O Deus do Sol

6 VI – Os caminhos de Kipédius e Liceu


Muitas fases da lua se passaram até acontecer algo com Liceu, principalmente depois que Ipeleu se mudou para Atenas para ficar mais cômodo ir para o trabalho. Até que chegou o dia de Kipédius de Kipédius escolher do que iria querer trabalhar daquele dia em diante.

- Meu filho Kipédius. Você já se transformou em um homem. Agora quero saber do que você pretende fazer no caminho que irá trilhar.

- Pai, eu quero ir para Atenas e lá fazer um curso de arquiteto e começar a projetar coisas grandiosas para a humanidade. – Disse o filho decidido – E assim trazer muito glória e honra para nossa família.

- Não há honra maior do que ter um filho com essas pretensões. Seu desejo será realizado. Vamos para Atenas comprar armas de um soldado, só para garantir, e te registrar no em algum curso de arquitetura. – Disse o pai dando um beijo na testa do filho. Quero que vocês tomem conta da casa e evitem problemas. – Disse o pai se virando para Liceu e Mineléia.

O pai e Kipédius partiram até a cidade de Atenas conversando e dando risadas enquanto Liceu e Mineléia ficaram dentro de casa. Mineléia estava treinando seus exercícios matinais e Liceu pegou a antiga espada do pai e dela começou a esquentá-la, depois pegou um martelo, que conseguiu dos saqueadores, e começou a bater com toda força na espada o dia foi passando seu braço começou a doer de alguns movimentos repetitivos com muita fora.

Liceu olhou para o céu e viu que Hélio já tinha atravessado metade de seu caminho durante o dia, então achou que já tinha trabalhado muito tempo na espada, levou-a para o rio e lá colocou, subiu uma nuvem de vapor que esquentou o rosto de Liceu enquanto a espada era resfriada pela água, quando Liceu viu que não saía mais vapor da água ele retirou a espada, que agora estava mais fina e mais brilhosa. Entrou em casa e viu a irmã Mineléia tirando uma soneca, encostou de leve a espada em seu pé, causando um susto na irmã, ela levantou pulando e praguejando contra seu irmão, falando que a espada ainda estava quente, ele respondeu dando risada e avisou que iria na cidade conde o pai trabalhava de mercante e iria comprar uma pedra para amolar a espada ela responde nervosa achando bom por não ser mais atormentada pelo irmão.

Liceu saiu andando pela floresta e nada encontrou, estava sendo um dia normal, mas ele estava com uma sensação estranha porque toda vez que o pai mudava a rotina más coisas aconteciam em casa e toda vez acabava sobrando para ele. Mas mesmo com a sensação de que aconteceria alguma coisa ele foi para a cidade próxima a dele e lá comprou uma pedra de amolar. Voltou amolando a espada, deixando-a mais brilhosa e mais afiada e percebeu algo na espada que nunca tinha percebido antes, abaixo do cabo da espada tinha um círculo, que mais parecia uma moeda grossa, com um símbolo diferente, um “P” detalhado e com uma caligrafia diferenciada das normais, achou bonito o “P”, ele até pensou em um escudo com um “P” grande nele. Resolveu observar o resto da espada e no cabo que protegia a mão viu os chifres de um touro que chegavam a cabeça do touro que já emendava com o cabo. Achou a imagem da cabeça do touro estranha, mas gostou e então resolver continuar observando os detalhes da espada, mas nada encontrou de especial.

Liceu já estava perto do caminho de casa quando ouviu vozes vindas de casa, correu com receio que estivesse acontecendo algo com sua irmã. Chegou pela floresta e viu um senhor e uma senhora conversando com Mineléia se aproximou mais tranqüilo, mas ainda em alerta para caso os idosos quisessem atacar.

- Boa tarde. Posso saber do que vocês gostariam? – Perguntou Liceu se aproximando falando com cara de poucos amigos para os idosos.

- Boa tarde meu jovem. – Respondeu a senhora com uma cara amigável.

- Não se preocupe garoto, sua querida irmã já nos explicou o que precisávamos. Nós estamos a caminho de Argos e ela explicou de uma forma fantástica como chegar lá. Até nos ajudou com comida. Muito obrigado, mas do jeito que ela falou temos muito que andar. – Falou o velho.

