O Destino do Amor
6 Capítulo 6 - A Casa do Duque
Notas iniciais

Dançar com Peter era como estar no paraíso. Com certeza, se tivesse morrido e ido aos céus, seria assim que se sentiria. Totalmente enlevada. Encantada. Serena. Suave como uma pluma.
O modo como seu amado a segurava. Como sorria. Como lhe falava algo gentilmente todas as vezes em que se aproximavam. Cada gesto tendo o poder de fazer a mente feminina ir mais longe e imaginar como seria estar casada com ele. Dias de felicidade, de amor, de sonho... mas, sua realidade era outra. De relance passou os olhos para o lugar onde seu noivo se encontrava. Jon os observava com o semblante fechado. Definitivamente o incomodara. Só que isso pouco importava. Aqueles poucos momentos de felicidade valeriam por todos os próximos dias... pelos próximos meses, provavelmente anos, de infelicidade.
A orquestra silenciou, as pessoas aplaudiram, Peter inclinou-se agradecendo a dança, ela retribuiu o cumprimento e estava se preparando para aceitar o braço dele quando viu Leisa vindo em sua direção. Ela estava seria. O que teria acontecido?
— Sir Mitchell, obrigada pela dança... – desculpou-se quando retirou a mão do braço dele — mas preciso falar com minha criada.
— A vontade... – o rapaz falou baixo, fixando os olhos nos dela com tanta intensidade que Annie sentiu a face avermelhar.
Leisa, parada na beirada da pista de dança estava com uma expressão preocupada no rosto. Assim que a ama se aproximou a mulher tratou de conduzi-la em direção ao corredor, onde poderiam falar com maior privacidade.
— Aconteceu alguma coisa? – Annie perguntou nervosa.
Leisa sussurrou, não queria ser ouvida por algum curioso.
— Seu pai esta furioso com a senhorita...
— Por que aceitei dançar com Sir Mitchell? – só poderia ser isso.
A outra moveu a cabeça positivamente.
— Meu pai já não tem tanta autoridade assim sobre mim. Quando meu próprio noivo oferece a oportunidade de tomar a decisão, eu tomo.
Leisa não pensava como sua patroa:
— Mas Sir Carter...
De repente a figura irritada de Jon surgiu na porta, encarando e interrompendo as duas. Com a voz engasgada, que Annie reconheceu como um sinal de ira, logo mandou Leisa sair. Ele estava furioso sim. Achando que poderia mandar nela. Em suas decisões. Pois estava enganado. O trato dizia respeito a manter-se fiel no que se referia a procriação. Não no que dizia respeito a sentimentos.
A irritação dele não a intimidaria.
Quanto mais falavam, mais zangado o futuro Duque ficava. O homem prático que lhe fizera uma proposta conciliadora já não estava mais ali. Aquele era outro. Colérico. Furioso. Um verdadeiro monstro. E pensar que aquele era o homem com quem ela se casaria. Definitivamente seu mundo se transformaria em um verdadeiro martírio. Não havia modos de ser diferente.
Quando eles finalmente retornaram ao salão de baile, como um guardião, Jon não se afastou mais do lado dela. Mantinha a noiva presa a si onde quer que fosse. E só a liberou na despedida, quando praticamente todos os convidados já tinham ido, principalmente Peter Mitchell.
Mas a noite não acabou para Annie, ela ainda teria de ouvir as recriminações do pai. Os olhares acusadores da madrasta. E enquanto escutava silenciosamente tudo o que lhe era dito, Annie pensava que ali, entre sua família, nunca haveria qualquer tipo de apoio. A única pessoa com quem poderia falar abertamente surgiu apenas na manhã seguinte.
Daisy chegou cedo, mais cedo que de costume. Queria muito saber como Annie via o futuro noivo.
— O detesto! – ela disse com todas as letras quase assustando a outra devido a ferocidade com que as pronunciou – Ainda mais do que detestava antes. Jon Hawkins é grosseiro, falso, autoritário, mimado... – só não falou nada sobre o trato que o futuro marido lhe propusera. Não estava preparada para falar sobre isso ainda.
