Atrasado, sempre acontece o mesmo, por que em momentos importantes, estou sempre atrasado? Gostaria de ter concluído o trabalho mais cedo, gostaria de ter passado pela floricultura e comprado como de costume um bonito ramo de flores, todo cheio de laços, fitas e papéis bonitos, como Hinata merece; mas já estava atrasado para aquele dia importante, não podia demorar mais a chegar. Corria pelas ruas, rezando para que ela não estivesse muito magoada, e planejando o que fazer para compensá-la, de ser necessário, lhe rogaria de joelhos pelo tempo que ela desejasse; quão idiota devo ser, para não conseguir chegar na hora para o chá do meu filho? Estava me praguejando tanto que sequer notei outra pessoa correndo em minha direção, só vi quando a dor do impacto me atingiu, e os protestos do outro se ouviram.

— Aí, nii-chan, mas que droga, Kure! — Konohamaru reclama, esfregando um joelho.

— Foi mal, moleque, mas estou atrasado. — O ajudo a levantar-se, já me preparando para voltar a correr.

Por que Hinata teve que concordar em fazer essa tal festa num hotel mesmo? Ah, é, por causa da peste da irmã dela, e eu, como um grandíssimo imbecil, esqueci de pôr o selo do Hiraishin no lugar; antes que eu consiga dar um passo sequer, Konohamaru me segura pelo braço.

— Eu estava te buscando, nii-chan. — Ele conta, ainda recuperando o fôlego — Você tem que ir ao hospital agora, a Hinata nee-san...

Não escuto o que Konohamaru tentava me dizer, ao ver a expressão ansiosa em seu rosto, aquele temor absurdo, que julguei que nunca mais sentiria na minha vida, tomou conta de mim; senti um aperto no peito e calafrios percorreram meu corpo, um zumbido soava estridente em meus ouvidos e eu sequer conseguia ver direito. De novo não, Kami Sama, por favor! Ainda tonto e desnorteado, me afasto de Konohamaru, escuto ao longe como ele me chama, mas não respondo, tudo que faço é fechar os olhos e rezar para chegar a tempo; em meu inconsciente, escuto as Bijuus me pedindo calma, mas nada poderia me tranquilizar, não enquanto eu não a visse, não enquanto não estivesse com a minha família.

— Shizune? Alguém chame a Shizune! — Grito na recepção, assim que me teleporto ao hospital de Konoha — Onde está minha esposa? Hinata, onde ela está?

Creio que devo ter dado um baita susto na recepcionista, que chega a estar pálida me encarando, mas isso não me interessa nem um pouco, e começo a me irritar com a falta de informação de todos naquele saguão.

— Perguntei onde caralhos está minha esposa! — Bato no balcão, erguendo mais a voz.

— Para de escândalo, seu idiota! — A voz arrastada de Sasuke soa atrás de mim — Shizune mandou-me chamar. Onde ela está agora?

Antes que a garota responda a qualquer um de nós, vemos Shizune caminhar apressada até onde estamos.

— Que bom que já chegaram, Naruto, Sasuke, venham comigo! — Ela nos faz acompanhá-la.

— O que está acontecendo, Shizune? — Pergunto, não entendendo nada — Konohamaru disse que a Hina…

— Sakura entrou em trabalho de parto. — Shizune me interrompe e vai explicando enquanto caminhamos e nessa hora tenho que segurar Sasuke, para impedi-lo de cair — E Hinata também, Naruto.

— O quê? — Agora sou eu que sou amparado — Espera, Shizune, ainda faltam dois meses, é muito cedo, o que está errado?

— Não há nada, os exames não apontam nada, não sabemos explicar o porquê. — Acho que Shizune se compadece de nós, porque ela nos olha e sorri — Vão se trocar, elas estão esperando, seus filhos estão os esperando!

Entorpecido e com a cabeça borbulhando de preocupação, sigo uma enfermeira até um vestiário, troco minhas roupas pelas que ela me alcança e creio que meu cérebro não está em melhores condições, porque visto tudo virado do avesso; Sasuke se encontra no mesmo estado, chegando ao ponto de bater a cara na porta antes de sair do vestiário. A enfermeira nos guia para a sala de partos, um barulho alto de aparelhos apitando, vozes dando comandos e respirações ofegantes é o primeiro que percebo; logo, meus olhos avistam a cena mais inusitada de toda minha vida, e se não fosse a preocupação do momento, eu até teria sorrido um pouco.

