O Destino
4 O Jantar...
Notas iniciais
O mundo era dos homens. Helenya compreendia muito bem como essa frase fazia sentido sempre que adentrava em um ambiente que pertencia em sua maioria masculina. Lembrava dos grandes salões do Império Russo e das rodas de conversas que acompanhava seu pai. Ele que a apoiava para que pudesse ganhar espaço nesses âmbitos para que pudesse protagonizar os temas comentados e ser respeitada. Apesar de saber que o título que carregava facilitava por demais essa comunicação entre ela e o mundo masculino. Seu conhecimento geral era evidente em todas as conversas que tinham, independente da roda que a pertencia. Isso se dava graças ao Grã-Duque. O cavalheiro, que nunca pude ter, o tão esperado pela sociedade russa, filho varão que herdaria todos os patrimônios de sua família. Em contrapartida, havia educado sua preciosa filha da melhor maneira que seu status poderia fornecer e a curiosidade da dama pudesse instigá-la. Helenya, desde muito jovem foi apresentada as duas faces da moeda que girava a sociedade russa e mundial. A interna: as mulheres. A externa: os homens. Do mesmo jeito que conhecia arte e literatura, dominava a oratória e matemática. Política e música. Línguas estrangeiras e economia. Filosofia e os deveres do lar. Parecia que nada poderia estar à frente de um conhecimento tão vasto como o da estrangeira, mas, como ela sabia, era uma mulher. O bastante para que duvidassem da sua capacidade a cerca de qualquer palavra que saísse de sua boca. O mundo era dos homens. Novamente, essa frase, diante da cena que presenciava, se fazia clara em sua mente. Helenya se encontrava a mesa do jantar em honra ao seu pai, tendo o Sultão como anfitrião daquela ocasião que tomava repudio em sua alma. O bolo na garganta se formava diante da risada que o convidado do Imperador emitia para o descontento da dama.
—Como ousa falar dessa maneira com uma Grã-Duquesa? -Ela proferiu ao se levantar daquela mesa. -Achar que está a falar com um dos seus servos? -Ela o questionou com elegância indo a seu encontro. -Eu fui ensinada pelos melhores mestres do Império Russo, sou a voz do meu povo nesse ambiente. Se estou aqui, não é para ser alvo de comentários deselegantes do senhor. -Helenya mantinha a cabeça erguida ao falar com o convidado a sua frente.
O convidado do Sultão não saberia nem se apontassem na direção certa, como tudo aqui havia sucedido. O comentário infeliz que havia feito a cerca da Grã-Duquesa, não havia sido interpretado de bom tom por ninguém que notava a cena. Duvidar da capacidade de uma mulher, poderia ser um costume dos impérios, todos sabiam, mas supor que uma nobre, como Helenya, deveria estar no harém a bordar, ao invés de conversar sobre assuntos no qual, certamente, ela não dominava, foi demais para a jovem questionada. O pior ainda estava por vim, pois o convidado perdeu qualquer raciocínio lógico despois da fala da estrangeira. Ele se levantou da cadeira para rebater a atitude da dama. Mas para sua própria infelicidade, sua brutalidade ao tentar levantar a mão para jovem foi o final para a intervenção do Sultão.
Helenya não contava com a atitude do homem de maneira tão covarde a ponto de levantar a mão para uma dama, ainda mais sendo convidada do Imperador, assim como ele. Seu sangue ferveu na hipótese de ser agredida por um desconhecido. Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento para evitar a cena, foi surpreendida pela atitude do Sultão, que se levantou de sua posição no jantar e se colocou perante o homem que se mantinha com a mão levantada para a estrangeira. O segurou pela mão fazendo o convidado se contorcer de dor. O Imperador, então, curvou o homem até que estivesse inteiramente ajoelhado aos seus pés. Helenya já não conseguia ver a vítima da ira do Sultão, mas sabia pela respiração forte que a fúria o contemplava por todo o corpo. Sem que pudesse fazer qualquer movimento ou tecer um pensamento, a dama viu seu agressor ser jogado no chão como se fosse nada e só após vê-lo por a mão no rosto soube o que realmente havia acontecido. O tapa que seria dela, foi descarregado em seu caçador.
