Notas iniciais
Antes de agradecer a todos que leram, queria revelar algumas coisas... Quando era criança, realmente, me apaixonei por um menino chamado Lucas e ele existe, porém não sou a Sarah. O Patrick é real e é do mesmo jeito que foi descrevi. O Clécio também existe e ele é meu irmão, mas modifiquei alguns detalhes das características físicas dele. A Laila também existe e seu cabelo é é vermelho e ela é uma Maggot mesmo, assim como eu. Os demais personagens não existem. Queria dedicar esse último capítulo ao Patrick, que leu tudo até o final e... me fez modificar o enredo com a safadeza dele (risos). Obrigado a todos que leram! Grande beijo para o Feffs e a sua amiga que também leu. Até a próxima fic! ^^

Fim

Depois que Patrick saiu do quarto, Marcela finalmente, me levou para o laboratório do doutor bigodão. Estava com medo daquela quimioterapia, afinal, nunca tinha feito uma antes e não sabia se iria doer, ou alguma coisa do tipo.

Ao chegarmos à sala, entrei sem olhar para a cara do medico. Affs, eu nunca fui com a cara daquele homem! Andei mais alguns curtos passos e logo me deparei com a máquina de fazer alguma espécie de raio-x. Ai meu caralho... Mas que porra é essa?! Isso é uma maquina de raio-x?! Ou um monstro que come corpos ainda vivos?!

—Calma Sarah... Não precisa ficar com medo. –disse Marcela, percebendo a minha reação.

—Não vai doer nada, Sarah. –disse o doutor Carlos.

—Cala a boca! –lancei um olhar repreensivo pra ele e deitei-me naquela coisa.

Quando aquele tipo de maca começou a se mover para dentro, tive um mini ataque cardíaco. Senti que meu corpo estava sendo comido.

Enquanto isso, Marcela ficou do lado de fora mexendo em alguns botões, sei lá, ajustando alguma coisa. O doutor estava com seus típicos óculos de grau (o que o deixava feio pra caralho) observando meu corpo pelo computador.

Depois de uns quinze minutos, ele pediu Marcela para desligar. Estranho, sua expressão estava meio preocupada.

—Isso é mal... –falou para si mesmo.

—O que houve doutor? –perguntou Marcela, curiosa.

—Chame os pais da Sarah pra mim, por favor. –disse em um tom seco.

* * *

—Nos perdoe pela demora, Dr. Carlos. Acontece que nós estávamos trabalhando quando você ligou e nós tivemos...

—Sim, Dona Célia, não precisa todas essas explicações. –ele interrompeu a fala da minha mãe. –Sentem-se, por favor.

—Algum problema com a Sarah? –perguntou meu pai.

—Olha... Eu não sei como dá essa noticia a vocês, mas... As células cancerígenas dela aumentaram nesses últimos dias. –disse ele de modo calmo.

—O que isso quer dizer?! –minha mãe já começava ficar assustada.

—Que... A Sarah irá falecer em, exatamente, seis horas.

—E agora é meio dia! Quer dizer que hoje às seis da tarde iremos perder nossa filha?! –perguntou meu pai com a mesma situação que a minha mãe.

—Não doutor! Deve haver algum jeito de salvar nossa Sarah! –disse a mãe.

—Minha senhora, você deve compreender que nós fizemos de tudo para tentar ajuda-la. Esse câncer é... Uma espécie estranha, não é algo que vemos por aqui. –o medico tentava explicar.

—Não... –minha mãe começou chorar e meu pai tentou acalma-la.

* * *

—Assim está confortável? –perguntava Marcela, enquanto ajustava o meu travesseiro.

—Tá sim, obrigado, Cela!

—Você é namorada daquele menino que estava aqui? –ela perguntou curiosa.

—Bom... Somos melhores amigos, entende? –sorri.

—Ah sim...

—E onde está a Laila?

—Ela fez uma radiografia hoje para ver qual é problema, entende? E vai ser transferida para outra clinica. –me explicou.

—Nossa... Tomara que ela melhore, pra gente poder ir ao show do Slipknot juntas em dois e dezessete no Rock In Rio.

—Com certeza irão... Tenho que ir, vou cuidar de outras pacientes. Descanse Sarah. –e, por fim, ela saiu.

