O Deus do Sol
21 XXI – De volta ao começo
– Liceu? – Ipeleu falou chocado olhando do chão. – Você está vivo? – Ipeleu se levantou e abraçou Liceu com tamanha força que quase o tirou do chão.
– Nossa! Não sabia que você sentia tanta falta de mim. – Falou liceu em meio ao abraço que recebia do irmão.
– Você sumiu! Nunca mais apareceu, as coisas ficaram difíceis sem você. Eu e Kipédius tivemos que voltar para casa, pois Mineléia não aguentava mais ver nosso pai chorando pela casa.
– Como vai Mineléia e Kipédius? – perguntou Liceu esquecendo-se de todas as suas aventuras e imaginando como sua família estaria passando.
– Kipédius virou um grande projetista. Fez o templo que você acabou de derrubar e muitas outras estátuas, casas, tabernas. E Mineléia já está uma bela mulher, ainda cuidando do nosso pai.
– Como vai nosso pai? – perguntou Liceu com medo de ter usado a palavra “nosso”.
– Arrependido de como te tratou e de como te deixou partir. Sente muita saudade. Todos nós sentimos.
– Os homens tem dado problema com Mineléia? – perguntou Liceu em meio a um sorriso discreto.
– Muito problema. Já bati em uns cinco, só por atrevimento. – Falou Ipeleu se gabando para o irmão mais novo.
– Tenho que falar com nosso pai. É algo urgente. Lá em casa explicarei o porquê de ter derrubado o templo e muitas outras coisas.
– Tudo bem. – Falou Ipeleu, que assoviou alto, e logo apareceu um cavalo, que deixou ser montado por Ipeleu. – Vamos! Eu te mostro o caminho.
– Acho que ainda me lembro. – Falou Liceu montado em Herc.
Os dois seguiram viagem e logo chegaram a casa, Liceu percebeu que Kipédius tinha mudado muita coisa em casa, logo se via, pelas vigas de ferro que sustentavam e pelo altar que foi construído no lado de fora da casa. Muitas mudanças foram feitas enquanto Liceu esteve fora.
– Pai! Liceu está de volta. – Gritou Ipeleu ao se aproximar de casa. O primeiro a aparecer foi Kipédius na porta.
– Pelos deuses! Liceu! Mineléia, Pai! Liceu está de volta. – Kipédius gritou para casa e depois correu de encontro ao irmão, que agora estava descendo de Herc.
– Como vai meu irmão? – Perguntou Liceu abraçando fortemente Kipédius.
– Aí! Vai devagar! – Liceu soltou Kipédius e lembrou-se do anel da força. – Onde você arranjou tanta força? Estava malhando com Herácles?
– Liceu! – Gritou Mineléia da porta, Liceu correu de encontro à irmã e a abraçou com delicadeza, para não machuca-la assim como machucou Kipédius. – Por onde andou?
– Por muitos lugares. – Respondeu Liceu a soltando e vendo o rosto de, agora, uma mulher cativante.
– Trouxe algum presente? – Perguntou Mineléia fazendo uma piada.
– Eu sou o visitante, você tem presentes para mim? – Falou Liceu comentando da cultura dos gregos, de recepcionar o convidado com um presente.
– Você que viajou! Você quem tem que trazer presentes. – mas ao acabar essa frase Liceu viu na porta seu pai.
– Pai? – Falou Liceu, quase sussurrando, e viu um pai diferente do que se lembrava, com lágrimas nos olhos e não aparentando ser tão novo e forte quanto aquele herói que ele lembrava.
Liceu correu na direção do pai e quando chegou perto de ajoelhou e pediu desculpas em meio às lágrimas. O pai negou e falou que era ele quem deveria se desculpar. Os dois se abraçaram e entraram para a casa.
– Me conte suas histórias. – Falou Ipeleu quando todos se acomodaram.
– Os deuses me deram tantas histórias em tão pouco tempo.