- E não podemos ficar perdendo tempo. – Falou a velha apressando o velho. – Muito obrigado minha filha. E que os deuses te abençoe.

- A você também, meu jovem. – Disse o velho já um pouco afastado acenando.

- Foi isso mesmo o que eles queriam? – Disse Liceu desconfiado.

- Sim, vai fazer o que agora? – Falou Mineléia com uma cara misteriosa.

- Vou terminar de amolar a espada. – Disse Liceu desconfiado.

- Não vai não. A comida que eles falaram alguém terá que repor. Então pode ir pegar frutas e algum animal que eu preciso preparar o jantar para o novo bêbado da família. – Disse Mineléia com um grande sorriso pela decepção dos irmãos.

- Que os deuses amaldiçoem... Os Titãs. – Disse Liceu em um tom alto já prevendo que não seria uma tarefa nada fácil.

Liceu conseguiu um javali para aquela noite e algumas frutas. O pai e Kipédius chegaram antes de o jantar já estivessem prontos, mas não reclamaram, e diferentemente de Ipeleu, Kipédius não chegou bêbado, mas como Ipeleu iria ir para Atenas em breve para começar a morar lá com o irmão. Liceu ficou decepcionado de saber que o irmão mudaria para Atenas, mas ficou feliz por saber que o irmão começaria a fazer o que ele gostava. Mineléia ficou bastante triste em ter que se despedir de outro irmão.

Os tempos foram passando e por um pedido de Kipédius a seu instrutor, foi construído um templo para Hélio perto da cidade e da casa dos jovens, a apenas um quarto de dia de caminhada, o que já era mais perto que o templo que tinha na colina, que ficava a dois dias de caminhada.

Liceu visitou muito o templo de Atenas com a irmã enquanto o pai trabalhava no comércio na cidade, mas um dia quando Liceu estava saindo com a irmã do templo viu um velho tentando passar o vinho de um balde para um barril, mas o balde era fundo e pesava muito para o velho homem carregar sozinho. Liceu falou para Mineléia esperar que ele ajudaria o velho, mas que não ficasse por longe e assim ela fez. Liceu carregou todos os baldes e ainda ajudou o velho homem a colocar em um carrinho.

- Muito obrigado meu jovem. – Disse o velho com um sorriso estranho na boca – Venha aqui amanhã que eu terei algo para você.

- Amanhã? – Perguntou Liceu desconfiado. – Em que ponto do sol você quer que eu venha aqui amanhã?

- Saía junto de seu pai amanhã e me encontre aqui. – Disse o velho levantando o carrinho e levantando, fazendo muito esforço para segurá-lo.

- O que ele te deu por ajudá-lo. – Disse Mineléia se aproximando.

- Nada.

- Nada? – Respondeu Mineléia com uma cara de indignação – Que velho ingrato.

- Mas ele falou para eu sair amanhã junto com nosso pai e o encontrá-lo aqui. – Liceu ainda fitava o velho que carregava para longe o carrinho quase tombando.

- Amanhã? Por que ele não te pagou hoje?

- Ele não falou que irá me recompensar. Ele falou que tem algo aqui para mim amanhã.

- Algo? O que você acha que é?

- Não tenho idéia, mas tomara que não seja mais trabalho.

- Vamos para casa, temos muito a fazer.

Liceu voltou para casa com sua irmã e fez os seus afazeres e ficou enrolando até o pai chegar de noite. O pai chegou e Liceu explicou o que havia acontecido no dia que estava para acabar, o pai achou estranho, mas concordou em acordar o filho pela manhã e ajudar a levantá-lo.

O pai acordou Liceu pela manhã e o avisou que teria que sair em pouco tempo, o filho não gostou de acordar cedo, mas não reclamou só pegou a espada e colocou na bainha que tinha feito no dia passado, não tinha idéia do porque pegou a espada mesmo assim, achou que fosse por extinto.

