele riu, mas riu preocupado. Se é que isso existe. – O Le Blanc abriu há mais de um ano, não está lotado pelos próximos dois meses. Eu fiz a reserva semana passada.
Duas coisas me chamaram atenção no que James disse:
1)Amos mentiu pra mim.
2) James planejou o encontro.
E apesar de eu estar com muita raiva por ter sido enganada pelo meu próprio namorado, sorri para James.
— Há uma semana? – Seu rosto fica vermelho e é tão adorável que quase fiz daquilo meu objetivo pessoal por essa noite. – Vamos voltar então, eu vou me trocar.
Depois de explicarmos a situação para meus pais, eles ficaram mais empolgados ainda e ouvi minha mãe contando para a amiga dela que “Lily e James vão sair em um encontro, não é perfeito? Amos? Quem é Amos mesmo?” e depois rindo.
Apesar de eu ter me sentido meio mal, eu estou com raiva dele. Amos tem estado distante há muito tempo e acho que não tem nada de mais em sair para um encontro com um amigo.
Peguei um vestido que eu julgava ser elegante e meus saltos mais bonitos (e desconfortáveis, mas é bonito então dane-se) . Caprichei na maquiagem e foi a coisa mais sofisticada que eu fiz em todos esses meus anos na Terra. Não ficou bom e eu resolvi ir com a maquiagem básica que eu sei fazer: rímel e batom.
Depois de tudo isso, James e eu, enfim, fomos ao Le Blanc. Meu pai me deu dinheiro extra, mas resolvi que ia pegar os pratos mais normais possíveis. Esse negócio de pernas de rã, escargot e caviar não é muito a minha praia. Comida francesa é um desafio.
Chegamos no restaurante e fomos guiados por uma moça bonita até a mesa que James reservou.
O garçom chegou logo depois e nos ofereceu os menus.
É isto, eu vou dormir com fome esta noite.
James não fala nada também, então finjo que estou entendendo tudo naquele menu.
— Ah! Quiche Lorraine de entrada. O que acha? – Uma quiche não pode ser ruim. Acho que James ficou aliviado quando eu sugeri o que comer. Ele sorriu.
— Perfeito. – Depois que o garçom anotou nosso pedido, James começou a falar sem parar.
É uma das coisas que eu mais gosto sobre ele, nós nunca ficamos sem assunto.
— É incrível como o último ano é o melhor e o pior ao mesmo tempo. –Ele conclui depois de termos reclamado e falado bem do Ensino Médio. – Apesar disso, eu sinto falta. — Nessa altura, já estávamos no prato principal.
Apesar de eu ter chegado aqui esperando ser obrigada a comer pernas de rã, eu não vi nada parecido aqui. E meu frango ao molho de vinho estava maravilhoso.
Eu poderia me acostumar com essa vida, com certeza.
Eu já tinha postado alguns stories da comida e outros comigo e com James e outras só dele. E Amos respondeu cada com um com mais e mais raiva. Ele disse que tem muita coisa para falar comigo. Bom, eu também tenho.
Depois de termos repetido a sobremesa, fomos embora do restaurante. Eu estava tão cheia que nem conseguia pensar direito e só quando James parou o carro em frente a minha casa, que percebi que não queria ir embora.
— Foi uma noite muito legal e muito chique. Eu acho que eu nunca gastei tanto com comida. – Começamos a rir. – Porque o Le Blanc? – Ele deu de ombros.
— Queria te impressionar. – Ele disse rápido e olhando pra frente.
— Você sempre me surpreende James. – Eu sorri, mas também não olhei pra ele.
Mesmo não querendo, saí do carro.
***
Meus pais e Petúnia estavam na casa dos pais do noivo de Petúnia – o chato Válter Dursley – onde será o jantar de noivado. Eu deveria estar lá na hora do almoço para ajudar com tudo. Porém, eu não quero ter que lidar com uma Petúnia estressada então só vou chegar lá junto com os outros convidados.
Eu tomei o café da manhã no automático e me arrastei da mesa até o sofá.
Sem querer querendo acabei cochilando, mas não por muito tempo porque logo a campainha começou a tocar sem parar.
— O que? – Resmunguei. As pessoas parecem que perderam a noção das coisas hoje em dia. Quem aparece na casa dos outros em pleno sábado às 10:00? Isso é cedo ainda.
— O que é? – Abri a porta bruscamente e dei de cara com Amos. – Amos? – Ele não diz nada e entra na minha casa.
