Pov. Hinata.

Já tinha dias que a Vila estava movimentada, todos envolvidos para reconstruir tudo. Apesar de toda destruição, as pessoas estavam felizes, contentes. Algumas vezes, enquanto caminhava pela vila, as ouvia conversar, umas diziam que tinham medo de que agora, nesse momento delicado, a Vila fosse atacada novamente, enquanto outras simplesmente respondiam que Naruto protegeria a Vila novamente. Era incrível como agora todos confiavam em Naruto, mas se fosse há uns anos estariam o praguejando e chamando de monstro. Pelo menos as coisas mudaram, e ele passou de rejeitado para alguém necessário em Konoha.

Para mim ele era como um Sol iluminando meu caminho. Sempre sorrindo, não importava qual fosse a situação, ele sempre achava um lado bom. Nunca o vi reclamar ou se queixar quando as coisas estavam difíceis, estava sempre se esforçando para melhorar, sempre dando tudo de si. Agora mesmo, ele não para, não descansa, está correndo de um lado a outro para ajudar a vila; quando não está ajudando nas obras, está de guarda nos muros, ou mesmo, como soube pela Sakura, doando Chakra para a recuperação de Tsunade-sama. Lógico que ele não me contaria, Naruto não é de ficar se gabando, e também com essa correria nem nos falamos direito. Às vezes me pergunto se ele falou sério ao se declarar para mim. Mas o que estou dizendo? Estou sendo boba novamente, claro que não temos nos falado, estamos todos correndo de um lado a outro, reerguendo nossa vila. E Naruto, mais do que todos, tem se esforçado; ele chegou ao ponto de fazer clones das sombras, para que possa estar em todos os lugares em que é necessário.

Acho que na verdade, estou sentindo saudades dele. Faz dois dias que mal o vejo, hoje nem almoçamos juntos; sorrio quando percebo que isso já virou um hábito, desde que as obras em Konoha começaram, desde aquele dia em que se declarou para mim, Naruto vai até onde eu esteja trabalhando, para me buscar para almoçarmos juntos, sempre caminhamos de mãos dadas. Acabaram acontecendo alguns quase beijos nesses dias, mas sempre tem algo para atrapalhar; da última vez foi o Akamaru, que surgiu não sei de onde e pulou em mim, me derrubando no chão. Naruto ficou tão bravo com o Kiba, disse que ele devia treinar melhor o Akamaru, que podia ter me machucado, e ainda chamou o pobrezinho de cachorro mal. Claro que já estou acostumada com essa mania dele, mas na hora eu não pude dizer nada, enquanto os dois discutiam quem era o melhor adestrador e os perigos de um cão pular nas pessoas. Era uma cena estranha de se ver, então apenas esperei a discussão acabar para dizer que estava tudo bem.

Hoje, no entanto, só o vi de manhã, quando ele me esperava perto das barracas do meu clã, para me dar bom dia e me acompanhar até o trabalho. O capitão Yamato até ofereceu ao meu pai para reconstruir primeiro o nosso clã, mas ele negou, disse que primeiro devíamos nos focar nas pessoas mais necessitadas da Vila e no hospital; o que me surpreendeu bastante, mas não é de hoje que meu pai tem mudado sua conduta, está muito mais flexível e compreensivo.

— Pensando no Naruto, Hinata? — Ino questiona, enquanto torce algumas ataduras.

— Eu estava apenas refletindo um pouco. — Desconverso, eu devo ter ficado pensativa demais.

— Sei, se bem que, ver o Naruto sem camisa foi bem impressionante, então eu não te culpo por sonhar acordada. — Ino provoca e eu enrubesço como nunca.

— Na-não é nada disso, Ino-chan, vamos terminar de lavar essas compressas, a barraca médica está precisando. — Tento mudar de assunto.

