O Devaneio
2 O despertar dos mortos
II- O despertar dos mortos
Depois de uma caminhada longa por aquele cenário, tenebroso, cercado de árvores mortas e de uma vegetação rasteira, que em alguns pontos se podia encontrar rosas de cor negra, aonde a lama atrapalhava a caminhada, e em alguns pontos a neblina, que não era muito espessa, parecia ter um odor desagradável deixando o ar gelado e pesado, o fugitivo avista os portões daquele local, felizmente seguiu o caminho certo, aquele era o único local por qual ele poderia sair.
Quando chegou mais perto viu que os dois soldados encarregados de guardar o local estavam lutando contra defuntos, mas esses estavam bem vivos e não pareciam querer atacar os guardas, eles queriam ir ao local onde Oneiros estava confinado, queriam ir lá para resgatar Nigra.
-Garota esperta. –Pensou o fugitivo enquanto saia pelo portão, um dos guardas o viu saindo e achou estranho o fato daquele zumbi tomar um caminho diferente dos outros.
Passou pelo cemitério que ficava uns 100 passos de distancia, chegou a ver a carcaça de um cachorro correndo atrás de um gato que ainda tinha sangue correndo em suas veias, deu risada até pensou que poderia estar sonhando, caminhou por mais alguns minutos até chegar num pequeno vilarejo, viu que uma taverna acabava de abrir as portas e decidiu entrar no local.
Dentro da taverna avistou uma senhora atrás de um enorme balcão, algumas bebidas sobre uma prateleira, mesas espalhadas por todo o local, um pequeno palco, uma porta que provavelmente era a do banheiro e duas escadas que levavam ao piso superior. Avistou um homem forte, devia ter quase seus 2 metros de altura, este que dormia segurando uma caneca que ainda tinha um pouco de cerveja dentro, foi em direção ao homem com a intenção de retirar a caneca da sua mão.
-Nem pense nisso. –Bradou a mulher de trás do balcão. –Ele ficaria muito nervoso e acabaria com você.
-Obrigado pelo aviso. –Sorriu Oneiros.
-Por nada. Meu nome é Marla, o que um viajante procura aqui no meu estabelecimento? –Perguntou a velha.
Oneiros esperou um pouco, antes fez com que o bêbado entrasse em um estado de sonambulismo para que lhe entregasse a caneca dormindo. –Primeiro eu quero saber onde estou? -Perguntou o viajante.
Marla ainda estava de queixo caído com o que acabou de ver. –Oras! Você está na minha taverna, a “Taverna dos Encantos”! –A velha sorri.
O fugitivo pensou em ficar nervoso, mas não sabia se a mulher quis fazer uma piada com ele ou se ela era burra mesmo. -Eu não perguntei em qual taverna estava, eu quero saber o nome do vilarejo e em qual província ele se encontra. –Fez um gesto com os ombros, como se fosse para perguntar se a velha entendeu a pergunta.
-Oh! É claro! Estamos no vilarejo de Kerob, na baixa província.
-O reino de Loutrora fica muito longe daqui?
-Sim meu caro, muito longe, mas se estiver indo para lá, tem um hospede aqui que vai partir hoje a tarde para Loutrora. –Respondeu Marle.
-Hospede? Qual o nome dele? –Perguntou com bastante curiosidade.
-É um Doutor, não me lembro do nome desses figurões, vou procurar no livro. –A velha pega o livro e começa a folhear.
-Doutor Rudie? Seria esse o nome dele?
-Isso! Você o conhece?
-Sim, faz uns 10 anos que eu o conheço, posso subir até o quarto dele? –Oneiros sorriu.
-Sim, ele está hospedado no número 7, pensei que um homem como ele não tivesse amigos. –A velha pega uma vassoura e começa a varrer o local.
Oneiros subiu a escada, passou por algumas portas até chegar ao seu destino, a porta número 7, do lado de fora dava para se ouvir o ronco do Doutor Rudie. –Ainda está dormindo, que maravilha! -Festejou Oneiros, que logo percebeu que a porta do quarto ao lado estava aberta, entrou no quarto e viu que uma jovem dormia ali, ela estava sozinha numa enorme cama de casal, Oneiros não se incomodou em dividir a cama com a aquela linda jovem, e tratou com que ela também não ficasse incomodada, dando-lhe um belo sonho do qual ela só acordaria daqui algumas horas. O viajante dos sonhos dorme e logo entra nos sonhos do velho Doutor...
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