O Dia Em Que Tudo Mudou
19 Morte prematura
Notas iniciais
Bem aqui fica um capitulo que me tirou umas boas três horas para escrever, o próximo capitulo será o ultimo antes de começar a postar os finais, que serão separados, um capitulo por casal!!!
Espero que gostem desse capitulo e nao me matem por favor.
Ha nesse capitulo usei pedaços da musica Bring me to Life de evanescence.
Sem mais boa leitura!!
Yuki não conseguia negar a preocupação que sentia, já fazia varias horas que não punha os olhos em Gaara, onde aquele ruivo poderia estar... E pior o que ele poderia estar fazendo? Depois do que aconteceu depois do que foi dito a jovem morena começava a ter absoluta certeza que ficar ali parada esperando por algo que não iria acontecer era uma enorme besteira.
Gaara não ia voltar e ela não poderia ficar apenas ali esperando por uma noticia que não iria querer receber.
Nervosa e ansiosa, Yuki saltou do sofá onde estava sentada pegou as chaves do quarto e saiu porta afora correndo o mais que podia. Não queria e nem iria deixar que seus sentimentos levassem a sua avante, mas também não iria permitir que Gaara fizesse uma loucura por sua culpa.
Isso jamais se perdoaria.
Forçando o mais que seu corpo lhe permitia a jovem Yamamoto procurou e reprocurou. Era como se tivesse revivendo a noite daquela tempestade onde acabou achando o ruivo num cemitério e única diferença era que agora ela tinha plena certeza que o fim poderia ser muito mais trágico. Na hora em que disse o que quis para Gaara sua cabeça não raciocinou que estava dialogando com um suicida em potencial. Depois da noite deles, depois de tantas e tantas rejeições Yuki sabia qual o final daquela historia. E não era feliz nem tampouco agradável.
Não muito longe dali
Gaara naquele momento descansava o corpo, um banco de jardim lhe servia de amigo e confidente. Falava sozinho com aquele objeto, poderia passar por louco ou até mesmo por psicopata. Seus olhos fundos e rosto indiferente afirmavam mais a teoria do psicopata. Aquele era o rosto de quem não tinha nada a perder.
A noite do ruivo fora passada em branco, seus pés o levaram por ruas e becos, por estradas e bares. Apenas vagueando sem rumo esperando a luz no fim do túnel. Luz essa que teria que ser ele próprio a criar. Ele iria criar o seu fim, a sua luz de esperança. Afinal ele estava cansado de estar cansado. E quando se está cansado viver é muito cansativo.
Se não fosse pelo moreno que o abordou no dia anterior já estaria reunido com Temari e seus restantes familiares. Aquilo... Foi apenas um adiar do inadiável. Desde que embarcou naquele avião no Japão com rumo à França que seu destino estava traçado, porque afinal... Nada mudou.
Um longo e doloroso suspiro saiu dos lábios fracos de Gaara, alem de passar a noite vagueando seu estomago não sabia o que era digerir algo á varias e varias horas. Alem de cansado ele estava fraco. Ou melhor, ele era um fraco se sentindo fraco por estar cansado.... Ou era apenas um tolo que não sabia lidar com a rejeição. Das duas preferia a primeira, sempre era menos doloroso de aceitar.
- É agora. – Gaara murmurou consigo mesmo atraindo outras tantas atenções sobre ele, para quem o via ele realmente se assemelhava com um louco.
Sem ânimo ou vontade se levantou do banco onde repousava e seguiu seu trajeto caminhando e cambaleando alternadamente. Sabia bem para onde queria ir, já lá tinha estado e já La tinha sido salvo, mas desta vez não havia salvação. Sua família o aguardava, mesmo sem ter amor para receber do outro lado, deste lado também não o tinha... Então mais valia partir de uma vez, coisa que sempre lhe esteve destinada... Porque nada mudou.
Gaara colocou a mão dentro do bolso direito da calça que usava, sorriu minimamente apenas confirmando que tinha o que precisava. Á medida que seus pés o aproximavam do cemitério para onde desejava ir o céu que era azul como o mais lindo mar cristalino começava a ganhar uma tonalidade escura assustadora. Estariam os céus chorando por ele?