— Como se atreves? -A voz do Sultão ecoou por todo o salão -Quem pensar que eres para levantar a mão a uma mulher? – Questionou ainda mais violento, fazendo sua voz estremecer qualquer um que ali se encontrava. Helenya já não conseguia raciocinar com clareza perante a destruição do jantar que deveria, afinal, homenagear o seu pai. Talvez, a dama pudesse usar esse fator para justificar sua atitude impensável, pois jamais, uma pessoa sensata ousaria tocar no Imperador em um momento como aquele.
Era, sem dúvida, o que ele precisava para ser colocado no eixo de novo. Mas vê-la daquela maneira o fez entender que jamais deixaria que qualquer coisa a pudesse tocar para fazer mal. Helenya não transparecia. Continuava com o ar que convinha com seu título de Grã-Duquesa. Estava parada da mesma maneira que antes. O semblante neutro. Mas se pudessem ser mais atentos, notariam o que, certamente, o Imperador Otomano viu. Os olhos da bela dama que antes tão claros com água cristalina. Escuros como a noite, marejando com hesitação. Ele desejou profundamente que pudesse abraçá-la para reconfortar o que abalava seu coração. Nunca imaginaria que pudesse presenciar o olhar triste da estrangeira. Ele desejou protegê-la.
—Tire-o daqui. -Ordenou o Sultão ainda olhando para a Grã-Duquesa. -Que não ouse está em minha presença outra vez.
Helenya mirou o salão finalmente e ao ver toda aquela cena sabia que a noite havia terminado ali e que já não existia clima para continuar. O marejar em seus olhos invadiam sem qualquer permissão e foi preciso muita luta para que não transparecesse seu real estado em relação ao tudo que se sucedeu durante aquela homenagem. Como detestava ser a acusadora de tudo aquilo. Se ao menos tivesse ignorado a presença hostil do homem, talvez nada aconteceria, mas só de lembrar de cada palavra proferida, seu corpo fervia em raiva. Ela tinha o direito de estar em qualquer lugar que desejava, sem que fosse enjaulada em padrões e regras criadas por aqueles que detinham o poder. A dama suspirou ao notar o banquete quase que intocável pelos presentes. Antes que pudesse, pensou feliz, se afundar ainda mais em seu marejar, seu pai se aproximou e sorriu para ela.
—Espero que saiba que a culpa não foi sua, em hipótese nenhuma. -Ele tentou acalmá-la, apesar de que sabia o que passava pela mente ela, que ainda mantinha o olhar distante. Nunca imaginaria que sua filha passaria por uma situação como aquela. Talvez tenha sido por isso que a ofereceu uma educação completa em toda a sua vida. Nicolai, que já havia conhecido o mundo, ainda continuava surpreso com o comportamento de alguns homens que acreditavam que o lugar de uma mulher era reservado em seu quarto a bordar e pensar nos preparativos do casamento. Seu pensamento, seria considerado muito avançado ou perigoso para o Estado atual. Rir era apenas a melhor das ações para este tipo de pensamento pequeno que o mundo ainda mantinha entranhado em sua base social.
O Grã-Duque ainda se mantinha ao lado da filha em silencio, na verdadeira intenção de trazer conforto para sua áurea tão tristonha. Ainda pensando sobre todos os acontecimentos, o cavalheiro não poderia negar em nenhuma hipótese que apesar dos meios brutais, o Sultão havia defendido a Grã-Duquesa como exigia qualquer norma de conduta. Entretanto, ele havia percebido algo que nenhum outro parecia ter notado enquanto a cena acontecia. O olhar de seu anfitrião. Nunca em toda sua vida havia notado um olhar tão impiedoso como aquele. Conhecia muito pouco do homem por trás da veste de Imperador, mas conhecia as lendas e histórias que o cercavam desde sua ascensão ao trono. Filho único do falecido Sultão Selim. Muito novo recebeu o manto de Dono das terras otomanas. Um homem de longa visão para a prosperidade de seu império. Mas ainda, um cavalheiro desconhecido pelo Grã-Duque.
