O Despertar dos Sentimentos
9 Ciúmes
Aquele dia amanheceu mais animado, mais radiante. Sinto como se tudo fosse possível, sou capaz de qualquer coisa. Acordei ainda com os primeiros raios do sol e decidi que buscaria algo para o café da manhã de Hinata. Sai antes que todos acordassem e fui à procura de algumas frutas, estávamos em uma clareira ao pé de um pequeno monte. Ao longe se ouvia um barulho de água. Dei muita sorte e encontrei um pequeno pomar, então fui colhendo algumas frutas, peguei várias satonishiki, nashi, dekopon, hakuto, mas fiquei extremamente feliz quando avistei um pé de kyoho cheio de cachos grandes e suculentos, havia também um pé de ume, mas é tão azedo que não quis levar para minha pequena.
Fui voltando para o acampamento, queria chegar antes que ela acordasse, queria muito fazer uma surpresa. Eu realmente estava muito sortudo hoje, na volta acabei encontrando um pequeno canteiro de tulipas abandonado, que devem ter florescido ali com ajuda dos pássaros que se alimentam no pomar, mais atrás. Sem pensar duas vezes, peguei algumas flores e fiz meio desajeitado um pequeno buquê; não ficou tão lindo como os que a Ino faz, mas ficou bonito; as flores eram muito lindas. Quando finalmente chego ao acampamento, encontro Sakura e Shikamaru ao redor da fogueira, já preparando o café da manhã.
— Bom dia! — Cumprimento meus amigos muito feliz.
— Bom dia, Naruto! Onde estava? — Shikamaru questiona entre um bocejo.
— Fui buscar algo para o café da manhã de Hinata. — Explico largando a bolsa no chão.
— E o que você achou? — Sakura pergunta cheia de curiosidade.
— Muitas coisas, sirvam-se! — Respondo e vou arrumando um prato para minha pequena.
Deixo tudo bonitinho, coloco algumas barras de cereais, afinal, ninguém vive só de frutas e água, era só o que tínhamos. Pego as flores e vou indo em direção à sua barraca.
— Naruto, o que está fazendo? — Sakura pergunta com a boca cheia.
— Vou levar o café da Hina, oras! — Falo um tanto nervoso, sei bem o que ela está pensando.
— Mas... — Ela ia começar.
— Deixa ele, Sakura, eles têm um compromisso, e Naruto não é nenhum babaca, só está cuidando da namorada. — Shikamaru interrompe meio impaciente.
Decido não perder mais tempo, deixo os dois de lado e vou entrando na barraca. Fico um pouco constrangido de entrar assim, mas meu nervosismo passa assim que a vejo dormindo. Sorrio bobo com a cena, seus cabelos esparramados no saco de dormir, suas mãos próximas ao rosto, que está tão sereno, a respiração tranquila. Fico até com dó de lhe acordar, sabia o quanto Hinata estava trabalhando ultimamente, e como pude observar em sua casa recentemente, ela supria a posição da matriarca da família, e certamente estava exausta de tantas funções que vem desempenhando; mas estamos em missão. Deixo o prato de um lado, me ajoelho ao seu lado e lhe toco a face.
— Hina, acorda, vamos, está na hora. — A chamo baixinho e vejo seus olhos de lua se abrindo sonolentos.
Ela vai acordando aos poucos, se espreguiça um pouco estirando os braços para cima, então se dá conta de minha presença e se assusta, para logo depois sorrir timidamente. É a cena mais linda que já vi, não vejo a hora de acordar todos os dias ao lado dela.
— Bom dia, Naruto-kun! — Hinata diz, seus olhos brilhando.
— Bom dia, Hina-chan! — Respondo com o mesmo entusiasmo — Eu trouxe seu café da manhã.
— Você fez tudo isso para mim? — Hinata pergunta muito impressionada, ficando imediatamente corada.
— Achei um pequeno pomar ao pé do monte! Pensei que gostaria da surpresa. — Lhe conto um pouco nervoso, sinto meu rosto ficar vermelho quando pego o pequeno buquê para lhe entregar — Fiz isto também.
Vejo os olhos de Hinata ficarem marejados, suas feições tornam-se tão amáveis e suaves, me fazendo descobrir que sempre amaria surpreendê-la assim; ela pega o buquê e o leva ao rosto para sentir o perfume, abre um grande sorriso e me abraça.
— Eu amei Naruto-Kun, obrigada! — Então Hinata se afasta um pouco, afaga meu rosto e me beija calmamente — Agora tome o café comigo, tem muita coisa, não consigo sozinha.