Não demorou em que o escuro céu se desfizesse em chuva, chuva forte e torrencial. Tal e qual como naquela noite. A única diferença? Desta vez ele não ia apenas visitar a campa dos seus parentes, mas também a sua futura campa.
Por fim Gaara chegou onde queria na sua frente os portões abertos do cemitério lhe cedendo passagem pareciam mais intimidadores, não que estivesse mudando de ideias sobre o que queria e ia fazer apenas a morte lhe parecia mais assustadora quando olhada tão de perto.
Engolindo a saliva a custo o ruivo que se sentia mil vezes mais pesado a custo mexeu a perna direita para em seguida com mais custo ainda mexer a perna esquerda. Seu corpo não queria o mesmo que sua mente, ali poderia se iniciar uma luta. Poderia, mas não ia.
Passo após passo adentrando cada vez mais dentro daquele cemitério a campa da família Sabaku era visível mesmo com o dia transformado em noite e debaixo daquele dilúvio. Gaara acelerou o passo se colocando finalmente mais uma vez ao lado da família que descansava alguns metros abaixo daquele solo. Lugar onde em breve ele estaria também. Lugar que sempre lhe foi reservado.
- Finalmente... – Gaara balbuciou deixando o corpo cair sobre a terra ensopada. Estava sentado a meros minutos de poder deitar e descansar. Afinal, o que ele tinha mesmo que lhe desse motivos para viver?
Nada.
Apenas a rejeição a dor e sofrimento. Se isso era tudo o que ele iria ter, então preferia ficar com o que sempre teve... Nada.
Um sorriso brotou no rosto cansado de Gaara, mais uma vez uma de suas mãos entrou no bolso da calça, mas desta vez não vinha vazia. Um pequeno pedaço de papel amachucado e um pequeno caco de vidro se encontravam na mão. E era tudo o que precisava.
O pedaço de papel amachucado e agora humido o ruivo o colocou preso entre algumas pequenas pedras que ali se encontravam, enquanto que o pequeno caco de vidro permaneceu em sua mão. Gaara olhou em redor apreciando a chuva que lhe caia em cima, um ultimo olhar imaginando ver o rosto de Yuki ali com ele em vez daquele cenário de mortos.
O ruivo encheu o pulmão de ar a custo e com dificuldade expeliu o ar num grito.
- É POR VOCÊ!! – A voz forte fez eco naquele lugar tão morto quanto o seu coração. No segundo seguinte Gaara usou o pequeno caco cortante para fazer dois pequenos cortes sobre as veias pulsantes dos pulsos. Aquilo era tudo o que precisava para em pouco tempo de desfazer em sangue.
Perto dali
Yuki continuava correndo, mais uma vez estava procurando debaixo de um temporal. Podia ser coincidência? Sim podia, mas a morena preferiu tomar aquilo como um sinal. O sinal que lhe dizia exatamente onde procurar por Gaara.
O cemitério!
Sentindo o coração bater mais forte e uma dor agonizante apertar aquele órgão tão complexo a jovem correu o maximo que todo o seu corpo lhe permitiu, no fundo, no mais profundo do seu ser ela sabia o que estava acontecendo, e era tudo por sua culpa.
- GAARA!!! – A morena gritou a plenos pulmões sentindo uma dose de adrenalina percorrer todo o corpo lhe permitindo correr mais ainda. Ela já não estava correndo para salvar o ruivo chato e psicopata, Yuki se dava conta que estava correndo para salvar o amor que não queria aceitar, o amor que estava deixando morrer afogado em dor e sofrimento. Ela estava causando em Gaara a mesma dor que anteriormente outros lhe causaram. Não queria mais isso. Não queria mais sofrer nem fazer sofrer.
Os portões negros do cemitério finalmente eram visíveis. Yuki suprimiu a vontade de chorar que a estava esmagando. Tinha que ser mais forte e deixar as lagrimas para depois. Ainda correndo a jovem Yamamoto foi guiada pelos seus instintos que a levaram até o lugar onde tinha encontrado Gaara pela ultima vez.
O cenário que viu não lhe permitiu continuar a tentar ser forte, as lagrimas que reprimia que queria esconder se escapuliram entre suas esferas negras se misturando com a chuva que continuava a cair dos céus. Estariam os deuses chorando por ela ou por ele?