Em meio a todo o caos que aquela situação havia proporcionado aos convidados e principalmente a Helenya. A noite dava por encerrada sozinha. Mas antes que todos pudessem voltar para seus respectivos aposentos, Kadir informou ao Sultão sobre a comemorativa que acontecia no harém. A casa das Mulheres em maior situação, não recebia a entrada de outros homens que não fossem seu dono, mas ele sabia que apenas a alegria que existia ali pudesse fazer com a noite não estivesse completamente perdida. Convocou todos para o harém afim de desfrutarem da comida e música que as odaliscas proporcionavam. O Grã-Duque e sua filha estavam logo atrás do Sultão e Conselheiro quando adentraram o ambiente. A música que ecoava dos Eunucos e a batida das pedras presas nas cinturas das dançarinas era encantador. As cores que compõem o espaço tornavam aconchegante para os convidados que se sentavam a apreciar a comemoração. Helenya gostaria de ter conhecido o harém em outra oportunidade. Para ela, aquele lugar era o pior que pudesse estar no momento. A alegria das mulheres tão aéreas do que as cercavam demonstrava uma instabilidade no rosto da estrangeira. Estar ali só fazia com que seu peito a sufocasse cada vez mais. Como poderia fingir que nada havia acontecido com ela apenas para satisfazer os demais. Fechou os olhos a suspirar. Estava convicta que assim que a oportunidade fosse feita ela sairia rumo ao seu quarto. Inventaria quaisquer desculpas para que pudesse sair daquele ambiente tão sufocante. Ali estava a compilação de tudo que odiava. Mulheres escravizadas para o bem de um império. A alegria no sorriso de todos enquanto lá fora existia tanta injustiça e a despreocupação.
Helenya respirou. Sabia que apesar de todo seu caos interno, não poderia culpar aqueles ali presentes por estarem comemorando o simples fato de estarem vivos e terem suas vidas boas independente das circunstâncias. Ela sabia que apesar do motivo real que aquelas mulheres estavam ali, nenhuma parecia ser maltratada. Era isso, no final, que realmente importava. O Sultão, que havia sido tão generoso desde sua chegada com seu pai. Não poderia ser acusado por uma eventualidade, mas agradecido por tê-la defendido. Ela não estava bem. Novamente, as lágrimas se apresentavam e ela nunca desejou tanto ir embora.
—Dara, por favor. -Pediu o Sultão a uma bela dama. -Cante para nós.
A dama se aproximou da mesa em que o Imperador e seus convidados estavam e se sentou ao pé dos pequenos degraus. O sorriso da moça era encantador aos olhos de todos ali presentes. Apesar de todos saberem quem realmente se tratava. Dara era uma mulher exuberante. Sua pele e cabelo mostravam, que assim como Helenya, ela não pertencia aquela região. A pele tinha um tom mais escuro e os cabelos encaracolados emoldurava a bela mulher que se preparava para cantar. Foi quando aos primeiros acordes sua voz se fez presente que a Gã-Duquesa imaginava escutar um verdadeiro rouxinol.
— Enquanto eu ainda te amo. -Samiry traduziu rapidamente para Helenya. -Sobre separação, nunca fomos bons nisso.*
Helenya sorriu para a amiga que estava ao seu lado. Ela sabia que apesar de dominar boa parte do idioma turco, ainda mantinha dificuldade em acompanhar em alguns momentos. Helenya por um segundo esqueceu o que tanto pesava sua mente para escutar um pouco mais a bela canção. Samiry acompanhou o olhar de sua senhora e podia ver que algo não estava bem. A Grã-Duquesa era um livro aberto quando conseguiam ser atentos aos olhos claros da dama. Estava tudo ali. No azul cristalino. A música parecia surgir efeito ao acalmá-la e Samiry desejou que o nublado passasse.
—Dara parece ter muita afeição ao Sultão. -Comentou Helenya a Samiry. -Está dedicando a canção a ele.
