P.O.V. Carly

Abro os olhos. Já é manhã e percebo pela claridade no meu quarto posso ver a janela. Tem uma bola de pelos atrapalhando a minha visão.

Me sento na cama e esfrego os olhos. Minha gata, que decidi chamar de mashmallow (por que ela parece um mashmallow) está enroscada em meu travesseiro dormindo. Olho ao redor e vejo mais três camas no dormitórios, todas vazias. Minha mala está ao lado da cama e no criado mudo havia uma capa dobrada, com um símbolo azul e uma águia, um suéter com o brasão de Hogwarts e uma saia pinçada cinza e uma gravata azul. O meu uniforme escolar a partir de hoje.

Ainda sentada na cama me lembro de como eu havia chegado ali...

***

1º de setembro

–Carly, já são 10:00H – Grita minha mãe – O trem sai em uma hora! Você vai perde-lo.

–Tááá- Falo e me sento na cama.

Minha gata, Mashmallow, está sentada perto da porta. Me levanto e abro a porta para ela sair, mas ela continua sentada.

–Okay. Pode ficar aí, não me importo. – Eu digo, mesmo sabendo que ela não vai responder. – Bom dia para você também.

Me sento na penteadeira, penteio meu cabelo e prendo ele em um coque por que não quero molhá-lo hoje.

Pego no armário uma blusa de manga comprida e uma calça e vou tomar banho.

Quando saio do banheiro vejo a passagem no meu criado mudo, “Londres para Hogwarts, plataforma 9 ¾”

–9 ¾ ? Tá de brincadeira – Desço a escada correndo e mal tenho tempo de comer, só tomo uma vitamina e então eu e minha mãe estamos saindo de casa.

Quando chegamos a estação de King’s Kross não vejo nenhuma plataforma 9 ¾

–Mãe, como vamos chegar a plataforma?

–Lembra quando eu disse que seu pai me falou sobre trouxas? Na mesma conversa ele me disse alguma coisa sobre a plataforma ser entre a 9 e a 10. Mas eu não sei qual é o lado certo. – Diz ela enquanto olhamos para a parede entre as plataformas 9 e 10.

Caminho naquela direção e toco na parede. Nada. Mamãe me segue enquanto eu vou para o outro lado. Toco novamente na parede, mas dessa vez minha mão a atravessa. Olho para minha mãe e sorrio enquanto entro na parede. Então vou parar em uma plataforma diferente. Cheia de pessoas com capas e corujas, mamãe aparece instantes depois atrás de mim com o meu carrinho. Caminhamos ela plataforma até chegarmos perto do Expresso de Hogwarts.

Havia um homem vestido de vermelho, no mesmo tom do trem, guardando as malas deixo meu carrinho perto dele e tiro Mashmallow da gaiola.

Depois de um tempo uma garota chamada Cleo, vem falar comigo. Reconheço ela. É a garota do Beco Diagonal. Ela diz que tudo vai dar certo e que não devo me preocupar, também diz que se eu andar com ela, me adaptarei a tudo isso mais rápido.

Às 10:57H me despeço de minha mãe e embarco no Hogwarts Express. Fico conversando com Cleo o caminho todo.

Depois, já em Hogwarts, não me lembro de muita coisa que aconteceu. Estava com medo de não me encaixar em nenhuma das casas que Cleo que disse que tem aqui.

Só me sinto mais calma quando o Chapéu Seletor anuncia:

–Corvinal!

As pessoas de uma das mesas aplaudem, me levanto e entrego o chapéu a professora, sigo em direção a mesa que estava aplaudindo e olhando para mim (deduzi que era a da Corvinal), sento ao lado de um garoto de cabelos escuros e olhos verdes.

–Bem vinda – Ele diz

–Obrigada

–Meu nome é Albus Severo Potter – Ele se apresenta.

–Prazer,Carly Price.

–Você é a primeira pessoa que não cria caso com o fato de eu ser filho de Harry Potter – Ele diz e sorri – Gostei de você.

–Quem é Harry Potter?