Olho surpreso para ela que agiu tão espontaneamente, não gaguejou, apenas ficou corada depois do beijo. Decido agir com a mesma naturalidade, me sento ao seu lado e comemos as frutas. Após nosso café, saímos da barraca e começamos a arrumar tudo para seguir com a missão. Desmonto as barracas, enquanto Hinata guarda nossas coisas. Shikamaru e Sakura já estão prontos, e ao concluirmos isso, seguimos rumo ao porto. Nossa caminhada é bem calma, tirando as paradas para descanso, em que eu e Hinata aproveitamos para escapar uns minutinhos e ficar sozinhos, namorar escondido e dar mais uns beijos, nada de extraordinário acontece. Enfim, avistamos o porto, no final daquela manhã. Bem movimentado como sempre, cheio de pessoas, animais, carroças de carga e barulho. Shikamaru vai verificar se o carregamento de Konoha já chegou, enquanto eu fico vigiando em busca de qualquer atividade suspeita. Mais à frente Sakura e minha pequena olham algumas lojas na calçada. Hinata tem uma expressão tão magnifica no rosto, que é impossível não ficar abobalhado a admirando.
— Eles estão ali adiante. — Ouço Shikamaru dizer e saio do meu transe.
Vamos até onde ele disse calmamente, Hinata segura minha mão e Sakura vem logo atrás.
— Hiroshi-sama, nós somos ninjas da Folha, estamos aqui para escoltar o carregamento até a Vila. — Shikamaru anuncia, fazendo a abordagem.
— Certo, então me confirmem seus nomes. — O velhote baixinho e bigodudo pede desconfiado.
— Sou Nara Shikamaru! – Ele responde prontamente – Capitão da missão.
— Haruno Sakura, médica ninja. — Sakura se apresenta.
— Hyuuga Hinata, ninja sensorial. — Logo é minha pequena.
— Uzumaki Naruto, ninja de combate. — Por fim, me apresento orgulhoso.
Mas então, minha alegria vai pelo ralo, quando vejo um sujeitinho cheio de graça, encarando minha Hina como se fosse um pedaço de carne. Sinto ela se encolher atrás de mim, quando o sujeito caminha em nossa direção.
— Ora, ora, o que temos aqui! Uma linda princesa Hyuuga! O que acha de eu lhe mostrar o porto lindinha? — Descaradamente abusado e desrespeitoso, aquele imbecil pergunta, nem se importando com minha presença.
Estou a ponto de socar a cara dele, e vou fazer isso, mas Shikamaru segura minha mão e nega com a cabeça, enquanto Sakura me olha preocupada, mas quando vou abrir a boca para reclamar, ouço minha pequena.
— Não, obrigada, não estou interessada! E para você é senhorita Hyuuga, muito em breve, senhora Uzumaki! — Hinata pronuncia cada sílaba ferozmente.
— Esse pasp... — O sujeito ia me provocar, mas eu estava pronto, senti Shikamaru soltar a minha mão quando viu meu Rasengan se formando.
— Nunca mais, sequer pense em falar com a minha noiva, entendeu? Ou eu não posso garantir que todos os seus pedaços vão ser encontrados! — Eu estava furioso, irado só de pensar nesse bastardo falando com minha pequena, nunca senti tanto ciúme.
Vi ele engolir seco e se afastar com as mãos erguidas em sinal de rendição, mas só desfiz o Jutsu depois que ele estava longe. O Bijuu selado em mim se remexeu inquieto, parece que pela primeira vez em quase dezessete anos, estávamos em sintonia.
— Agora já chega, Ken! Se comporte! — Ouvi o velho falar nervoso — Por favor, perdoe o meu neto, ele é um idiota, mas preciso dele para o trabalho!
— Que nunca mais se repita. — Retruco ríspido, a voz tremulando em furia, pegando a mão de Hinata e indo à frente dos outros, recebendo um olhar reprovador de Shikamaru.
Saímos do porto e pegamos o mesmo caminho para voltar, já sabíamos que a rota era segura, sem falar das armadilhas que deixamos por precaução. Eu e Hinata íamos à frente do carregamento, Sakura e Shikamaru atrás, com o velhote Hiroshi e o maldito Ken à nossa frente. Por vezes o via olhar para trás e rir debochado, enquanto analisava Hinata cheio de malícia; vi o quanto ela estava desconfortável e incomodada. Nesse momento percebi que esse cara não era uma boa pessoa e não deixaria Hinata nem um segundo sozinha. Antes do final da tarde paramos para montar acampamento, monto as barracas das meninas, estou concentrado nisso, até que sinto as pequenas mãos de Hinata me puxando. Como eu sei disso? Ela não saia de perto de mim, estava com um olhar angustiado, enquanto apertava os dedos, igual quando era criança.
— O que foi, minha pequena? Aquele bastardo está te incomodando de novo? — Pergunto com raiva.