— Mas permitiu que você dançasse com Peter... – a outra lembrou com um sorriso malicioso.
Nesse momento, ao escutar o nome do homem amado a postura de Annie se modificou.
— Ah Daisy! Aquele foi, sem dúvida, o melhor momento da festa! Foram os únicos minutos em que me senti realmente feliz. Parecia o paraíso estar tão perto dele, ao som da música perfeita...
Daisy se aproximou da amiga, precisava contar sua impressão da dança, passara a noite em cólicas com as ideias fervilhando na mente.
— Acho que Sir Mitchell não lhe é indiferente.
Os olhos castanhos de Annie se arregalaram diante da perspectiva de ser correspondida.
— Seriamente? Você acredita que pode ser verdade?
Daisy agitou a cabeça em concordância. Sim, ela cria, e não apenas ela.
— O modo como ele olha para você... não posso estar enganada... até George percebeu.
George e Peter se conheciam há anos. A opinião dele era válida.
— Seu irmão? O que ele disse?
— Disse que acreditava que Peter havia sido fisgado pela mulher errada.
— Como assim mulher errada? O que isso quer dizer?
— Você é tão inteligente Annie! Não é obvio? Ele está apaixonado pela mulher errada, alguém que já está comprometida com outro homem.
As duas sorriram ao mesmo tempo percebendo a possibilidade de que essa mulher fosse Annie Carter.
— Será? Será que ele sente algo por mim? – perguntou sonhadora. Mas, a alegria se foi em questão de segundos, atirando-se sobre o encosto do sofá Annie relembrou a amiga de seu destino – Mesmo que seja. De que ganho se o homem que amo me ama? Não poderei estar com ele. Nunca!
Daisy não via a situação da mesma forma pessimista.
— Não se sabe nada do futuro minha querida amiga. Jon Hawkins tem tantos inimigos. Leva uma vida desregrada...
Apesar de compreender o que a amiga dizia, Annie se fez de desentendida.
— O que está insinuando?
— Nada... – Daisy moveu as mãos num gesto aleatório — mas, se ele continuar como está, qualquer dia um marido ciumento ou alguém que arruinou, acaba com a vida dele. Ao menos é assim que George pensa...
Annie sentiu um arrepio correr por sua coluna. Ela detestava o futuro marido, mas não seria essa a melhor forma de se ver livre de Jon Hawkins. E além do mais, a união deles se estenderia por pouco tempo. Logo após a concretização do acordo, estaria livre do marido. Então, ele poderia se regalar com as mulheres que desejasse, e quem sabe ela teria a sorte de ainda poder contar com a afeição de sir Mitchell. Suspirou. Mesmo que não estivesse totalmente certa disso. Se sentia propensa a crer nas palavras do homem de cabelos encaracolados. Precisava crer nelas para seguir em frente com o noivado e o casamento.
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O casamento se daria em uma semana. Havia pouco tempo para resolver tudo. Jon carregara Hilda com ele para organizar a casa onde pretendia morar com sua esposa. Era a casa usada por seu pai antes de herdar o título. O futuro Duque morara ali até os três anos, e não podia dizer que tinha boas lembranças daquele lugar.
— Sua noiva deveria vir para determinar... — uma voz serena falou perto dele.
— Determinar o que? – Jon perguntou irritado sem se voltar. – Onde e como devem ser as coisas? — ele tinha uma teoria para isso. — A senhorita Carter não está interessada!
Hilda, a pessoa que o acompanhava e ordenava o que deveria ser feito, insistiu:
— Mas, está tudo ainda como sua mãe deixou... – naquele momento sua antiga babá ajudava os criados a retirarem os tecidos que recobriam os pesados móveis. — Uma mulher gosta de viver em um ambiente onde encontre seu próprio toque. — quando terminou de falar ergueu os olhos e observou o patrão rapidamente.
