O Destruidor de Ampulhetas
3 Capitulo -302.1, A memória de Kinney
A noite logo caiu, Matt e Mario descobriram que o bar também era uma hospedaria, alugaram um quarto e ficaram nele se preparando para testar o frasco.
- Mario, caso eu me mexer ou contorcer ou fazer caretas ou demonstrar estar sentindo alguma dor, você não deve retirar o frasco de minha cabeça. – alertou Matt. – Não enquanto eu não abrir os olhos, está entendido?
- Sim pai, eu agüentarei a qualquer problema.
- Então vamos começar.
Matt deitou na cama, se ajeitou, Mario tirou a caixa da mochila e logo pegou o frasco, olhou para seu pai e abriu o frasco, antes de colocar na cabeça de seu pai desejou boa sorte e colocou o frasco em sua testa.
- Quando eu fechar os olhos, quero que preste atenção e veja se eu faço alguma coisa estranha ou fora do normal. – pediu Matt.
- Tudo bem pai, estou torcendo por você aqui. – Mario parecia bastante cauteloso.
Matt fechou os olhos e de repente o mundo do lado de fora fecharam todas as suas portas, ele já não tinha mais nenhum sentido, não enxergava, não ouviu, não sentia nada, não sentia nenhum gosto e nenhum cheiro.
Estava tudo escuro, finalmente viu alguma coisa, e no meio da escuridão apareceu um enorme portão de ferro onde Matt viu uma mão abrir o portão e de repente tudo começou a ficar branco. Uma névoa densa que aos poucos foi se dissipando e um cenário foi se montando, era a sala da senhora Kinney. Mas era diferente da sala que Matt conheceu a poucas horas atrás, dessa vez a sala era bem iluminada, os móveis que eram antigos, agora eram novos e havia um outro móvel que ele não havia visto antes, uma pequena estante com dezenas de porta-retratos. Matt foi até a estante e ficou observando os porta-retratos, percebeu logo que só tinha fotos da senhora Kinney e quando ia saindo de perto da estante reparou numa foto cheia de pessoas no fundo da estante, voltou e olhou com atenção e imaginou ser toda a família de Kinney na foto, encontrou Kinney mais jovem bem ao meio da foto, segurando uma criança no colo e com um sorriso radiante.
Matt ficou surpreendido ao ver a foto dela sorrindo, e reparou que em todas as outras fotos, não havia uma em que a senhora Kinney se demonstrava feliz daquele jeito. De repente Matt ouviu alguns passos ao fundo do corredor vindo em direção à sala e rapidamente tentou se esconder atrás da estante.
Era a senhora Kinney, muito mais jovem, mostrando assim para Matt que era uma lembrança bem antiga que ela guardava. Ao vê-la, Matt sentiu seu corpo paralisar e ele não pôde se mexer mais, de repente ele se viu dentro da sala da senhora Kinney, mas de outro lugar, sentiu que não podia se movimentar e que alguém fazia isso por ele, andava de um lado ao outro da sala, como se estivesse aguardando alguma coisa ou pensando em alguma coisa, após alguns minutos, mudou de lugar e foi ao banheiro que ficava no corredor.
Matt levou um susto ao se ver no espelho e perceber que ele era a senhora Kinney, e ao mesmo tempo lembrou das palavras dela, de que ao ver a memória, veria como o dono da memória e sentiria tudo como o dono.
Alguém bateu na porta e a senhora Kinney correu para atender, Matt era os olhos de Kinney e viu uma linda mulher entrar com uma criança no colo e em seguida ao que parecia ser para Matt, o marido da mulher que entrou.
Logo estavam no sofá e Matt pode presenciar toda a conversa.
-... E é por isso que eu preciso que você fique com ele mãe. – disse a mulher levantando e entregando o filho dela para a senhora Kinney.
Matt de repente sentiu um mal-estar, um peso na consciência, uma dor muito forte, parecia ser algum ataque depressivo, e ele sentia também, após alguns segundo passou, mas ainda sentiu um pequeno aperto no peito.
- Eu irei ficar com ele, cuidarei e criarei meu neto como fiz com você minha filha. – disse a senhora Kinney. E Matt sentiu-a chorar e algumas lágrimas percorrer por seu rosto. – Onde você gostaria de ir hoje, o que você quer para comer?
- Mãe, não se preocupe comigo, eu quero ir com você feliz, e como eu já te disse, partirei logo.
- Kathlen, você pretende conhecer algum lugar? – perguntou seu marido.
