O Destino...
3 A Bárbie falsificada ataca e eu ataco ela
Notas iniciais
Dia nublado: odeio, simplesmente porque são cinza, frios, tristes, não há muito movimento nas ruas, as pessoas se recolhem em suas casas, certamente pessoas depressivas ficam bem mais deprimidas em dias assim, mas enfim minha preocupação agora é com a Alissa, o que vai acontecer com ela? O que vai acontecer comigo se algo acontecer com ela? Essas perguntas não saíam da minha cabeça, nada conseguia desviar minha atenção para outra coisa, nem mesmo a prima Zoe que era muito engraçada, porém ela chegava ser ridícula tentando me fazer rir pelo celular, até que era engraçado cada tentativa boba dela. Recebi várias ligações hoje de colegas da escola e da turma aqui do bairro que eu costumava sair frequentemente para dar uma ‘’banda’’ como eles dizem, mas nenhuma ligação me fez ficar tão feliz quanto à dele... Mas por que eu fiquei feliz?
Era quase seis horas quando meu celular tocou.
– Alô!
– Oi? Luke? – Eu nem sabia quem era na verdade, mas reconheci a voz assim que ouvi.
– Aham, ele mesmo... Então... Eu te liguei pra saber se você tem algo marcado pra hoje à noite? – Percebi que ele estava meio tímido ao perguntar.
– Bom, não exatamente...
– Ótimo, quer jantar comigo hoje?
– Não sei se é uma boa ideia.
– Eu não aceito não como resposta, passo aí às sete horas, combinado? A proposito onde você mora mesmo?
Eu decidi ir jantar com o Luke, passei meu endereço e conversamos um pouco, ele realmente é um cara legal. Foi a primeira pessoa que me fez rir de verdade hoje apenas com uma piada boba. Minha mãe ficou feliz por eu decidir sair um pouco do meu quarto, ela devia estar bem preocupada comigo, normalmente eu estava saindo do meu quarto apenas para ir à escola e no banheiro o que não é comum para uma menina da minha idade, o que me faz lembrar de que eu não falei minha idade ainda, pois bem eu tenho dezesseis anos...
Faltavam quinze minutos para as sete e ele não chegava, me perguntava mentalmente se não viria. Os minutos foram passando já era sete e meia e nada do Luke chegar, então eu decidi subir para o meu quarto e ficar por lá, disse para a Eva, nossa empregada, avisar se caso ele chegasse que eu não queria falar com ninguém e foi o que aconteceu... Ele chegou bem na hora que eu estava pegando um copo de água na cozinha – Péssima hora para pegar agua né Luna. – Pensei, depois de alguns segundos decidi encara-lo.
– Luna, por favor, me desculpe pelo atraso, aconteceu um problema e... Então você ainda quer jantar comigo?
Pensei um pouco antes de responder ‘’Será que eu vou ou não, ai meu Deus!’’
– Luna?
– Ok Luke, eu vou com você. Eva avise minha mãe que eu vou voltar um pouco mais tarde hoje, tchauzinho! – Disse acenando e fechei a porta atrás de mim. Sei lá, tudo bem que ele se atrasou um pouco, mas agora está aqui né?
– Hum, vai voltar um pouco mais tarde então?
– Ei, o que você está pensando? Olha que eu volto hein.
Ele riu.
Quando chegamos à pizzaria sentamos em uma mesa bem para o fundo onde é mais escuro, ainda não sei por que acabamos escolhendo esse lugar...
– Mas então Luke, que problema aconteceu que fez com que você se atrasasse?
– Se você rir eu vou embora.
– Tá bom, eu juro que não vou rir. – Disse rindo com a mão direita levantada.
– Ok, eu não achava sua casa, mas o que você esperava não faz nem uma semana que eu cheguei à cidade, eu não sei nem o nome da minha rua.
– Tem razão não tem como não rir. – Eu não consegui me conter, o jeito que ele falava era muito engraçado.
– Ah é assim então Luna, você vai ver o que eu vou fazer. – Ele chegou mais perto e começou a fazer cócegas em mim. Acabei fazendo um escândalo e todos ficaram nos olhando.
– Olha o que você fez garoto. – Continuei rindo, só que agora mais baixo.
– Eu disse pra você não rir... Mas então, novidades? – Ele falou agora mais sério.
– Você é a única pessoa que me fez rir de verdade hoje sabia?
– Então mereço agradecimentos?
– Sim, obrigada!
– O que está acontecendo então seu eu fui a única pessoa que fez você rir é por que algo aconteceu, quer me contar? – Dessa vez sua expressão era preocupada.
– Minha melhor amiga está internada em uma clínica em coma. Bem, ela sofreu uma overdose, mas eu não quero falar disso.
– Entendo. – Foi a única palavra que ele disse.
– Luke aquele dia no avião eu me esqueci de perguntar sua idade, quantos anos você tem?
– Dezessete, e você?
– Dezesseis.
E assim nossa conversa seguiu por um bom tempo, descobrimos coisas que temos em comum, por exemplo: gostamos de sorvete de nozes com flocos, limonada, ver o pôr-do-sol entre outros. O mais legal é que ele vai estudar na minha escola, o problema é que ele é do terceiro ano e eu do segundo.
– Gostei do seu cabelo assim. – Baguncei um pouco o cabelo dele.
– Vou usar ele assim sempre então. – Rimos juntos.
– Nossa! Luke está tarde de mais, me leva pra casa. – Disse olhando a hora no celular.
