Notas iniciais
Hello ^~^, quanto tempo. Espero que me perdoem pelo atraso enorme :3. Boa leitura sz.

Dois anos depois.

Vestia apenas uma túnica simples e uma calça de algodão preta, o sobretudo da Akatsuki oeste — preto com nuvens vermelhas espalhadas ao longo do tecido — estava aberto até a cima do umbigo e o capuz permanecia levantado cobrindo parte do rosto.

Topou na bolsa onde guardava as moedas e sentiu apenas o pano grosso e asperso; murcha. Havia gastado as últimas moedas para pagar uma meretriz e, logo depois, um corno com cerveja o qual ainda degustava. Ainda se lembrava dos atos libertinos feitos a poucas horas e tinha certeza de que não se arrependia de ter gasto aquelas moedas. Todavia, agora precisava de arrumar mais.

Balançou o corno observando a cerveja rodar ali enquanto pensava no que iria fazer para conseguir dinheiro. Quem sabe fazer algum serviço em troca de dinheiro ou matar algum cervo para vender.

Estralou a língua e suspirou ao lembrar-se de Madara.

— Neste mundo existe dois tipos de pessoas: as fracas e as fortes. Garoto, roubar não significa nada se você é forte. O mundo é dos grandes, abra os olhos e lembre-se: somos Uchihas.

Sasuke não via naquilo muita razão, por que ele roubaria se ao invés poderia fazer algo mais justo? Se bem que, desde que havia entrado na Akatsuki do Oeste roubar ou matar eram serviços praticamente comuns. Serviços mercenários eram sempre cheios de adrenalina, no entanto os assassinatos a sangue frio nunca lhe trouxeram satisfação. Apenas a morte de uma pessoa lhe interessava.

A porta bateu arrancando-o dos pensamentos.

Dois soldados do Fogo, com os símbolos dos Uchihas e do reino do Fogo estampados na armadura e nas capas de ombro entraram no estabelecimento, as bainhas balançando na cintura conforme caminhavam.

Me procuram por minha cabeça ou pela coroa?

Sasuke apostava mais na cabeça. Desde que tinha entrado na Akatsuki de Madara, via seu rosto — ou parte dele, pois costumava usar capuz quando saia em missão — pintado em pergaminhos de procura-se, por lordes, reis menores e até chefes de pequenas cidadelas. Aquilo de certa forma não o agradava, mas eram os ossos do ofício, como lhe falará Kakuzu certa vez, enquanto contava e avaliava, com leves mordidas, as moedas de ouro que havia ganho no saque de uma cidadela.

Olhou ao redor, os olhos pensativos e calculistas. Levou o líquido aos lábios deixando que o amargor invadisse a garganta. Torcia para não ser visto — estava na mesa do canto, coberto por sombras, atrás de várias outras mesas.

— Estou à procura de um rapaz, alto, veste preto e vermelho, possui uma katana e uma wakizashi presa nas costas — escutou o soldado pronunciar. A armadura fazendo barulho enquanto se mexia, as botas fazendo a madeira que cobria o chão ranger a cada passada.

Escutou alguns sussurros e murmúrios se espalhando pelo estabelecimento e de alguma forma soube que haviam lhe delatado.

Miseráveis. Mas não se mexeu, continuou olhando para a cerveja escura, não tinha nenhum plano.

Uma mão enluvada bateu na mesa, um pequeno cartaz de procura-se, com uma caricatura distorcida — metade do rosto estava coberta por um capuz enquanto a outra metade tinha uma face estranha da sua, a não ser pelo olho negro com falhas de manchas brancas onde deveria ser vermelho —, estendido logo abaixo. — Mostre o rosto.

Sasuke levantou a cabeça, deixando o homem observa-lo abaixo do capuz. Os olhos dando a resposta, então deu um sorriso pequeno e sem graça, escorregou lentamente a mão até o cinto, pegando uma adaga de caça com dois gumes e com um movimento do pulso escorregou-a para dentro da manga comprida do sobretudo. O homem à sua frente não usava elmo, deixando os cabelos castanhos e cacheados cobrirem as orelhas e metade do pescoço grosso onde uma cicatriz serpenteava se escondendo abaixo dos cachos. Tinha um nariz angular e um pouco torto, deixando claro que foi já fora quebrado, lábios finos e um tapa-olho de couro cozido.