Ali, em meio a toda uma equipe médica, minha linda Hinata e Sakura se abraçavam pelos ombros, uma de frente para a outra, enquanto suas barrigas se encostavam, e elas se balançavam de um lado a outro; estavam vestindo aquelas camisolas verdes de hospital, os cabelos presos e ocultos debaixo de tocas descartáveis, fazendo os exercícios de respiração que tantas vezes vi Hinata treinando em casa.

— O que está acontecendo? — Pergunto, sabia que no mínimo, cada uma deveria estar em uma sala separada.

— Quando as separamos antes, os aparelhos mostraram irregularidades nos sinais vitais dos bebês, e segundo elas, a dor ficou insuportável. — Calçando um par de luvas, Shizune explica — Preciso que os dois me ajudem a mantê-las tranquilas e que as segurem, mantendo o equilíbrio delas.

— Elas vão ficar em pé? — Tão abismado quanto eu, Sasuke pergunta.

— Sim, não há como mantê-las juntas na maca, e desta forma o parto também é mais cômodo. — Shizune fala e sinaliza para duas enfermeiras.

Sinto uma delas me direcionar e posicionar às costas de Hinata, e vejo a outra fazendo o mesmo com Sasuke, e nós nos olhamos preocupados, os bebês não iam cair no chão assim?

— Shizune… — Eu pensava em como perguntar aquilo, sem alarmar nenhuma das duas.

— Tudo bem, estaremos a postos para segurá-los. — Adivinhando o que pensamos, Shizune se posiciona no espaço entre as duas.

Estava tão nervoso que nem havia reparado no lençol estéril que estava estendido aos pés delas.

— Muito bem, Sakura, continue assim. — Shizune incentiva, após verificá-la, e logo se volta para Hinata — Você também, Hinata, sua dilatação está completa, continuem respirando profundamente, não façam força desnecessariamente; vocês dois, massageiem as costas delas, na região da cintura.

Quando faço isso, Hinata inclina a cabeça para trás, uma expressão de alívio tomando conta de seu rosto contorcido, então, inesperadamente, ela e Sakura colam suas testas uma na outra e grunhem juntas; olho para Sasuke e tenho certeza de que devo estar igual, pálido e de olhos muito esbugalhados, assustado com aqueles barulhos e toda aquela situação estranha.

— Mais um pouco… — Hinata rosna — Três…

— Dois… — Sakura responde.

— Um… Uuuhhnn… — Elas voltam a forcejar.

Escutamos a equipe as incentivando, e também quando alguém lhes diz para parar de forcejar, e então elas voltam a respirar profundamente, expelindo o ar de seus pulmões entre um grunhido e outro; em algum momento, me peguei incentivando e consolando Hinata com palavras gentis, e por vezes ela apoiava seu corpo cansado no meu, mas sem nunca desgrudar sua barriga da de Sakura. Seus rostos estavam cansados, o suor escorria por eles, mas elas nunca deixavam de fazer o que a equipe lhes dizia, fosse para empurrar, fosse para respirar, Hinata e Sakura seguiram naquela batalha pelas seguintes quatro horas; estava começando a ficar inquieto, o nervosismo ameaçando tomar conta, mesmo com Shizune garantindo que estava tudo bem e que era demorado mesmo, quando ambas fizeram a maior força que vi naquela tarde, um grito animalesco escapando de suas bocas, lágrimas escorrendo por seus olhos, e então o silêncio seguido de miados estridentes e fortes.

— Isso, muito bem! — Shizune comemora, e vejo as enfermeiras de antes carregando dois embrulhos para longe — Coloquem-nas nas macas!

Apesar de estar grogue de emoção e perdido naquele momento, consegui fazer o que Shizune ordenou, rapidamente ergui Hinata em meus braços e a coloquei em uma das macas, ao meu lado, vi Sasuke fazer o mesmo com Sakura; a equipe médica então se dividiu em quatro, dois quartos dedicaram atenção às nossas esposas, enquanto os outros dois quartos cercavam e examinavam duas pequenas criaturas.

— Você o viu? — Hinata me pede, num sussurro baixinho e exausto.

— Ainda não, foi tão rápido, como você está? — Pergunto, acariciando seu rosto cansado.