— Lily, eu quero terminar com você.
Assim mesmo, senhoras e senhores. Às 10:00 de um sábado eu, Lily Evans, fui chutada pelo meu namorado de dois anos, comigo meio dormindo e meio acordada. Meu queixo caiu. Apesar de eu saber que Amos andava se incomodando com tudo eu não sabia que ele estava tão incomodado a ponto de terminar.
— Terminar? Você esqueceu que hoje é o jantar da minha irmã e que nós deveríamos ir juntos? – Eu comecei a ficar com raiva. Amos é um cara chato e infantil, que se incomoda com tudo e não faz absolutamente nada para mudar isso. Honestamente, eu não sei como ficamos tanto tempo juntos já que somos totalmente diferentes.
— Ah! Agora você lembra que tem um namorado? Porque ontem à noite você estava em um encontro com aquele ridículo do James Potter!
— Ah meu Deus, Amos.- Eu senti meu rosto ficando quente. Estava pronta para começar uma briga e jogar uma porção de verdades na cabeça dele. Porém, me lembrei que dia é hoje. Hoje é o jantar de noivado da minha irmã e tudo tem que ser perfeito. Por isso, e somente isso, eu não vou me estressar. — Quer saber? Eu também acho melhor nós terminarmos. Nosso relacionamento está desgastado, você é muito ciumento e isso me incomoda demais.
— Eu sou ciumento? Você que...
— Ai, Amos. Adoraria ficar aqui e conversar sobre esse relacionamento encerrado, mas eu tenho uma festa para ir hoje. Tudo bem? Vou enviar suas coisas que estão aqui em casa pelo correio na segunda e espero que você faça o mesmo, tudo bem? Agora, por favor. – E indiquei a porta com o braço.
Ok ok, talvez eu fui muito fria, mas aquilo já deu o que tinha que dar e eu podia entrar de luto pelo meu namoro de dois anos depois do jantar da Petúnia.
Amos ficou um tempo me encarando, mas depois de eu ter balançado o braço novamente na direção da porta, ele foi embora todo tempestuozinho.
“É isto, lá se vai meu namoro de dois anos por causa de uma saída com um amigo”. Eu estava com vontade de chorar de raiva, foi tão rápido.
Meu celular começa a tocar e é a minha mãe.
— Lily, você já está pronta?— Ela pergunta assim que eu atendo. Tento normalizar minha respiração e me esforço para minha voz sair normal.
— Ah, ainda não. – Fiquei em dúvida se eu contava ou não para ela. – O Amos acabou de sair daqui. Nós terminamos.
— O quê? Sério? Ah! Que maravilha!— Eu fiquei chocada. – Quer dizer, que pena, querida. Amos era uma pessoa muito... Legal. Mas já foi né. Agora bola pra frente. Você precisa de um acompanhante hoje, já está marcado. O que acha de chamar o James? — Mas é claro que ela ia falar algo assim.
— Mãe... Eu acabei de terminar um namoro de dois anos!
— Por isso mesmo que você precisa de um ombro amigo, querida.
— Tá, eu vou ver aqui. – A verdade é que eu não queria ir sozinha pra esse jantar.
E por isso que eu estava tão relutante a terminar com Amos, quer dizer, mais ou menos, porque fui eu quem expulsou o menino daqui. Minha família toda ia estar lá, além disso, Petúnia ia estar especialmente nervosa e se eu ficasse sozinha, eu teria que ajudar minha mãe com ela e eu realmente não quero fazer isso.
James
Eu sei que está em cima da hora
E talvez eu esteja sendo super inconveniente
Mas você pode vir comigo para o jantar de noivado da
minha irmã? Por favor *emoticon de coração vermelho*
Achei o emoticon de coração vermelho muito exagerado então mandei um com um sorriso.
Ok, ok. Respire fundo, eu realmente não estava contando com isso de ser chutada pelo meu namorado, mas eu ainda tenho outras coisas que tenho que me preocupar. Inclusive com o fato de eu estar quase atrasada para a minha hora no salão.
Meu cabelo vai receber um corte moderno e ousado e eu vou ser a garota mais moderna e ousada daquele jantar. Botei um sorriso no rosto, tudo vai dar certo.
***
Não deu tudo certo. Eu saí do salão mortificada depois de ter uma crise nervosa ali mesmo.
