O Deus do Sol

22 XXII – O sol de Hélio


Liceu e Ipeleu apareceram em um deserto, que estava mais quente do que o normal, o calor chegava a distorcer as imagens ao longe. Eles nem quiseram falar para não secar a boca e gastar as cordas vocais.

Começaram a andar em direção ao lado mais quente, pois sabiam que lá estaria o sol de Hélio, Liceu e Ipeleu se perguntavam como o sol estaria em meio ao deserto, se estava encostado ao chão, se flutuava, se teria pilares o sustentando, entre várias outras hipóteses. Cada um imaginava em sua cabeça como era o sol e como estaria sustentado no deserto.

A areia estava ficando mais quente e fofa do que o normal, pois quando os homens pisavam, seus pés afundavam até metade da canela e a areia chegava a queimar suas pernas e pés. Enquanto o horizonte parecia mais claro, e era nessa direção que eles caminhavam. Ambos já resmungavam da dificuldade de caminhar sobre a areia e do calor que os consumia.

Ipeleu não sentia a dor de caminhar sobre a areia, pois a armadura que ele tinha era mais completa, e o sol não o lhe causava efeitos. Já Liceu sentia a pele arder constantemente e o calor o deixava tonto, com dor na cabeça, com a garganta seca e com os membros doloridos, principalmente as pernas.

Depois de muito caminhar Liceu e Ipeleu viram ao horizonte uma imensa esfera amarela, que irradiava um clarão e um calor, em forma de ar. Animaram-se e aceleraram o passo em direção ao sol, mas a animação não durou muito tempo, pois cada vez ficava mais difícil a caminhada e mais entediante.

Depois de muito caminhar, perceberam que a esfera ficava maior, mas ainda não parecia estar perto, pois quanto mais andavam não conseguiam enxergar sua base no chão, só aumentando o topo, e mostrando o tamanho formidável da esfera. Liceu não aguentou e caiu com o rosto na areia, se virou e olhou para o céu.

– Está tudo bem? – Perguntou Ipeleu estranhando que seu irmão pudesse passar mal com a Solaris.

– Não, muita dor de cabeça, minhas pernas estão queimando, sinto uma enorme vontade de beber água e estou tão tonto que nem sei mais em que direção estou caminhando. – Liceu falou desabafando.

– Como você pode ter esses sintomas com a Solaris? – Perguntou Ipeleu confessando sua grande dúvida.

– Minha armadura não está tão completa quanto a sua. Então ainda sinto dores, e às vezes lembro-me delas, quando as feridas já estão cicatrizadas. – Falou o irmão mais novo explicando o que o irmão mais velho não conseguia entender até o momento.

– Então coloque meu elmo e minhas ombreiras. – Falou Ipeleu com a proteção de irmão mais velho como extinto.

– Não, se você há tem, quer dizer que era para você ter. Se eu não tenho, significa que não era para eu tê-la. – Falou Liceu tentando explicar de qualquer jeito.

– Você já não está muito bem, Vou te carregar. – Ipeleu falou colocando um braço no pescoço e o outro de baixo das pernas de Liceu e o erguendo no ar.

– Não, dormiremos aqui. Mesmo não vendo escurecer, dormiremos aqui à noite. – Liceu achou que poderia ajudar a esquecer dos sintomas se dormisse um pouco.

– Eu acho que não escurece, por conta do sol, acho que ele está clareando este deserto e o deixando a areia tão seca. – Ipeleu expressou os pensamentos que estava tendo até o momento.

– Pode ser isso, agora dormiremos. – Liceu não queria saber de conversa, só relaxar o corpo.

Ipeleu deitou no chão e logo estava dormindo, mas Liceu ficou por um longo período deitado, rolando de um lado para o outro, não conseguindo dormir por conta da areia quente, da luz forte e pelas dores que sentia. Mesmo estando tão incomodado, Liceu conseguiu pegar no sono algumas vezes, mas não demorava muito até um dos sintomas o acordá-lo.

