O Dia Em Que Tudo Dá Errado!
1 Capítulo único
Sabe aquele dia que você acorda e parece que o mundo inteiro tirou o dia pra te perturbar?
Pois é... Hoje foi assim!
Era hora do almoço e eu tinha ido na barraquinha do tio comer um enoooorme prato de rámen, mas enorme mesmo! E o melhor de tudo: Era por conta da casa! Eu estava levando o Hachi até a boca quando, de repente, a tigela de rámen cresceu absurdamente! Eu mal podia dizer o quanto estava feliz por ter aquilo à minha frente. Porém, a felicidade durou pouco. Alguns fios de macarrão começaram a sair da tigela, e um deles pegou meu pé e me balançando no ar. Eu me rebatia para me soltar, mas mais fios me seguraram e me levaram até a tigela, deixando-me bem em cima da sopa quente.
Então, os fios começaram a se soltar.
Felizmente, era só um sonho (ou melhor, um pesadelo), mas esse fato não evitou que eu suasse frio com o fato de eu morrer enquanto me afogava na sopa de rámen. Foi Konohamaru quem me acordou usando uma vareta (onde ele havia arranjado aquilo?) para cutucar minhas costas.
Fiquei aliviado por ser apenas um sonho. Olhei para o relógio, marcando 9h da manhã, e bufei em seguida. Konohamaru havia me acordado cedo num Sábado! Isso me fez pensar no por que havia deixado ele ficar no meu apartamento noite passada... Não encontrei um motivo.
Então ele fez a pergunta mais idiota do mundo:
- Ei Naruto-niichan, você tá dormindo?
- Não, estou treinando pra morrer!
- Credo Naruto! Que mal humor hein...
- Me deixa dormir Konohamaru!
- Você prometeu jogar futebol hoje comigo!
- Mais tarde, tá?! Agora me deixa dormir!
- Ah tá bom, tá bom!
Ele saiu do quarto e eu tive sossego. Porém, mesmo eu virando e revirando na cama, o sono não voltava. Nada de voltar a sonhar com uma graaaaaaande tigela de rámen (só o rámen, por favor!).Acabei desistindo e finalmente me levantei.
Konohamaru estava na sala. Olhei para ele com a pior expressão de mal-humor que pude... Ah, ele teria o troco por ter me acordado tão cedo num sábado.
- Acordou?
- Não, sou um sonâmbulo!
- Pelo jeito o mal humor não passou, hein?
- Jura? Nem tinha percebido...
- Você tá insuportável hoje!
- Aaaaaaah não enche Konohamaru!
Fui direto pra geladeira e preparei um café da manhã. Sentei na mesa e comecei a comer meu café tranquilamente... O que não durou muito, já que aquela peste decidiu vir me infernizar novamente.
- Naruto-niiiiiichaaaaaaaan!!
- O que foi agora?
- Sua TV não quer ligar...
- Aaaaaah mais essa agora!
Fui até a sala para conferir o que Konohamaru havia dito, e realmente a TV não estava funcionando. Eu teria de leva-la a uma oficina e gastar meu suado dinheirinho para consertá-la. No mínimo, o técnico cobraria só para abri-la.
Bufando e pisando fundo, fui até meu quarto e me arrumei rápido para poder levar a TV numa oficina que havia aberto há pouco tempo perto de casa. A TV era muito pesada, mas a única maneira era leva-la no braço até a oficina. Para a minha surpresa – ou completo azar –, assim que abri a porta do apartamento, um raio cortou o céu nublado. Chuva, ótimo! E, para completar, o inútil do Konohamaru perguntou com a maior cara de idiota possível, apontando para fora:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.
-... Então tá.
O bastardo virou as costas para mim e sentou-se no sofá, abrindo o MEU mangá preferido, antes em cima da mesa ao lado do sofá, para ler. Ah, mas ele ia pagar caro por tudo aquilo. Revirei os olhos, tentando não ligar para as atitudes do menino, colocando a Tv no sofá e indo à procura de algo para cobri-la. Finalmente encontrei uma toalha, e assim que cobri a TV, saí correndo com ela nos braços até a oficina mais próxima.
Assim que cheguei na oficina, um velho senhor veio até mim, e para aumentar ainda mais o meu mal-humor, fez uma pergunta tão ridícula quanto as que o Konohamaru tinha feito naquela manhã.
- Tá com defeito? — Estúpida, não?