Acontece que o corte “moderno e ousado” não deu certo. Eu não sei se foi a cabeleireira ou se foi o formato do meu rosto, mas ficou horrível e eu comecei a chorar depois de ver como ficou.
O corte era para ser na altura dos ombros e reto, com uma franja reta. Talvez não fosse o melhor corte para uma garota de 21 anos, mas eu tenho uma queda por cabelos curtos de corte reto.
Depois que a moça terminou, eu vi como ficou ridículo.
— Ah meu Deus. Eu não posso aparecer assim no jantar da minha irmã. Não posso! – E do nada comecei a chorar.
— Calma, senhorita Evans. – Um monte de gente apareceu com lencinhos e fazendo carinho no meu ombro. A cabelereira até tentou arrumar ou sei lá, mas eu já estava atrasada. Saí do salão desorientada e só depois vi que minha unha borrou porque eu fiquei passando a mão no cabelo.
Eu confesso que gritei de raiva no meio da rua. Todo mundo olhou para mim e eu só queria chorar de desespero, de raiva, de estresse.
Entrei no carro, que minha mãe me emprestou para ir à festa, e comecei a chorar. Eu sei, eu sei. Eu deveria ter mantido a calma, mas é incrível como tudo pode piorar de uma hora para a outra.
Oi Lily
Tudo bem, eu vou sim com você
Vou usar meu melhor terno
Ou deveria usar um fraque?
*emoticons chorando de rir*
Não precisa usar terno nem fraque
Só uma calça e blusa sociais
Passo na sua casa às 18h?
Estarei esperando ansiosamente
Ok, uma coisa deu certo nesse dia fatídico. Respirei fundo algumas vezes e fui para casa.
***
É oficial, hoje não é meu dia e eu quero morrer.
Eu não sei como essas coisas acontecem. Sinceramente.
No meu vestido, uma linha estava saindo. Eu, normalmente, peguei uma tesoura e me posicionei a fim de cortar a linha sobrando. Porém, nesse momento, no grupo da faculdade, uma colega manda um vídeo engraçado, eu rio, a minha mão treme, a tesoura rasga o vestido.
Eu quero morrer. Real oficial.
Eu me deitei na cama e comecei a encarar o teto em um verdadeiro desespero interno. Não é possível que tudo dê errado dessa maneira.
Eu não tenho outro vestido, eu não sei fazer a minha unha sem que eu borre tudo, eu não sei como consertar meu cabelo.
Pego meu celular e ligo para James. Eu vou avisar ele de que ele não precisa mais vir. Eu vou falar para minha mãe que tive alguma doença súbita e não conseguia nem levantar da cama.
— Lily?
— James, não precisa vir mais hoje. Eu não vou pra festa.
— O que? Por que não?
— Porque deu tudo errado! – E comecei a chorar de novo.
Honestamente, eu nem sei porque eu estava chorando tanto hoje. Eu não sou de chorar muito. Aparentemente, tudo que eu não chorei com filmes trágicos e filmes com animais, eu chorei no telefone conversando com James aka James Potter Chato. E em todos esses anos nessa indústria vital eu nunca achei que eu ia fazer isso.
— Eu estou indo para aí. Nós vamos dar um jeito nisso. Você planejou tudo para essa festa e vai dar tudo certo.
— Não vai dar não. – Falei, mais por drama, mas a verdade era que eu queria que ele viesse e me ajudasse.
Que fase.
— Vai sim. Já estou indo.
Ele chegou cinco minutos depois.
Abri a porta antes que ele tocasse a campainha.
— Olha o meu cabelo. – Já preparada para um terceiro round de choro e reclamação. – Está torto. O corte era pra ser totalmente reto e agora não está. A franja não combinou com meu rosto. Ficou volumosa parece que tem uma cortina grossa no meio da minha testa! E era pra ser uma cortina normal.
— Ok. Calma. – James pegou meu cabelo e começou a juntar como se fosse para fazer um rabo de cavalo.
— O que você está fazendo?
— Que tal se a gente prender?
Eu confesso que no meu mar de dor e sofrimento eu nem pensei nisso.
— Sim, prender. Acho que pode dar certo.
Peguei meu notebook na mesa e eu e James passamos as próximas duas horas tentando arrumar meu cabelo.
No final, conseguimos disfarçar o meu corte desastroso. Fizemos um rabo de cavalo com trança, para disfarçar a franja. Apesar de rabo de cavalo não ser a primeira escolha para um jantar, ficou bonito. James disse que ficou moderno e despojado e ficou mesmo.
