Notas iniciais
Me perdoem pela demora, mas com os vestibulares se aproximando eu vou ter que demorar ainda mais para postar os capítulos.. Mas aproveitem :)

PoV. Alyria

Após a minha chegada do vilarejo, fui até o escritório do meu pai.

– Majestade — disse enquanto entrei — O que você e Leo falaram?

– Nada de importante meu anjo...

– Não minta pra mim, Leo saiu aturdido da sua sala, o que você falou pra ele?

– Alyria se eu disse pra ele e não pra você, é porque a mensagem se dirigia a ele e não a você, concorda? Agora, vá se despedir de todos, sua viagem será daqui a alguns minutos, e eu tenho milhões de problemas pra resolver por conta do incidente com a sua mãe...

– Deveria parar de ser tão cruel comigo, papai — eu disse, dando ênfase no "papai". Ele não poderia ser mais grosso! E logo com a filha que ele vai perder em breve. Me levantei sem escutar a sua resposta e deixei a sala dele.

Me dirigi à cozinha, tinha boas amizades naquele lugar. Minha mãe dizia que mesmo uma rainha deveria ser boa na cozinha e provar que ela era tão comum quanto os súditos, ela dizia que isso a aproximava dos camponeses e que eu deveria aprender, então ela pediu para a chefe de cozinha, Leila, que me ensinasse tudo o que ela sabia.

Leila é uma senhora muito simpática, e em todo reino não há pessoa mais alegre. Quando minha mãe morreu ela foi até meu quarto e me deu seu ombro pra chorar... Depois me fez um bolo de chocolate com morangos, meu favorito, enquanto me contava historias de quando se apaixonou por um guarda do castelo.

Chegando na cozinha, Leila largou o que estava cozinhando e veio me dar um abraço:

– Aly, olha como você está linda hoje, meu bem! Nem acredito que em breve será rainha, vai se casar, dar à ambos os reinos herdeiros! Venha provar esse peixe, ja está quase pronto, ja estamos preparando para o almoço....

– Leila — eu ri — se acalme, eu vim me despedir... Só vou terminar o almoço e partirei...

– Você não ouse ir embora sem a sobremesa, fiz seu favorito...

– Bolo de chocolate com morangos — falamos juntas e rimos, acompanhadas do pessoal da cozinha.

– Quero agradecer a todos vocês por sempre estarem ao meu lado, por sempre me darem dicas do tempero certo — eu ri — e por me apoiarem na decisão de partir, devo a todos vocês muito do que sou hoje!

As mulheres da cozinha me abraçaram, chorosas, e os homens bateram palmas e diziam:

– Vida longa à princesa!!

Eu não consegui conter as lágrimas e chorei com elas, até que a filha de uma das cozinheiras, Broke de sete anos me perguntou:

– Por que você tem que ir Aly?

A cara chorosa de Broke me quebrou o coração, então eu a peguei no colo e disse:

– Minha flor, eu preciso ir pois eu quero ficar com o meu príncipe encantado.

– Eles existem?! — ela me olhou supresa e sorridente.

– Claro que sim, minha flor, e um dia você irá encontrar o seu príncipe, e sabe por que?

– Por que?

– Por que você é uma princesa igual eu!

– Mesmo?!

– Princesa! — disse a mãe de Broke, risonha — Não encha a cabeça dela, por favor!

– Deixe ela sonhar, Mary... — eu respondi, colocando Broke no chão — Agora eu preciso ir me despedir dos outros... Foi um prazer passar todos esses anos com vocês!

Recebi um último abraço de todos, e um doce que Leila fez pra viagem.

Saí da cozinha mais triste de ter que deixar meus amigos, mas ciente que fazia o melhor pro povo e pro meu próprio coração, que devido a proximidade recente, havia se envolvido ainda mais com Leo.

Fui até os estábulos, encontrei o jovem que cuidava dos meus cavalos, Phillip. Quando me viu deu um sorriso, se curvou e veio correndo me abraçar:

– Princesa! É uma honra recebê-la aqui! Vai dar uma cavalgada antes de ir?

– Não Phil.. Eu vim me despedir, de você e dos cavalos.. — depois que eu disse isso, vi o sorriso dele desaparecer.

– Mas já?

– Já.. Preciso ir o mais rápido que posso pra resolver todos esses assuntos de guerra e aliança..

– E os cavalos?