Jon nada disse. Se sentia irritado com a noiva. Entretanto, ao mesmo tempo, sabia que Hilda tinha razão. Talvez devesse deixar sua zanga de lado e buscar um acerto. Erguendo o corpo olhou em volta.
As paredes estavam pintadas. As janelas limpas. O caseiro mantinha tudo em ordem, e consertava o que por acaso estragava. Mas com uma nova dona, algumas mudanças nos móveis ou cortinas sempre deveriam ser feitas.
Dando as costas para os trabalhadores, Jon caminhou até a enorme janela que dava para o jardim florido pelas últimas representantes do verão. Realmente, ainda se sentia irritado com Annie. Mas sua proposta fora de manterem uma relação cordial. Por que não começar agora? Se perguntou. E por causa desse pensamento, num ímpeto, mandou chamá-la. Enviou a própria Hilda com uma mensagem pedindo à noiva que viesse até a casa onde eles viveriam para dar seu aval no que estava sendo feito e modificado.
Annie assim que leu o bilhete numa letra estreita e bem desenhada, desejou ardentemente recusar. Mas, a madrasta não permitiu que assim fizesse. E em poucos minutos, quatro mulheres se dirigiam à residência do filho do Duque de Hawkins, na carruagem dele, para conferir as mudanças lá realizadas. E provavelmente promover outras.
Quando ouviu a porta se abrir e por ela cruzar Hilda, Hellen, a aia de sua noiva, e finalmente ela própria. Jon sentiu um leve embrulho na boca do estômago, mas o rechaçou rapidamente. Puxando o ar com rapidez retomou a presença de espírito. Não percebera o quão tenso estava até que aquela bendita fresta se abriu dando passagem ao grupo feminino.
Annie ingressou na casa ainda de touca na cabeça, os cabelos claros escondidos sob uma camada generosa de tecido com uma aba frontal, que a protegia do sol. Séria e ao que lhe parecia, levemente contrariada não o observou diretamente.
— Bom dia! – ele disse baixo, não a via há exatos três dias, desde o noivado. E surpreendeu-se ao considerá-la mais bonita a luz do sol do que acreditara que fosse a luz de velas. Os lábios rosados a contrastar com a pele clara. O vestido suave de verão mostrava mais do que escondia. Pequenos detalhes que o obrigaram a constatar que era capaz de desejá-la.
— Bom dia sir Hawkins! – Hellen foi a primeira a falar, em tom de bajulação, e foi literalmente ignorada. O futuro duque só tinha olhos para a noiva.
Annie desamarrou as fitas e retirou o chapéu antes de encarar o noivo. Novamente admirando-se por sua aparência pouco convencional. Apesar de trazer os cabelos crespos soltos, Jon não se vestia como na noite em que se conheceram. Estava apenas de camisa e colete. A gola aberta deixava a mostra uma parte do pescoço e da pele do peito. Considerando aquela imagem inapropriada, pois ele sabia que elas chegariam, desviou o olhar antes de cumprimentá-lo.
— Bom dia...
Jon se aproximou, as mãos dela estavam sem luvas, e quando a segurou pode sentir toda a suave macies da pele feminina sob seus lábios. Sim, ele era capaz de desejá-la, com bastante intensidade até. Controlando a respiração ele tentou falar:
— Hilda considerou adequado que você viesse as mudanças que empreendemos e que opinasse quanto as alterações que talvez gostaria de fazer.
Annie ainda sentia a pele da mão arder pelo toque quente dos lábios úmidos dele, e foi com olhos desfocados que observou o entorno.
— É seu desejo receber minha opinião? – perguntou de repente sem encará-lo.
Ela nunca confiaria nele. Mas também era verdade que se não fosse por Hilda, ele não teria atraído a noiva para aquela casa, com o intuito de tomar-lhe opinião. Com esse pensamento. Jon a desculpou pela falta de confiança.
— Sim... você também viverá aqui. É adequado que se sinta bem.
Um longo suspiro escapou pelos lábios femininos. Era melhor aceitar aquela desculpa e fazer o que lhe pediam. Ao menos na frente da madrasta.