Quando percebeu que não conseguiria dormir novamente, Liceu levantou chutou o ombro de Ipeleu, e quando este abriu os olhos, Liceu fez um sinal com a cabeça para continuar com o objetivo.

Ipeleu se levantou com dificuldade, já que a areia fofa quase o tinha enterrado, levantou se sacudindo enquanto Liceu dava alguns passos a frente. Ipeleu tirou a areia de dentro do elmo, do cabelo, e das partes que o incomodavam até o momento, depois retornou a caminhada, alcançando rapidamente Liceu, pois este estava mais debilitado e sentia os efeitos de estar perto do sol.

Depois de caminhar por muito tempo, Liceu e Ipeleu puderam ver uma base que segurava o sol. Parecia mais um templo, que tinha quatro pontas, uma em cada extremidade, numa posição extremamente inclinada até chegar um pouco abaixo da metade do sol, onde tinha um aro que contornava o sol e que ligava as quatro extremidades.

Ao se aproximarem viram o que o templo era grande de mais para um templo normal, e que o sol era muito maior do que qualquer mortal imaginaria. Não conseguiram ver sua extensão ao todo, pois a claridade os cegava.

Eles foram se aproximando e puderam olhar o templo de frente, já não estava tão longe, então correram de animação, novamente, mas dessa vez sabendo que conseguiriam chegar à porta do templo sem se cansar. Ao chegarem de frente para o templo, logo tentaram abrir a porta, que tinha pelo menos a altura de uns quatro homens.

Ao empurrar a porta de pedra, os dois irmãos perceberam que seria muito mais difícil do que parecia, mas com a ajuda do anel da força, Liceu, praticamente, conseguiu abrir a porta sozinho.

Ao abrirem a porta, os irmãos viram um chão de pedra, a mesma pedra da porta. Um local refrescante, repleto de fontes de água pelo salão principal, o salão já representava um tamanho grande para um templo.

Liceu correu até uma fonte e pelou bebendo muita água e se refrescando, mas percebeu que a água estava esquentando por conta do calor do sol que entrava pela porta.

– Acho melhor fechar a porta. – Liceu gritou da fonte de água.

– A água começou a ficar quente? – Perguntou Ipeleu num leve sorriso.

– Sim. – Liceu já saia da fonte para ajudar a empurrar a porta extremamente pesada.

– Então vem logo. Estou louco para dormir em uma dessas fontes. – Falou Ipeleu já se colocando em posição de empurrar a porta.

– Você acha que estamos irritando algum deus ficando nesse templo? – Liceu falou quando olhou para o seu pulso e viu a marca que Cratos deixou em seu pulso.

– Claro que não! Se um dos olimpianos nos ordenou a destruir o sol de Hélio, e não tem como nós chegarmos até ele se não por esse templo. Só por ter chegado até aqui pelo deserto temos direito de usufruir dessas fontes, e por qualquer coisa que tiver nesse templo. – Falou Ipeleu sem se dar conta da arrogância com que falou.

– Nossa! Eu já pensei assim, até conhecer Cratos. – Liceu esboçou um leve sorriso.

– No “três”. Um. – Ipeleu falou encostando as palmas das mãos na porta. – Dois. – Liceu encostou a palmas das mãos na porta de pedra. – Três. – Os dois fizeram força, mas a porta não se mexeu, Liceu estava muito molhado para conseguir fixar as mãos na porta. Depois de muitos escorregões Liceu e Ipeleu conseguiram encostar a porta, não fechando completamente, mas a encostando de modo que não passasse fresta de luz ou calor. — Agora para as fontes. – Falou Ipeleu correndo em direção à fonte mais próxima e tomando água em excesso.

– Você sente sede Ipeleu? – A dúvida de Liceu era se a Solaris de Ipeleu curava as necessidades básicas, e se curava, por que ele estaria tomando água.

– Não, nem fome. Mas quando tenho a oportunidade de comer e beber, eu bebo e como pelo tempo que fiquei sem beber e comer.