Liceu não falou durante a caminhada pela madrugada por conta do sono que sentia, mas o pai sempre puxava assunto, mas não conseguia uma conversa sólida com o filho por conta do sono, que soluçava a cada assunto novo do pai. O pai teve que pegar um rumo diferente do filho que agora tinha que ir em direção ao templo e o pai a cidade. Liceu andou até o templo e lá viu o mesmo velho do dia passado, mas dessa vez com um capuz que cobria parte de seus olhos, Liceu se aproximou com mão esquerda segurando o cabo da espada.

- Eu estou aqui como você pediu ontem. – Disse Liceu se aproximando.

- Na hora exata. Bom garoto Agora os deuses, ou melhor: Hélio tem uma missão para você.

- Hélio? Você bebeu todo o vinho que tinha no barril? – Perguntou Liceu querendo uma resposta plausível.

- Não é brincadeira meu jovem. Hélio pede seus favores para se vingar de suas filhas que...

- Espere um momento. – Interrompeu Liceu com uma cara nada fatisfeita – Você fez eu acordar mais cedo para ouvir estórias?

- Você acha que eu não sou um emissário de Hélio? – perguntou o velho com o mesmo sorriso repugnante do dia passado.

- Sim.

- Então você quer uma prova?

- Óbvio.

- Então que seja feita sua vontade. Hélio me ilumine na escuridão da noite e faça a cabeça do rapaz que duvida de que eu sou sua boca entre os mortais e esclarece a cabeça dele. – O velho falou essas palavras enquanto ele olhava para o céu escuro e um jato de luz, vindo de lugar nenhum o iluminou de uma forma assustadora.

- Mas que merda é essa? – Falou Liceu tirando a espada da bainha e apontando para o velho que agora estava iluminado por uma luz cegante.

- Essa é a luz do deus Hélio que ilumina as duvidas dos mortais céticos. – A luz se apagou e o elho abriu os olhos e olhou para Liceu – Você duvida de quem sou agora? – Liceu não conseguiu responder, só balançou a cabeça em sinal negativo. – Você terá que encontrar Enante, uma das filhas de Hélio. Ela é conhecida como “a foice”. Apesar de ser filha de Hélio, ela se tornou a serva de Dionísio e esqueceu-se de seu pai. Hélio quer que você se vingue da ingratidão matando-a. Ela vive com mais dezessete filhas de Hélio, todas são bêbadas e adoram matar homens, mas se você matar Enante, elas não o atacaram mais. As dezoito mulheres estão perto da cidade que seu pai trabalha e se elas resolverem atacar a cidade não morreram e ainda mataram todos da cidade, pois Dionísio abençoa elas e ele mesmo matará os homens que tentarem contra-atacar.

- Quando eu partirei para matá-las?

- Agora mesmo.

- E com que armas?

- Só com a espada que você carrega.

- E como as encontrarei?

- Quando não souber por onde seguir levante sua espada em direção ao sol e o reflexo indicará o caminho. E não se preocupe se matar a portadora da foice Hélio te recompensará com algo incrível.

- E como começarei a procurá-las se o sol ainda não nasceu?

- Levante sua espada e a coloque na frente do sol que acabou de nascer. – Liceu se virou e viu um risco do sol no horizonte. Liceu tirou sua espada e um brilho fraco apontou na direção do sol, então olhou para trás para falar com o velho, mas não encontrou ninguém atrás dele.

Liceu caminhou por metade do dia, sempre verificando se ele estava na direção correta sem para, nem para comer e nem para beber, mas quando já olhou para o sol e viu que o sol já estava quase se pondo ele parou para beber a água de um cantil que carregava. Com medo de ficar sem água, já que a grama do chão não estava tão úmida e que claramente só se utilizava da água da chuva, ele evitou beber muita água e só comeu um pedaço de pão. Andou até o sol se por, mas agora que estava escuro e a lua não ajudava a achar as garotas teve que parar e procurar comida, abrigo e água. Liceu achou uma poça de água doce, que bebeu o tanto que pode e ainda conseguiu encher o cantil, se lavou, depois de ter suado tanto pelo dia todo. Deitou ao lado da poça e lá ficou até acordar de manhã com o brilho fraco do sol no seu rosto. Levantou-se e por seu caminho continuou sempre conferindo a direção com sua espada, mas quando o sol já esta para se por, viu um grupo de garotas bebendo e correndo de um lado para o outro, várias delas carregando objetos nas mãos.

