O Diário das Creepypastas - Interativa
39 #39 Hora de voltar...
Notas iniciais
– Quem sabe se acrescentarmos mais três metros aqui... – Slender apontou na planta baixa de seu projeto, mostrando para Zalgo a parte que não ficara boa.
Havia cinco anos que Dick via o casarão se levantar aos poucos. E mesmo ele parecendo estar em perfeita forma, Slender não aparentava estar satisfeito. Ainda junto com Zalgo, fazia as reparações finais no lugar.
Aquele dia, Dick sentia o calor infernal quase fazê-lo derreter. Mesmo assim, jogava basquete com o recém-chegado Jeff the Killer, BEN Drowned (Que chegará dois meses antes) e Eyeless Jack (Que já habitava o casarão a quase dois anos).
Os cabelos do filho de Slender eram compridos na época. Parecidos com os de Jeff em cor e comprimento. E grudavam em seu rosto graças ao suor que escorria. Começou a desconfiar que, se continuasse, morreria desidratado. Fez sinal de tempo com a mão.
– Uma pausa, por favor!
Os outros três pararam no mesmo instante. BEN e Eyeless se apoiaram em seus próprios joelhos, arfando. Jeff correu atrás da bola que saíra quicando. Apesar de exausto e quase morrendo de calor, ainda se mantinha animado e agitado.
– Já desistiram? – Indagou, colocando a bola de baixo de um braço e o outro na cintura.
– Há! – BEN se levantou, enxugando a região da boca com o colarinho da camiseta e dando um sorriso fraco – Só uma pausa, novato.
– Já disse para pararem de me chamar assim – Resmungou o moreno.
– Os garotos estão jogando o quê? – Uma voz feminina se fez presente. Logo Nina e Jana estava à vista de todos, traziam consigo algumas bebidas – Tomem. Offenderman mandou dar isto para vocês.
– Estamos jogando basquete – Respondeu Dick, pegando um copo, sentindo uma ótima sensação ao perceber o quão gelada estava a bebida açucarada.
– Qual é Dick?! – Jeff falou em tom debochado – Era pra deixá-las no vácuo.
– Era o quê? – Jana se manifestou. Ela e sua mecha azul.
E a lutazinha de UFC começou. Os outros apenas riam.
...
O filho de Slender passava muito tempo no quarto. Não saía, não falava com mais ninguém, sequer comia. Em pleno seus treze anos de idade, havia por incentivo dos moradores do Casarão Creepypasta, que passou a chamar de amigos, declarado para o pai que não pretendia seguir os passos do sem-rosto. Contou-lhe sobre o que sentia em relação a assassinatos (Principalmente de crianças). Fez questão de deixar claro o quanto detestava mortes exatamente por nunca ter tido uma vida de verdade e ao ver como ela era boa, achava uma atitude abjeta tirar aquilo que pertence a alguém de tão valioso.
Mas a única coisa que recebera fora a rejeição do pai e um belo bofetão no rosto.
Numa noite silenciosa, depois de várias visitas dos amigos em seu quarto, Dick se encontrava deitado em sua cama, pensativo. Pôde ver o quanto seus colegas se preocupavam com ele.
Todavia, infelizmente estava disposto a abandoná-los.
...
No mundo humano, aprendeu o que era sentir fome e frio de verdade. Ninguém lhe oferecia a mão. Nas ruas, as pessoas passavam reto por ele, ignorando os pedidos humildes do garoto.
Depois de uma ou duas semanas, já não aguentava mais. Não sabia, porém que acumulara certo ódio dentro de si pelas pessoas que nunca tinham se preocupado em ajudar. Mandando-o buscar emprego ou estudar. Se ninguém lhe daria, ele tomaria a força.
Seu primeiro roubo gerou uma série de outros. Logo Dick começou a perceber que gostava do que fazia. Ninguém nunca o pegou, devido à habilidade nata de distração e agilidade.
Orgulhou-se tanto de seu feitio que resolveu (Depois de cerca de quatro meses contados) voltar finalmente para casa.
Não pôde segurar as lágrimas de alegria ao ver todos, especialmente seu pai, o receber de volta de braços bem abertos.
...
Ao analisar tudo isso, Dick Slender arregalou os olhos. Depois de tanto tempo tendo-os vendados, finalmente podia ver.
No presente, viu a faca em sua mão. Viu a família que acabara de aniquilar banhada em sangue sobre seus pés. E se deu conta de que sempre gostara e admirara os assassinatos.