– Estranho, mas mais é estranho é: Por onde saímos desse salão? – Falou Liceu olhando em volta e não vendo passagem alguma, só um salão com fontes de água de vários tamanhos, e com várias cores de água, que exalavam vários cheiros. O Crânio identificava uma passagem, mas que estava sendo bloqueada por uma magia e teria que ser feito um desafio para retirá-la.

– Não sei e nem tenho ideia. Vamos dormir e amanhã tentaremos sair e acharemos outra passagem pelo templo. – Falou Ipeleu tirando a armadura e sentando na fonte com as costas para fora.

– Eu achei uma passagem, mas está bloqueada por alguma magia. Até acho que ela é de Atenas, sinto alguma coisa dela, através do elmo. – Liceu falou andando em direção à parede, que continha uma estranha imagem.

Na parede estava Zeus, Poseidon e Hades em um local que parecia ser o submundo. Zeus estava em uma rocha ao centro da figura, que flutuava na lava, controlando vários relâmpagos em volta de um pilar, grosso que sustentava um grande teto. Poseidon estava à esquerda e Hades à direita, ambos controlavam, em conjunto a lava quente na base do pilar.

Com o Crânio Liceu podia enxergar a imagem como se tivesse viva, mas que se repetia no mesmo ciclo. Zeus lançava raios que ficavam rodando em volta da parte de cima do pilar. Poseidon e Hades faziam gestos para controlar a lava quente na base do pilar, como se quisessem fortalece-la.

Liceu encostou-se à lava da imagem e sentiu algo estranho, com um arrepio, mas logo tirou a mão e tentou procurar onde abriria o caminho, pois a imagem parecia ser uma porta. Bateu com o punho fechado de leve sobre a imagem e ouviu um barulho oco. Tentou empurrar, mas a imagem não saiu do lugar.

Liceu retirou a Vingadora e a bateu contra a imagem, que fez um barulho de metal chocando contra metal. Mas ao fazer isso Liceu sentiu a imagem se entortar e aos poucos ela foi virando, até completar uma volta.

– Liceu! O que você fez? – Perguntou Ipeleu levando um susto.

– Eu só bati minha espada nessa imagem. – Liceu falou olhando a imagem completar a segunda volta.

– Eu não perguntei disso. – Falou Ipeleu saindo da fonte. – Perguntei o que você fez para as fontes começarem a expelir lava.

– O quê? – Liceu virou-se e viu as fontes começarem a derramar lava, enquanto Ipeleu corria em sua direção. – Pelos deuses. Vamos tentar rodar essa imagem.

– Por quê? – Ipeleu estranhou a atitude do irmão mais novo. – Você está bem? No que isso ajudará?

– Tem uma passagem atrás dela, talvez seja nossa saída. – Liceu colocou as mãos sobre uma das bordas da figura, e com a ajuda do anel, Liceu a girou com toda a sua força.

A imagem completou três voltas e depois bateu em uma ponta, em seguida desabou vagarosamente em cima dos dois irmãos, que a seguraram e a jogaram em cima da lava que escorria na direção deles.

Como os rapazes viram que a lava estava escorrendo devagar, não caminharam com muita pressa até o topo do túnel que fora escondido atrás da imagem. Ao final do túnel tinha uma escada de madeira, bem cuidada, que estava na vertical dentro de mais um túnel, que mal se via o final. Os dois subiram a escada, levou algum tempo, mas chegaram ao topo e no topo os irmãos encontraram uma sala com um círculo de madeira muito grande que tinha uma grande alça, que cruzava de uma extremidade a outra.

Na frente da sala tinha um desenho na parede em relevo, que parecia se encaixar no círculo de madeira, Liceu tomou a frente e tentou levantar o círculo de madeira, mas este não se mexeu. Liceu olhou para o irmão, pensando que o irmão brincaria pelo fracasso do irmão mais novo. Mas Ipeleu não falou nada só desenhou um círculo no ar, tentando achar uma solução.