Ele levantou a espada e o brilho apontou para uma delas, provavelmente Enante, já que a mulher carregava uma foice de um lado para o outro. A mulher tinha o cabelo preto enrolado e preso, um vestido branco cheio de cortes e várias cicatrizes pelo corpo. Na verdade toas as mulheres tinham os vestidos cortados em vários lugares e todas tinham cicatrizes profundas, provavelmente curadas por Dionísio pelas batalhas que elas travaram. Liceu se aproximou das mulheres que corriam entorno de um porco que pegava fogo e de tempo em tempo uma das mulheres jogava uma garrafa de vinho fechada no animal, a garrafa quebra com o choque no corpo do animal e voava vinho por toda parte que eram bebidos pelas mulheres embebedadas. As mulheres pulavam e entoavam cânticos e pulavam cada vez mais.

Liceu se aproximou das garotas por trás do círculo que elas faziam e jogou uma garrafa no porco que antes de encostar-se ao porco pegou fogo e explodiu. Todas as garotas olharam na minha direção enquanto o fogo se apagou e o porco virou cinzas que caíram no chão, claramente Dionísio não gostou do ritual interrompido.

As garotas olharam todas com um ara de desprezo para Liceu que respondeu – Posso participar da festa? – Uma flecha voou na direção da coxa do de Liceu, que pela vontade de Hélio não pegou em Liceu, mas que deu um bom pulo por conta do susto que levou.

Liceu tirou a espada e cortou a perna da primeira Ménade que carregava uma taça, mais conhecida como Cálice. A perna de Cálice foi separada do corpo, depois de Liceu separar a perna do corpo de Cálice fincou sua espada no peito Egle (o esplendor) e tirou, fazendo jorrar sangue no peito de Liceu. Olhou para as outras garotas e viu que elas aguardavam algo, quando percebeu que elas começaram a dar risadas e ele olhou que o corte no peito de Egle começava a cicatrizar-se e a perna de Cálice começou a se juntar ao corpo dela novamente. Liceu percebeu que Enante tomava a frente com sua foice. – Eu não tenho medo de uma vadia bêbada e muito menos à uma vadia bêbada que não honra os pais. – Enante nada disse, como nenhuma das outras.

A foice zuniu quase acertando o rosto de Liceu, que foi para trás e se armou com a espada e tentou acertar a barriga de Enante, que desviou e tentou acertar o pescoço e Liceu que desviou abaixando e fincando a espada na coxa de Enante, que após tirar a espada o ferimento cicatrizou-se de imediato. Liceu se impressionou com a cicatrização do ferimento, que o deixou vulnerável e acabou sendo acertado pelo cabo da foice no rosto, abrindo um grande corte na boca de Liceu, que tentou se levantar o mais rápido possível. Liceu se esquivou de mais um golpe e rasgou a barriga completamente da barriga de Enante, que fez o vestido ser rasgado e deixado a parte de baixo nu, mas isso não impediu a Enante de rasgar a canela de Liceu, que segurou o cabo da foice e enfiou a espada no pescoço de Enante. Mas Enante não foi derrotada com esse simples golpe. Enante deu uma cotovelada no queixo de Liceu, retirou a espada de seu pescoço e jogou aos pés de Liceu. Agarrou firme sua foice tentou acertar nas costas de Liceu, que rolou para o lado se esquivando do golpe e agarrando a espada em uma última tentativa de matar a mulher. Rebateu a foice com sua espada e decaptou a mulher.

Ele olhou para as outras Ménades e gritou – Parem de fazer rituais a Dionísio ou voltarei aqui e matarei todas d vez só Enante. — Liceu se virou e deu alguns passos, quando ouviu várias risadas e um barulho de gosma sendo arrastada e depois um grito. Liceu se virou e viu a cabeça de Enante se juntando ao corpo e ela gritando pela dor que deveria estar sentindo. Ela agarrou a foice e o atacou mais uma vez, mas dessa vez não Liceu conseguiu se esquivar a tempo e levou um corte no rosto. Liceu não conseguia mais brigar e começou a correr para longe das mulheres que agora o seguiam e tacavam garrafas de vinho nele, o que fazia gritar de dor e praguejar.