— Nã-não é isso, quer dizer, é também! — Hinata fala exasperada e suspira — Naruto-kun, eu queria te pedir um favor.
Quase esqueço dos problemas dessa porcaria de dia, quase, ao ouvir meu doce anjo dizer que quer me pedir algo; é a primeira vez desde que nos comprometemos, que Hinata me pede algo, e sei que moverei mundos e fundos, para atender qualquer coisa que ela peça.
— Pode pedir o que quiser. — Sorrio satisfeito e coloco uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.
— Vocêpodetomarbanhocomigo? — Falando tudo de uma vez, Hinata embola e mistura as palavras, ficando super vermelha.
— Meu amor, eu não entendi nada, fala com calma dessa vez. — Peço, segurando gentilmente suas pequenas mãos que se remexiam nervosas.
— Eu queria que você fosse ao rio comigo, eu quero tomar um banho, mas estou com medo de ir sozinha — Hinata suspira novamente — Eu ia chamar a Sakura, mas ela também é garota, não é que não seja forte, mas é que me sinto mais segura com você, Naruto-kun. Eu tenho medo desse garoto.
Hinata está totalmente envergonhada, pude notar tantas camadas de incômodo em suas palavras, em sua voz, a começar pela insegurança que ela sentia, o constrangimento de ser levada a tomar medidas extremas, para poder estar tranquila; sei bem, que seu pedido significa que Hinata confia plenamente em mim e no meu caráter, mas isso não elimina a ansiedade de ter que pular inumeras etapas da nossa relação, sem qualquer preparo emocional antes. Tudo era tão novo e estávamos nos adaptando ainda, e sei que para uma garota, os sentimentos são mais complexos e intensos; fiquei com tanta raiva desse idiota por fazer minha pequena se sentir assim. Levanto seu rosto e lhe dou meu melhor sorriso.
— Vamos pegar nossas coisas então? Eu também estou precisando e quando chegarmos lá, daremos um jeito. — A tranquilizo.
Pegamos o que precisamos, eu aviso Shikamaru aonde vamos e saímos do acampamento em direção ao rio. Chegando lá, percebo Hinata ficar um pouco tensa, está envergonhada e não é para menos, nós mal começamos a namorar. Não que eu não quisesse ficar mais íntimo dela, mas agora não é o momento.
— Olha só, vamos fazer assim, eu fico de costas para você e você fica de costas para mim, está bem? — Ela assente e eu me viro.
Espero ouvir o barulho da água para me despir. Mas antes de entrar na água, passo a usar o modo Sennin, assim vou saber se alguém se aproximar. Lavo-me vagarosamente, aproveitando a água, que estava morna no fim da tarde, e tenho que controlar minha boca, para não falar nenhuma besteira; mas também estou nervoso, estou mais próximo de Hinata agora do que jamais estive de qualquer outra garota antes, em muitos sentidos. E mesmo quando estive perto de alguma das minhas amigas, nunca senti tanto nervosismo, escuto o barulho da água caindo em abundância, e deduzo que ela talvez esteja lavando os cabelos e isso é suficiente para minha imaginação voar; será que sua pele é tão branquinha no restante do seu corpo, como é em seu belo rosto? Como será que são as suas formas? Todas as vezes que abracei Hinata, sempre a senti calida e macia; jogo água no meu rosto, para afastar esses pensamentos, antes que minha mente enverede naqueles caminhos. Sinto os movimentos que Hinata faz na água, até mesmo agora ela se move com graça e delicadeza. Então uma memória me vem à mente, eu nem lembrava mais desse ocorrido, na época fiquei em dúvida e não havia forma de perguntar, mas agora tenho certeza.
— Hina? Era você naquele dia, não era? — Pergunto com o rosto esquentando.
— Era eu quando Naruto-kun? — Distraída, Hinata não parece saber do que falo.
— Naquele dia, durante a missão do besouro, era você a menina na cachoeira! — Afirmo e sinto Hinata se agitar atrás de mim. Sinto seu coração acelerar e sua rede de Chakra ficar irregular.
Viro na sua direção, desejava ouvir sua resposta olhando em seus olhos, totalmente esquecido de que estamos nus, e ela faz o mesmo; está corada, mas tem um sorriso tímido no rosto.
— E-e-era eu sim, mas não achei que você se lembraria, Naruto-kun. — Hinata confessa baixinho.
— Esqueci por um tempo, lembrei agora ouvindo o barulho da água. — Conto usando o mesmo tom, a voz tingida de carinho por aquela preciosa lembrança.
