O Despertar do Dragão!
1 A Verdade
Esse cara sentado na cadeira de segurança do avião militar, tremendo até os olhos e arrepiado até os ossos sou eu! Um jovem de vinte e cinco anos meio franzino com uma máscara de ar sendo acuado por um homem de roupas pretas que não para de berrar até o último momento antes das comportas se abrirem. Sentia que meu coração rasgaria meu peito e sairia correndo dali carregando minha alma e me deixando sozinho. Quando as comportas começaram a se abrir bem diante dos meus pés e eu não enxergava nada além de nuvens brancas logo abaixo, foi quando tudo pareceu parar, o mundo ficou bem devagar as vozes pareciam distorcidas ecoando de algum lugar até que para meu total desespero a luz vermelha que eu observava fixamente rezando a todos os Deuses que nunca se torna-se verde, fez-se por travessa a minha vontade e nos libertou da segurança de nossos cintos nos lançando a força suprema da gravidade para o meu primeiro ou até quem sabe ultimo "last dive" nome muito encorajador dado aos que se lançam em queda livre a mais de duzentos quilômetros por hora contra um dragão de vinte e cinco metros, sessenta toneladas de pura raiva, pulmões cheio de chamas e antes que me esqueça que pode voar.
Bom serei breve, estou vestindo uma armadura que se encaixa perfeitamente em meu corpo me deixando aproximadamente com 980 Kg, quase uma tonelada e seremos lançados ou melhor dizendo cairemos em queda livre como bombas de uma altura de 10.000 metros (32.808 pés), nos primeiros 300 metros atingiremos uma velocidade de 500 km/h em posição vertical que eu carinhosamente chamo de "posição suicida", até chegarmos ao alvo recebemos dois impulsos de mini-propulsores em nossas costas. O dragão está a 2.500 metros de distância até lá estaremos a mais ou menos uma velocidade de 2.000 km/h, ou seja, os 2.200 metros que nos separam do dragão são percorridos em menos de 5 segundos, a força de impacto serve para atordoar o enorme monstro e
se dermos sorte quebrar sua dura carapaça.
Sabe aquela sensação gostosa da montanha russa quando o carro chega a beira da queda e para e vem aquele frio na barriga? então a sensação é a mesma sem a segurança das barras de proteção. Até os primeiros 300 metros tudo é computadorizadamente calculado, o resto é sorte, o computador de bordo calcula todos os parâmetros como velocidade, movimento, vento e distância para dizer onde vai nos soltar e se qualquer coisa der errado se você se mexer ou até mesmo o vento mudar, meus parabéns você só tem mais dez segundos de vida e nem adianta tentar usar os freadores, depois dos 300 metros eles não suportam a pressão do ar e se rompem. Dos dez mergulhadores talvez cinco atinjam o alvo ou até mesmo nenhum, como eu disse tudo depende da sorte e por incrível que pareça apenas um não atingiu o alvo naquela manhã, passou direto entre a asa e a cauda. Quando percebi que estava preso em destroços da carapaça do animal vi apenas um vulto percorrer o céu rasgando as nuvens e destruindo as barreiras do som. Os outros haviam se espalhado por todas as partes do corpo do animal.
Era como se eu despertasse de um sonho no meio da viagem, entende o que eu quero dizer? tudo estava em movimento, as vozes na minha cabeça que vinham as ordens do "headset" que "Sky-eye" o avião de suporte nos enviava. Nove pessoas tocaram o dragão e claro ele sentiu isso, sua primeira manobra foi virar de ponta cabeça, eu rapidamente ativei meus ancoradores e me prendi a suas costas, dois não foram tão rápidos e caíram, mas sobreviveriam ativando os freadores e nós já havíamos descido aproximadamente 3.000 metros. Dois homens conseguiram implantar as bombas e destruíram asa da direita, não completamente mas o bastante para desestabilizar o dragão, em um movimento de dor o animal criou uma bola de chama a sua frente e fazendo que queimasse quem estivesse em suas costas. Três soldados morreram queimados, eu com a adrenalina trabalhando a mil agia por impulso e soltei um dos encoradores me desequilibrando e caindo por baixo de uma das asas me prendi com um dos ancoradores sobre a pata do animal e me protegi das chamas, o animal me percebeu e se preparou para lançar suas chamas quando uma bomba explodiu em seu pescoço o desequilibrando totalmente. Entramos em queda-livre, meu ancorador não desativava e fiquei preso ao animal.