— Está bem, mas não se preocupe, Hinata, eu sei que ele é seu e só tem olhos para você! — Ino me provoca mais um pouco e não posso deixar de sorrir com o comentário.

Faz dias também que nossos amigos vêm me importunando com perguntas sobre nós, querem saber o que temos; mas a verdade é que nem eu sei, como posso dizer alguma coisa para eles? E tenho certeza de que a Ino só se ofereceu para me ajudar a lavar as ataduras e compressas no rio, porque queria me arrancar informações. Bom, ela vai ter que ficar com sua imaginação.

— Quanto tempo você acha que vai levar até tudo estar pronto? — Ino pergunta, estirando suas costas.

— Acho que do jeito que todos estão se esforçando , não deve demorar muito. —Lhe respondo, massageando minhas pernas entumecidas.

— Tomara, não aguento mais tomar banho gelado, bom, terminamos, vamos, Hinata? — Erguendo um grande cesto, Ino me chama.

— Sim, vamos. — Acompanho-a em seguida.

Vamos indo em direção à Vila com os cestos cheios. Na verdade, Ino tem razão, tem sido bem difícil manter a roupa limpa, e tomar banho é complicado e desconfortável. Quando chegamos à barraca médica, eu pego as ataduras e estendo em um varal improvisado de bambu, com sorte vão secar rápido. Com a pressa de acabar a obra rápido, as pessoas acabam se machucando, nada grave, mas o material médico deve estar sempre pronto. Sinto uma dor nas costas por estar tanto tempo agachada. Mas depois dou um jeito nisso, agora vou ao rio buscar água para o banho, por sorte temos uma mulinha e uma carroça para carregar os barris de água, seria mais trabalhoso do que já é pegar água para todo o clã sem ao menos um meio de transportar. Volto para nossa barraca. Esse dia foi bem cansativo.

— Você não pode entrar agora, Hinata-sama, o senhor Hiashi está com uma visita. — Natsu me barra na frente da barraca com um grande sorriso.

— Está bem, obrigada, Natsu, vou esperar aqui. — Intrigada, apenas aguardo.

— Irmã, adivinha quem está conversando com o pai! — Hanabi praticamente pula no meu pescoço.

— Ora, então me conta quem é! — Estou ficando cada vez mais curiosa.

— Hanabi-sama, Hiashi-sama te proibiu de contar, caso a Hinata-sama chegasse! — Natsu adiverte a Hanabi, séria.

— Aí, que saco! Mas, espera, você vai gostar! — Hanabi retruca com um olhar travesso.

— Hanabi! Olha a boca! — Lhe chamo atenção, isso não é jeito de uma criança falar.

Fico ali parada, muito curiosa e com muita vontade de entrar na barraca, mas espero. Eu queria poder tomar um banho e descansar, mas isso também vai ter que esperar, e já prevejo que ficarei com um pouco de frio depois do banho essa vez, quanto mais tardar. Não porque é verão, que o vento noturno seja menos fresco.

— Ah, Hinata, que bom que chegou, eu já ia mandar te chamar! Vem, você pode entrar! — Meu pai me chama e sinto um frio na barriga. Por que eu tenho que participar da conversa?

Vou andando com cautela até a entrada e sinto meu coração descompassar. Por que estou assim? Até parece que vou ser repreendida, mas não fiz nada de errado, pelo contrário, fui muito elogiada por ter ido ajudar o Naruto na luta, meu pai disse que estava orgulhoso da minha coragem.

— Você fica, Hanabi! — Meu pai a para.

— Que saco! — Ela reclama.

— Hanabi! — Papai e eu ralhamos com ela, que só faz rir e sair correndo.

Por fim entro na barraca, me dirijo para a parte que fizemos de sala de visitas e quase caio para trás quando vejo a visita.

— Oi, Hinata-chan! — Naruto me cumprimenta com um sorriso enorme.

— Na-Naruto-kun! — É só o que consigo dizer.