—Posso ajudar em algo? — perguntou enquanto virava o restante da cerveja, pousando, em seguida, o corno na mesa.

—Vossa Graça, rei Fugaku do Fogo pede sua presença de volta ao reino — o homem falou alto o bastante para todos ali ouvirem. Sasuke travou os dentes. Então não era pela cabeça. — Pede sua presença vivo e não nos proibiu de feri-lo caso seja necessário, então para o bem de todos venha em paz.

Aumentou o sorriso falso, tentando deixá-lo cativante e levantou-se. O guarda estava perto o bastante. Com um único movimento enfiou a adaga na garganta do homem que, gritando gorgolejante, deu dois passos bambos para trás antes de se ajoelhar e cair de costas no chão, engasgando no próprio sangue e debatendo-se enquanto o líquido escarlate jorrava da perfuração e sujava o chão. Não demorou para que a taberna entrasse em caos.

Tinha sete metros até a porta. Sete metros que podiam decidir seu destino e Sasuke não iria se render sem lutar.

Dois homens vieram em sua direção como para segurá-lo, em reflexo Sasuke apoiou as mãos embaixo da mesa virando-a e a impulsionando em direção aos homens. Adiantou-se pegando a adaga ensanguentada que estava fincada no guarda já morto e deu uma cotovelada em um rapaz que tentou segurá-lo por trás.

Eram muitos, e cada vez parecia que a porta estava mais longe. Conseguiu derrubar mais um homem e furou o olho de um outro com a arma. A adrenalina começou a queimar em suas veias e tudo ficou muito mais claro e rápido, parecia que seu corpo se mexia sozinho; ele adorava aquilo.

— Parem! Parem! CHEGA! – gritava o dono da taberna, empunhando uma vassoura. — Minha taberna, pelos deuses! Vocês estão destruindo-a! Chega, chega! – De relance Sasuke o viu batendo em um homem que caiu no chão, o cabo da vassoura partiu com um estralo.

Subiu em cima de uma mesa tentando escapar das mãos que o tentavam segurar e chutou um outro bêbado no rosto.

Faltavam uns cinco metros.

Olhando ao redor, Sasuke notou que os únicos que não tinham se metido na luta para o prender eram o dono da taberna que gritava para que parassem e o segundo guarda que apenas observava deixando que aqueles bêbados fizessem seu trabalho.

Pulou em outra mesa, esta que quebrou sub seu peso e o levando ao chão. Antes que Sasuke se postasse em pé, mãos agarraram seu manto, puxando-o e prendendo-o. Dois homens, cada um segurando um de seus braços.

— Seus bastardos! Soltem-me! — rosnou tentando se liberar do agarre. Um terceiro homem, este de cabelos escuros, desferiu um soco em seu abdômen fazendo-o inclinar o corpo para frente em busca do ar, as pernas rapidamente ficaram bambas, contudo logo se estabilizaram.

Não demorou a se recuperar, quando o homem investiu novamente, Sasuke aproveitou que seus braços estavam presos e impulsionando o corpo para cima, chutou o homem, o impacto fez com seus seguradores afrouxassem o agarre, aproveitando-se disto encolheu os braços tirando-os de dentro do sobretudo. Livre. Socou o homem à sua direita e esquivou do ataque do da esquerda. Tinha perdido a adaga em algum lugar, mas não importava mais.

— Você é um guarda! Faça algo! Eles estão destruindo minha taberna! – O dono gritava para o guarda que estava parado perto do balcão.

Sasuke desembainhou a katana e a wakizashi e avançou com tudo. Cortando a mão, o braço e o rosto de quem se pusesse em sua frente. Enquanto desferia os golpes gritava cada vez mais alto para liberar impulso.

Dois metros.

Colocou a wakizashi entre os dentes, usando a mão livre para empurrar uma mesa em direção aos homens.

Mãos o tentaram barrar, puxando-o pelos braços e pelo sobretudo. Socou um homem no rosto, dando logo depois um chute lateral em outro que o puxava pela roupa. Unhas arranharam seu rosto de raspão e o punho estralou ao puxá-lo de um agarre.

— Segurem-no! – alguém gritou.

Merda.