— Agora o vestido. – Eu disse. Aquele parecia ser o problema mais difícil de resolver. Eu não faço ideia de como arrumar aquele rasgo e nem costurar.
Subimos para meu quarto. O vestido estava estendido na cama e parecia tão bonito, a não ser pelo rasgo enorme na altura da saia.
— Que exagero, Lily. – É a primeira coisa que James fala, assim que aponto o rasgo no vestido. – Ninguém vai ver isso aqui.
— Como não vai ver James? – Eu disse, apontando freneticamente para o rasgo. – Olha o tamanho disso.
— Você já tentou colocar e ver se aparece mesmo? – Eu fiquei calada. Na verdade, eu nem pensei em nada.
— Não. – Ele me olhou com reprovação.
— Então vai logo, sua dramática. – Eu fui para o banheiro colocar o vestido.
E James estava certo, novamente. Ali, no meu corpo, o rasgo ficava quase imperceptível. Quase.
— Ainda dá pra ver.- Eu concluí depois de ter ficado me olhando pelo espelho por todos os ângulos possíveis.
— Daqui não dá pra ver. – James constata.
— É porque você tá atrás. – Me virei para ele. – Agora, olha pra mim. Me diz a primeira coisa que você vê. Não é o rasgo?
— Não. – Ele diz depois de um tempo e ficamos nos encarando.
O que foi meio estranho, mas bom ao mesmo tempo.
Foi um daqueles momentos que eu sempre ouvia as pessoas comentando, mas eu nunca tive um.
“Tudo para e fica só você e a pessoa. Você olha nos olhos dela e ela olha nos seus. E é tão simples e tão complicado ao mesmo tempo. Porque tudo para e só existem vocês dois ali. Tudo o que você consegue ver são os olhos daquela pessoa e nada mais importa.”
Pois isso acabou de acontecer comigo, e uma parte minha estava desesperada.
“Lily, o que você está fazendo? Pare, agora! Esse aí é o James Potter Chato! Pare de encará-lo como se tivessem só vocês dois no mundo!”
E outra parte que dizia:
“Pois muito que bem! Fique aí o tempo que precisar porque está ótimo, querida. Tudo está perfeito e você sabe”.
Porém, não fui eu quem acabou com aquele momento, mas sim James.
— Então Lily... O que mais tem pra gente resolver? – Eu demoro um pouco pra responder, terminou tudo de maneira um pouco abrupta.
— Ah... Só a minha unha agora, mas eu consigo resolver sozinha.- Na verdade, não. Eu nunca consigo fazer a minha unha sem borrar.
E não importa se sou eu que faço ou qualquer outra pessoa. Eu simplesmente não conseguia manter minhas mãos quietas por tempo suficiente para o esmalte secar.
Ficamos em silêncio.
— Não Lily... Eu disse que iria te ajudar. Além do mais, eu trouxe minha roupa. Imaginei que ia demorar. – Ele deu de ombros e eu ri,
— Eu estava parecendo tão desesperada assim?
— Nossa, demais. Você não parava de chorar. Honestamente, eu esperava que fosse mais grave. – Revirei os olhos.
— Temos concepções diferentes de urgência.
— Agora, vamos arrumar essa unha. Como é que pinta? – O esmalte estava comigo então eu pintei uma mão e James outra. Ficou tudo muito mais ou menos, mas foi o melhor que pudemos fazer. E nem dava pra ver de longe.
— Perfeito! – Eu disse, depois de uma boa dose de otimismo, eu estava muito mais esperançosa. Tudo vai dar certo.
— Pintar unha é mais difícil do que eu imaginei. – Olhei para o celular e vi que tinha muitas mensagens raivosas da minha mãe me perguntando porque eu ainda não tinha aparecido para ajudar com a decoração.
Eu pensei em responder falando que não queria lidar com Petúnia nervosa, mas minha mãe já deveria estar estressada a essa hora. Além domais, eu vou aparecer lá com James, ela não vai dizer nada. Assim, eu só ouviria alguma coisa, se ouvisse, no outro dia. E eu realmente espero que ela esqueça.
— Já são 17:30. Acho que podemos ir agora. – James concorda e saímos de casa depois dele se arrumar. Quando chegamos à casa da família Dursley, porém, percebo que não há nenhum carro estacionado ainda e de jeito nenhum que eu vou ser a primeira pessoa a chegar.