— Sente-se aqui, Hinata! — Papai ordena — Você sabe o que o Naruto está fazendo aqui?

Nego com a cabeça, não consigo falar, minhas mãos estão suando frio e sinto meu sangue se acumular no meu rosto.

— Ele veio me pedir sua mão em namoro! O que achei muito correto da parte dele! — Papai conta e eu arregalo os olhos, nunca que eu pensei nessa possibilidade.

— Eu sei que vocês têm andado juntos esses dias, nem tinha como não saber, já que todos em Konoha estão falando disso. Também sei que vocês dois sempre foram amigos e que o Naruto é um rapaz de bem, por isso não interferi quando vieram me contar que vocês andavam almoçando juntos! — Papai conta sério, e eu não sei no que pensar primeiro — Agora o que me surpreendeu foi o que o Naruto me disse, sabe o que foi minha filha?

Outra vez nego, sinto meu estômago revirar e tenho medo do que possa ouvir a seguir, fecho os olhos buscando manter a calma e serenidade que sempre me ensinaram.

— Ele me disse que queria minha bênção e permissão, antes que as pessoas começassem a falar mal de você, que pretende ter um relacionamento sério e que se precisar ele pode me provar que te ama! — Papai continua tão sério e isso me assusta — Então eu o desafiei em um duelo e só estava te esperando chegar para começarmos!

Nessa hora eu fico pálida, meu coração gela, minhas mãos tremem, sabia que algo teria que ir na direção oposta ao que eu queria, a vida não é tão perfeita sempre; já estava pensando em como resolver aquele impasse, quando papai começa a rir, rir mesmo, de gargalhar.

— Calma, Hinata, eu não vou fazer isso, filha! Eu dei a minha bênção e permissão para vocês namorarem, dentro das regras e do respeito como conversei com o Naruto! — Sei que devo estar com os olhos esbugalhados, mas não posso acreditar.

— Então, Hinata-chan, aceita ser minha namorada? — Naruto me pergunta com o maior sorriso.

Mas eu não consigo responder, estou emocionada demais, olho para seu rosto sorridente e as emoções turbulentas me desestabilizam, não consigo segurar as lágrimas.

— O que eu fiz? Você não quer? — Seu lindo sorriso murcha no rosto.

— Claro que quero Naruto-kun, é tudo o que mais quero! — Consigo responder por fim.

Depois de responder, sou recompensada com aquele sorriso que me cativou quando era menina, aquele que Naruto dá quando está muito contente, que toma conta do seu rosto e deixa seus olhos pequenininhos, e isso faz meu coração parar e voltar a bater no mesmo instante; querendo me tranquilizar, peço licença e vou até a divisória da cozinha improvisada e preparo um chá, arrumo uma bandeja com biscoitos e xícaras e volto a sala.

— Bem, essa parte está resolvida, mas e quanto ao casamento, Naruto? — Papai pergunta.

Desprevenida e alheia ao que se passava, tomo o segundo susto daquele dia, e minhas pernas debilitadas e exaustas por todo o trabalho pesado do dia cedem de modo que quase caio ao chão; não fosse por Natsu que vinha atrás, me ajudando a pôr a mesa do chá, eu teria despencado ali mesmo.

— Que casamento? — Quase derrubando tudo no chão de tão trêmula, peço.

— O de vocês é claro, se estão namorando, um dia terão de casar! — Papai responde como se fosse óbvio.

— Você quer casar comigo, não quer, Hina-chan? — Naruto me olha preocupado e logo acrescenta — Eu disse que queria um relacionamento sério, Hinata!

— Estou tão... surpresa, fui pega desprevenida; mas sim, quero sim. — Consigo responder por fim.

— Ah, bom! — Naruto coloca a mão no coração e ao instante, volta a ser o Naruto risonho de sempre — Que bom! Bem, Hiashi-sama, como eu lhe disse antes, vai demorar um pouco, eu não tenho saído em missões ultimamente por causa das obras, então tenho que poupar meus pagamentos para me manter enquanto isso. E também tenho que encontrar uma casa boa, mobiliar e tudo o mais; acredito que isso leve algum tempo.