– Pouco tempo? Você está fora a tanto tempo que eu já estou velho, não sirvo nem para guerreiro. Vejo os rapazes de Athenas já olharem de certa forma para minha filha. Você passou muito tempo fora Liceu, muito mesmo.
– Não me pareceu tanto assim. Mas mesmo passando muito tempo, tenho muitas histórias.
– Bom, temos muito tempo. – falou Kipédius.
Liceu contou todas as aventuras, que teve com mais detalhes do que quando pensou em suas aventuras no pé da árvore e quando terminou de contar virou para seu pai e perguntou.
– Pai? Eu sou um semideus? Porque se eu não for, eu vou até o herói de Athenas e lhe entrego minhas armas e armaduras e lhe desejarei uma boa sorte contra Hélio. – Falou Liceu com uma expressão muito séria em seu rosto, mas o pai antes de responder se levantou e saiu andando até se apoiar em uma porta.
– Você é o nosso pai mesmo? – Perguntou Mineléia temendo por uma resposta negativa.
– Claro que sim! – Falou o pai se virando para olhar nos olhos da filha. – Disso eu não tenho duvida. Sou pai dos quatro.
– A mãe de Liceu é a mesma que a mãe de todos nós? – Perguntou Kipédius olhando para o pai.
– Não tenha duvida. A única mulher que já amei foi a mãe de vocês. E foi a única que tive em minha vida.
– Essa mulher, era mortal? – Perguntou Ipeleu.
– Não. – Falou o pai desviando o olhar de Mineléia.
– Nossa mãe é uma deusa? – Perguntou Mineléia surpresa.
– A pergunta é: Que deusa é a nossa mãe? – Falou Kipédius.
– Nêmeses, a deusa da vingança, justiça, ética e castigo.
– Nêmeses? – Ipeleu sentiu um calafrio ao ouvir o nome e depois olhou para a espada Justiceira.
– Ufa! Que bom! – Liceu falou baixo para ninguém ouvir, pois ele se lembrava de Bia, desde a noite em que tinha visto o anel brilhar sentiu algo mais do que o de costume.
– Agora eu sei com nós arranjamos a espada Liceu. – Liceu perdeu a concentração ao ouvir seu nome e não demorou muito para encaixar as palavras em sua cabeça.
– Na verdade, essa espada foi à espada que levei daqui, ela era do pai. Isso explica muita coisa. A espada foi ela quem te deu, a Vingadora? – Perguntou Liceu para o pai.
– Sim. Na verdade eu usava a Vingadora e a Justiceira nas missões. – Falou o pai olhando para Liceu.
– Você realizava missões para os deuses? — Perguntou Liceu olhando surpreso para o pai.
– As histórias que você contava quando nós erámos pequenos foram suas histórias para os deuses? – Falou Kipédius nem querendo saber da pergunta retórica de Liceu.
– Nem todas, algumas das histórias foram de alguns parceiros, outras eu ouvi e algumas foram de meus parceiros.
– Você teve parceiros? – Perguntou Ipeleu não sabendo de nenhum amigo do pai até o momento.
– Em certas aventuras tive às vezes eu era escalado para algumas missões.
– Pai, o senhor lutou ao lado de algum Tífis? – Perguntou Liceu se lembrando do argonauta que matou.
– Claro que sim. Um cretino foi amaldiçoado por tantos argonautas que não foi esquecido na ilha, ele apanhou e foi deixado na ilha. Todos pensavam que ele tinha morrido.
– Como você entrou nessa de fazer missões para deuses? – Perguntou Ipeleu.
– Um simples soldado que foi escolhido por uma deusa por sua honra e por sua bravura. – Falou o pai dos rapazes se virando de costas.
– Quando você parou de fazer as missões? – Perguntou Mineléia.
– Quando sua mãe trouxe o Ipeleu quando já era um pequeno menino.
– Calma! Como você nos teve quatro com ela se não temos uma grande diferença de idade.
– Toda vez que ela trazia um de vocês, eu não resistia aos seus encantos. – Falou o pai envergonhado pela resposta.