— Para ali na frente, vamos esperar o povo chegar. – Ficamos a próxima meia hora esperando alguém aparecer. Às 18:10 uma procissão de carros apareceu na rua. Quando todos estacionaram vi que eram as amigas da faculdade de Petúnia junto com os respectivos acompanhantes. Eles ficaram 10 minutos se cumprimentando até que resolveram entrar.
— Entramos agora? – James perguntou depois que a última garota sorridente entrou pela porta.
— Ainda não. – As amigas de Petúnia iam distrair somente Petúnia. Falta a minha mãe. – Temos que esperar a minha família chegar.
Só esperamos cinco minutos. Um por um os membros da minha família materna e paterna foram chegando. Meus primos chatos, minhas tias fofoqueiras e meus tios gordos. Além de um ou outro membro da família de Válter
— Vamos. – Eu disse para James e saímos do carro.
A casa estava cheia e barulhenta. Minha família é grande e barulhenta, então nada novo. Os pais de Válter, ele e o resto da pequena família dele estavam espremidos na sala de estar. Meus primos já corriam de um lado pro outro e mais de uma pessoa estava rindo exageradamente alto.
— James! Que bom ver você! – A minha avó exclama quando nos vê passando pela porta e automaticamente todas as cabeças que estavam por ali se viram na nossa direção.
Eu esqueci de contar, praticamente todo mundo da minha família conhece o James de todas as vezes que ele apareceu de surpresa lá em casa e acaba ficando pro chá, pro almoço, pro jantar...
Eles vêm aos montes e James e eu ficamos ali conversando com eles até minha mãe nos chamar para o jantar.
Não comemos nem bebemos nada, porque não conseguimos nos livrar da roda que se formou a nossa volta, e eu já estava morrendo de fome.
— Minha família te adora. – Eu disse quando nos sentamos na grande mesa que os pais do Válter arrumaram.
— Isso é ótimo, ter a aprovação da família da garota é sempre bom. – Ele disse isso e eu congelei. Fiquei parada ali na mesa de jantar passando e repassando o que ele acabou de dizer na minha cabeça.
Me virei na direção dele, que me encarava com um sorriso no rosto. Demonstrava exatamente que aquilo que eu ouvi não foi um engano.
Meu rosto ficou quente e eu deveria estar vermelha, mas não estava com vergonha ou algo assim. Eu estava feliz, lisonjeada, até. Fazia um tempo desde que fui cortejada. Cortejada. Oh meu Deus, eu estou vendo muito a minha avó.
Até que percebo que, na verdade, não fazia tanto tempo assim. Com um estalo, tudo fica claro na minha mente. Não era a primeira vez que James falava algo assim, porém, eu só ignorava, ria ou o chamava de bobo. Sempre vi James como um amigo chato e irritante e todo esse tempo ele sempre gostou de mim, de outro jeito.
Eu queria dizer alguma coisa, mas não sabia o quê. Não sabia se aquele era o melhor momento, mas não queria deixa-lo sem resposta.
— Atenção, por favor! Atenção! – Meu pai bate em uma taça, eu não sabia que as pessoas ainda faziam isso, e cessam as conversas.
Minha irmã e meu cunhado se levantam sorridentes.
— Eu gostaria de anunciar que minha filha mais velha, Petúnia, vai se casar. – Meu pai diz. Todo mundo sabia que Petúnia ia se casar, mas aplaudimos mesmo assim. – Eu fico muito feliz sabendo que minha filha vai se casar com um bom, esforçado e honrado homem. – Eu tinha minhas dúvidas. Válter parece ser aquele futuro tio chato que todo mundo evita nas festas de família. – Petúnia, a sua felicidade é uma das coisas mais importantes na minha vida. E se você estiver feliz, eu também estou feliz. – Petúnia parecia prestes a chorar e, apesar de termos nossas desavenças e que eu não poderia estar mais animada por ela finalmente ir embora de casa, fiquei feliz por ela. – À Petúnia e Válter! – Meu pai brindou e todos nós o acompanhamos.
Depois do jantar, James e eu decidimos dar uma volta pelo jardim bem cuidado da sra. Dursley.
— Foi muito bom hoje. – Ele disse.
— Foi sim, e muito obrigada pela ajuda. Eu não sei o que eu faria sem você. – Meu Deus, o que eu acabei de falar? – Hoje, no caso.
Ficamos em silêncio. Eu não sei o que estou pensando, acabei de sair de um relacionamento. Não posso começar a gostar de alguém menos de 24 horas depois.