Naruto responde, e eu fico atordoada ouvindo ele falar tão calmo e decidido. Quando soube o que ele veio fazer aqui, minha menina interior sempre tão sonhadora e apaixonada, já se colocou a imaginar isso, e deduzi que um dia, alcançariamos essa etapa da vida, que em algum ponto da caminhada, conversariamos e decidiriamos sobre isso; não estava esperando que sua decisão já estivesse tomada mesmo agora, no começo de tudo, e ver esse lado de Naruto, tão adulto e resoluto, me impressionou mais do que eu conseguia colocar em palavras.

— Se você quiser, eu posso ajudar, Naruto! Sei como é difícil conseguir fazer isso tudo do nada sem o apoio da família. — Papai propõe.

— Obrigado, Hiashi-sama, mas prefiro conquistar tudo com meu suor; mas não se preocupe, não deixarei faltar nada para Hinata! — Naruto declara orgulhoso e meus olhos se enchem de lágrimas de novo.

— Sei que não! — Satisfeito e sorrindo como nunca, papai comenta, parece que o Naruto conquistou até meu pai.

— Bom, já está tarde, eu vou indo, já tomei muito do seu tempo, Hiashi-sama! — Naruto vai se levantando.

— Você pode jantar conosco, Naruto-kun, não é, papai? — Pergunto receosa de que ele não goste da ideia.

— Tirou as palavras da minha boca, minha filha! — Meu pai está tão contente que nem reconheço.

— Se eu não for incomodar. — Naruto aceita envergonhado.

— Não é incômodo, assim aproveito e anuncio para o clã o compromisso de vocês! — Papai afirma e inicia uma conversa tranquila com Naruto.

Vou para a cozinha e começo a preparar o jantar, estou tão feliz que mal caibo em mim. Preparo alguns bolinhos e decido fazer bentos para o jantar e dangos de sobremesa. Natsu vem me ajudar e me manda ir tomar um banho enquanto ela termina. Faço o que ela mandou e saio discretamente pelos fundos, quando retorno, já está tudo pronto e a mesa posta. Neji e Hanabi já estão à mesa. Eles parecem animados com a conversa, quando entro, meu pai pede que eu tome meu lugar para Natsu servir o jantar; sento ao lado de Naruto e não consigo deixar de sorrir com isso.

— Humm, isso está muito bom! — Naruto elogia depois de provar.

— Foi Hinata-sama quem fez. — Natsu revela e eu fico vermelha.

— Viu, Naruto, a minha irmã vai cuidar bem de você. — Hanabi alfineta e é a vez de Naruto ficar vermelho.

— Hanabi! — Eu repreendo.

— Só estou dizendo a verdade, irmã! — Ela dá de ombros.

Eles riem do nosso constrangimento, mas o jantar é bem tranquilo. Quando Natsu serve os dangos, ouço mais elogios de Naruto e não posso deixar de ficar feliz com isso. Depois de conversarmos mais um pouco, ele se despede de Neji e Hanabi e eu e meu pai o acompanhamos até a saída.

— Boa noite, Hiashi-sama! Obrigado pelo convite! Boa noite, Hina-chan, amanhã passo aqui para te levar ao trabalho. — Naruto me olha sorrindo.

— Boa noite, Naruto! — Papai responde sorrindo.

— Boa noite, Naruto-kun! — Respondo também sorrindo e sou surpreendida por ele, que me dá um beijo na testa.

Fico emocionada com seu carinho e coragem, afinal, meu pai está aqui do lado. Ficamos observando ele se afastar na noite, até que ouço meu pai dizer:

— Ele é um bom rapaz, esse Naruto, ou melhor, esse meu genro!