Afinal, disse uma vez que não gostava de assassinatos justamente porque tirar a vida que era uma coisa preciosa dos humanos não era certo. Mas mesmo assim, era isso o que Dick fizera todos esses anos, não é mesmo? Assaltar objetos de alto valor poderia ser comparado a roubar a vida de alguém.
Não pôde deixar de rir de si mesmo. Como pôde ser tão tapado daquele jeito? Sempre amou mortes. Ver a cara de espanto e intriga das vítimas.
Mas também nesse meio tempo, desde que matou Daemon percebeu uma coisa mais importante ainda: Ele tinha que voltar para casa. Ao lado do pai, dos tios (Até mesmo o louco Offenderman), dos amigos e dos quase irmãos que tinha.
“Chega de brincar por ora” pensou consigo. “Estou voltando, pai”.
Com isso na cabeça, saiu da casa que se tornara cena de crime e foi à procura do portal de Herobrine. Os passos começaram a se tornarem apressados. Pois quanto mais cedo, melhor. Queria poder experimentar mais uma vez a janta do Casarão Creepypasta.
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Após três ou quatro horas de caminhada, a realidade começou a pesar nas costas de Dick. Ele estava ruim. Muito ruim para ser exato. Sentia isso desde que acordara no armazém e lutara contra seu pai biológico. Passou os últimos quatro dias sem se dar um pingo de preocupação com a sua saúde. A febre não passara. Talvez só tivesse piorado.
Era como se seus olhos estivessem inchados e os músculos dormentes. Sem contar a dor latejante na cabeça. O cheiro de sangue e carne que se acumulara em suas roupas exalava um odor terrível, capaz de arder às narinas.
Mesmo assim não parou. As pernas já não aguentavam e Dick as forçava a andar mais. O limite? Dane-se o limite. Pelo que ele viu, já havia o superado há tempos.
Seus olhos tomaram brilho em meio à escuridão da noite quando viu a luz arroxeada bruxuleando no meio do milharal. Conseguira alcançar seu ponto de partida e aquilo o deu mais ânimo para continuar. Quase que cambaleante atravessou o portal.
O cheiro da floresta da dimensão Creepypasta deu as boas-vindas para Dicky. Ele tropeçou e caiu, tossindo por um breve instante. Respirou profundamente para tentar se erguer novamente e então se sentiu observado.
Virou-se para entre as árvores acinzentadas e viu um par de olhos grandes e redondos o encarando como dois faróis verdes, animalescos.
– The... Rake? – Tentou adivinhar.
A criatura saiu do esconderijo e caminhou à frente, mostrando sua pele enrugada.
– Dick. Estava a sua espera – A voz áspera falou.
– Como andam as coisas? – Indagou, se apoiando em uma árvore para conseguir manter-se de pé. The Rake nem se incomodou em ajudá-lo, mas o rapaz não deu importância.
– Ahh... Nunca vi uma áurea tão preocupada rondando este casarão.
Uma pausa. O garoto olhou para o comprido caminho que ainda deveria percorrer antes de alcançar a porta de entrada de sua casa.
– Acho que mesmo que eu pedisse... Você não me daria uma mão até lá, não é mesmo?
– Não posso largar o portal.
Dick riu fracamente.
– Já sabia disso.
Mais uma vez respirou fundo, como se o ar fosse coragem. Então se arriscou a dar mais alguns passos.
Passou pela área coberta de grama rasa, vendo aquele céu uniforme e os fantasmas perturbados rondando aos arredores do casarão atrás de seus corpos perdidos. Por onde andava, deixava uma trilha de pingos vermelhos e com isso, alguns espíritos ousavam se aproximar para ver, curiosos. Como se derrubasse milho atrás de si e então galinhas se acumulavam, seguindo o rastro.
Finalmente ele alcançara a varanda, subindo muito lentamente os degraus dela. Os joelhos se encontravam bambos, dificultando mais ainda a subida.
Abriu um sorriso gigante ao tocar as maçanetas da grande porta dupla. Com toda a vontade do mundo, abriu-as usando o último restinho de força que guardara. Aquilo foi mais forte do que imaginava. As portas se abriram com força, consequentemente de forma ruidosa.
Todos que passavam pelo hall pararam o que faziam, olhando boquiabertos para um Dick fraco e ensanguentado parado na entrada. Ainda sorria quando pediu:
– Quero... Meu... Pai.

Como a fanart já diz, os Proxy de Slenderman. Não tem como não gostar XD
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