O Diário De Mary Anne

4 O último dia (Parte 2)


Notas iniciais
Então chegou o grande dia da despedida de Mary, como ele vai ser? Só lendo pra saber!

E então havia chegado o dia menos esperado por mim, já estava ali, dentro do carro a caminho do aeroporto pensando em como tinha sido esse começo do dia. Acordei, vesti um jeans, camisetas, joguei um casaco por cima e all star, penteei meus cabelos, escovei os dentes, lavei o rosto, o mesmo que fazia sempre quando acordava. Quando tinha descido pro primeiro andar minhas malas já estavam todas dentro do carro, e Collin já estava acordada, e maravilhosa em um vestido de mangas longas, e seus cabelinhos presos em um perfeito rabo. O café da manhã foi calmo e quieto, ninguém se esforçou para puxar algum assunto qualquer e tentar amenizar aquilo tudo, as únicas coisas que minha mãe me dizia era que eu tinha que me alimentar bem porque a viagem seria longa; fora isso, nada mais. Quando todos terminaram de comer fomos direto para o carro, já estávamos quase atrasados e eu não podia de maneira alguma perder aquele voo. A viagem estava sendo tranquila e com um silencio medonho, até que fui interrompida de meus pensamentos pela doce voz de Collin:

– Tata, logo eu vou vê-la novamente, mamãe disse que quando puder, a gente vai te visitar e eu vou ficar um montão com você. – Ela sorria com as palavras que pronunciava, e mesmo eu sabendo que isso demoraria em acontecer, não quis tirar sua ingenuidade.

– Serio meu amor? Vou esperar ansiosamente por você! – Era ruim ter que mentir mais uma vez á ela, mas não queria que sua tristeza fosse maior.

– É sim, e você promete que me leva pra conhecer a praia?

– É claro meu amor, vamos conhecer todos os lugares que quiser, e vamos tomar muitos sorvetes de creme, que são seus preferidos.

– Hum, agora estou ansiosa, tomara que seja loguinho. – Ela sorria entusiasmada, e depois de todas as suas lagrimas da noite anterior, ver aquele sorriso me deixou aliviada.

– Vai ser sim meu amor, você vai ver que quando menos esperar, estaremos juntas novamente. – Acariciei seu rosto enquanto admirava seu belo sorriso.

– Maninha eu quero que você fique com isso... – ela disse me entregando seu colar de coração dourado favorito – para que você nunca se esqueça de mim!

– Meu amor eu não posso aceitar, você gosta tanto dele, e com ou sem estar com seu colar eu jamais me esquecerei de você.

– Por favor, maninha, por favor, é para eu ter certeza que não vai me trocar por uma irmãzinha melhor lá. – Ela dizia fazendo um daqueles biquinhos irresistíveis.

– Ei meu amor, da onde você tirou que eu vou te trocar por outra irmãzinha? É claro que eu jamais trocaria minha princesinha por nenhuma outra criança, para de ser boba meu amor, eu lhe amo muito e você sabe disso, e nem daqui milhares de anos eu me esquecerei de você, nem que me obriguem. – Sorria para ela, e ficava observando seu biquinho que ainda permanecia lá.

– Então aceita ele, por favor, maninha!

– Tudo bem meu amor. – Disse e então peguei o colar que estava em sua pequena mãozinha, coloquei em meu pescoço e voltei a analisar seu rostinho, que agora estava em um belo sorriso novamente. – Como eu fiquei?

– Maravilhosa, e parecendo a princesa mais linda de todo mundo.

– Errado, porque a princesa mais linda de todo o mundo está aqui bem na minha frente e jamais tiraram seu posto, pois sua beleza é única e ingênua. — Ela me abraçou meio por cima e continuou a viagem com um sorriso magnifico em seus lábios.