— Vou ficar bem. — Ela responde, fechando os olhos.

— Minhas corajosas Kunoichis, parabéns às duas! — Shizune volta e as enfermeiras também — Agora, mamães, conheçam seus filhos!

Quando a moça entrega um dos embrulhos a Hinata, eu já nem consigo enxergar direito, minhas vistas ficam nubladas pelas lágrimas, escuto minha esposa sussurrar algo baixinho e tento me recompor, e limpando meus olhos com as mãos mesmo, foco minha visão para capturar e gravar na memória um dos momentos mais lindos da minha vida.

— Oi, meu amor, olha como você é lindo, meu passarinho! — Escuto Hinata a falar docemente — Olha, amor, é nosso filho, nosso bebê está aqui!

— É sim, meu amor, está sim! — Me debulhando em lágrimas, lhe respondo, compreendendo o que estava implícito em suas palavras, e abraço os dois desajeitadamente — Obrigado, meu amor, obrigado por ser tão forte e corajosa!

Olho para cima suspirando alto, tentando me recompor, e então olho detidamente para nosso filho, e uma emoção maravilhosa invade meu coração, quando vejo aquele pequeno ser gerado por mim e pelo amor da minha vida; Boruto tinha os cabelos loiros como os meus, e até mesmo dois risquinhos em suas bochechas marcando seu pequeno rostinho, ele era tão delicado e perfeitinho, que tive receio de tocá-lo, mas quando aquela mãozinha diminuta segurou um dos meus dedos com força, os meus medos e anseios se intensificaram e ali eu soube, que eu viveria e morreria por aquela tenra criatura.

— Oi, meu filho, sua mãe e eu estávamos ansiosos para te conhecer, Boruto! Bem-vindo ao mundo, campeão! — Lhe falo entre o choro, e como se entendesse o que digo, ele abre os olhos, surpreendendo-nos — Está tudo bem com ele, Shizune? Por que Boruto nasceu antes de tempo?

— Está, sim, tudo perfeitamente bem, e depois dos primeiros exames, foi possível constatar que seus pulmões estão completamente maduros, e acreditamos que essa é a razão do seu nascimento prematuro. — Shizune nos explica calmamente — Geralmente, nesta etapa da gestação, todos os órgãos estão formados e maduros, menos os pulmões; mas no caso do bebê de vocês, tudo está formado e maduro o suficiente como um bebê de nove meses; vamos acompanhá-lo durante os próximos dias, somente para desencargo de consciência, podem ficar tranquilos! Até mesmo o peso e tamanho dele são ideais; se Boruto não nascesse hoje, teríamos que intervir com uma cesárea mais adiante.

Aliviado, volto a prestar atenção no meu filho, e finalmente pude sentir a tensão abandonando meu corpo, abrindo espaço para a felicidade incomensurável e plena; um sorriso imenso tomou conta do meu rosto, e ainda estava processando e digerindo que acabei de me tornar pai. Olho para o outro lado da sala e encontro Sasuke do mesmo modo, parecia ter se transformado em outra pessoa, e pela primeira vez na vida, um olhar puramente gentil era transmitido de seus olhos negros; ele dizia alguma coisa, completamente abobalhado a Sakura, que ria felicíssima, eles também, meus amigos finalmente tinham sua própria família.

— Papais, vamos levar essas lindezas e dar o primeiro banho? — Uma enfermeira nos chama a atenção — Enquanto vocês se encarregam de seus bebês, nós vamos cuidar das mamães!

— Dar banho? Mas… — Um pavor diferente começa a tomar conta.

— Tudo bem, Naruto, vocês devem ir junto, e aprender como fazer. — Rindo, muito provavelmente da minha expressão, Shizune fala.

E antes que eu possa compreender o que acontecia, Hinata ergue os braços que seguravam nosso filho em minha direção, e ainda que desajeitadamente, o pego pela primeira vez na vida, e volto chorar; tenho que me controlar muito para prestar atenção no que estou fazendo, e ia seguindo a enfermeira para fora da sala de parto junto a Sasuke, quando recordo algo muito importante.

— Amor, as coisinhas dele, eu não trouxe nada. — Preocupado, lhe digo.

— A Tenten trouxe as malas, ela e Neji foram até nossa casa. — Sorrindo, Hinata conta.