- Não é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.
- Nessa chuva?
- Você tá de brincadeira, né?
- Ein?
- Ah, nada... Você pode consertar para mim?
-... Vou dar uma olhada.
O técnico disse que precisaria consertar uma peça que queimou e que na Segunda estaria pronta. Um fim de semana sem TV, que sorte! O preço também não era o dos melhores... Merda!
A chuva ainda caía, tive que enfrentá-la de novo! Corri para casa e quando cheguei Konohamaru ainda estava lá.
- Já chegou?
- Não não, meu corpo está lá. Estou presente espiritualmente e vim para puxar seu pé. Chegou sua hora Konohamaru.
- COMO É? – Nunca o vi tremer tanto de medo como naquele momento.
- Esquece! Vou trocar de roupa.
- Você está molhado?
- Ah, sim. É que um Tsunami passou pela cidade nesse tempo em que fui pra oficina.
- Idiota.
- Olha Konohamaru, eu acho melhor você voltar amanhã. Eu ainda vou pular no seu pescoço hoje!
- Tá bem, tá bem! Eu volto amanhã.
Ele finalmente tinha saído de casa.
Paz afinal!
E o telefone toca...
PORRA! Haviam tirado o dia hoje pra me atormentar, né?
Era Sasuke.
- Alô?
- Naruto? Você tá em casa?
- Não, tô no Pólo norte! Um furacão trouxe minha casa pra cá!
- Vai se ferrar!
- Fala logo o que você quer!
- Kakashi vai pagar uma rodada de churrasco para nós. Vamos lá?
- Churrasco de graça? É claro! – Ouvi Sasuke resmungando algo como “Não disse que ele cairia nessa?” E uma segunda voz dizendo “É realmente um completo idiota!” – QUEM É IDIOTA?
- Ninguém, idiota. – bufei. – Então te encontro lá à noite.
- Ok, até lá...
- Até!
Sasuke era outro que havia entrado na minha Lista Negra do dia.
Como eu não tinha nada para fazer,fui ler um pouco do meu mangá favorito. Que horas agradáveis foram aquelas, sem pestes perseguidoras, sem perguntas idiotas e sem qualquer tipo de aborrecimento. Logo a hora do almoço chegou e eu fui preparar algo na cozinha. Assim que entrei, um imundo rato passando pelo chão.
- Era só o que me faltava!! – gritei enquanto me descabelava.
Corri atrás dele pela casa toda com um chinelo na mão, tentando mata-lo, mas o maldito sempre fugia de mim. Eu acabei quebrando algumas coisas dentro de casa nas minhas falhas tentativas de acertá-lo de longe. Aquela praga ainda pareceu rir de mim quando finalmente entrou na toca, um buraco na parede escondido atrás do armário da cozinha.
Corri atrás dele como se fosse um gato, só que o rato me fez é de burro! Ainda por cima parecia que ele estava rindo da minha cara quando entrou na toca. Mas isso não ia ficar assim! Como faltavam algumas coisas em casa, decidi ir ao supermercado e aproveitar para comprar alguns “presentinhos” para aquele rato maldito...
Em meia hora eu havia enchido o carrinho com tudo o que eu precisava e estava à caminho do caixa. Porém, como a minha sorte havia tirado o dia de folga, as filas estavam enormes. Fui para o fim da vila e esperei. Minutos depois, um homem que aparentava ser poucos anos mais velho que eu aproximou-se, e assim como os outros idiotas com quem conversei hoje, ele fez uma pergunta.
- Você está na fila?
- Não, eu pisei num chiclete e estou grudado.
O homem se irritou, disse alguns palavrões e foi para a próxima fila. Ok, eu fui um pouco mal educado, mas dêem um desconto, hoje o dia está péssimo!
Passei uma meia hora esperando minha vez. Quando chegou minha vez, a mulher do caixa somou tudo e, como o valor ficou alto (ai, meu suado dinheirinho!), peguei o talão de cheques do meu bolso. E então, a mulher me perguntou:
- Vai pagar em cheque?
- Não, vou fazer um poema nessa folhinha!
- G-gome ne...
Me senti mal por ter a tratado daquela forma, então pedi desculpas e expliquei que meu dia não estava sendo bom, e ela pareceu entender. Voltei para casa, guardei as compras e enchi a casa com venenos e armadilhas para ratos. Aquele carinha não sobreviveria por muito tempo... Não, eu não sou mau, esse rato é que se meteu comigo num péssimo dia.