Eu mal conseguia ver o que estava acontecendo, havia muita fumaça e o impacto com a terra levantou mais poeira ainda e nós caímos em algum lugar escuro e continuamos em queda livre até por fim chegar ao solo. Eu sai ileso graças a armadura e a pata do animal que me protegeu dos impactos diretos com a terra e as rochas. Um barulho de gotejar ecoava sobre o local escuro e uma corrente de vento soprava levemente pelo local, a armadura demorou a se recobrar e reiniciar o sistema para permitir a minha movimentação e logo que funcionou minha primeira atitude foi me afastar do dragão me escondendo a algumas centenas de metros atrás de algumas estalactites. A respiração de Dor do animal e a forma como ofegava dava pra se perceber que estava sofrendo até a morte e talvez como forma de repulsa a dor ele chocava sua cauda contra o chão fazendo todo o local tremer. Eu ainda tinhas as minhas bombas que poderiam por um fim a dor, mas um ultimo urrar e o som de algo se quebrando tudo se silenciou. A curiosidade falou mais alto e eu olhei por cima das rochas que me protegiam e vi um dragão com o triplo do tamanho do que estava caído com olhos amarelos brilhantes me encarando, eu tinha sido visto e senti que algo invadira minha mente descobrindo todos os meus segredos e por fim sua voz ressoou por todo o local.
– Yoshuan não é? A voz era rouca e pesada.
– Me siga! Ele ordenou e eu o segui mesmo contra minha vontade, até por que quem seria o louco de dizer não né?
Eu o segui em silêncio por alguns momentos enquanto reorganizava meus pensamentos e ideias, tinha certeza que já havia o visto em algum lugar e antes de tudo um Dragão que fala, se as histórias forem realmente reais então ele é um Deus Dragão portador de inteligência, um regente do mundo. E como ele podia entrar em minha mente ele só poderia ser um Dragão.
– V-Você é Falkra, não é? O Deus da criação. Perguntei receoso, vai que ele me devorasse por perguntar, mas ele ficou em silêncio por algum tempo.
– Você tem uma boa percepção, vejo que não crê nas histórias dos Deuses, mas isso vai mudar em alguns minutos quando encontrarmos os outros. Ele respondeu e eu quase me borrei todo, meio que acontece quando se tem um dragão de 45 metros na sua frente e que fala e até entra em sua mente.
– Esp-pera ai, outros? Eita porra, outros? É claro que tem outros se ele é um Deus e as histórias são reais, então são doze Deuses, ou seja eu preciso encontrar com mais onze Dragões e eles estão todos reunidos aqui em algum lugar mais a frente. E o maldito só deu uma risada por eu mesmo ter respondido a minha pergunta em minha cabeça, será que eu posso ter um pouco de privacidade pelo menos na minha mente?
Não demorou muito para se revelar o local aberto, imenso com doze tronos relativamente pequenos que aparentemente servia para humanos somente e não dragões de 45 metros cada. Os assentos continham suas marcas que representavam seus Deuses, Falkra a Vida, Yonari o Futuro, Shaman o tempo, Tus o Guerreiro, Ahakri a morte, Lutzva a justiça, Ein o conhecimento, Infri o castigo, Yva a compaixão, Mhaurã o Guardião, Fenri a Astúcia, Calahary o Amor.
Eu estava bem no meio dos doze quando Falkra me chamou a atenção.
– Tire sua armadura Yoshuan e revele-se a sua mãe!
Fale com o autor