Apesar de ser meio dia, eu não estava sentindo nenhum pouco de fome. Nunca na minha vida tinha me sentindo tão só como estava me sentindo agora. Ai meu caralho... Onde estão vocês seus pestes?!

* * *

—A senhora tá falando sério?! –perguntou Patrick.

—Sim, em seis horas. Reúne o resto da turma e vem pra cá, ela vai precisar de vocês.

—Quem era? –perguntou Samuel vendo o amigo guardar o celular.

—A mãe da Sarah...

—E aí? Alguma noticia? –perguntou Keu.

—Ela só tem seis horas de vida... –respondeu em um tom abismado.

—Ei, meninos... –Sam ouvindo tudo e vendo a cena, chamou atenção dos três garotos. –Não abaixem a cabeça não! Esqueceram do que vamos fazer?

—Vamo lá, diz o plano! –disse os três quase em coro.

—É assim, gente... –disse Valentinna se aproximando com uma cartolina na mão.

—Mas que merda é essa, Tinna?! –perguntou Keu, em meio a risos.

—É um mapa, seu cegão! –todos sorriram.

—Vai... Explica essa porra aí! –pediu Patrick, ainda sorrindo.

Cinco minutos depois...

—É uma brilhante ideia! Parabéns, Sr. Lorenzo! –disse Samantha.

—Obrigada! –gabou-se Valentinna. –Agora vamo!

—Espera, porque eu tenho que ser o cara que vai ser mordido pelo cachorro, hein?! Não podia ser o Patrick não?! Ele que fica com raiva toda hora, essa bicha! –disse Samuel, meio infeliz com o plano da amiga.

—Bicha?! Opai... Dei um beijão na Sarah hoje cedo e...

—Como é que é?! –seus quatro amigos perguntaram em coro, cortando a fala do amigo e o deixando vermelho.

—Bem que você disse, hein, Keu... –Sam com um sorriso malicioso nos lábios.

—Hummmmmmm... Patrick! –os quatro fizeram uma carinha de lua igual a do what’s app.

—Larga de coisa, seus coisados e bora logo! –disse ele se levantando e indo pra porta. –Vocês vêm?

—Bem atrás de você, beijoqueiro! –disse Samuca, se levantando com o resto da turma.

—Não, cara... Quem fica atrás dele é a Sarah. –disse Sam de modo sarcástico.

—Na verdade, vai na minha frente mesmo! –falou Patrick em duplo sentido, arrancando risadas dos seus amigos.

* * *

—Pode entrar! –alguém bateu na porta.

—Olá meu amor! –disse minha mãe.

—Mamãe?! Eu tava com saudade! -sorri de orelha a orelha ao ver a mulher de meia idade, a qual eu amava muito.

—Nós também estávamos filha! –disse meu pai.

Eles se aproximaram de mim e seus olhos estavam lacrimejando, me preocupei.

—O que vocês têm? –perguntei.

—Nada meu bem. –respondeu minha mãe, limpando uma lágrima que rolava de seus olhos.

—Célia, se você não conta, eu conto! –meu pai a olhou nervoso.

—Fala pai!

—Não! –minha mãe quase gritou e começou chorar.

—Se vocês não falarem, eu...

—Sarah, minha filha, você só terá seis horas de vida!

—O quê?! -os olhei incrédula.

Por uns longos cinco minutos, fiquei apenas os encarando e ouvindo o som do choro da minha mãe. Eles preferiram não me encarar, nem dizer nada. Mas pensei comigo mesma: não há porque ficar entrando em desespero agora, Sarah. Chega de dramas por hoje! Vamos lá, seja uma menina forte!

—Venham... –abri os dois braços e os chamei para um abraço com um sorriso meigo nos lábios.

—Pensamos... Pensamos que você entraria em pânico, Sarah. –disse minha mãe me abraço pelo lado direito.

—Cala boca, mãe! Deixe-me que eu os sinta pela ultima vez. –a repreendi.

—Te amamos, Sarah! –disse meu pai, suas lágrimas rolavam.

—Também amei muito vocês! –fechei os olhos, deixei que as minhas lágrimas corressem.

* * *

O dia estava lindo com aquele céu pintado de azul. As pessoas andavam pelas ruas: algumas namorando, outras indo trabalhar... E os meus amigos já haviam chegado na porta do hospital, prontos para colocar o ''plano'' em ação.

