Notas iniciais
Primeira história, espero que gostem

Nas muralhas de Gardenalia eu fui visitar meu pai, o rei, que está preso por assassinar a rainha, minha mãe.

– Pai? — perguntei de frente a sua cela, no lugar mais fundo das masmorras.

– Alyria! — ele disse- que bom que finalmente veio! Shakya ia gostar de saber que você veio.

– Você não tem direito de falar sobre ela.

– Não diga isso!

– Como não? Você a matou!

– E você não sabe nada sobre aquela noite — ele fechou sua expressão, antes alegre, à uma séria e sombria — Shakya pediu por isso.

– Eu não vim até aqui falar sobre mamãe, a guerra pai, meu irmão quer declarar guerra à Stonefalls, eu vou ter que me casar com o príncipe Leo, ou você conversará com meu irmão para acabar com esse circo.

– Wimich planeja uma guerra? — assenti — Certo, case-se com Leo, e peça a Wimich para vir conversar comigo, o povo pedirá a cabeça dele caso haja guerra. Você resolveu o problema da fome?

– Sim, o nosso povo come agora.

– E... A magia? — estremeci com sua pergunta.

– Wimich não quer aprender. Eu ja sei tudo o que é possível de ser ensinado.

– Ótimo. Wimich esta testando meus limites... Ele sabe que a família real deve aprender magia, ele está me saindo mais mimado do que o esperado.

– Pai... Tenho que ir.. Espero que Wim aceite vir... Até mais

– Volte Alyria.. Quem sabe eu te conte como foi a noite da morte de sua mãe.

– Isso é definitivamente, algo que eu não quero saber.

– Um dia você irá parar de me tratar como um monstro?

– Isso pai, só o tempo dirá. — dito isso, caminhei até a saída, onde os guardas me aguardavam.

– Princesa, está tudo bem? Você parece mais pálida.

– Estou bem. Wimich esta no castelo?

– Sim.

– Me leve até ele.

O guarda me levou até meu irmão, eu ja sabia que não daria certo falar com Wim, ele estava cego pela chance de poder e odiava que magia estivesse envolvida nisso. O povo de Gardenalia ja usou magia, mas isso fez com que o povo se tornasse cruel, o rei decidiu decretar que nenhum cidadão usasse a magia, deixando esses ensinamentos apenas para a família real e seus empregados.

Eu não tenho orgulho de parar de ensinar magia, mas eu não serei rainha, sou a mais nova, eu só terei uma chance de governar se me casar com Leo. Não quero um casamento arranjado, mas se meu irmão não se conscientizar de que uma guerra não é o que o povo precisa, o povo não vai aceitar.

As rebeliões da plebe ja são constantes, e a única escolha que eu tenho de fugir dela é casar com Leo. Odeio isso pois aparenta que eu seja covarde, anos de aprendizado para guerra, por minha escolha, pra serem jogados no lixo.

– Princesa? — perguntou um dos guardas, quando eu cheguei a porta do escritório de Wimich.

– Sim? — o cumprimentei com um sorriso.

– Principe Leo esta ai dentro com o Principe Wimich discutindo sobre a possibilidade de haver guerra, tem certeza que quer entrar?

– Libere a passagem por favor?

Ele me olhou de forma preocupada, mas liberou a passagem, eu agradeci com um aceno de cabeça.

Abri a porta e encontrei Wim e Leo discutindo, mas eles pararam assim que bati a porta atrás de mim.

– Princesa Alyria — disse Leo com uma pequena reverência de cabeça.

– Leo, temos intimidade o suficiente para dispensar formalidades.

– Claro — ele sorriu.

– O que faz aqui Aly? — perguntou Wimich.

– Eu não quero uma guerra Wimich! O povo não quer uma guerra, nossa mãe não queria uma e nosso pai também não quer!

– Não fale sobre aquele traidor! Ele matou nossa mãe Aly..

– Wim, ele quer falar com você, deveria descer às masmorras, é sobre a guerra.

– Aly eu não quero falar com o rei, e você também não deveria.

– Acontece, meu caro Wim, que agora estamos em uma pré-guerra escolhida pelo principe, e uma rebelião da plebe vai eclodir em breve, ou você obedece as leis do nosso reino e aprende magia, e tenta governar da maneira que o povo merece ou eu acho que é o fim de Gardenalia. — disse com raiva.

Wimich e Leo me olharam com uma surpresa por causa da raiva que saiu na minha ultima fala.

– Eu falo com ele. Mas não quero aprender magia. — ele me respondeu.

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PvO Leo

Eu e Wimich olhamos surpresos para Alyria por causa da raiva que emanava dela. Ela provavelmente ja estava em seu limite e eu não imagino que Wim seria louco de discordar dela agora.

– Eu falo com ele. Mas não quero aprender magia. — respondeu Wimich.

O dom da magia era permitido no meu reino mas não em Gardenalia, o povo, como Wim, era ganancioso e não usava a magia para as razões corretas, mas Alyria não concordava com isso. Ela era perfeitamente parecida com os antigos moradores de Gardenalia, uma coroa de flores habitava sua cabeça, as orelhas tinham pontas delicadas que lembravam os elfos que deram origem ao lugar, os vestidos sempre de uma imperatriz, com temas florais e de animais. Alyria era uma das mais belas princesas das Terras Tralfeling, sua pele era alva, diferentemente do resto de sua família. As lendas diziam que era por que ela nasceu em noite de Lua Azul, e isso a deixou alva, recebendo a benção dos elfos antigos.

– Wimich, realmente é melhor se você aprender magia — eu disse — pode não parecer, mas esse é um legado que deve ser mantido.

– Leo, não acho que deva.. — Wimich começou, com a voz determinada, mas foi interrompido por sua irmã.

– Wim, você começa a aprender amanhã, sem discussões, estou farta da sua infantilidade, ande logo falar com papai, acabe logo com esse circo que você esta armando. — Wimich se calou e a obedeceu, saindo da sala, Alyria se virou pra mim e disse — Creio que ja esperasse por isso, Leo, mas teremos que nos casar para acabar de vez com essa ideia maluca do meu irmão. Meu pai será solto quando isso acontecer, planejo lançar um feitiço para que ele não machuque meu irmão.

Aquilo me pegou de surpresa, ela acabou de arrumar nosso casamento? Eu a conhecia desde criança, aquela não parecia a atitude que ela tomaria.. Mas não posso negar que seria bem interessante te-la como esposa.

– Tem certeza de que é isso que você quer? — perguntei olhando em seus olhos, onde uma confusão se encontrava.

– Tenho — respondeu sorrindo gentilmente.

– Certo.. Alguma data em mente?

– Semana que vem? É o festival de flores de Gardenalia, parece ser a ocasião perfeita.

– Vou contatar Stonefalls, podemos viajar amanhã e realizar um baile de noivado, certamente será o certo, voltaremos à Gardenalia antes do festival, está bom pra você? — perguntei.

– Sim — ela assentiu, se dirigiu a mim, depositou um pequeno beijo casto em meus lábios, me pegando de surpresa e disse:

– Teremos que fazer isso de agora em diante — ela sorriu envergonhada — fale com Wim quando ele voltar. Meu pai ja sabe.

– Wimich vai me matar, você sabe.

Ela sorriu divertida com a minha fala.

– Ele sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde, você não tem irmãs, eu sou a única capaz de unir os reinos, ele só não queria admitir isso a si mesmo.

Dito isso ela se retirou da sala me deixando atordoado pela beleza de minha agora noiva.