– Então como não teve mais nenhum filho além de nós quatro? Ou teve? – Perguntou Liceu imaginando que pudesse ter mais irmãos espalhados pela Grécia.
– Quando Nêmeses trouxe Mineléia eu fiquei feliz em vê-la novamente, Ipeleu já era um menino, reconheceu a mãe, mas nunca mais se lembrou dela depois daquele dia. Eu estava com Liceu ao meu lado, não teria como eu fazer esse tipo de coisa, ainda mais que Ipeleu e Kipédius estavam curtindo a mãe.
– Agora que já sei o que precisava tenho que ir atrás de Apolo, já que ele é o deus que está me guiando. Perseis não falou para onde eu teria que ir, então procurarei por Apolo. Alguém sabe o templo mais próximo de Apolo?
– Eu sei onde tem um, ele é bem grande, na verdade eu até ajudei nas reformas. – Falou Kipédius se lembrando de um de seus trabalhos. – Ele fica um pouco longe, do outro lado de Athenas.
– Quanto tempo de levaria com um cavalo? – Liceu já se preparava, pegando suas armas e armaduras.
– Um dia e um quarto. – Falou Kipédius fazendo as contas rapidamente.
– Você vai agora? – Estranhou Ipeleu.
– Claro! Não tenho tempo a perder. – Falou Liceu indo em direção ao Herc.
– Filho, você não pode ir agora!
– Me desculpe pai. Mas não tenho tempo a perder, quando acabar com Hélio eu voltarei para casa. – Falou Liceu agora subindo no cavalo.
– Acho que terei que ir com você. – Falou Ipeleu subindo no seu cavalo. – Já que Perseis falou que você teria uma ajuda, é obvio que eu sou de quem ela fala.
– E eu tenho que guiar o caminho. – Falou Kipédius chegando com outro cavalo.
– Vocês não podem deixar Mineléia e nosso pai sozinhos em casa. – Falou Liceu olhando bravo para os irmãos.
– Isso já está resolvido. – Falou Mineléia chegando com mais dois cavalos. – Nós vamos com vocês.
– Ótima ideia. – Falou o pai ajudando a filha a subir no cavalo.
– Vocês não podem vir comigo. – Falou Liceu assustado com a decisão de todos os seus parentes.
– Já está decidido, vamos! – Falou Kipédius tomando a frente, enquanto só Liceu ficou parado olhando todos partirem.
– Acho que sou o mais calmo de minha família, vamos Herc. – Herc partiu atrás dos outros cavalos, então Liceu percebeu que tinha esquecido que o cavalo, Herc, ouvia a voz de Poseidon que ensinava o caminho correto.
Todos seguiram viagens pararam ao anoitecer e depois continuaram, foram chegar ao templo pela noite do segundo dia de viagem. Na meta de uma planície em uma vegetação rasteira, o templo era grande e a frente do templo estava um rapaz com um arco sentado olhando o horizonte.
A família se aproximou e viu o rapaz, ele era loiro, tinha o corpo atlético, vestia uma túnica amarelo-dourado, que cobria o peito e se estendia até os joelhos, a túnica era bem simples, exceto por alguns fios de prata que fechavam a costura. A linha do arco estava em volta do seu peito e a parte do arco estava nas suas costas. O rapaz se levantou ao ouvir os passos dos cavalos, se virou e cumprimentou a todos.
– Boa noite! Não esperava que você chegasse tão rápido. Quase quinze dias a sua espera. – Falou o rapaz tirando os pedaços de grama da túnica.
– Desculpe-me, não pude chegar antes. A viagem foi longa e tive que realizar a tarefa de Perseis. – Falou Liceu descendo de Herc.
– Ah! Ela já te mandou fazer isso? Muito bom. – Falou o rapaz sem se preocupar com resposta alguma.
– Quem é você mesmo? – Falou Kipédius descendo do cavalo.
– Apolo. – Falou Liceu ajudando Mineléia a descer do cavalo dela.
