O Destino do Amor

27 Capítulo 27 - Epílogo - Melanie


Notas iniciais
Cá estou. Último capítulo. Tomara q esteja bom. Se vcs concordarem comigo, a vida é um eterno movimento, e a deles se movimentou antes, e vai continuar se movimentando depois. Então um breve instante na vida dos Hawkins... Capítulo dedicado a Saraholi, FZabine e MOMO pelas lindas recomendações, adorei, amei. Pulei de felicidade quando a li as palavras carinhosas de vcs, OBRIGADA DE CORAÇÃO.

Thomas ingressou pela porta do corredor, depois de largar o cavalo na cavalariça e espipou a cozinha vazia. As botas repletas de barro foram arrancadas dos pés e largadas num canto. Os cabelos claros, e um pouco mais longos do que o convencional finalmente apareceram quando ele afastou o chapéu da cabeça.

Seus passos compridos o conduziram para dentro do cômodo, em direção ao balcão, onde Hilda guardara uma fornada de broas. Silenciosamente, ele enfiou uma na boca e três ou quatro delas no bolso do casaco antes de pé ante pé, escapulir da peça.

Mas...

No hall, topou com a mãe a conversar com a mesma Hilda, de quem ele roubara as benditas broas segundos antes. Que droga! Pensou. Pego no flagra quando as duas o olharam e viram sua bochecha cheia.

— Boa tarde... meus amores! – ele disse engolindo a seco a broa inteira que desceu apertando o peito.

— Thomas! Onde você estava? – Annie reclamou encarando o filho totalmente descomposto.

Batendo com o punho no peito o rapaz pediu para a mãe esperar, a coisa estava complicada ali.

— Você já passou pela cozinha? – Hilda perguntou percebendo o volume nos bolsos e internamente sorrindo satisfeita.

— Ah sim... peguei uma broa... que, Hilda, como sempre estão deliciosas.

Aquele ar de menino sedutor não rendia com a mãe o mesmo resultado que rendia com Hilda, ele sabia e já se preparou para o que viria.

— Seu pai estava procurando você. – Annie avisou encarando os pés descalços do filho mais velho.

Não importava que Thomas se parecesse fisicamente com ela. Ele definitivamente tinha o temperamento de Jon. Aos dezesseis anos, ele escapulia para passear sozinho, vaguear, pescar, descobrir. Estava sempre em uma busca por alguma coisa. Especialmente, por um machucado novo.

— Thomas... – era ele.

Oh como ele estava cansado do próprio nome. Nem mesmo no período de férias estava livre de obrigações. Seu pai estava sempre enumerando coisas a serem feitas. Por que ele não exigia a mesma coisa de seus irmãos mais novos? Harry podia sentar e ler seus livros em paz. Melanie era a dondoca da casa e Saimon, o caçula, podia correr para onde quisesse que ninguém dizia absolutamente nada! Já ele...

— Thomas... – droga era melhor correr e ver o que o pai queria desta vez.

Fazendo uma reverência torta ele sumiu pelo corredor. Annie desviou os olhos para Hilda que sorria encantada. A governanta se encarregava de mimá-lo desde sempre. Porém, pensava a nova Duquesa, era muito provável que se Jon não tivesse recebido tanto amor da mulher, acabasse se tornando um homem bem diferente do que era.

******************

Annie cadenciadamente subiu as escadas, precisava conferir a arrumação das bagagens, não gostava de voltar para a cidade, mas era preciso. Porém, antes de chegar aos quartos se deparou com a filha a brincar em sua sala particular. A garota de oito anos tinha lindos cachos castanhos como os do pai. Seus olhos eram espertos, atentos e por diversas vezes ela vencia discussões sobre os garotos mais velhos.

— Está tudo pronto? – perguntou se sentando diante da garota.

O período de férias acabava, a tutora voltaria a dar aulas. Annie não queria imprevistos como os que aconteceram no ano anterior quando Melanie deixara sua boneca favorita para trás e por causa disso chorara por vários dias.