Annie deu alguns passos movendo-se com calma, observando. O hall era grande. Ao fundo, uma sala enorme se estendia, a direita a escadaria que levava ao segundo piso. Janelas envidraçadas davam para um jardim perfeito. Ela quase perdeu o fôlego diante daquela imagem. Pensar em passar ali, algum tempo, lendo ou apenas contemplando lhe pareceu uma boa ideia.
Seus olhos correram para Jon, ele olhava na mesma direção que ela antes, havia um leve sorriso em seus lábios grossos. Ele também gostava daquela imagem.
— Este ambiente é muito bonito. – falou com sinceridade e o futuro marido a observou ainda com o sorriso nos lábios. Jon era quase um homem normal quando estava relaxado daquele jeito. Em nada lembrava o autoritário mimado que a intimidara na festa de noivado. – Gosto dele do jeito que está. – concluiu.
— Sim... eu também. — foi a resposta sucinta. E, enquanto respondia, Jon percebeu que se fixara nos lábios dela e logo tratou de mudar o assunto – Mas há ainda outros cômodos para ver... sua sala particular e especialmente seu quarto. Poderá fazer as alterações que desejar por lá.
— Onde ficam? – ela perguntou interessada. Quando recebera o bilhete não acreditava que se importaria tanto em dar opinião sobre o lugar onde viveria os próximos anos de sua vida.
— No segundo andar... venha comigo. – ele lhe ofereceu o braço, que ela foi obrigada a aceitar e o grupo todo seguiu para o lugar indicado por Jon.
A primeira porta era a biblioteca, não muito grande. Depois, uma saleta de música com gigantescas janelas coloridas. Mais ao final do longo corredor uma peça grande, bem iluminada seria a sala particular de Annie. Jon não ingressou, ficou parado a porta, apenas as mulheres entraram. Quando criança ele não tinha autorização para acessar aquele espaço. E incrivelmente até aquele momento, apesar de sua imensa capacidade em burlar regras, essa regra em especial parecia valer.
— Posso mesmo mudar o que quiser? – Annie lhe perguntou enquanto observava o lugar de forma encantada.
— Tudo o que desejar. – ele concordou e se surpreendeu quando sua futura esposa o observou com alegria estampada nos olhos castanhos, surpreendeu-se ainda mais pela satisfação que sentia em fazê-la feliz. – Hilda a ajudará.
Annie virou-se para a mulher e as duas começaram a falar sobre o que poderia ser feito naquele ambiente. Havia poucos dias para as modificações, mas, a filha do conde logo descobriria que uma das principais qualidades de Hilda era a eficiência. E também, o quanto se sentia satisfeita em poder fazer algo por si. Sem que alguém lhe desse ordens.
O próximo cômodo que exigiria a atenção de Annie era o quarto. Jon sabia que aquela era a peça que sua mãe mais detestava. O Duque a colocara no pior lugar da casa para manter-se afastado da esposa. Era gélido no inverno e muito quente no verão. Dava para as cavalariças, não servia para sua mulher, então decidiu que lhe ofertaria outro.
— Hilda... – chamou antes que o grupo tivesse saído da sala particular de Annie. A mulher imediatamente o atendeu – Você conhece esta casa tanto quanto eu... o melhor quarto é aquele que fica ao lado do que será meu não é?
— Sim... – a mulher concordou.
— Então, é para lá que deverá levar minha noiva. Esqueça o quarto de minha mãe. Não a quero lá.
— Farei como deseja. – Hilda concordou, mostrando no olhar a aprovação para o comportamento do futuro Duque. — Você não irá conosco?
Jon negou com a cabeça.
— Tenho um compromisso agora.
Os olhos de Hilda rapidamente expressaram o que lhe ia pela cabeça. Jon logo tratou de desfazer o pensamento errôneo.
— Não me olhe assim. Não farei nada demais. Tenho um encontro de negócios.
— Conheço seus negócios Jon.
Ele sorriu.