– Apolo? – Se assustou Ipeleu, quase levando um tombo do cavalo em que estava.
– Sim, vou pedir que você faça algumas missões para mim, e para você. Já que algumas serão para me beneficiar e outras para prejudicar o deus traidor. – Falou Apolo a se virando para entrar no templo.
– Quantas serão? – Perguntou Liceu seguindo Apolo.
– Quantas eu achar necessárias. – Falou Apolo sem alterar o tom de voz e nem se virar para olhar no rosto de Liceu, falou como se fosse algo normal. – A primeira será fácil. Terá que roubar alguns artefatos dele. Não se preocupe, não terá que enfrentar nenhum monstro nessa missão. – Falou Apolo antes que Liceu perguntasse. – Quero que vocês tenham cuidado, esse artefato será trazido por Liceu e Ipeleu, enquanto Kipédius guardará esse templo, virão muitas criaturas para você enfrentar meu jovem.
– Eu ficarei de guarda? Mas mal tenho armas para enfrentar um mortal, imagina as criaturas que Hélio mandará? – Falou Kipédius entrando em desespero.
– Não se preocupe, a mãe de vocês fez uma espada para cada filho, ela saberia que teria três filhos homens, e já deixou duas com o pai dos filhos. – Apolo andou até o altar e retirou uma espada que estava ao lado de sua estátua. – Castigadora! O nome dessa espada. Liceu e Ipeleu pegaram o item dessa missão, pois eles têm as armaduras, e elas regeneram o corpo deles. O item que eles pegaram nenhum mortal consegue pegar.
– O que exatamente teremos que pegar? – Falou Ipeleu.
– E onde estará esse item? – Perguntou Liceu em seguida.
– Vocês terão que pegar o núcleo do sol que Hélio carregava. Vocês terão que entrar no Sol que ele carregava. – Falou Apolo entregando a Castigadora a Kipédius. – Eu lhes enviarei até perto do local onde está escondido o sol de Hélio. Terão que quebrar um pedaço dele e chegar ao núcleo. O núcleo é uma esfera branca, não muito grande, do tamanho de um punho fechado, mas é tão pesado que vocês dois terão que usar toda a força que vocês têm.
– Dentro do sol? – Ipeleu falou chocado.
– Não é com isso que vocês deveriam estar preocupados. – Apolo retirou o arco e esticou a corda, que fez uma flecha de um fogo claro.
Apolo mirou rapidamente na porta do templo e a lançou, a flecha passou pelos quatro familiares e atravessou a porta. Ouviu-se um choque tremendo, depois seguido de uma risada, Apolo correu rapidamente para fora do templo ainda disparando flechas contra a porta aberta. Os outros correram atrás do deus já com as armas em punho e ao atravessarem a porta do templo viram um clarão e Mineléia sumindo, sendo abraçado por um homem.
Fez se um clarão, como geralmente acontece quando um deus se tele porta, mas dessa vez haviam levado Mineléia.
– Ela não entrou no templo? – Perguntou o pai horrorizado.
– Não reparei. – Falou Kipédius.
– Ninguém reparou! Hélio levou a irmã de vocês, só pude sentir sua presença quando ele quis fugir, ainda tentei atrasar, porém não deu tempo. Hélio sumiu com a irmã de vocês e não sei para onde ele a levou. Peguem a esfera o mais rápido possível, isso vai tirar muito poder dele.
– Pai! Fique com essa lança, ela chama Sanguinária, essa é a lança de Ares, te ajudará bastante a proteger o templo. – Liceu estendeu a lança para o pai que não tinha arma para ajudar Kipédius.
– Obrigado! Cuidado, e voltem logo! – Falou o pai pegando a lança.
Ipeleu e Liceu se despediram do pai e do seu irmão se colocaram em formação e Apolo tocou na cabeça deles, um clarão surgiu, e quando o pai dos rapazes e o irmão olharam, e nenhum dos três estava no local, e ao longe ouviram um rugido, que parecia ser de alguma criatura vinda para destruir o templo.
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