Liceu corria mancando enquanto recebia garrafadas de vinho nas suas costas até que chegou à beira de um barranco e lá se jogou, tentando fugir das mulheres que o atacavam. Liceu desceu o barranco rolando sentindo pedras cortando suas costas e o fazendo praguejar, mas quando cegou ao fim do barranco viu as mulheres o observando de cima do barranco completamente obcecadas p-ela morte dele. Liceu olhou para elas e continuou correndo por um campo aberto até ver uma caverna no meio de algumas rochas e por lá descansou até o sol raiar. Liceu acordou e bebeu um pouco da água de seu cantil, saiu da caverna e viu seus cortes se curando com os raios do sol e viu o velho que era conhecido como o representante de Hélio a uma certa distância, carregando um barril de vinho e se aproximando.

- Tenho que te avisar que seus cortes não serão curados pelo deus sol de novo.

- Como eu derrotaria aquelas mulheres se elas não morrem? – Perguntou Liceu já nervoso com a missão que tinha aceitado.

- Não morrem? Você está enganado. As mulheres morrem, mas antes delas morrerem Dionísio cura os ferimentos.

- Então como eu matarei mortais que estão sendo abençoadas pelo deus do vinho?

- Você está sendo abençoado por Hélio. Já as mulheres estão sendo curadas, além de serem abençoadas.

- Ajudou muito. Como eu faço para ele tirar a proteção delas?

- Tirar? Ninguém falou em tirar a proteção. É melhor achar um jeito de matá-la.

- Mas ela não morre quando corto a garganta.

- Ache um jeito de ficar batendo nela até o corpo se desintegrar. – O velho largou o barril de vinho e começou a andar por aonde veio e de lá gritou – Te estarei esperando no templo que te encontrei.

Liceu olhou para o barril de vinho e o tombou. Começou a girá-lo na direção da montanha que tinha visto as garotas, mas não subiu toda a montanha. Parou na metade do caminho e molhou o solo com o vinho que o velho havia lhe dado. Acendeu algumas tochas e colocou as fincou em lugares próximos ao chão levemente molhado. Deixou o barril aberto e encheu seu cantil e sua garrafa de vinho, que colocou um pedaço de pano, umedecido com vinho, para fora da garrafa e colocou fogo no pano. Correu até as mulheres que ainda dançavam e festejavam com o vinho dado por Dionísio e lá jogou sua garrafa de vinho no rosto da primeira mulher que viu.

A garrafa explodiu, fazendo voar cacos de vidro para todo lado. A mulher ficou em uma bola de chamas que saiu correndo para o outro lado da montanha gritando por água. Todas viraram na direção de Liceu e o fitaram com raiva, algumas mulheres foram atrás da companheira que estava pegando fogo e outras viraram para Enante e a olharam esperando alguma ordem. Enante fez um sinal com a cabeça para as mulheres, que voltaram a fazer o ritual que faziam, enquanto ela pegava sua foice e andava na direção de Liceu.

- Você vai pagar pelo que fez ontem. – Disse Liceu ansioso para derrotar a mulher.

Enante correu em direção a Liceu com sua foice preparada para um golpe, que quando foi feito não obteve sucesso. Liceu rebateu o golpe de Enante com a espada e deu um passo rápido em direção a mulher, segurou a foice dela com sua mão livre e fincou sua espada no ombro de sua adversária. Torceu a espada e retirou bruscamente, empurrando a mulher que caiu no chão gemendo de dor, mas que levantou e se colocou em combate rapidamente. Liceu tirou seu cantil e bebeu um pouco do vinho e jogou um pouco em Enante, o que fez a mulher ficar mais irritada. Desferiu outro golpe contra Liceu, mas novamente rebateu com a espada. Liceu estava esperando Enante dar outro golpe, mas o mulher queria achar um jeito de derrotá-lo e saberia que lutando não seria a solução, parecia que Enante estava esperando algo de Dionísio.