Collin era tão ingênua e doce, enchia de amor á todos que a tinham por perto; mesmo com apenas cinco aninhos já entendia tudo e não questionava nada que lhe pedissem, era compreensível, amável, gentil, atenciosa. Por ser muito tímida jamais conseguiu fazer amiguinhos onde estudava, e me cortava o coração quando ela chegava em casa e me contava que ninguém conversava com ela e que ela queria que eu fosse estudar na escola dela para que tivesse alguém pra brincar. Era triste ver uma pequena já sofrendo tanto, e sendo tão sozinha; para reconforta-la eu sempre dizia que no próximo dia eles iriam vir conversar com ela e que iam brincar muito, mas todos os dias ela me dizia que eu estava errada, que jamais iam falar com ela. Minha mãe já havia ido milhares de vezes na sua escolinha vermos se tinha como a professora dar um jeito de ajuda-la a se enturmar, mas nem ela ligava à mínima, dizia que eram crianças e que iam se enturmar sozinhas. Era doloroso para mim, mas por mais que quisesse coloca-la em outra escolinha, não tínhamos condições para isso, e Collin entendia isso.

Estávamos a minutos do aeroporto quando minhas lagrimas já me dominavam novamente, e naquele tempo eu já não me importava mais de escondê-las. O caminho de 30 minutos parecia ter passado em segundos quando cheguei ao aeroporto, eu queria que tivesse demorado mais, queria continuar ali, mas não era possível, e eu sabia disso!

Quando desci do carro, pronta para encarrar a nova vida, meu avião já estava preparado para sair em qualquer instante, e a voz no radio chamando pelos passageiros deste repetia pela ultima vez. Então peguei rapidamente todas as minhas bagagens e com a ajuda de meus pais corri para o lugar onde ele estava; ao esperar para entrar, olhei para Collin e um nó se formou em minha garganta, não sabia como me despedir, o que falar e nem nada, e ao invés de dizer qualquer coisa, á abracei, tão forte, querendo jamais me separar e quando finalmente a soltei, me agachei para ficar do seu tamanho, segurei em suas mãozinhas e disse:

– Meu amor você promete que vai se cuidar direitinho e vai cuidar da mamãe e do papai?

– Eu prometo tata, mas só se me prometer que vamos nos ver logo!

– É claro que prometo minha princesa. Eu te amo! – Disse lhe dando um beijo em sua testa.

– Eu também te amo muito!

Ao meu levantar me direcionei ao meu pai e com um abraço apertado me despedi dele também:

– Ei papai, cuida certinho de todo mundo, e se cuida também, vou sentir muita falta de você, eu te amo.

– Pode deixar querida, e se cuide também. Amo você!

Voltei-me a minha mãe, ela estava chorando, não me aguentei e quando vi minhas lagrimas já caiam involuntariamente pelo meu rosto.

– Mamãe, eu vou sentir sua falta, vou sentir falta de tudo de você, do seu colo, da sua comida, do seu eu como mãe, você é a melhor de todas e eu lhe amo muito. – Disse abraçando fortemente ela.

– Meu amor eu vou sentir sua falta, todos vamos sentir, mas seja forte, em breve nos veremos. E a mamãe te ama mais do que tudo no mundo, você sabe disso!

Foi difícil me despedir de todos, mas sabia que era necessário; e então ainda chorando entrei no avião deixando metade de mim para trás. Segurei forte o colar em meu pescoço enquanto procurava o meu lugar, poltrona 268, por sorte esta era do lado esquerdo, onde pela janela daria para ver meus pais e Collin pela ultima vez. Quando todos já estavam abordo e o avião pronto pra decolar, olhei uma ultima e vez e me despedi com o olhar triste. E então o avião decolou!

Peguei meus fones de ouvido e meu IPhone e então me concentrei nas musicas, tinha a intenção de escrever em meu diário, mas não tinha capacidade alguma para isso, então me encostei, e dormi ao som de minhas musicas preferidas!

Notas finais
Como será a chegada de Mary na Carolina do Norte? E como ela reagira? Só acompanhando os próximos capítulos pra saber! Quem gostou deixa um review >