Now that I know what I'm without
You can't just leave me
Breathe into me and make me real
Bring me to life
Agora que eu sei o que me falta
Você não pode simplesmente me deixar
Dê-me fôlego e me faça real
Traga-me para a vida
Gaara sangrava abundantemente, em seu redor uma assustadora poça de sangue confirmava o pior, desta vez diferentemente daquele dia na ilha ele tinha levado a sua avante.
- Não! – Yuki murmurou roboticamente se ajoelhando ao lado do ruivo inconsciente. – O que eu fiz você fazer? – A morena ainda não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, não conseguia raciocinar direito, estava em choque absoluto. As lagrimas se tornaram ainda mais intensas quando a chuva parou.
Desta vez Yuki não tinha sido o anjo de Gaara nem tampouco a sua salvação... Pelo contrario ela mesma fora a destruição do jovem ruivo. Desta vez ela tomou a decisão de aceitar o amor tarde demais.
Frozen inside without your touch
Without your love, darling
Only you are the life among the dead
Congelada por dentro sem o seu toque
Sem o seu amor, querido
Só você é a vida entre os mortos
Cada vez mais consumida pelas lagrimas e culpa Yuki abraçou Gaara contra o seu corpo, ele estava frio, na realidade muito frio. Aquilo só fez a morena como se fosse possível desabar ainda mais em lagrimas, ela poderia dizer que seria a próxima a morrer. Ela não merecia viver, não depois de ter levado Gaara ao suicídio.
- Me perdoe, por favor. – Murmurou com a voz embaçada pelas lagrimas. As palavras queriam sufoca-la. Era tarde demais para se desculpar pelo que quer que fosse. Era tarde para trazê-lo de volta á vida.
(Wake me up)
Wake me up inside
(I can't wake up)
Wake me up inside
(Save me)
Call my name and save me from the dark
(Acorde-me)
Acorde-me por dentro
(Eu não consigo acordar)
Acorde-me por dentro
(Salve-me)
Chame o meu nome e salve-me da escuridão
- GAARA!! – Yuki gritou a plenos pulmões o maximo que conseguiu. Sabia que não serviria de nada, era como se estivesse acordando um preguisoço adormecido. Mas neste caso nem o mais alto dos gritos nem o mais forte dos sentimentos serviria de algo. Gaara estava morto e a única culpada era ela, apenas ela e ninguém mais que ela mesma.
Entre soluços e gritos de desespero finalmente a morena notou algo que até agora lhe tinha passado despercebido. Aquela sepultura ao lado de Gaara tinha algo escrito, algo gravado. Yuki cerrou os olhos tentando entender o que lá estava e quando conseguiu tudo em sua volta se tornou escuro, tudo se tornou uma roda gigante.
Ali debaixo daquela terra estava toda a família de Gaara. Yuki abriu a boca tentando ganhar ar sem sucesso. Tudo estava escuro de mais.
Now that I know what I'm without
You can't just leave me
Breathe into me and make me real
Bring me to life
Agora que eu sei o que me falta
Você não pode simplesmente me deixar
Dê-me fôlego e me faça real
Traga-me para a vida
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- Jun? – Lucian questionou incrédulo olhando a suposta irmã morta bem viva na sua frente. O que raios, Jun estava fazendo ali e pior... Viva?
O mais velho fingiu o melhor sorriso que conseguiu e falsamente disse.
- Jun minha irmã, onde você estava? Nem passou a noite em casa, vai-me dizer que arranjou um namorado? – Tagarelou visivelmente nervoso. Era suposto Jun estar morta, e mais que morta. O próprio Kakashi lhe tinha confirmado, nada estava fazendo sentido.
Jun permaneceu imóvel apenas observando a cena digna de um filme nomeado para Oscar, nem sabia que seu irmão conseguia representar tão bem, até fazia sentido afinal tudo sempre foi uma representação. As palavras doces, os abraços os beijos ternos. Não passavam de facadas venenosas.
- Lucian... – Jun murmurou o nome do irmão calmamente. – Não acha que chega de teatros? – Questionou ainda calmamente apreciando cada mudar de expressão do irmão.