Conseguiu sair em meio a socos e desvios, correu pelas ruas fugindo de alguns homens que persistiram em capturá-lo. Desviou de um carrinho de frutas jogando-se para o lado sem jeito, quase tropeçando nos próprios pés e continuou a correr, enquanto ao mesmo tempo vestia uma das mangas do sobretudo. Em tempos em tempos olhava para trás enquanto ouvia gritos e barulhos de pessoas reclamando de empurrões. O manto com nuvens esvoaçava enquanto corria, o suor salgado escorria pelo cenho, têmporas e bulso.

— Ali está ele!

— Parem –no!

— Saiam da frente!

A poucos metros avistou um homem prendendo o cavalo e entrando em uma loja. Seria sua saída dali. Pulou sobre um carrinho cheio de tortas fumegando puxada por uma senhora rechonchuda, caindo na ponta dos pés enquanto flexionava os joelhos de leve, não chegando a se agachar. Aproximou-se do cavalo e cortou a corda que o prendia na estaca com a katana, guardando em seguida as espadas.

Apoiou um dos pés no estribo, segurando a crina para pegar impulso. Um, dois, três. Ergueu-se, levantando a outra perna com um movimento circular. Puxou as rédeas apressado e bateu o calcanhar na barriga do animal.

— Espero que você saiba correr! — falou incentivando o cavalo.

***

Mordeu a maçã ignorando o sulco que escorria pelos cantos da boca. O céu estava sem nuvens e o vento estava calmo, balançando lentamente os capins da clareira, fazendo com que as folhas das árvores cantassem com o balanço dos galhos. Era realmente gostoso estar ali. Os capins faziam-lhe leves cócegas no pescoço e pinicavam as pernas por baixo da calça de algodão.

As vezes esquecia o que tinha para fazer, esquecia o que estava acontecendo e era momentaneamente feliz. Como naquele instante. Ali era só ele, a maçã e o vento. Bocejou sentindo um pouco de sono.

Desde que tinha escapado das masmorras — o que não foi fácil — com Kiba e o cachorro, Akamaru, Naruto tinha decido seu próximo objetivo: Iria ser rei; iria recuperar seu trono. Todavia para isso precisava de um exército o que um simples garoto de dezesseis anos tinha dificuldade em conseguir. Como não podia ficar muito próximo dos olhos do tio e Noha não era uma boa opção já que Kiba ainda o odiava, após ter conseguido sair da fortaleza roubou um cavalo e fugiu até o castelo do Lorde mais próximo onde esperava conseguir apoio e fechar um acordo. No entanto, nenhum nobre no qual pedirá ajuda quis se arriscar a enfrentar o reino da Terra e as forças do rei Nagato. Aquilo era um problema. Todavia já se passaram dois longos anos e Naruto tinha aos poucos colocado o desejo de ser rei no canto de seus pensamentos.

Levantou a mão observando o anel do pai, a única lembrança que tinha de seus dias como príncipe da Terra. Era de ouro e paládio, o aro era moldado em vinhas que se entrelaçavam ao redor do dedo até chegarem na galeria onde um raio estava esculpido cuidadosamente em alto relevo, olhando um pouco mais de perto consiga ver a letra N um pouco abaixo do raio. Aquele anel era o certificado de sua herança paterna, mas depois de expulso e dado como bastardo, o nome Namikaze caiu em decadência.

Mordeu a parte interna das bochechas lembrando-se do sorriso amarelo do tio, quando este foi visita-lo nas masmorras. Kiba estava dormindo de bruços no chão, roncando, Akamaru ao seu lado.

Havia escutado passos ecoando nos corredores e se apressou para as grades, então Nagato apareceu vestindo um gibão sem mangas e um manto vermelho, o redemoinho dos Uzumaki costurado com fios de ouro vermelho e cobre acima do peito esquerdo do Gibão. — Mandou-me chamar, querido sobrinho?

— Há mais dias do que posso contar —Naruto falou com raiva, está que o invadia cada vez mais apenas por olhar a coroa do pai sobre os cabelos ruivos do tio.

— Devo ter me atrasado um pouco. Mas fiquei bastante curioso, os guardas me contaram que ficava gritando e pedindo por seus direito. Conte-me — pediu com diversão na voz.