— Sabe, eu estou ficando cansada. Foi um dia longo. Me deixa em casa? – Ele concordou e fomos nos despedir de todos. Meia hora depois, saímos da casa dosDursley.
A viagem de volta é tensa e calada, bem diferente da ida. Eu passo o tempo todo me controlando para não falar nada.
— Lily...
— Olha James, — eu comecei, o interrompendo. Mas era mais forte do que eu. As palavras estavam entaladas na garganta pedindo para serem faladas. É incrível como tudo mudou de um dia para o outro. – eu te acho um querido. Sério mesmo, mas eu acabei de sair de um relacionamento e por mais que eu ache que seria muito bom nós nos aproximarmos, eu preciso de um tempo antes de decidir qualquer coisa.
A verdade é que eu nem sabia se era isso que ele ia falar e simplesmente saí falando tudo o que eu sentia.
— Lily, eu só ia te falar que seu celular está tocando. – É oficial, eu quero morrer.
No meio da minha batalha interior, eu nem percebi que meu celular estava vibrando.
— Ah sim. – É a minha mãe ligando. – Obrigada pela companhia, James. – Eu saio e ouço ele me chamando, mas corro até a porta e atendo o celular.
— Lily, querida. Vamos chegar tarde, temos que ajudar os Dursley com a bagunça. – Ela diz em tom de cansaço. – Vamos chegar tarde, então não nos espere acordada. E não pense que eu esqueci que você não veio ajudar, ok mocinha?
— Tá... Tá bom, mãe vejo você de manhã.
Eu demorei para dormir naquele dia. James não disse mais nada e nem eu. Acho que falei demais na hora errada.
***
Quando tomei coragem para sair da cama, meus pais estavam tomando café da manhã.
— Lily, Lily... – Minha mãe fala assim que me vê. – Por que você não apareceu para nos ajudar?
— Ah mãe... – Decido falar a verdade. – Eu não queria ter que lidar com a Petúnia ansiosa por causa desse jantar, além do mais muitas coisas deram errado ontem e eu tive que pedir a ajuda do James. Ficamos a tarde toda enrolados. – Meus pais se entreolharam e a minha mãe sorriu. Eu decidi não comentar nada e me servi de café.
— Ah tá. Que bom. – Minha mãe diz por fim e ficamos em silêncio. – Petúnia deve demorar a acordar hoje. Arruma o café da manhã para ela, por gentileza? Seu pai e eu vamos sair. – Ela e meu pai se levantam da mesa e vejo que eles estavam arrumados.
— Onde vocês vão?
— Sair, Lily. Tchau. – E saem de casa.
Eu peguei a bandeja e comecei a arrumar o café da manhã para Petúnia. Eu esperava que ela estivesse dormindo, porque aí eu só entraria, entregaria e sairia.
Abro a porta e Petúnia está deitada com tapa-olhos, eu nunca vi utilidade alguma para um tapa-olhos. Você vai dormir no escuro mesmo porque precisa tampar os olhos?
Coloco a bandeja no criado mudo.
— Lily? – Ela pergunta e retira o tapa-olhos. – O que você achou da festa ontem? – Ela parecia empolgada, se sentou e ficou olhando para mim com expectativa.
— Eu gostei muito. – Me sentei na cama dela. – Estava tudo lindo, você e mamãe se superaram.
Ela sorriu e começou a falar e falar sobre a festa, mas aí ela desfaz o sorriso e olha para mim séria.
— Lily, eu preciso do seu conselho. – As pessoas sempre falam que meus conselhos, geralmente, são bons, então me ajeitei na cama e esperei. – Será que estou fazendo a coisa certa me casando com Válter?
Marlene tem um irmão mais velho, que é casado, e ela disse que quando a data do casamento foi se aproximando, ele começou a ter várias e várias dúvidas. A família dela até temeu o rompimento do noivado. Então, quando Petúnia ficou noiva, ela disse que isso podia acontecer e ela estava certa.
— Petúnia, — eu comecei e peguei as mãos dela. – Quando você se imagina daqui a, sei lá, cinco anos, você vê o Válter do seu lado? — Ela fechou os olhos e ficou em silêncio.
— Eu o vejo. – Ela disse sorrindo.