–Oh... Você trouxa, não é? Só pode...

–Mestiça, na verdade. Mas minha mãe é trouxa, e eu moro com ela.

–E o seu pai?

–Morreu quando eu tinha cinco anos.

–Ah, sinto muito... Eu não sabia.

–Tudo bem. Você não sabia. Como acabou de dizer.

–Ok... Vamos mudar de assunto, então.

–Ah, claro. Vamos falar sobre... o tempo.

–Como você sabia que eu adoro conversar sobre o tempo? Eu adoro falar sobre a posição das nuvens e como o sol vai brilhar no fim de semana.

–Você não é um bom meteorologista. Não percebe que vai chover por dois dias seguidos e depois vai cair granizo?

Nós rimos. Percebo que os pratos já estavam cheios de comida e eu, com fome. Me sirvo de um pouco de cada uma das opções e começo a comer.

Quando termino de comer os restos da refeição que estava no prato some. Todos se levantam e seguem em direção a porta enorme do salão. Quando todos os alunos da Corvinal estavam indo em direção a escada, vejo os alunos da Grifinória subindo outra escada mais a frente. Avisto Cleo conversando com a garota ruiva que veio conosco no barco. Perco ela de vista quando esbarro em alguém que está na minha frente e só não caio por que alguém me segura.

–Cuidado, criatura!

Era Albus Severo.

–Não sei se agradeço por me segurar, ou se o xingo por me chamar de “criatura”.

–Encare “criatura” como um elogio e me agradeça. De nada.

–Obrigada – Digo com ironia.

–Achei que você era tímida – Diz Albus. – Pela sua cara quando anunciaram seu nome, pensei que fosse do tipo que tem medo de pessoas.

–Deponde da pessoa. E sim, eu sou tímida. – Falo – Mas me solto mais quando conheço melhor as pessoas.

Paramos na frente de um quadro de uma mulher com um vestido vermelho.

–Senha? – Pergunta a mulher do quadro.

–O q-quadro falou? – Pergunto

–Sim. Os quadros falam e algumas fotos se mexem – Responde Albus.

A garota que estava nos guiando diz algo que não consigo entender, e o quadro se abre revelando uma sala enorme com poltronas e cortinas azuis. Os alunos novos param e eu também. Albus se senta em uma poltrona perto da janela.

–O dormitório dos meninos fica lá em cima, à direita. O das meninas à esquerda. Os seus pertences já foram levados para lá. – Diz a garota que estavam nos guiando.

Alguns dos garotos novos vão para cima, enquanto outros (como eu) permanecem na sala. Me sento em uma poltrona perto de Albus. Uma bola branca pula no meu colo e me assusto, depois percebo que é só Mashmallow querendo carinho.

Eu tinha esquecido que ela vem me seguindo desde que saí do barco. Começo a acariciá-la atrás das orelhas.

–Isso é um gato ou um travesseiro? – Pergunta Albus apontando para Mashmallow.

–É minha gata – respondo – Eu sei que parece uma bolinha, mas não confunda.

–Se você encontrá-la sendo atirada para todos os lados nos treinos de quadribol... Não reclame.

–O que é Quadribol? – Pergunto

–É um jogo muito popular no mundo dos bruxos. Cada time tem sete jogadores, um goleiro, dois batedores, três artilheiros e um apanhador. São quatro bolas, a Goles, os balaços e o pomo de ouro. O goleiro protege o gol e tem que impedir que o outro time faça um gol. Cada gol vale dez pontos, os batedores defende o time dos balaços, que são bolas que ficam tentando derrubar os jogadores. Os artilheiros são os que tentam marcar pontos usando a Goles. O apanhador só precisa pegar o pomo de ouro que vale 150 pontos. Nos jogos da escola, quando o apanhador pega o pomo e o jogo acaba, o time que o pegou vence. Nos jogos normais o jogo acaba quando um dos times pega o pomo e o time com mais pontos vence.

–Parece ser um jogo bem legal. Como você sabe tanto?