Liceu apoiou na alça e rodou o círculo de madeira, que saiu facilmente ao ser rodado. Liceu então, pelas bordas de onde o círculo havia ficado preso, levantou o círculo e encaixou na parede o círculo de madeira, ao fazer isso se ouviu um barulho de grãos escorrendo.

Liceu e Ipeleu olharam para o local de onde o círculo de madeira ficava e descobriram que o círculo servia de tampa, e que no recipiente havia uma grande quantidade de areia dentro. Ipeleu pulou na areia sem pensar, Liceu tomou um susto, mas logo percebeu que nada aconteceu. Liceu entrou logo em seguida e eles tentaram descobrir como sair.

– Como será que passamos por isso? – Perguntou Liceu tentando enxergar algo diferente com o Crânio, mas tudo estava normal.

– Acho que senti alguma coisa aqui em baixo. – Falou Ipeleu passando o pé sobre uma superfície como se estivesse encaixada no chão.

– Você não está achando o chão de um formato estranho? Como se ele parecesse arredondado. – Falou Liceu passando a mão pelas paredes.

– Sim, mas eu quero ver o que tem de estranho nessa parte do chão. – Ipeleu retirou a Justiceira e começou a acumular uma enorme força.

– Se eu fosse você não faria isso, vamos descobrir o que tem de estranho nessa sala. — Falou Liceu investigando as paredes, mas Ipeleu não deu ouvidos e fincou a espada, que arrombou o tampão que tinha de baixo da sala, e o tampão estourou e pelo buraco que ele tampava, escorreu a areia, Liceu e Ipeleu, que caíram em uma sala semelhante onde eles se encontravam.

– Nós estamos dentro de uma ampulheta gigante. – Falou Liceu olhando a areia escorrer pelo buraco onde o tampão estava.

– Não tem como morrermos nisso. – Falou Ipeleu se levantando e recolhendo sua espada. – Morrer sufocados por areia, qualquer coisa escalamos isso de volta.

– Sim, mas uma vez a deusa da força me explicou que podemos morrer se não conseguirmos sair do estado, a armadura nos puxa a vida, se não conseguirmos curar os ferimentos, nós morremos. – Explicou Liceu. – Um exemplo é se nos afogarmos, ficaremos mortos enquanto não sairmos da situação.

– Nossa! Isso não estava na explicação de Hélio. – Ipeleu falou chocado.

– Não se preocupe, também não sabia até Bia me contar.

– Então o que temos que fazer para sair daqui? – Falou Ipeleu olhando em volta, sem esperar alguma resposta. Liceu e Ipeleu viram um enigma escrito na parede.

– “O que mais existe em toda a Grécia?” – Leu Ipeleu após ler a frase, onde em baixo tinha um espaço, que era possível encaixar algumas peças. As peças estavam espalhadas no resto das paredes.

– Aposto que é areia. – Liceu olhou para a areia que caía e foi pegando as letras para formar a palavra, mas quando encaixaram, as peças caíram no chão sem abrir nada.

– Água? – pensou Ipeleu se lembrando de uma visita que fez aos mares.

– Muito possível, pegue as peças e as encaixe. – Falou Liceu tentando pensar em outra resposta, caso essa desse errado.

“Água” não deu certo, então Liceu e Ipeleu tentaram muitas outras respostas, muitas não faziam sentido, até que Liceu ouviu um barulho estranho vindo da parte de cima, e não era o barulho da areia escorrendo.

– Que barulho é esse? – Perguntou Liceu assustado.

– É a areia escorrendo e caindo em nossa cabeça. – Falou Ipeleu zangado, tentando descobrir a resposta para a questão.

– Já sei que barulho é esse. – Liceu retirou a Vingadora e começou a bater a espada contra a parede da ampulheta gigante.

– O que você está fazendo? – Perguntou Ipeleu mais desesperado ainda.

– Salvando as nossas vidas. – Falou Liceu quebrando a parede da ampulheta com a espada. – Vem logo.