- Não, não tenho tempo para essas coisas. Farei algo que tenho vontade de fazer, mas antes, mãe, você poderia fazer aquele bife que eu amo? Preciso comer um pouco.
- Sim minha filha, porque não? Tudo para te ver feliz. – E Matt sentiu uma pequena chama de alegria explodir em seu peito.
Uma hora se passou com todos na cozinha conversando enquanto Kinney preparava o almoço, logo se sentaram e começaram a comer. Matt sentiu que a senhora Kinney não tinha muita fome e comia forçado, mas mesmo assim comia e não tirava os olhos da filha, até que de repente viu sua filha dar uma piscada, como se tivesse apagado e acordado em seguida.
De repente Kathlen gritou e berrou por sua mãe, Kinney levantou rapidamente e foi até sua filha.
- O que foi filha, o que você tem? – perguntou Kinney.
Matt sentiu um forte choque e um aperto no peito, sabia que estava preste a perder alguém muito querido em sua vida. Ele entendeu que sentiria as dores de Kinney como se fosse ela.
- MÃE! Eu não quero ir embora desse mundo mãe, eu tenho medo de ir, mãe, por favor, faça alguma coisa. – Kathlen gritava desesperada.
- Você está doente, o que você tem Kathlen? – Kinney agora gritava sentindo o desespero de sua filha.
- MÃE! Por favor, mãe faça... – de repente enquanto segurava suas mãos, Kinney viu os olhos de Kathlen se arregalarem, ela paralisou e de repente seu rosto se chocou com o prato de comida na mesa, rapidamente à senhora Kinney, já chorando levantou e viu seus olhos, percebeu que já não havia mais vida neles.
- Mãe calma! – Gritou o homem ao lado dela. – Hoje era o dia em que ela partiria, não podemos fazer nada contra isso, deve ter sido um ataque cardíaco ou algo relacionado, não há nada que possamos fazer a respeito, você entendeu que isso aconteceria. – dizia ele tentando manter a calma.
Matt se sentia desesperado, queria fazer algo para salvar Kathlen, mesmo sabendo que já era tarde demais, sentiu um aperto no peito e começou a se sentir mal, percebeu que iria desmaiar.
- Kelvin, pegue um copo de água com açúcar, por favor, eu não estou bem. – disse Kinney.
Kelvin rapidamente levantou e preparou a água e lhe entregou, quando ela foi colocar na boca, sentiu um mal-estar e desmaiou, tudo ficou escuro para Matt, e ele sentia uma forte dor no peito ainda, mas logo melhorou e ele já não sentia nada. Começou a se lembrar dos fatos e percebeu que Kelvin era irmão de Kathlen e não marido, e que os dois deveriam estar vindo para conversar com sua mãe sobre Kathlen.
Tudo começou a ficar branco novamente e aquela névoa não se dissipou dessa vez e se manteve, Matt percebeu que chovia e reparou num túmulo, percebeu que estava num velório, de repente ele era a senhora Kinney novamente e se viu olhando para a lápide onde estava escrito o nome de Kathlen e a data em que nasceu e a que partiu deste mundo. Vi a mãe da senhora Kinney colocando algumas flores na lápide e de repente tudo ficou novamente escuro.
Matt viu o portão aberto e uma mão fechando o portão. O portão foi sumindo de sua visão e quando ele percebeu estava vendo seu filho, Mario, com uma cara assustada e se demonstrando um pouco apavorado.
Mario retirou o frasco e o lacrou rapidamente, mas não havia mais nada dentro dele, estava vazio, sentou na cadeira ao lado da cama com um olhar horrorizado.
- O que foi Mario? – perguntou Matt.
- Pai, seus braços mudaram nesse tempo que ficou dormindo, fora isso você não se mexeu em momento nenhum. – respondeu Mario.
Matt olhou para seus braços e viu que alguns de seus pelos estavam brancos, percebeu rapidamente que ver essas memórias lhe envelheceu um pouco.
- Olhe para mim filho, eu estou parecendo muito velho? Ou foram apenas meus braços que ficaram assim?
- Foram apenas os seus braços pai.
- E quanto tempo eu dormi?
- Acho que foi quase uma hora.
- Certo, vamos descer no bar para jantar e eu lhe conto o que aconteceu.
Mario concordou e os dois desceram. Enquanto jantavam, Matt contou tudo o que aconteceu para Mario.
Após quase uma hora conversando no bar, os dois subiram e foram dormir.
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