Sasuke parecia ter a mesma dúvida, já que parou a metade do caminho só voltando a andar, quando Sakura lhe acenou afirmativamente, nós deixamos aquela sala em silêncio, absortos demais nas pequenas criaturas em nossos braços, e nem percebo como foi que conseguimos seguir a enfermeira pelos corredores do hospital; me dou conta de estar num espaço diferente, quando escuto muitos miados iguais aos que ouvi antes, e noto que estávamos no berçário. Quando outras duas moças entram na sala, pude ver cada uma delas carregando bolsas de bebês, e uma reconheci como pertencendo ao meu filho; elas retiram de dentro suas roupinhas, que Hinata havia organizado cuidadosamente em sacos individuais para cada conjunto, assim como as fraldas, pomada, o sabonete, álcool e gaze. Passamos então, os seguintes minutos aprendendo qual a temperatura ideal da água, como segurar o bebê de maneira segura, como lavar adequadamente e com cuidado seus cabelos, como cuidar, secar e limpar o restante do cordão umbilical, por as fraldas e vestir corretamente um recém-nascido; e com certeza, se eu fosse o Naruto bagunceiro e desligado de antes, a essa altura já estaria em pânico, mas graças ao instinto paternal que eu nem sabia ter, consegui seguir todos os passos muito que bem, e estava até mesmo tranquilo enquanto dava o primeiro banho de Boruto.

— Não façam isso logo depois das mamadas, procurem dar o banho durante o horário mais quente do dia, e antes que os bebês sejam alimentados. — A enfermeira que nos orientava ia explicando — Essa movimentação pode fazer com que vomitem; mas também é bem normal que ocorra, então não se preocupem!

— É normal ela dormir assim? — Sasuke pede, terminando de vestir sua filha.

— É sim! Assim como sua mãe, essa princesinha deve estar cansada de todo o esforço que fez para nascer. — Compreensiva, a mulher responde.

— Então não é normal ele estar acordado? O que está errado? — Peço nervoso, diferente de Sarada, Boruto estava com os olhos bem abertos.

— Calma, Otousan, esse rapazinho só tem mais energia de sobra, daqui a pouco vai dormir também. — Escondendo o riso, ela tenta responder com a mesma seriedade.

— É igual você, idiota. — Sasuke implica comigo pela primeira vez na tarde.

— Pois te digo o mesmo, seu verme. — Incapaz de me conter, lhe replico sorrindo sem parar.

— Vamos levar esses pequenos para serem alimentados? Tenho certeza de que as mamães já estão ansiosas os esperando. — A moça de antes nos chama a realidade.

Quando retornamos a andar pelos corredores, somos direcionados a um andar diferente, e quando pergunto a respeito, a enfermeira nos informa que nossas esposas já estão no quarto, e ao chegarmos encontramos o local cheio de gente; meu sogro e meus cunhados estão ali, assim como nossos amigos, a vovó Tsunade e Kakashi-sensei, Iruka-sensei, os pais de Sakura, Konohamaru e Kurenai-sensei com a pequena Mirai. Todos pareciam tão emocionados e felizes por nós que até mesmo aqueles mais durões estavam chorando abertamente; e quando todos os olhos do local pousaram nos pequenos embrulhos em nossos braços, um silêncio unânime se fez presente.

— Boruto ficou acordado o tempo, amor. — Conto, o depositando em seus braços estendidos — A moça disse que está na hora dele ser alimentado.

— Olha só, meu amor, seu vovô e seus titios vieram te conhecer. — Amorosamente, Hinata fala ao nosso filho — Esse é o vovô Hiashi, seu titio Neji e a titia Tenten, a titia Hanabi e o titio Konohamaru, a senhora Tsunade, seus vovôs Kakashi-sensei e Iruka-sensei, e Kurenai-sensei e a pequena Mirai; os amigos da mamãe e do papai, Kiba e Shino, Ino e Sai, Shikamaru e Temari, e Chouji.

— Meu Kami, ele é a cara do Naruto! — Neji ressalta abismado.

— Ele nem dormiu ainda, de tão idêntico que é. — Provocando, Sasuke conta aos demais, ainda que, sem desviar os olhos da filha, já sendo amamentada.

— Não implica com meu moleque, seu verme, ele é quietinho e observador igual a sua Okaasan. — Respondo, cheio de mim.