—E aí? Tudo pronto?! –perguntou Patrick.

—Tudinho! –disse Sam.

—Trouxe o som, Samuel? –perguntou Keu.

—Tá aqui! –o menino levantou o aparelho

—Então, vamo!

—Espera! Cadê o chantilly? –perguntou Samuca.

—Arr... Tá aqui, gala branca! –respondeu Tinna, meio impaciente.

—Então vai logo, seus porra, eu to ansioso! –disse Trick.

Autora: Bom, antes que a cena continue... O plano é o seguinte, leiam que vocês vão saber! #trollei :v

—Socorro, socorro! –as duas jovens entraram gritando, arrastando Samuel pelos braços e fingindo estar assustadas.

—O que houve moças? –por sorte, quem estava na recepção era uma enfermeira de sessenta anos.

—Ela é velha, vai ser fácil!

—Samantha! –Tinna a repreendeu.

-O nosso amigo... ele, ele... –Sam voltou a encenar de novo.

—Ele foi mordido por um cachorro e, agora, tá com raiva! –berrou Tinna.

—Minha nossa! Pobre menino! –disse a velhinha analisando a situação de Samuel.

—Ajuda a gente, ajuda ele... Não queremos que ele morra de raiva! –Sam fingiu estar chorando.

—Espera, eu vou lá dentro buscar uma injeção e já volto. –a senhora saiu correndo pra sei lá qual sala.

Assim que ela saiu, eles chamaram por Keu e Trick, que ficaram do lado de fora assistindo tudo quase morrendo de rir. Os dois garotos entraram e fizeram uma comemoração rápida ali e, em seguida, correram para o enorme corredor, em busca do meu quarto.

Eles iam passando correndo e os enfermeiros ficavam olhando sem entender nada. Alguns até gritavam para que eles parassem, outros chamavam os seguranças pensando que os dois meninos queriam matar, assaltar alguém, ou algo do tipo.

—Cara, nós temos companhia! –alertou Keu quando viu um cara alto de pele escura correndo atrás dele.

—Eita porra! Por aqui!

Eles se esconderam em um quarto que estava escuro, e quando ascenderam as luzes, se depararam com um casal de enfermeiros se beijando. Os dois, percebendo a presença dos garotos, logo se desaproximaram e ficaram envergonhados.

—Marcela? –Patrick reconheceu a moça.

—Sim.

—Em qual quarto a Sarah está? –perguntou ainda assustado.

—O último desse corredor. Agora não é hora de visitas.

—E eu perguntei se era? Vamo Keu! –ele fez menção de sair, mas seu amigo ainda estava boquiaberto.

—Cara, você tem meu respeito! –se dirigiu ao enfermeiro um pouco mais alto que ele. –Pegar uma morena bonita dessa aí...

—Anda logo, seu safado! –seu amigo o puxou pelo braço.

Deram mais uns passos e por fim chegaram ao meu quarto.

—Sarah?!

—Oi... Meninos! –sorri ao vê-los.

—Ah, desculpa, não sabia que seus pais estavam aqui. –Keu achou que estava interrompendo o momento.

—Não se preocupem, nós vamos deixar vocês à sós. –disse meu pai, se levantando do meu lado.

—Cadê as outros? –perguntou minha mãe, sentindo falta da Sam, Tinna e Samuca.

—Tão lá fora... –respondeu Patrick.

—Sarah... é o seguinte: coloca tua blusa aí e vamo ali com a gente. –disse Keu quando meus pais saíram.

—Mas o médico disse que não posso sair... –o olhei.

—Foda-se o médico! –disse Patrick impaciente.

Então, atendendo ao pedido deles, levantei e peguei a mochila que tava em um armário. Tirei minha blusa do Metallica, um All Star e um short não muito curto. Nem me importei de ter ficado apenas de sutiã na frente dos dois, mas vê a forma que o Patrick tava me olhando, era embaraçoso. Ignorei a falta que senti dos meus fios sedosos e, por fim, fiquei pronta. Clécio me jogou em cima das suas costas e disse:

—Segura aí, carequinha, porque vou colocar na macha sete!

-E você é bicicleta por acaso? –sorri.