- Como assim chega de teatros? – Lucian se fez de desentendido, afinal quais eram as hipóteses de Jun saber de tudo? Só se Kakashi – Droga — Sim e agora tudo começava a fazer sentido. Jun estava viva porque Kakashi mentiu, aquele assassino tivera a coragem de se apaixonar justamente por Jun? Era a explicação mais convincente, isso significava que Jun sabia de tudo?
Jun cruzou os braços vendo o rosto de Lucian ir do confuso ao irritado, sabia que o irmão não era tão burro, já deveria ter percebido o que se estava passando. Agora sim ela podia rebentar.
- COMO FOI CAPAZ? – A jovem de olhos verdes explodiu num sonoro grito. – Como foi capaz de me mandar matar apenas por dinheiro? Eu sou sua irmã!! Ou melhor, eu era. – Mais calmamente soltou as palavras, ela precisava ouvir da boca do irmão tudo o que já tinha ouvido de Kakashi.
Lucian bufou e passou uma das mãos pelos cabelos. Tinha que dar um jeito em Jun ou não iria ver a cor de dinheiro nenhum. Mas antes ia fazê-la em pedaços por dentro.
- Jun. – Um sorriso maligno brotou nos lábios do mais velho. – Que importância você tem perante uma quantidade tão grande de dinheiro? Você não passa de uma criança teimosa e mimada, não merece o dinheiro daquele seguro e nem tampouco merece viver. – Lucian sabia que aquelas palavras seriam o suficiente para deixar a irmã de rastos.
Jun engoliu em seco. Apesar de todo o ódio que estava sentindo do irmão aquelas palavras doíam. Como Lucian se tinha transformado num monstro ganancioso? Ou talvez ele sempre fosse esse monstro fingido ser o irmão carinhoso que no fundo nunca foi.
- Tem razão. – Ela murmurou. – Eu sou uma menina teimosa, mas ao menos não sou um monstro como você. – Ao terminar a mão esquerda voou até ao rosto barbeado de Lucian lhe desferindo um violento e sonoro tapa. Aquilo teria consequências e Jun sabia disso.
Lucian cerrou os dentes sentindo o rosto queimar. Aquela criança teria que ser muito boba para ter a ousadia de lhe levantar a mão.
- Você não tem noção do perigo. – O mais velho rugiu e levantou a mão pronto para retribuir o tapa em Jun, só que com o dobro da violência.
Jun fechou os olhos por instinto vendo aquela mão caindo sobre ela.
Um sonoro estalo foi ouvido e Jun continuou de olhos fechados. Lentamente a jovem abriu as duas esferas verdes procurando motivo de não ter sido agredida e o que menos esperava tinha acontecido.
Kakashi segurava o pulso de Lucian num aperto firme e forte. Ambos se entreolhavam faiscando raiva dos olhos.
- Não tente sequer magoar Jun novamente. – Kakashi advertiu de dentes cerrados. Tinha em mente que teria que se controlar ou iria acabar matando Lucian na frente de Jun. Aquele canalha merecia morrer, mas Jun não merecia assistir algo do gênero. Ela já tinha sofrido o bastante.
- Você é muito idiota mesmo. – Lucian murmurou. – Jun deveria estar morta, você a deveria ter morto e no final eu é que sou o monstro? – Uma risada sinistra se seguiu.
Kakashi apertou mais o pulso de Lucian e sem sequer olhar nos olhos de Jun respondeu.
- Eu também fui um monstro, mas me arrependi. Apaixonei-me e mudei. O amor por Jun me mudou. Mas você Lucian, você não merece viver. – A voz do grisalho saiu transbordando de raiva e ódio. Estava consciente que Lucina não iria descansar enquanto Jun não estivesse morta, só assim receberia o dinheiro.
Lucian abriu a boca para dizer algo, mas não teve hipóteses de concluir a ação. Kakashi fechou a mão livre e lhe desferiu um violento soco no rosto que o levou até ao chão.
Jun sentiu o coração acelerar. Lucian merecia aquele soco e muito mais. Mas ela não iria ficar ali para assistir. Sem pensar Jun se pós em fuga. Apenas conseguiu ouvir a voz de Kakashi chama-la. Ela não queria ver mais violência, não queria mais ver Kakashi. Se Lucian era um monstro por querer mata-la, Kakashi era igual por ter aceitado... Mesmo que tenha-se arrependido.
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