— Graças aos céus, já pensou em como ia ser complicado o aniversário deles ano que vem? Certeza de que teríamos que procurar Boruto em Konoha inteira. — Rindo, Sakura entra na brincadeira.

— É, mas a Sarada também é uma cópia do pai, Sakura, teremos sorte se ela não se irritar com os parabéns. — Rindo, Sai comenta abraçado a Ino.

Rimos baixinho, todos encantados com aquele momento mágico, contemplando duas vidas que acabavam de iniciar, após toda dor e sofrimento que passamos, estávamos finalmente começando a ter uma vida normal e aqueles dois lindos e preciosos bebês marcavam esse começo; era a vida que deveríamos ter tido desde sempre, a vida que merecíamos, cheias de coisas rotineiras e repetidas, e tão maravilhosa em seus detalhes, tão perfeita ainda em seus pequenos percalços, e mesmo quando parece exaustiva e problemática, insubstituível.

— Olha só para vocês, eu os vi crescer, os vi amadurecer, os vi lutar e se tornar tão fortes; os salvadores do mundo hoje se tornaram pais! — Com voz embargada, Kakashi finalmente se pronuncia.

— Imagina como estou impressionada, Kakashi, nunca pensei que veria Naruto tomando juízo na vida, quanto mais Sasuke, e olha os dois aqui, são pais! — Cheia de nostalgia na voz, Tsunade comenta.

— Então podem deduzir como me sinto, vendo esses dois que sempre brigavam e competiam na Academia, se tornando pais no mesmo dia. — Emocionado, Iruka me abraça desajeitado.

— E tomara que não seja um sinal divino, porque teremos muita dor de cabeça se esses dois forem iguais a Naruto e Sasuke nos tempos de Academia! — Erguendo as mãos para cima, Shikamaru comenta.

Há uma espécie de calmaria, até mesmo durante as brincadeiras feitas por aquelas pessoas tão importantes, e que desejavam acima de tudo, nossa felicidade, quando eles vão embora depois de sua visita rápida, o quarto fica em completo silêncio, como se qualquer palavra a mais que fosse dita, profanasse a paz daquele santuário; atentos ao nosso novo papel, Sasuke e eu vamos à cantina, em busca de uma refeição decente e nutritiva para nossas amadas esposas.

— Quem diria que nossos filhos nasceriam no mesmo dia, e ainda mais, ao mesmo tempo! — Sasuke fala, enquanto escolhe o que sabia que Sakura gostaria de comer.

— Significa que serão grandes amigos, igual a nós somos. — Lhe respondo alegremente, e logo o alerto — Ei, verme, a enfermeira disse que não é bom nada frito pelo momento.

— Ah, é, obrigado. — Sasuke imediatamente retira da bandeja os rolinhos primavera — Naruto, eu ainda não posso acreditar, nós somos pais!

— Sim, nós nos tornamos pais! — Respondo, e imediatamente comento outro ponto — Você viu como elas são fortes? Eu quase desmaiei em alguns momentos.

— Só você? Eu achei que ia cair, quando elas gritaram juntas, na primeira força que vimos, e você viu o tamanho daqueles moleques? — Impressionado, Sasuke complementa — Creio que devo mimar a Sakura mais vezes.

— Que acha de amanhã sairmos e buscar alguma joia, alguma coisa para dar de presente a elas? — Sugiro, já deixando a fila da cantina.

— É um bom plano. — Sasuke concorda.

Quando retornamos ao quarto onde nossas pequenas famílias aguardavam, encontramos aquelas lindas e valentes mulheres conversando animadas, como se o que acabaram de fazer não fosse nada demais, como se as vidas que elas geraram e trouxeram ao mundo, fosse algo fácil de se alcançar e obter; nós nos olhamos e como naquele dia, anos antes, durante nosso primeiro confronto contra Momochi Zabuza e Haku, soubemos o que faríamos a seguir. Assim como naquele dia desesperante e aterrorizante, nós dedicaríamos nossas vidas e nossa devoção àquelas duas grandiosas Kunoichis que acabavam de presentear-nos com nossa razão de viver; naquele dia ensolarado e um pouco ventoso, nossa nova missão no caminho Shinobi acabava de surgir, e como Asuma anos atrás, Sasuke e eu tínhamos um novo Rei pelo qual lutar.