–É o esporte favorito do meu pai. E o meu também. Quando ele estudava aqui era apanhador – Diz Albus. – Eu quero jogar no time da Corvinal. Quando começarem os testes vou tentar para goleiro ou batedor.

–Hum – É só o que consigo dizer

–Agora me fale sobre você

–O quê?

–Eu já falei de mim. Agora é a sua vez.

–Na verdade, você não me falou sobre você. Só me contou que queria ser goleiro. Mas tudo bem. Eu nasci em Nova York. Meu nome é Carly por que minha mãe acha o nome bonito. Nos mudamos para Londres quando eu tinha cinco anos, que foi quando... – Paro de falar, eu não gosto de falar sobre isso, e já era a terceira vez (só hoje) que o assunto surgia – Quando meu pai morreu. Eu estudava em colégio perto do centro, no meu aniversário desse ano, eu explodi espelhos em cima de uma garota chamada Suzannah, ela era do mal. Aí eu recebi a carta,conheci a Cleo. – Percebo que ele está confuso, sobre quem ela é, então completo: -Ela foi para a Grifinória.

–Legal. Talvez conheça o meu irmão que está no terceiro ano, e minha irmã, que acabou de entrar.

–Sua vez.

–Okay. Eu nasci em Londres mesmo e meu nome é uma homenagem a dois diretores de Hogwarts. Albus Dumbledore e Severo Snape. Recebi a carta no ano passado, e fiquei com medo de ir para a Sonserina. Meu pai disse que se fosse importante, eu poderia pedir ao chapéu para ir para a Grifinória. Mas eu não pedi. Só esperei ele anunciar para onde eu iria e... aqui estou eu.

Fico um tempo olhando para a janela, processando tudo o que aconteceu comigo hoje. Percebi que estava cansada. Então, seguro Mashmallow (que adormeceu no meu colo) e digo a Albus:

–Estou cansada. Vou dormir. Er... Boa noite.

–Boa noite – Ele fala – Até amanhã.

Subo a escada até o dormitório das meninas, o quarto tem quatro camas. Três delas estão ocupadas pelas outras garotas que vieram para Corvinal. Uma delas está dormindo na cama perto da porta e as outras duas estão conversando sobre assuntos que viram nos livros.

Caminho em direção a cama perto da janela. Minha mala está ao lado. Vou ao banheiro, visto um novo coque para dormir.

Mashmallow ocupa boa parte do meu travesseiro. Empurro-a um pouco e me deito. Durmo no mesmo instante.

***

Muita coisa aconteceu em tão pouco tempo...

–Estou atrasada!

Pego o uniforme e corro para o banheiro. Tomo banho o mais rápido que consigo e me arrumo com tal rapidez. Jogo meus livros na bolsa, junto com pergaminhos, um tinteiro e uma pena.

Desço correndo a escada, e a sala está vazia. Empurro o quadro e saio correndo. Quando estou descendo a escada, tentando achar o salão principal, quase caio da altura de dois andares. As escadas mudam de lugar! Minha sorte foi que consegui parar a tempo e me segurar no corrimão, espero ela ter a boa vontade de parar em algum andar e volto a correr. Quando finalmente acho o salão principal, todo mundo está saindo dele.

Droga. Pensei.

–Carly – Albus aparece ao meu lado — O que aconteceu? Você perdeu o café.

–Eu percebi. – Falo

Estava com o mesmo uniforme que eu, tirando o fato de que ele estava de calça ao invés de saia.

–Mas por que você se atrasou? –Pergunta

–Acordei tarde. Uma escada tentou me matar. E eu me perdi – Digo ofegando. – E estou com muita fome – Completo com a mão no joelho, esperando minha respiração voltar ao normal.

–Eu ia pegar uma coisinha para você. Mas aí lembrei que você pode pegar muito mais... – Ele diz – Vem comigo.

–Mas eu vou me atrasar – Digo

–Qual o problema? Depois você pega o assunto com suas colegas de quarto.

–Estou começando a achar que você não é boa influência.

Mas mesmo assim o sigo.

Notas finais
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