—Ela é a preferida do Sultão. -Revelou. -Logo mais se tornará Sultana, se assim engravidar.
A ascensão no harém era diferente do que era visto em outros lugares. A estrangeira conhecia um pouco acerca do assunto. Havia estudado em algum momento de sua vida sobre o Império Otomano e suas peculiaridades. As concubinas do harém só conseguiam ascender se engravidassem. Desejava que se fosse Dara a escolhida. Que soubesse usar seu título como um bem a todos. A canção foi finalizada com palmas e a após elogiar Dara por sua belíssima performasse, a dama pediu licenças a todos e marchou em direção ao seu quarto. Após se encontrar fora do harém, Helenya consegui finalmente respirar. Desejava chegar rápido aos seus aposentos para que a amanhã seguinte chegasse sem maiores problema. Mas os corredores nunca pareceram tão longos a ponto de não terem fim. Samiry a acompanhava no caminho até o destino de sua senhora e já se preparava para providenciar tudo o que pudesse melhorar e facilitar o sono da estrangeira. Ao longo do corredor, o silêncio foi abandonado por uma voz ainda infantil. O príncipe Haydar corria apressado pelo corretor até os seus aposentos
—Não quero, Hyala. -Ele dizia enquanto uma dama tentava o acompanhar. -Não quero dormir.
Samiry e Helenya riram da situação que a dama do príncipe passava. Não era fácil cuidar de crianças, principalmente tão espoleta como o herdeiro do império. Mas apesar do menino ser travesso, era também muito sensível. Pois ao ver a Grã-Duquesa e prestar o devido respeito, a cumprimentando. Ele pode notar o triste olhar que a dama carregava consigo. Haydar a mirou por leves segundos até que a puxou pela mão trazendo-a para a mesma altura que ele, igualmente a cena de quando se conheceram e após olhá-la com a mesma altura. Ele a abraçou. Hyala e Samiry não poderiam ficar mais surpresa com aquela cena. Helenya também não parecia acredita que de todos, o que ela mais necessitava viria de um garotinho que mal a conhecia. Ela sorriu e o apertou ainda mais naquele desengonçado abraço. Ele a abraçava em seu pescoço com se procurasse um meio de protegê-la do que poderia estar a fazê-la mal. E ela chorou. Talvez mais sensível do que estava. A estrangeira se deixava levar pela emoção do momento. O príncipe se desfez do abraço e sorriu para ela a limpar com as pequenas mãos o rosto olhado da jovem a sua frente.
—Não chora. -Ele pediu olhando para ela preocupado.
—Irei ficar bem, Príncipe. -Ela disse para ele ainda muito emocionada. -Só preciso descansar.
A inocência de uma criança. Seria sem dúvida alguma a coisa mais pura que a humanidade poderia ver em todos os seus primórdios. Haydar apenas na intenção de fazer com que Helenya se sentisse bem a convidou para brincar com ele em seus aposentos. A levou, segurando em suas mãos até o baú que escondia todos os seus brinquedos favoritos. Samiry e Hyala os seguiam se conseguir pronunciar uma única palavra sobre o que estava acontecendo. Hyala apenas se preocupava com o horário que o príncipe deveria ir a descansar, mas como questionar uma convidada do porte da Grã-Duquesa?
Após ser apresentada a todos os favoritos brinquedos, Helenya teve uma ideia melhor do que brincar com Haydar. Ela o questionou se gostava de histórias e prontamente a curiosidade do jovem príncipe foi entregue inteiramente a ela, que o acompanhou até sua cama, o cobrindo e se sentando ao seu lado. Ela então começou a contar sobre uma de suas histórias favoritas quando era pequena, adaptando poucos detalhes para a realidade de seu apreciador. O conto de um velho pescador que encontrará um tesourou muito precioso parecia revolucionário aos olhinhos brilhantes da criança, a incentivando ainda mais a contar. Até que pouco tempo, a animação foi sendo substituída pelo silêncio de todo o cômodo. Além dos dois, apenas Hyala se fazia presente, já que cuidaria do adormecer do príncipe. Ela não poderia acreditar no como havia sido fácil para a estrangeira conseguir colocá-lo para dormir. A história contada parecia ter sido o sonífero perfeito para Haydar.