E nós saímos correndo pelos corredores do hospital. Por onde passávamos, as pessoas ficavam perplexas e um segurança quase nos pegou, mas o despistamos, não sei como, mas despistamos. Passamos pelos meus pais, que estavam conversando com o médico bigodão. Pensamos que eles iriam nos impedir, mas eles não falaram nada, apenas sorriram e deixaram que a lambança acontecesse. A felicidade era tanta, que comecei dar uma crise de risos incontroláveis e isso fez com que os dois que estavam me acompanhando, sorrir também.

—Ah... Acho que o nosso amigo melhorou. –disse Tinna quando viu a gente se aproximar.

—Mas... Moça... –a velhinha não tava entendendo nada.

—Chantilly é gostoso, tia! –disse Samuel saindo da cena de crise.

—Chantilly? O que tá havendo aqui afinal?! –ela gritou.

—Então, conhece aquela piada do pintinho que saiu correndo! –Sam começou tirar a velha de tempo.

—Anda gente, vumbora! –Patrick falou, enquanto passou correndo com Keu e eu nas costas dele.

—Outro dia te conto, Tchau! –disse Sam e todos nós saímos correndo.

* * *

Descemos a avenida inteira e, apesar de estarmos com medo, continuamos sorrindo iguais bobos. Não sabia para onde eles estavam me levando, mas confiei e deixei que fizessem o que estava na cartolina da Valentinna.

Por fim, depois de tanto correr, chegamos na praia de Copacabana. As areias estavam finas e brancas. As ondas iam e vinham. O céu estava tão azul, quanto os olhos do James (vocalista do Metallica). Não tinha muito movimento, então ficamos a vontade. E Keu, finalmente, me colocou no chão.

—Sarah, você se lembra de quando a gente se conheceu? -perguntou Sam, com um sorriso brilhante nos lábios.

—Claro! Foi aqui mesmo nesta praia! –respondi também sorrindo.

—E a gente colocou uma música do Charlie Brown, lembra? –perguntou Samuel.

—Ai meu caralho... Eu me lembro de tudo, cara! Como esquecer?! –fingi estar irritada.

—Então, vamo reviver esse momento pela última vez! –disse Patrick com animação na voz.

Então, Samuel soltou o som com aquela música, que aos meus olhos, era mais que nostálgica. A letra era tudo de bom! Faz-me lembrar do dia que conheci meus amigos, igual como estamos fazendo agora, revivendo um momento.

''Um dia na praia, a gente jurou ficar junto pra sempre, depois tudo mudou...’’

—Então, vamos viver, um dia a gente se encontra! –eles repetiam em coro.

—Vamo lá, vamo lá, vamo lá! –gritou Keu, dando a mão ao resto da turma, fazendo uma roda comigo no centro.

—Sarah! Sarah! Sarah! Sarah! –berrava Valentinna, Samantha e Samuel ao mesmo tempo.

''Então, vamos viver e um dia a gente se encontra... ''

* * *

''Se existe um começo, existe um fim. Isso é regra. Pode até ser triste, mas ficar triste só porque é o fim não faz meu tipo. Por ser o fim, é melhor bagunçar ainda mais. Assim, independente de como seja o final, podemos terminar sorrindo...’’ –Dante (Devil May Cry)

* * *

Seis horas depois, na frente do hospital...

—E aí irmão! -Valentinna se aproximou de Patrick, que estava sentado na porta do hospital de cabeça baixa.

—E aí Tinna! -ele a olhou.

—Fica assim não, Trick. Tenho certeza que ela não ia querer isso. -a moça de cabelos cacheados tentava animar a vibe dele.

—Vou sentir falta dela... -ele suspirou.

—Eu também, todos nós vamos! Nossa Sarah será eterna! -falou firme olhando pro resto da turma que estavam atrás dela.

—A mãe dela nos deu isso... -Keu chegou com um caderno pequeno na mão. -Disse que ela queria a gente lesse.

—O que é isso?! -perguntou Samantha.

—O Diário de Sarah...

Fim

Notas finais
''Caro Deus, não poderia estar mais grata por ter tido uma vida dessa. O senhor me deu mais que amigos, me deu irmãos! E, agora, que estou partindo, deixo com eles o meu diário, nossos melhores momentos até aqui. Deixo nossa história nessas pequenas paginas. Obrigado a todos que leram o meu diário.''
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!