Talvez foi naquele tempo, que meus sentimentos por ela começaram a mudar, que deixei de vê-la como uma amiga especial e passei a vê-la como uma garota, uma garota que hoje eu sei, eu amarei para o resto da minha vida; sempre desconfiei que era Hinata, ainda mais quando voltei a barraca e ela não estava junto aos seus companheiros de time, e no outro dia, quando a pequena Hinata sequer conseguia me olhar direito, eu soube porque, e durante os anos que se seguiram aquela imagem dela ia e vinha na minha cabeça, me colocando em cada situação constrangedora. Então Hinata baixa a cabeça constrangida, mas a ergue imediatamente ficando muito mais vermelha, aí me dou conta da situação em que estamos. Me viro rapidamente, não antes de olhar bem para ela, que é tão linda quanto naquela época que a vi nua na cachoeira sem querer, mas hoje não tem mais um corpo de menina, Hinata agora é uma mulher de uma beleza sem igual. Me sinto quente, mesmo estando dentro d'água. Essa imagem também não vai sair da minha cabeça por um bom tempo. Acho que sou mesmo muito sortudo.
— Eu vou sair, Naruto-kun, não se vire. — Ela avisa.
— Certo! — Concordo com vontade de rir, do que adianta se já vi praticamente tudo?
Mas não digo nada para ela, minha Hinata é muito doce e inocente. Depois que ela está devidamente vestida, me avisa que também posso sair. Quando saio do rio, ela está de costas para mim, sorrio com sua atitude. Seco meu corpo e visto a roupa rapidamente. Pego na mão de Hinata e voltamos para o acampamento, no caminho converso normalmente com ela, como se não tivesse acontecido nada, ou melhor, como se não tivesse visto nada. Aos poucos ela volta ao normal comigo.
— Onde estavam? — Sakura questiona assim que chegamos ao acampamento.
Ela já estava me dando nos nervos, quem ela acha que eu sou? O Ero-Sennin? Olhei Sakura de cara feia, já ia mandar ela pentear macacos, quando Hina respondeu.
— Fomos tomar banho, Sakura-chan. — Dito isto, vai guardar as coisas na barraca, e eu vou junto, minha mochila também está lá.
Deixamos Sakura com a maior cara de espanto. Começo a guardar minhas coisas e vou pegar a minha barraca para montar, quando sinto sua pequena mão me parar.
— Você pode dormir aqui comigo? Não quero ficar sozinha. — Hinata pede baixinho.
— Claro, minha pequena! Eu sempre vou te proteger, isso é uma promessa, e você sabe como eu sou, né? — Brinco com ela.
— Nunca volta atrás com sua palavra! — Hinata responde sorrindo e me abraça apertado.
Ficamos naquele abraço não sei quanto tempo, até que ela se afasta um pouco, e eu não aguento e beijo seus lábios com certa urgência, desde que começamos o caminho de volta a Konoha, não havia sobrado tempo para aproveitar estar perto da minha linda namorada; também pudera, com toda aquela tensão e incômodo pairando sobre nós. Ouvimos Shikamaru nos chamar para jantar, e agradeço por sua interferência, nos afastamos e saímos. Sakura ainda está me olhando torto, deve achar que me aproveitei da Hina. Nossa pequena refeição foi feita em silêncio, estávamos cansados. Nem me alimentei direito, tamanha era minha irritação com aquele idiota, que fazia coisas realmente nojentas com a comida, enquanto olhava Hinata. Mas segundo Shikamaru eu tinha que me controlar, já que ele já havia tomado as providências e estava esperando tudo estar esclarecido, para então decidir o que fazer. Falei ao Shikamaru e à Sakura o que estava acontecendo, e disse que ia dormir na barraca da Hina, sugeri que os dois dividissem a de Sakura, já que eles também não se sentiam bem com as atitudes do maldito Ken.
— Vamos, Ken, vamos nos recolher. — Hiroshi o chama.
— Vou ficar mais um pouco velho! — Com petulância ele responde, enquanto me lança uma risada cínica.
Pego a mão da Hina e vou em direção à barraca; dou boa noite ao Shikamaru e à Sakura, que estão entrando na que irão dividir, e entro junto com minha pequena para dormir, quando vou fechar a barraca, vejo o sorriso daquele imbecil sumir, nesse momento percebo as intenções dele. E só esse pensamento já me aflige tanto que sinto a Kyuubi se agitar dentro de mim. É um tanto embaraçoso ficar assim tão próximo dela, depois do rio. Mas Hinata está reagindo muito bem, até arrumou o saco de dormir, de modo que ficasse maior e desse para nós dois. Deito ao lado dela e lhe estendo o braço, que Hinata aceita prontamente. Percebo que ela está feliz com esse nosso arranjo.
— Boa noite, Naruto-kun! — Ouço sua voz doce.
— Boa noite, Hinata-chan! — Beijo sua testa enquanto a abraço — Eu te amo!
— Também te amo, Naruto-kun!
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