– Eles tem que ficar, infelizmente — disse passando a mão na cabeça de Daylight — Vou sentir tanto a falta deles...

– A princesa deveria levar algum.. Sabe? Pra quando os cavalos de Stonefalls não aguentarem correr com a princesa de Gardenalia!

– Mas qual levar? Tenho um carinho tão grande por todos eles...

– Mas Siverthy é sua preferida, sempre foi...

– Acha mesmo que devo levá-la Phil? Será que ela conseguirá viver em Stonefalls? Os cavalos lá são diferentes... Mais acostumados com pouca natureza, Siverthy é uma égua que ama Gardenalia, eu sinto que sim..

– Leve-a e faça um teste, se ela não gostar você pode trazê-la de volta...

– Adorei a ideia Phil! — disse o abraçando — Obrigada! Por tudo!

Dito isso eu deixei o estábulo e fui me despedir das outras pessoas, e muito embora o castelo fosse bem grande, consegui me despedir de todos rapidamente, a tempo de encontrar Leo me esperando em frente ao meu quarto, quando eu voltei.

– Tudo pronto, Aly? Partiremos assim que o almoço terminar.. — ele disse, segurando minhas mãos quando eu me aproximei.

– Sim.. Se importa se eu levar minha égua?

– Claro que não Aly, pode levar o que quiser!

– Obrigada — agradeci sorrindo — Vamos? — Leo acenou com a cabeça e nos dirigimos ao salão aonde o almoço seria servido. Wimich ja estava lá mas meu pai não.

– Olha só se não são os pombinhos mais felizes do reino! — Wim falou debochado. – Ja está pronta pra sair das asas de Gardenalia Aly?

– Pode apostar que sim! — respondi com cara de quem aceita o desafio.

– Aiai — suspirou Leo — Eu estava sentindo falta dessa energia de vocês.

– Ótimo! Volte sempre que puder com a minha irmã.

Nesse momento um dos criados, do qual eu senti vergonha por não me lembrar o nome, entrou e avisou que minhas coisas e as de Leo ja estavam na carruagem, e minha égua ja estava pronta. Só faltava meu pai para que pudéssemos almoçar e ir embora..

~ 20 minutos depois ~

Eu ja estava ficando impaciente, por isso tomei uma decisão.

– Sirvam o almoço por gentileza — pedi delicadamente à Carmen, uma das criadas.

– Sem esperar o rei, majestade?

– Sim, não tem problema.

– Cael vai virar uma fera — disse Wim.

– Pois que sirva de lição pra que ele não se atrase nos próximos almoços em que eu estiver aqui.

– Tem certeza, amor? — perguntou Leo.

– Se minha mãe ainda estivesse aqui ela não gostaria nada disso, então eu vou fazer como ela faria.

– Muito bem.

Almoçamos tranquilos, rimos bastante e falamos de quando éramos crianças, Leila trouxe pessoalmente a sobremesa, e me deu muitos beijos na bochecha me deixando marcada. Ela não chorou na minha frente mas pude ver seus olhos marejarem quando eu terminei o bolo e a agradeci por tudo.

Eu e Leo nos levantamos, nos despedimos de Wim, e caminhamos até a carruagem. Eu não vi mais meu pai, e nem gostaria de ter visto. Quando a carruagem estava em movimento, Leo segurou minhas mãos e disse:

– Preparada para a sua nova vida ao meu lado?

– Claro! Eu não tenho a menor dúvida de que essa é a melhor decisão que ja tomei.

– Minha mãe vai adorar te ver depois de tanto tempo, ela sente muito a sua falta, você estava sempre presente nas conversas que ela tinha com Shakia, ela dizia que você era adorável quando falava de política aos 5 anos — ele disse risonho.

– Estou apreensiva.. Não acho que sua mãe me queira como nora...

– Não pense nisso — ele disse chegando mais perto — Durante essa viagem — ele se aproximou um pouco mais — Você só vai ficar — chegou ainda mais perto, nossos lábios quase se tocavam — Do meu lado — e enfim rompeu a distância que ainda existia entre nós e me beijou, um beijo delicado, porém com pressa, quase uma fome. Não me importei em corresponder, muito pelo contrário, coloquei meus braços ao redor do seu pescoço, o que fez com que ele me segurasse mais perto de si pela cintura. Eu não poderia estar mais feliz.