— Não se trata “desse tipo” de negócio... lhe garanto.
As afirmações dele não eram garantia.
— Tome cuidado! Não gosto dessas pessoas com quem trata. Você faz tantos inimigos... não pensa no futuro?
— Que futuro? – ele perguntou ainda sorrindo, antes de observar Annie. Ela parecia uma criança feliz com um brinquedo novo. Seria bom se os dias deles fossem assim, repletos de animação, sorrisos e alegria. – Confio em você. Cuide de tudo.
— Você não vai se despedir? – ela ainda tinha o poder de dar-lhe ordens como se fosse o menino de anos atrás? E ele ainda obedecia, quando queria, mas obedecia.
— Claro que vou!
— Então entre... – a mulher saiu da frente para que ele pudesse entrar. – Sua mãe não está mais aqui... você pode entrar.
Ele suspirou agradecendo por Annie e sua madrasta estarem tão entretidas com outra coisa para perceberam o quanto aquele simples passo lhe custava.
Sorridente, Annie se voltou e deparou-se com a figura do noivo parada no meio do cômodo a observá-la. Estava tão animada que esquecera por completo que ele estava ali. Aquele era o ponto negativo de toda a animação, um ponto tão negativo que o sorriso sumiu dos lábios femininos.
— Tenho um compromisso importante com meu pai. – ele informou sério — Vou deixá-las com Hilda, tenho certeza de que ela as atenderá como deve. E qualquer pedido, qualquer alteração, minha governanta saberá guiá-las.
Se aproximou da futura sogra e a cumprimentou delicadamente sem tocar os lábios na pele da mulher.
Depois, voltou a atenção para a noiva. Annie o encarava com suspeita. Demoraria até que a garota lhe dedicasse algum tipo de confiança. Se é que esse dia chegaria.
— Espero que tudo seja resolvido como você desejar... – sussurrou segurando a mão dela, afagando a pele delicada com o polegar.
— Obrigada! – Annie conseguiu dizer antes que os lábios quentes dele tocassem sua tez nua outra vez.
Jon ergueu-se, sorriu e saiu em passos rápidos, deixando atrás de si o aroma de verão e charuto que o acompanhava sempre. E o passeio, inusitadamente, perdeu um pouco da graça. Já não havia quem ignorar ou provocar.
No final da manhã, quando finalmente regressou à casa do pai, Annie encontrou Daisy a sua espera. A garota fora visitá-la como sempre, mas não a encontrando em casa soube logo que a amiga fora à futura residência. Sendo assim, decidiu esperar porque estava muito curiosa. E tratou de fazer com que a amiga contasse tudo tão logo retornou. Mas antes que a futura duquesa pudesse dizer alguma coisa, Hellen desandou a tagarelar sobre a imponência do lugar. Sobre a grandiosidade dos cômodos. Sobre a qualidade dos móveis. Sobre o quanto a enteada estaria bem instalada. Além de salientar em quase todas as frases a generosidade do futuro Duque em permitir que a noiva escolhesse e modificasse o que quisesse na residência.
— É verdade Annie? — Daisy questionou com os olhos arregalados pela surpresa.
— Sim... – ela concordou sentindo-se enganada. Uma descoberta se descortinava diante de seus olhos. Fora esse o motivo do chamado. Jon Hawkins queria se mostrar como um homem generoso. Como um futuro esposo dedicado, atencioso. E agora esse seria o assunto da casa pelos próximos dias, até a cerimônia. A benevolência de seu futuro marido. Sem falar que suas reclamações quanto ao casamento arranjado perderiam totalmente a razão de ser. Ela seria considerada ingrata por não dar o devido valor a um marido tão “bom”.
— Você acredita que foi por isso que ele a chamou lá? – Daisy perguntou quando a amiga lhe expôs a teoria recém formulada.
— Certamente que foi! Por isso aquele sorriso. Por isso aquele comportamento cordial!... eu sou uma idiota Daisy... quase acreditei que ele pretendia uma boa convivência...
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