—Adormeceu. -Constatou Helenya ao finalizar a história. -Ele parece bem.
Hyala se conteve em um pequeno sorriso. O pequeno príncipe já se encontrava em profundo sono quando foi acomodado da melhor maneira por sua bakici**. A estrangeira sorriu ao ver o cuidado que a serva tinha com o menino. Lembrava de Anna, sua preceptora. Uma mulher que havia abdicado de anos da sua vida em prol da educação de uma menininha de cabelos loiros e olhos curiosos. Uma quente sensação invadiu alegremente seu coração. Fazia pouco tempo que estava naquela região ainda tão desconhecida, mas já sentia uma pontada rasa de saudade de sua casa. Mas qualquer pensamento foi interrompido com a chegada do Sultão aos aposentos do herdeiro. Talvez o mais surpreendente não tenha sido sua visita ao filho no horário de dormir. O que faria a Grã-Duquesa fazia naquele ambiente. Curiosamente, o Imperador questionou silenciosamente aquela visita da dama ao seu filho. Helenya não poderia esperar diferente, afinal, havia saído da festa no harém para se deitar e agora estava ali, acordada em um local incomum. Ela sorriu para o Sultão e com poucos detalhes explicou que havia ajudado Hyala a desacelerar o príncipe para que ele pudesse dormir. O homem sorriu reconfortado ao se aproximar do filho e notar o semblante alegre que dormia. Haydar era um garoto alegre e vivo e sabia, seu pai, o quanto dava trabalho para se comportar. Beijo a testa do menino e desejou uma boa noite para ele, mesmo sabendo que já não o escutaria. Era uma das poucas vezes que o filho não havia esperado acordado a visita de seu pai para que pudesse conversar um pouco a cerca do dia do menino. Por um segundo sua atenção foi levado até a presença da Grã-Duquesa que mirava a cena com um olhar brando. Como ele poderia imaginar que até ali ela se faria presente. Seu olhar transmitia um singelo conforto ao mirar Haydar. O que teria acontecido para que ela se oferecesse a cuidar de alguém que nunca havia visto antes? Ele sorriu. A dama tinha muitas coisas escondidas por detrás daquele título que ostentava em seu broche visível. Ele havia o notado desde dias anteriores naquela barraca de fores. Com sutileza, ele pode vê-la melhor de como havia deixado o harém. Ela parecia melhor. Queria poder saber realmente a verdade. Se o episódio do jantar poderia ser esquecido, ou ainda martelaria por suas mentes por algum tempo. Foi quando ela solicitou sua saída para se recolher em seus aposentos. Ele logo se ofereceu para acompanhá-la.
Helenya não poderia recursar, mesmo que não havia pensado nessa hipótese. Caminhavam ao longo do corredor em um silêncio agradável. Parecia de cada um, apear da vontade de quebrarem aquela bolha que existia. Estavam presos em seus pensamentos. Ela gostaria de poder conversar, mas como ser a primeira a trazer qualquer assunto à tona? Ele. Mesmo que inconsciente acreditava que o silêncio poderia ser o melhor naquele momento. Assim que chegaram na porta do quarto da dama, a quietude se fez maior. Mas antes que pudesse se tornar algo constrangedor, ela deu o primeiro passo para a quebra da mudez que se formara ainda no quarto de Haydar. O Sultão notou os olhos daquela mulher se tornarem mais cristalinos do que o possível quando ela o agradeceu. As palavras sinceras da Grã-Duquesa foram notadas em todas as interpretações possíveis pelo cavalheiro. Ela sabia que a atitude que o homem havia tido, talvez fosse uma reação maior. Mas agradeceria eternamente por sua bravura perante defendê-la. Ela o desejou uma boa noite e adentrou o local. Deixando para trás um Sultão ainda mirando a porta e confiante. Sua flor estava bem, apesar de tudo.
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