Naruto levantou a mão mostrando o anel dos Namikaze. — Eu tenho direito de sair daqui como um Namikaze. Solte-me.

— Está me oferecendo dinheiro? — Uma risada grave saiu dos lábios do tio. — Os Namikaze cairão assim que assinaram o contrato com os Uzumaki, sobrinho. O que seu tutor o ensinava?

Naruto não respondeu. Tinha lido frases do contrato quando menor, mas não lembrava-se de nada parecido. — O quer dizer?

— Vossa Graça — o tio adicionou. Mas Naruto não pronunciou as palavras, se negava a aceitá-lo como rei. — Bem, como sabe, o casamento de minha amada irmã e o seu pai veio junto a um contrato cheio de clausulas. A última destas fazia os Namikaze entregarem de livre e espontânea vontade metade da fortuna ao reino. — Nagato levantou a mão calando o sobrinho que já ia protestar. — A outra parte da fortuna dos Namikaze, eu como rei e suserano tive a autonomia de leiloar, já que não possuía nenhum dono e meu amado sobrinho é jovem demais para lidar com tanto dinheiro.

—Para que me deu este anel?!

—Para guardar de lembrança, é claro. — Ele fez uma pausa observando o rosto inexpressivo do sobrinho. — Eu bem pensei em mandar os ferreiros derreterem junto com o ouro das novas ferraduras de meu garanhão, mas imaginei que fosse querer guardá-lo. Mas chega de papo, tenho ir, afinal, o Tratado dos Quatro Anos não vai se renovar sozinho.

Abaixou a mão lentamente, afundando os dedos na terra fértil enquanto saia do devaneio, sentindo por baixo das unhas a pressão da areia semiúmida. Aquilo já fazia dois anos e os sentimentos dos dias que passou trancado nas masmorras ia aos poucos esvaindo de sua mente.

— Menma! — escutou ao longe e levantou o tronco do chão para olhar de onde vinha a voz.

— O que aconteceu?

— Recebemos notícias de que a Akatsuki Oeste vai atacar a cidade da Estrela durante o festival do trigo.

— Hã? Para que?

— Vai saber. Roubar algo talvez.

— E qual a novidade?

— Vamos sair do tédio.

—Hum... Parece interessante — Naruto comentou indo em direção a Sai. — Quantos dos nossos foram reunidos?

— Até agora só nós dois, estávamos mais pertos do esconderijo. — Deu de ombros. — Talvez apareça mais alguém até a amanhã de manhã.

— Seria bom.

O esconderijo ficava em uma caverna, abaixo da Cachoeira de Gelo, a uns cinco quilômetros de onde se encontravam.

Enquanto andavam por uma trilha de caçadores, Sai retirou um papel enrolado da bolsa e o mostrou a Naruto. —Eu poderia conseguir dinheiro com você, o que acha?

Naruto encarou o cartaz com, pelo menos o que era para ser, sua caricatura. Tinham-no desenhado com um olho maior que o outro e nariz chato. Em cima estava escrito: Procura-se; e logo abaixo em letras grandes: QUATRO BOLSAS DE OURO. VIVO OU MORTO.

Tomou o papel de Sai e o rasgou em tiras. — Vai a merda, Sai.

Rindo da reação do outro Sai perguntou: — O que você está escondendo da organização? Por que estão lhe perseguindo?

Naruto tinha descido não contar a ninguém da organização, a não ser ao velho Hashirama. Todos na Akatsuki do Leste tinham o passado omitido, e o passado de ninguém interessava aos demais.

Andaram por quase três horas até chegar na Cachoeira de Gelo, tal nome era dado pelo espetáculo que ela fazia no inverno com suas águas refletindo a luz do sol no inverno.

Passaram por uma estreita fissura que separava a cachoeira da entrada da caverna. O interior era iluminado por grandes archotes que seguiam um corredor até o local onde reuniam-se, era um salão circular, as tochas presas nas altas estalagmites que subiam em direção ao teto alto da caverna. Tinham contado a Naruto no dia me que entrou lá pela primeira vez, que um dia aquele salão já fora preenchido com várias pessoas e em todas havia apenas o desejo de trazer a paz ao continente. Chegava a ser triste vê-lo tão vazio.

— Chegamos, velho Hashirama! — Naruto falou, alto o bastante para ressoar nas paredes.