— Sim mamãe...

— Você viu seu irmão?

A menina não desviou os olhos do ato de escovar os cabelos de uma bebê rechonchuda para atender a pergunta.

— Qual deles?

— Saimon... – esse tinha o poder de desaparecer como que por mágica.

Entretanto, Melanie sabia onde o irmão estava:

— Ele está com o papai no escritório.

Jon, Saimon e Thomas no escritório? Meu deus! O que estaria acontecendo lá? Sem pensar duas vezes ela deu meia volta e desceu as escadas em direção ao escritório do marido.

Assim que ingressou no cômodo perguntou:

— Saimon está com você Jon?

Sim, ele estava, e não apenas ele e Thomas, mas Harry também estava lá. Os dois mais velhos, sentados calados, de cabeça baixa, com certeza estavam ouvindo mais um sermão por causa das brincadeiras realizadas na noite anterior. Annie se obrigou a fechar a cara antes de se acomodar atrás da cadeira onde o marido estava.

Saimon com seus olhos escuros a encarou de sua posição estratégica, sentado na perna de Jon, e sorriu. Se Thomas era parecido com ela. Saimon era igual a Jon.

— Agora subam. – Jon determinou no mesmo tom imperativo que usara para discipliná-los — Joseph estava organizando as coisas de vocês! Mas é obrigação de vocês concluírem o trabalho! – a dupla se olhou rapidamente e em silencio saiu. A conversa estava terminada, mas a provocação entre eles não tivera um fim.

Saimon saltou da perna do pai e correu atrás dos mais velhos. Annie vendo que a intenção do caçula era perturbar, desejou que Hilda estivesse por perto para amenizar um pouco a situação. Ela queria ficar ali, com Jon um pouco mais, sem bagunça, gritos ou sermões.

Jon sentiu a mão da esposa sobre seu ombro e delicadamente a puxou para perto. Annie contornou a cadeira e se sentou no colo do marido. Ele a observou por vários segundos enquanto ela acariciava a cicatriz acima do supercilio dele. Como tantas outras, não era bonita e trazia péssimas lembranças. Mas, ela aprendera a conviver com aquela marca como um sinal de que a vida é passageira. Que devemos cuidar daqueles a quem amamos enquanto podemos fazer isso.

— Você está bem? – ela perguntou baixinho sentindo o cheiro de charuto e verão na roupa do marido.

— Sempre estou bem quando você esta comigo...

Ela riu baixo, apertando o certo dos braços em torno do pescoço de Jon. As mãos dele afagaram suas costas. E o rosto se apoiou no ombro feminino. Ele parecia cansado.

— Ainda há muito o que resolver? – ela perguntou voltando-se para a mesa repleta de papeis revirados.

— Há! Muitas coisas ainda. Mas o advogado de papai vai me ajudar. Ele sabe como conduzir tudo... e também, preciso contar que Thomas e Harry parem de se provocar... – ouvindo isso Annie pensou que seria preciso rezar para que tal coisa ocorresse, antes de soltar um beijo no cabelo curto do marido. Os cachos se foram, mas, ela ainda gostava de afagar os fios escuros da cabeça dele.

O Duque morrera há dois meses e naquele momento, o atual Duque de Hawkins, estava ainda tomando ciência de tudo o que seu pai organizara em vida em relação ao Ducado e a sua descendência.

— Então agora seremos obrigados a passar mais tempo na casa da cidade? – ela perguntou. – Na antiga casa dele? Cumprindo as obrigações que ele cumpria?

Jon a observou de lado. Será que aquela pergunta era séria?

— Você não me conhece Annie?

Aquela pergunta era também uma resposta. Queria dizer que ele compareceria só ao que fosse obrigado a ir. De resto. Podiam dizer que era recluso. Arredio. Antissocial. Ele não se importava já que Annie também não se importava.

Ela ficava satisfeita com aquela resposta.

