O Despertar da Rosa Branca
8 O mercado de Umbra-Nor
— Com base em quê, Sr. Eryon? — minha espada já havia se encolhido, transformando-se em um bracelete, e meus olhos não brilhavam mais em dourado.
— Você está vendendo mercadorias ilegais — continuou o guarda atrás dele. Permaneci em silêncio até que um menininho elfo gritou:
— Não é verdade! A princesa veio nos salvar!
— É verdade... — vários outros confirmaram a história, mencionando o velho que havia fugido. Foi então que Eryon baixou a espada, e começamos a conversar enquanto os guardas retiravam os elfos e criaturas mágicas das gaiolas.
— Onde ele está? — ele se aproximou de mim, ainda com uma expressão fria e séria.
— Eu não sei. Ele pronunciou alguma magia sombria e desapareceu. — Antes que Eryon pudesse continuar o interrogatório, uma menininha veio me abraçar. Agachei-me gentilmente enquanto ela continuava a me chamar de princesa.
— Dodói! — ela apontou para o meu pescoço, que havia encostado na espada. Num gesto rápido, senti dedos frios em meu pescoço. Era magia de cura, eu não sabia que ele conseguia fazer isso.
— Príncipe! — a menininha elfa sorriu e se jogou nos braços de Eryon, que se agachou para abraçá-la.
— Eu te avisei para não brincar sozinha. O que aconteceu, Hallia?
— Senhor Eryon, desta vez foi o nosso vilarejo que foi atacado. — Uma voz tímida surgiu atrás. Era a mesma menina do vilarejo de Hallia. Pelo que entendi, alguns territórios e vilarejos faziam fronteira com o Reino Arenlindor. Assim que tudo foi esclarecido e resolvido, os elfos e algumas criaturas mágicas foram escoltados pelos soldados para retornar para casa em segurança.
— Princesa? — Eryon me perguntou.
— Não, Vossa Majestade. Eu sou Aurelis Lirae, do Reino Luminara.
— Vossa Majestade? Por favor, me poupe dos palavreados requintados de vocês da capital — afirmou, com um tom ríspido.
— Está bem então, Sr. Eryon — respondi enquanto saíamos daquela casa e caminhávamos pelas ruas. Eu ainda podia ver alguns guardas atrás de nós, porém mais afastados.
— O que faz aqui, Srta. Aurelis? — ele foi direto.
— Eu vim comprar mercadorias para o Sr. Goty — respondi.
— Veio comprar flor da lua?
— Também. A flor da lua é meu item. Mas não consegui encontrar o que o Sr. Goty pediu. Então, um homem no mercado me indicou vir aqui.
— Sabe quem ele é? O informante? — ele parecia sério, ainda investigando.
— Se eu o ver, saberei sim. — Coloquei o capuz novamente sobre a cabeça, e ele fez o mesmo. Eryon gesticulou para os guardas, e nós dois seguimos em direção ao mercado.
— Por que tanto interesse na flor da lua?
— Eu tenho uma espada mágica que consome muita vitalidade. Tomei o chá da flor da lua pela primeira vez e... — O que eu estou fazendo? Por que confiei nele tão rapidamente? Não sabia quem ele era, estava em seu território e... a Rosa parecia tão tranquila, como se ele fosse seguro. Era seguro caminhar ao lado dele naquele momento.
— Continue... — ele me incentivou, um pouco curioso, mas seu rosto ainda não mostrava muitas expressões.
— O chá da flor não só me trouxe vitalidade, mas também clareza, como se meus pensamentos confusos fossem organizados. — Concluí quando chegamos ao mercado.
— Boa percepção. As pessoas comuns só falam que tem um cheiro de jasmim e um leve sabor adocicado. — Ele parecia se divertir ao dizer isso. Enquanto passeávamos pelo mercado, aproximei-me mais dele, segurando seu braço.
— O que você está fazendo? — ele me olhou, mas seu corpo permaneceu imóvel.
— Sh... as pessoas estão comentando se somos um casal ou não. Isso faz parte do disfarce. — Concluí, enquanto meus olhos observavam atentamente os homens do mercado. Foi então que o vi. O informante. Falei com ele discretamente, ele fez um sinal bem discreto para os guardas, que o prenderam. O mercado estava agitado naquela noite. Assim que tudo foi resolvido caminhamos em direção ao meu cavalo.
— E seus itens, Sra. Aurelis? — ele me perguntou.
— Não tive sorte desta vez — respondi, sorrindo um pouco frustrada.
— Acho que sua percepção está errada. — Ele disse convencido.
— O que? Como assim? — perguntei, intrigada.
— Você conseguiu todos os itens hoje. Faltou apenas a flor da lua. — Ele segurava a lista dos itens com os dedos. Como ele foi tão rápido? A lista estava na minha capa, ele deve ter retirado muito rápido e não percebi. Ele confirmou comigo sobre os dois itens que estavam faltando e pediu a um guarda que os buscasse e me entregasse.
— Essa será sua recompensa por ter ajudado a prender um dos criminosos que estamos investigando na cidade.
— Obrigada pela recompensa, Sr. Coração Gelado — fiz um gesto de agradecimento, curvando-me como os nobres fazem.
— É isso que as pessoas andam falando de mim? — Ele começou a rir. Pela primeira vez, vi o sorriso de Eryon. Mesmo com a cicatriz em seu rosto, ele já não parecia tão assustador.
-Siga-me — Ele falou.
— Para onde estamos indo? — perguntei.
— Você irá ver.
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