Sai tinha saído do seu lado e se sentado no chão encostando em uma estalagmite. O velho Hashirama estava sentado em uma rocha alta comendo algo que Naruto não conseguiu enxergar. Vestia os trajes da Akatsuki leste: um sobretudo cinza escuro de mangas largas e cumpridas, uma faixa mais clara circulava o tronco, acima desta um cordão marrom tinha a mesma função de um obejime – que as moças usavam para segurar o obi dos quimonos.

— Sai contou a missão? — O velho Hashirama perguntou, as palavras ecoando na caverna.

— Ir para a cidade da Estrela e proteger seja lá o que dá Akatsuki do Oeste.

Hashirama suspirou colocando a comida na boca. — A missão de vocês é proteger a estrela da cidade.

— Eles tem uma estrela?

-— Não seja tão idiota, Menma! Não é de verdade — Sai falou enquanto esculpia algo na estalagmite. A maioria das estalagmites e as baixas estalactites tinham desenhos esculpidos, alguns com mais pormenores que outros. Sai era um artista incrível, ninguém podia negar. Quando não tinham missões, Sai ganhava a vida como pintor e escultor.

— Eu não disse que era — Naruto rebateu.

— A estrela é de ouro maciço, em seu centro à um diamante roxo — Hashirama disse.

— Roxo? – Sai e Naruto pronunciaram na mesma hora.

— Sim, sim, como puderam notar, não é nada comum.

***

Fazia duas horas que havia despistados os homens da taberna.

Não entendia por que o pai tanto o queria de volta na corte, fizera uma promessa a si mesmo quando pousou a coroa e foi embora, promessa esta que dizia que só voltaria a pisar naquele chão quando se vingasse pela morte da mãe. Se o pai realmente o quisesse lá teria ele próprio reclamado pela morte da esposa ao invés de ter aceitado termos tão crus em troca do perdão pelo assassinato da rainha.

Estava a um trote lento com o cavalo, pensando nos dois anos que saiu do reino do Fogo. Tinham sido bem aproveitados, Sasuke aprendeu mais na estrada do que com o tutor dentro de uma biblioteca lendo e lendo. Ele havia ganhado experiência, tanto em lutas corpo à corpo como também sobre como lidar com as pessoas. E havia aprendido também a tirar vidas, apesar de que no fundo ele não tinha nenhum prazer com aquilo, para Sasuke apenas uma vida lhe traria prazer em tirar. A vida do homem que assassinou sua mãe.

O sol estava se pondo quando ele avistou nuvens escarlates brilhando contra o negro. Akatsuki do Oeste. Apressou o trote do cavalo até alcançar a figura alta. O homem carregava um tipo de foice, o cabo com quase um metro e setenta que apoiava três lâminas: a de cima possuía sessenta centímetros de curvatura e as outras duas eram ligeiramente menores, estava apoiada em um ombro, uma corrente de aço ligada a foice estava presa no braço por baixo da manga do manto.

— Hidan! — Sasuke cumprimentou parando o cavalo em frente ao homem que murmurava algo sozinho, logo levantou a cabeça para o menino em cima de um cavalo.

— Ora, se não é o pequeno Uchiha. Está indo pra reunião também?

— Reunião?

— Não foi avisado? — Sasuke não respondeu e Hidan continuou: — Eu estava em meio a minha oração para com meu Deus e o merda do Sasori me atrapalhou para comunicar sobre essa maldita reunião — estralou a língua descontente.

Sasuke assentiu compreensivo. — Então nos encontraremos lá. — Bateu novamente os estribos deixando Hidan para trás com seus murmúrios.

Até que aquele cavalo corria bem apesar de não ser nenhum palafrém e provavelmente não possuía uma raça pura. Manteve um galope firme pela estrada de barro até ter que entrar no bosque. Sasuke odiava cavalgar em lugares com muitas árvores, sempre tinham galhos no caminho preparados para derrubá-lo do cavalo e deixá-lo arranhado.

Continuou o caminho com o corpo inclinado para frente, baixo, afim de não ser pego desprevenido por algum obstáculo. Um pouco mais à frente avistou um tronco caído e aumento o passo do cavalo, preparando-se para um salto. Estava cada vez mais perto, Sasuke ouvia os cascos quebrando galhos e folhas secas abaixo de si. Ele ia saltar.