Entretanto, Jon ainda tinha algo inusitado para contar. Afastando-se da esposa ele se acomodou na cadeira a fim de ficar bem de frente para ela.

— Entre os documentos que verifiquei hoje com o advogado, há um especialmente interessante.

Annie sorriu mostrando claramente a curiosidade.

— E é sobre o que?

Jon fez um breve suspense.

— Sobre Melanie... e sobre qualquer outra menina que venhamos a ter.

Ah! Annie pensou, ela estava satisfeita com a dose de trabalho que aqueles quatro lhe ofereciam para esperar ter mais um ou mais uma.

— O que seu pai fez?

— O que ele fez? Algo surpreendente. Tão surpreendente que precisei ler o documento mais de uma vez para me certificar de que estava correto.

— Meu Deus Jon! Diga logo de que se trata?

— Veja... – ele disse estendendo a mão entregando um papel para a esposa.

Annie olhou por cima, havia termos técnicos, determinações que revogavam decisões anteriores.

— O que é isto afinal? – estava sem paciência para ler tudo.

Jon pegou o papel novamente, deu uma boa olhada e começou a explicar:

— Aqui ele diz que se Melanie não quiser se casar, se quiser ser uma mulher livre, solteira, ela terá esse direito. O dote dela deve ser usado da maneira que nossa filha desejar. Ela não precisa usar para arranjar um marido... a não ser que queria. E isso vale para qualquer outra menina que tenhamos.

Annie não acreditava no que ouvia. Jon a olhou e sorriu. Ele fizera provavelmente a mesma expressão ao tomar conhecimento das decisões do pai.

— Você acredita nisso? – ele disse de repente apertando a cintura da esposa.

— Não... – ela falou baixo, ainda travada pela surpresa.

— Pois nem eu... custei a crer. Mas, é a assinatura dele, veja. E os advogados testemunharam. É válido! – Jon continuou a falar em tom distante — Ela era a favorita dele.

Annie imediatamente lembrou de várias coisas sobre o sogro, especialmente da curta conversa no dia em que Jon quase morrera, percebendo quantas alterações ocorreram desde aquela data. Apesar de não ser um homem carinhoso, sorridente, ou uma avô brincalhão. Havia uma boa convivência do antigo Duque com a prole do único filho. E era claro para quem quisesse ver, a preferência dele por Melanie. Os dois conversavam muito. Tinham uma mente parecida. Rápida, astuta e firme.

— Sim. – ela precisava concordar – Melanie era a favorita dele.

Quanta ironia. Annie pensou. Uma dia, o homem grisalho lhe dissera que se a nora estivesse esperando uma menina, seria melhor que a criança nem nascesse. Depois, dentre os três garotos, os três descendentes que carregariam a linhagem dos Hawkins, a mesma menina era sua favorita.

— O que você acha que “sua” filha vai preferir? – Jon perguntou em tom risonho. Ele conhecia a pequena, sabia de seu temperamento difícil. Apenas alguém com caráter suave seria capaz de contornar todas as nuances daquele garota.

— Sinceramente Jon... não faço ideia. “Sua” filha é surpreendente!

Ele riu.

— Igual a mãe...

Annie não perderia a chance:

— Igual ao pai...

— Essa sua língua afiada. – ele disse se aproximando para um beijo e Annie segurou o rosto masculino entre as mãos antes de concordar:

— É, talvez ela seja igual a mãe...

Um beijo lento, carinhoso e sensual começou nos lábios e seguiu pelo pescoço esguio. Isso, até que o primeiro barulho de discussão chegasse até eles. Thomas e Harry estavam discutindo novamente. Annie pulou das pernas de Jon, correu até a porta e a fechou rapidamente.

— Hilda está lá... – explicou rindo se acomodando no mesmo lugar.

Notas finais
Até um próximo encontro. Amei ter todas vcs aqui. Amei os reviews. As recomendações. O carinho de todas. Obrigada. BJ e até a próxima. Desculpem qualquer coisa...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!