— Então, você está certa sim. Petúnia, você só está ansiosa e isso é completamente normal. Agora, quando vamos escolher a cor do vestido das madrinhas? Eu estava pensando em verde, sabe, por causa dos meus olhos e tal. – Ela riu e depois disso passamos a manhã conversando sobre os preparativos do casamento dela.
***
A segunda tinha chegado e com ela, as aulas. Eu estava no penúltimo ano da faculdade de “Comunicação Social” ou “Publicidade e Propaganda” e, todo dia, era mais um dia para chorar e se preocupar com o estágio.
— Eu mandei meu currículo para seis empresas diferentes que eu me imagino trabalhando. – Alice disse durante o almoço. – Já que nenhuma respondeu, eu vou ter que passar para a lista de “Empresas que eu não estava tão afim, mas agora estou sim” — E nos mostrou uma lista que realmente tinha esse nome, com 7 empresas.
— Ai. Ainda bem que eu não tenho esse problema. – Disse Marlene se gabando. O irmão dela era gerente de alguma coisa em alguma empresa de “Administração” e tinha contratado Marlene muito antes dela precisar pensar em estágio.
— Ah! As vantagens de ter uma família grande. – Alice suspirou e eu entreguei o papel de volta a ela.
— Como estão as coisas com você, Lily? – Marlene pergunta.
— Esperando e sofrendo. – Eu disse de maneira definitiva. – Eu não aguento mais isso, sinceramente.
Eu tinha feito uma entrevista há um tempo e a entrevistadora foi gentil e toda sorrisos para cima de mim e disse que eu era perfeita para o cargo. Ela não me ligou até hoje. Foi uma perfeita ilusão, já dizia Lady Gaga.
— Ah Lily, você não pode desanimar. – Alice disse.
— Ah eu posso sim. Já estou, inclusive. Aquela mulher me enganou e o pior foi que eu estava muito animada para aquela empresa. Tinha tudo o que uma estagiária de publicidade quer, vale-transporte, vale-alimentação, uma sala recreativa, uma sala de descanso, uma máquina de café muito boa. Um monte de saquinho dos melhores chás na copa. Aquela empresa é perfeita para mim e agora tudo está acabado.
— Para de ser dramática. – Marlene disse. – Eles só estão fazendo isso porque querem fingir que não estão interessados. É uma tática comum e muita gente usa.
— Como assim?
— A entrevistadora olhou para você, olhou para seu currículo e pensou “É isto, achei minha estagiária” e agora ela só tá se fazendo de difícil . Tem o contato dela?
— Tenho.
— Me dá seu celular. – Eu nem discuto e entrego meu celular a ela.
Ela entra na conversa com a entrevistadora.
Olá, é Lily Evans
Eu só gostaria de saber se já fizeram sua decisão
Outra empresa me contratou e eu tenho que dar a resposta
em dois dias
— O que você tá fazendo? – Tomo o celular da mão de Marlene desesperada, mas não tem como apagar a mensagem e eu me sinto morrer ali mesmo. – Nenhuma outra empresa me contratou.
— Me devolve. É uma tática. – Marlene pega o celular de volta. – Ela respondeu.
É mesmo?
Senhorita Evans, eu gostaria muito que você repensasse sua
decisão.
Nós gostaríamos muito de ter você em nossa equipe.
Foi mais forte do que eu. Eu comecei a gritar no meio do gramado do campus e abraçar Marlene.
— Ah meu Deus, Marlene. Eu amo você, eu amo.
— Demora mais um pouco pra responder, finge que está plena.
Eu demoro dois minutos para responder.
Pois muito que bem
— Não responde isso Lily, vão te achar debochada. – Marlene diz e pega meu celular novamente.
A verdade é que eu estava meio revoltada com aquela mulher por ter feito um terror psicológico comigo. Se eu soubesse que era assim, eu nem vinha.
Claro
Quando começo?
Quarta-feira, pode ser?
Pode
Até quarta
***
Eu acho que eu mereço uma comemoração. Alice e Marlene também, então é por isso que estamos na ‘boate mais badalada da cidade’, de acordo com Alice. Porém, Alice não é muito do tipo que sai para essas coisas, então eu fiquei até surpresa quando ela sugeriu.
Eu nem sei como ela sabia disso, só sei que ela está muito certa. Eu tinha bebido mais do que deveria e depois de ter dançado, bebido, dançado e bebido mais um pouco, eu estou falando tudo que deveria e não deveria.