No caminho pra casa Luke parou em uma esquina não muito iluminada, eu sabia o que ele ia fazer... Porém não aconteceu nada, ele apenas ficou olhando fixamente nos meus olhos por um bom tempo em silencio, e depois ligou novamente o carro e seguiu normalmente, foi estranho. Pois bem decidi que não iria beijá-lo, se ele tentasse desviaria, eu não deixaria ele me beijar tão fácil assim tenho dignidade tá.
Quando chegamos à frente da minha casa, desci do carro e acenei com um sorriso fraco e entrei o mais rápido que eu pude e não me pergunte por quê. Minha mãe estava olhando um filme na TV.
– Luna sua amiga Alethia deixou um recado, disse que no fim de semana vai haver uma festa na casa dela, depois você fala com ela, quero olhar esse filme. – Disse sem tirar os olhos da televisão.
– Ok mãe, vou tomar um banho e dormir, estou cansada.
Caramba festa de novo na casa da Ale, acho que ela faz essas festas uma vez por semana e convida todo pessoal da escola, rola a maior pegação eu geralmente não vou, da ultima vez que eu fui um garoto tentou me beijar, credo. Não sei se quero ir nesse fim de semana faz muito tempo que eu não vou, talvez se eu convidar o Drake pra ir não seja tão ruim assim, mas agora vou tomar um banho.
(...)
Estava deitada em minha cama pensando no jantar que tive hoje, mas ué LUNA POR QUE VOCÊ NÃO PARA DE PENSAR NESSE GAROTO?
– Só posso estar ficando louca. – Falei baixo, mas parece que alguém escutou.
– Por quê? – Ale disse sentando do meu lado.
– Ale você aqui essa hora e vestida assim?
– Bora, vai se arrumar, vou te esperar lá embaixo.
– Mas e a minha mãe e já está tarde e...
– Relaxa, já falei com ela, tá liberada.
– Mas eu...
– Não adianta dizer que não, vai se arrumar. – Ela disse me empurrando para o guarda-roupa.
– Tá bom, mas eu não vou de vestido. – Falei cruzando os braços.
– E deixar essas pernas lindas escondidas? Não mesmo amiga. – Ale disse quase entrando no meu armário pra procurar meus vestidos. – Olha que lindo esse aqui! Você vai com esse, com certeza.
Era um vestido azul marinho, que eu amo, com um cinto preto só que o único problema é que ele é curto demais, eu não sou uma menina que gosta desse tipo de roupa, não fico a vontade prefiro meus jeans rasgados e sem cor minhas camisetas louconas.
– Ai! Ale eu não vou com esse é muito curto.
– Curto? – Ela perguntou arqueando a sobrancelha.
– Argh, tá eu vou me arrumar. – Disse e entrei no banheiro.
– E usa uma make bem pesada, quero ver você linda hoje. – Ale gritou.
Depois de alguns minutos eu consegui colocar aquele vestido, amarrei meu cabelo e passei um batom fraco e sai do banheiro.
– Estou pronta podemos ir. – Tentei esconder meu rosto, Alethia ia se decepcionar ao me ver com pouca maquiagem.
–Volta aqui mocinha, cadê a maquiagem escandalosa? Assim eu não saio com você. – Ela me puxou e começou a passar aquelas coisas brilhantes e pegajosas na minha cara, tudo bem sou menina até curto uma maquiagem básica, mas aquilo era avacalhação.
– Já posso me mexer? – Falei estática.
Ela riu.
– Vou avisar pra minha mãe que já vamos.
– Ok, vou esperar no carro, não demora!
Na festa...
A música era alta, até demais, tinha muita gente lá e eu conhecia a maior parte, eram todos da escola, peguei um refrigerante e fui me sentar em uma mesa. Uns meninos ficaram olhando pra mim e eles não estavam com cara de que tinha tomado apenas refrigerante, fiquei pensando por que eu tinha vindo de vestido caralho. O que mais me chocou naquela festa foi que eu vi o Drake beijando uma garota... Espera, aquele cara é o Drake? – Não pode ser, quem é essa garota? Ah, mas eu vou lá agora mesmo, quem essa piranha pensa que é pra ficar com o namorado dos outros. – Eu estava bufando de raiva. – Drake! – Gritei.
– L-Luna eu posso explicar, não é o que você está pensando e-eu...
– Gaguejou demais, quem é essa aí? – Perguntei apontando pra piranha que tava chupando a boca do meu namorado.
– Ei, meu nome é Bárbara, Barbie pro mais íntimos e você, baixinha, quem é?
Isso fez meu sangue ferver mais ainda, não esperei mais, saltei no pescoço da vadia e começamos a brigar, eu puxei o cabelo dela e eu acho que acabei quebrando uma unha dela porque ela fez um escândalo, que guria bem fresca, mas que chinelagem, nem pra me ajudarem a arrancar os olhos da cretina.
– Opa! Parem vocês duas. – Gritou Alethia. – O que está acontecendo aqui?
– Essa louca começou a me bater. – A loura oxigenada falou se levantando e se pendurando no pescoço do meu namorado, meu ex-namorado, só agora percebi que ela não estava sóbria.
– Drake amanha teremos uma conversa bem séria, agora é melhor eu ir embora, Ale amanha eu falo contigo.
– É melhor ir embora mesmo, louca.
– Guria tu não me provoca – Falei com um sinal de alerta, pra ela se ligar.
– Luna espera, vamos conversar agora... – Disse Drake puxando o meu braço.
– Não Drake, ela tá de cabeça quente agora, e tu sabe como é essa fera, é melhor você ir agora Luna. – Alethia falou se virando pra mim e me dando um abraço.
– Desculpa por isso Ale, eu não queria... Depois conversamos. – Falei meio envergonhada pela confusão que causei.
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