Ainda estava no meio da tarde, então decidi ir até o campo de Konoha para jogar um pouco de futebol e ver se eu conseguia aliviar o estresse. Vestido à caráter (eu estava parecendo um verdadeiro jogador de futebol, haha), peguei minha bola e saí de casa, no meio do caminho, cruzei com o Shikamaru.
- Yoo, Naruto!
- Yo!
- Está indo jogar bola?
- Não, vou estouras pipocas.
- Tch... Não parece estar num bom dia.
- Nem me fale...
- Que problemático. Espero que você não esteja assim mais tarde.
- Eu não tenho bola de cristal pra saber como meu temperamento vai estar, Shikamaru! E o que diabos você quer dizer com mais tarde?
- Nada, nada! Cara, é sério, melhora esse humor...
E ele saiu como se nada tivesse acontecido.
Fui para o campo de futebol e dei uns bons chutes onde descontei todo aquele estresse que eu havia acumulado no dia, mas mesmo que eu tenha feito isso durante a tarde toda, não pareceu resolver nada. Quando estava voltando para casa, tropecei e caí no chão, ralando meu joelho. Merda, merda, merda! Pra piorar tudo, uma criança idiota passou por mim e perguntou:
- Caiu?
- Não,eu me joguei!
A criança deu de ombros e saiu correndo dali como se tivesse acreditado no que eu disse. Com tanto imbecil no mundo, como ainda falam que o idiota sou eu? Na boa, eu já havia perdido as contas de quantas perguntas ridículas como aquela haviam me feito no dia.
Voltei pra casa e já era quase hora de ir. Sasuke havia me mandado uma mensagem no celular confirmando se eu realmente ia, e eu o respondi com um “é claro que vou, imbecil!”. Segundos depois, ele me mandou de volta um “Vai se ferrar!” Segunda vez no dia, certo? Certo.
Deixei o celular em cima do sofá e fui direto para o banho. E foi nessa hora que me lembrei do meu joelho machucado.
- AAAH MERDA DE JOELHO!!! POR QUE ESSA PORRA TEM QUE ARDER TANTO ASSIM?!
Saí do banho após os minutos de tortura, escorreguei no chão molhado e bati a cabeça na pia. Um galo enorme formou-se na minha testa.
- PORRA!
Viva, meu estresse voltou!
Fui até meu quarto e procurei logo por band-aids para colocar nos machucados. Rapidamente troquei-me e dei um trato no visual para logo sair correndo de casa. Eu havia me atrasado. Após tanto correr, finalmente cheguei à churrascaria, porém, estava tudo apagado. Levantei as mãos para o céu, me perguntando que porra era aquela. Sasuke havia me feito de idiota? Aquele filho de uma...
Antes de ir embora, decidi espiar dentro da churrascaria e ver se realmente não havia nada. Tudo escuro. Mas para a minha surpresa, ao encostar na porta, ela se abriu. Caí de cara no chão. Aquilo não tinha acabado ainda?
As luzes se acenderam Olhei para frente, e não entendi nada quando vi todos os meus amigos reunidos em frente à uma grande mesa cheia de comida. Ao notarem a minha presença todos gritaram em uníssono.
- “Feliz Aniversário, Naruto!”
-... Eh? – foi tudo o que eu consegui dizer.
- Idiota, você se esqueceu do seu próprio aniversário. – Sasuke me ajudou a levantar. Foi ele que abriu a porta quando caí. Mais uma pra Lista, Sasuke. Prepare-se!
Porém, aquele não era o momento para me preocupar com aquele desgraçado. Eu estava feliz. Além daquele maldito, Sakura, Kakashi, Sai e até mesmo Tsunade-baachan estava presente entre tantos outros rostos conhecidos. Meus amigos, meus queridos laços feitos com muito esforço e dedicação. Todos estavam ali, comemorando o dia do meu nascimento. Era estranho, sempre passei meu aniversário sozinho, (talvez seja por isso que eu tenha me esquecido), e agora, todos estavam ali.
Não pude deixar de sorrir.
Todos vieram me parabenizar. Nós comemos, bebemos e nos divertimos muito naquela noite. Meu mal-humor pareceu nunca ter existido enquanto eu estava junto deles.
Éramos como uma grande família festejando um dia importante.
Eu nunca me esqueceria daquele dia.
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