— Meu relacionamento de dois anos acabou. – Eu disse enquanto Marlene e Alice me seguravam e esperávamos por um táxi. – Acabou e acabou e não vai mais voltar.- Eu começo a chorar. – Eu tenho raiva, raiva que eu fiquei dois anos naquele relacionamento e pra quê? Pra quê? No que eu estava pensando? Eu estou com raiva, raiva de mim mesma por ter ficado tanto tempo com ele. É isto.
— Lily, fica quieta. – Marlene diz.
— Eu não posso.
— O táxi está chegando? – Alice pergunta.
— Eu nem contei pra vocês, eu saí com o James, mas vocês já devem ter visto no stories.
— Eu vi, mas não estranhei. Você vive saindo com ele. – Alice comenta.
— Exatamente! Exatamente! Eu e James somos só amigos e todo mundo sabe disso. O Amos é um bocó e nada mais importa a não ser a minha opinião e a minha opinião é esta.
O táxi chega.
— Finalmente! – Marlene abre a porta e praticamente me joga nos bancos. Ela dá o endereço da casa dela e é isso que eu ouço antes de apagar.
***
— Acorda. Acorda, Lily.- Tem alguém me balançando sem parar. Abro os olhos e é Petúnia. Reconheço onde estou: no quarto de Marlene. Só a luz do abajur está ligada, o quarto está todo escuro. Ainda é noite. – Vamos, antes que meus pais percebam.
Eu consigo levantar. Alice e Marlene estão no sofá com canecas enormes cheias de chá.
— Você quer carona, Alice?
— Não. Minha colega de quarto tem sono leve. Se eu chegar lá no meio da noite, ela vai me matar.
Nos despedimos das duas e saímos do prédio da Marlene. A rua está praticamente deserta e vejo que Petúnia está de pijama.
— Por que veio me buscar no meio da noite? – Eu pergunto depois de ela ter dado a partida no carro.
— Marlene me ligou dizendo que você tinha bebido demais. Achei melhor vir logo, você podia demorar a chegar de manhã e mamãe e papai podiam ficar preocupados.
Nós ficamos em silêncio durante o resto da viagem.
***
Quando eu acordei, já estava de tarde e eu só queria morrer. O que significava que estou de ressaca e que eu tinha perdido aula. Todo dia uma derrota diferente.
Meu celular, estava com um monte de notificações de mensagens. E todas elas eram de James. Meu coração parou, ou começou a bater tão rápido que eu nem conseguia sentir.
A conversa começava comigo mandando um áudio.
*Oi James. Eu estou com raiva de você. Você é um safado. Porque você vem pra cima de mim todo gentil e legal... Me ajudando com as coisas e eu penso ‘Eu acho que eu nunca conheci um cara tão querido’ só que aí eu penso ‘Ah mas somos só amigos’. Mas aí você começa a flertar comigo e eu percebo que você já faz isso há um tempo e eu que nunca percebi....* O áudio acaba e eu fico surpresa por ter sido uma bêbada tão séria.
Tem outro áudio.
*Yooo I’ll tell you what I want, what I really want want. So tell me what you want what you really really want . I wanna, I wanna lalalala. Esqueci o resto* e aí eu começo a rir, aquela risada de bêbada.
Eu só queria morrer.
Outro áudio e eu estou cantando novamente Wannabe só que dessa vez não dá pra entender nada.
E depois acaba. James só responde hoje de manhã.
Lily?
Lily você está bem?
O que você bebeu?
Eu vou aí pra sua casa assim que a aula terminar
Três horas depois, outra mensagem.
Minha aula acaba às 14:45 e aí eu vou te visitar ok?
Eu olhei as horas e era 14:30. É isto. É hoje que eu morro. Saí da cama e não tinha ninguém em casa, todo mundo devia estra trabalhando.
Tomo um banho rápido e como alguma coisa. Quando eu termino tudo, James já está batendo na porta.
Eu respiro fundo algumas vezes antes de abrir.
— Olha, me desculpa por todos aqueles áudios de bêbada. Eu realmente... – Mas eu sou interrompida por James, do melhor jeito, ele está me beijando. Suas mãos estão nas laterais do meu rosto e seu beijo é gentil, mas intenso.
— Desculpa por não falar nada. – Ele disse quando nos separamos.
— Não tem problema, se você fizer isso depois. – Ele sorri e eu também.
E aquele momento, quando nós sustentamos o olhar um do outro, eu sinto que está tudo perfeito.
Notas finais
Eh isto
Beijos,
Sorvete de Limão ♥
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