Puxou levemente as rédeas para avisar o cavalo e bateu os estribos com força. O cavalo parou e levantou-se nas patas traseiras quase derrubando Sasuke que se segurou nas rédeas com força. O cavalo então caiu de quatro no chão com um impacto surdo e o Uchiha xingou até a segunda geração do animal.

Soltou a ar e bateu os pés no flanco do cavalo novamente, iria dar a volta.

Passou por um riacho raso e subiu a encosta. Entrou em uma trilha de cervos e continuou em frente. O esconderijo ficava por ali. Em uma caverna dentro de um vale de uma chapada. Aos poucos as árvores foram diminuindo e o vale apareceu logo à frente. Desmontou do cavalo logo na entrada e seguiu a pé por entre rochas e pequenas árvores que arriscavam crescer ali.

Logo que se aproximou da entrada da caverna escutou um tipo de grito e se apressou para chegar no centro onde normalmente se reunião.

Madara estava inclinado em uma parede, os braços cruzados sobre a placa de peito vermelha. Kakuzu, Olho de Ouro e Sasori, da Areia Vermelha se encaravam em lados contrários e outros membros se espalhavam pela caverna, com suas carrancas resmungonas, alguns com cicatrizes feiosas estampadas no rosto devido a algum combate.

Todos tinham virado o olhar para ele quando entrou na caverna. O fogo das tochas fazendo suas manchas oculares cintilarem. — O que está acontecendo aqui? — quis saber.

— Vamos ficar ricos —Kakuzu falou desviando o olhar de Sasori. — A Cidade da Estrela vai exibir a própria estrela com o diamante roxo.

Sasuke tinha ouvido falar sobre tal estrela, mas nunca procurou se aprofundar. — Quero ir — falou encostando na parede da caverna ao lado de uma tocha. — Quero ver esse diamante com meus próprios olhos.

— Vai com calma, pequeno Uchiha, não precisamos que todos apareçam lá — Madara falou, a voz grave ressoando nas paredes. — Kakuzu já se ofereceu para ir junto com Hidan.

— Pensei que o odiasse — Sasuke falou para Olho de Ouro.

— Gosto de como ele luta.

— Hidan nem chegou aqui! Eu vou no lugar dele — Sasori disse paciente.

— Não preciso de um pirralho me atrapalhando — Kakuzu falou e risos ecoaram nas paredes.

— Pirralho é o caralho. — Sasori declarou calmamente. Apesar de ter uma aparência jovem Areia Vermelha era muito mais velho que Sasuke. — Ninguém lhe designou como líder dessa missão!

— Muito menos você — Kakuzu respondeu sério.

Não demorou para Sasori atingisse um gancho no rosto de Kakuzu. A caverna ficou em silêncio. Olho de Ouro massageou o maxilar por um breve momento antes de partir pra cima de Sasori.

— Vai Sasori! — Algum homem gritou e logo os outros se juntaram ao grito. Alguns gritavam por Sasori e outros por Kakuzu.

— Quem perder vira mocinha! — outra pessoa esbravejou gerando algumas risadas.

Sasuke se manteve imparcial, já estava acostumado a conviver com aqueles homens, mas não havia perdido o orgulho e a educação que havia recebido como um Uchiha.

Quando voltou o olhar para os combatentes viu que Kakuzu estava preso no chão, a bota de Sasori sobre sua garganta.

— Mate-o! — Um homem gritou, este não possuía metade do nariz.

Era tudo uma confusão de urros e gritos.

Ouviu Sasori soltar um grito ao sentir um soco direto entre suas pernas, ajoelhou-se. Kakuzu que tinha o nariz e os lábios sangrando, levantou-se e o chutou no rosto.

Sasuke está jurando que iam se matar quando Madara se pronunciou.

— Chega! Eu que decido as coisas aqui. — Madara interrompeu impaciente. — Todos viraram para ele. — Kakuzu, Sasuke e Sasori. Quero aquele diamante em minhas mãos em três dias.

Notas finais
E então? O que acharam? Vou aproveitar minhas férias para postar mais regularmente. Prometo. Eu fiz um facebook a um tempo, caso queiram me adicionar é Miahwe Tees.