– Por quê? Não entendi ainda. – Falou Ipeleu parado, ainda olhando para Liceu.

– Vem logo! – Liceu falou puxando o irmão para fora da ampulheta.

Liceu começou a correr por um corredor bastante inclinado, deixando Ipeleu para trás, que ficou para descobrir do que o irmão estava com medo. E quando resolveu esperar mais um pouco viu a lava cair pelo buraco de cima.

Ipeleu começou a correr pelo mesmo buraco que Liceu corria, mas ele já estava muito mais na frente. Agora a lava vinha com força e muito rápida, Liceu escalou a escada com a maior velocidade que conseguiu, viu seu irmão vindo atrás, correndo desesperado.

Liceu parou em uma parte da escada e começou a cortar de cima a baixo, e deixou quase tudo cortado, pronto para separar as duas partes. Quando Ipeleu passou Liceu, ele pode cortar o resto da escada, para separar o túnel por onde eles andavam.

Liceu cortou, mas não caiu parte alguma que ele esperava, então ouviu Ipeleu cortar outra parte, correu e passou por Ipeleu, que terminou de cortar o túnel, nesse momento despencou uma parte do túnel e os dois irmãos puderam ver que estavam em uma das pilastras que seguravam o sol de Hélio, e que mal tinham chegado ao começo, da pilastra.

Liceu e Ipeleu caminharam muito até chegar ao topo da pilastra. Quando chegaram lá sentiram uma forte irradiação partindo do sol, o cinturão que segurava o sol era aberto por dentro, o que deixava os dois expostos dentro do túnel.

Quando chegaram ao cinturão e viram como era por dentro do sol ficaram abismados, por ver aquela imensidão de claridade e calor sendo irradiada de uma esfera gigantesca.

Ipeleu foi o primeiro a entrar no sol, Liceu o seguiu. Os rapazes mal conseguiram ficar de pé pelo calor que fazia, eles andaram por um corredor que tinha até o centro do sol, cada vez ficando mais quente e mais ofuscante, Liceu ainda conseguia enxergar por conta do Crânio, que acabava guiando Ipeleu, que só o seguia segurando pelo ombro.

Ao chegar ao centro do sol Liceu viu uma esfera pequena, para o sol, mas guiou Ipeleu até ela e mostrou onde teria que segurar para levantá-la, Ipeleu fez um esforço sem sentir nenhuma dor, já Liceu, ao encostar-se à esfera sentiu as mãos se tornarem cinzas, ao retirar e gritar de dor, Ipeleu levou um susto e perguntou, sem abrir os olhos.

– O que aconteceu? – Perguntou Ipeleu desesperado.

– Isso está muito quente. Minhas mãos ainda nem começaram a se regenerar. – Liceu olhava as mãos pretas e pela metade da grossura normal.

– Não carrega! Deixa comigo. – Falou Ipeleu tentando levantar a esfera sozinha, mas sem obter sucesso.

– Não posso. Se Apolo me mandou foi por alguma razão. Eu tenho que te ajudar. – Liceu correu e com a parte dos braceletes fez força para levantar a esfera, e conseguiu, mas ela era tão quente que além de esquentar a armadura, o calor começou derreter a pele e os músculos de Liceu, que não quis reclamar para não deixar o irmão mais velho preocupado.

Quando os dois irmãos saíram da casca do sol e chegaram até a parte do túnel que haviam cortado, Apolo trouxe os dois irmãos para o templo, mas com as mãos vazias.

– Cadê o sol? – Perguntou Liceu, vendo as mãos se curarem.

– Onde nós estamos? – Perguntou Ipeleu, ainda não conseguindo enxergar pelo que a claridade fez com os seus olhos.

– Estamos dentro do templo de Apolo, mas sem nada nas mãos. E sem nenhum parente a vista.

– Percebi que não estamos com nada nas mãos, mas cadê nosso pai e nosso irmão? – Ipeleu agora temia pelo pior.

– Acho que estão fora do templo. – Liceu falou enquanto corria para fora do templo.