Liceu cansou de esperar e deu um golpe de espada, que foi bloqueado pelo cabo da foice de Enante, Liceu se aproximou e agarrou o cabo de madeira e o puxou, arrancando das mãos de Enante. Em um ataque rápido Liceu desferiu um golpe com o cabo de madeira no rosto da mulher, agora desarmada, que fez seu nariz quebrar e sair um pouco de sangue. Enante estava caída no chão e com o nariz torto, mas ela o colocou no lugar soltando um grito em seguida. Liceu já tinha cansado de brincar com a mulher, então Liceu guardou sua espada e fincou a foice no abdômen da dona da arma e a arrastou montanha a baixo.

Liceu andava puxando a foice e ouvindo gritos agudos de Enante. A mulher se debatia no chão e tentava se soltar, mas volta e meia, Liceu chutava o rosto da mulher e recolocava a foice em um lugar fixo. Quando viu suas duas tochas no chão perto do barril deu um sorriso e falou.

- Dionísio, deus do vinho. Eu vou fazer um ritual para ele. E vai ter muito vinho misturado com sangue. Você deve gostar de vinho. Eu lhe darei muito vinho. Vou fazer você morrer pelo maior ícone do deus que você mais adora.

Liceu pegou s cabelos de Enante e a mergulhou no barril de vinho, dado pelo velho, e tentou afogá-la por um bom tempo, mas depois de tirar a cabeça dela a mulher cuspiu muito vinho e voltou a respirar normalmente. Então ele teve outra idéia. Liceu jogou a mulher no chão e enfiou a foice com a maior força que consegui no tórax dela, ele sentiu o impacto que queria, fazer a foice atravessar o corpo dela e fincar no chão. Então virou o barril de vinho em cima da mulher e pegou uma de suas tochas e jogou em cima dela.

As chamas foram a alturas enormes e fizeram esquentar o ar incrivelmente, Liceu teve que correr para não se machucar com o fogo. Os estralos das labaredas estavam tão altos que encobriam os gritos da mulher. Liceu deu um sorriso e ficou sentado no chão até ver as chamas se apagarem no outro dia. Ficou o outro dia nos arredores da fogueira apagada, para ter certeza de que a mulher não voltaria a vida. Quando ouviu choros das mulheres vindo da montanha teve a certeza de que Enante tinha morrido e sua missão tinha sido comprida.

Liceu fez o caminho de volta para o templo, mas dessa vez demorou dois dias, por conta do cansaço da batalha. Chegou ao templo e viu o velho com outro barril de vinho, mas esse era diferente, era feito de ouro e aço, nada de madeira.

- Fui bem? — Liceu foi chegando perto do velho enquanto falava.

- Foi sim, meu jovem. Hélio agradece pelo trabalho bem feito. Dionísio ficou tão irritado com a incompetência de suas garotas que tirou a cura deles sobre elas.

- Barril bonito.

- Ah! Isso é seu prêmio, por ter feito o trabalho.

- Não vai me falar que ganhei um barril de vinho de ouro?

- Não, o barril é meu, mas o que tem dentro do barril é seu.

- É vinho? – Liceu já estava apreensivo por ter feito um trabalho duro em troca de vinho.

- Não. – Falou o velho sorrindo – Hélio não é Dionísio para recompensar com vinho. Hélio é o deus que carrega o sol.

- Então o que tem aí é um pedaço do sol?

- Sim, mas foi trabalhado para ser uma armadura.

- Quer dizer que isso aí é uma armadura feita do sol?

- Sim, mas colocaram outros elementos, para não te cegar e não brilhar tanto no escuro. Mas não é completa. A armadura tem um peitoral com uma saia acoplada, duas caneleiras com botas acopladas e dois braceletes com luvas de couro acopladas.

- Isso é sério? – Liceu não acreditava no presente que poderia ganhar.

- Sim. O velho sorriu e abriu o barril, tirou as peças que tinha falado e colocou na frente do jovem.

Quando Liceu viu a armadura que tinha ganho ficou tão empolgado que foi colocando e depois não viu como o velho tinha sumido com o barril. Mas nem ligou, terminou de vestir a armadura e foi em direção a sua casa, louco para contar a história que tinha vivenciado.