O Despertar da Aurora
3 III
— Bom dia — Walson endireitou-se, claramente desconcertado.
Aurora apenas acenou com a cabeça novamente. Era a forma mais confortável de mostrar que estava disposta a continuar com aquela sequência de acontecimentos, a interação forçada entre ela e aquelas duas pessoas. Imaginou o que aconteceria assim que estivesse segura, por quanto tempo teria que se esconder, e se não seria melhor simplesmente retornar à Suíça com sua família, onde nada de revelante realmente acontecia.
— Quer comer alguma coisa? — perguntou Walson, parecia que sua intenção real era estabelecer uma conversa com Aurora, custasse o que custasse.
A garota pensou em indicar sua posição mais uma vez com um movimento da cabeça, mas achou melhor abrir a boca. Pareceria agradável, pelo menos o rapaz era mais receptivo que Lorin, quem sabe não concordasse em ajudá-la assim que pensasse em fugir?
— Sim — respondeu ela, decidida.
Lorin acomodou-se no interior do furgão, levando a cerveja à boca continuamente. A expressão em seu rosto fazia parecer que estava bebendo por pura força do hábito, não que estivesse realmente degustando o líquido amarelado.
— Trouxe salsichas — informou a mulher, seriamente.
Walson tocou a sacola da direita, a palma repousando sobre ela por um tempo prolongado, como se estivesse sentindo a temperatura.
— Estão frias — disse Walson.
— Não tem problema — Aurora se apressou em dizer.
Mas o semblante de Lorin indicava insatisfação, seus olhos apontando para Walson.
— Esperava o que? — indagou ela, gesticulando violentamente. Parte da cerveja caiu sobre o carpete do furgão. — Salsichas quentinhas com ovos mexidos?
Walson apenas a encarava, as sombrancelhas caídas.
— Comprei no setor de congelados do supermercado — Lorin bebericou mais um pouco, notando, assim que tirou a lata da boca, que ela agora se encontrava vazia.
Aurora apenas observava, apática. Era como visualizar um amigo levando bronca da própria mãe na sua frente, não tinha muita ideia do que fazer.
— Prosseguindo — começou Walson, ignorando o que acabara de acontecer. Não havia muito sentido em dizer "prosseguindo" quando não havia nada que houvesse dito anteriormente para ser prosseguido. — Aqui estão as salsichas.
Ele tinha retirado a embalagem plástica de dentro da sacola, contendo uma quantidade determinada de linguiças rosadas e convidativas. Era como se, assim que tivesse colocado os olhos nas salsichas, o estômago de Aurora tivesse se lembrado que estava com fome. A adolescente acompanhou, minuciosamente, enquanto Walson rasgava a superfície do acondicionamento e o inclinava na direção dela.
— Obrigada — agradeceu, enquanto retirava uma salsicha do interior da embalagem. Mal via a hora de abocanhá-la.
— Seria bom se você tivesse trazido dinheiro com você — a voz de Lorin agora encontrava-se mais suave, ainda rouca, mas suave. Talvez ela se acalmasse um pouco depois de tomar uma cerveja.
Aurora olhou para ela, descobrindo que Lorin falava com a própria garota. O que responderia? Sim, seria. Que pena. Talvez não. Não é necessário, não pretendo ficar muito tempo com vocês. Assim seria melhor.
Será que Lorin pensava que Aurora ficaria escondida com eles por um longo tempo? Provável que não, a garota traria muita despesa para aqueles dois viajantes solitários. Porém, apenas por garantia, era melhor evidenciar que não estava disposta a fazer parte da trupe.
— Lorin — a adolescente se arrependeu, assim que começou, de ter usado o nome da mulher para se dirigir a ela.
As palavras seguintes não saíram.
Lorin sorriu, um pouco descontraída, para ela. De início, parecia disposta a escutar o que Aurora tinha a dizer, mas então, relaxou os ombros, percebendo que o que quer que fosse, não seria expressado com facilidade.
— Quer saber mais sobre o que eu falei ontem, não é? — o tom de voz da mulher não era o mesmo que ela havia utilizado quando aproximou-se de Aurora naquela manhã. Comunicava-se como uma mentora, dessa vez, não mais como uma tenente militar.
Era uma mudança um tanto súbita, entretanto, interessante. Lorin possuía, nela, características de chefe e líder.
Aurora permaneceu um tempo parada, não era exatamente aquilo que queria, mas sentiu-se atraída pela ideia de que finalmente receberia explicações por toda a confusão que estava acontecendo. Continuou sem expressão, aguardando que Lorin iniciasse as justificativas, para, aí sim, deixar claro que teria que ir embora quando possível.
— Pois bem — Lorin posicionou a lata de cerveja vazia ao seu lado e ajeitou-se em um dos assentos do furgão. Parecia querer se preparar para o que estava prestes a dizer. -, espero que você seja uma pessoa de mente aberta.
Walson tornou o rosto para a adolescente com um sorriso meio sem graça, com toda a certeza também conhecia as explicações que seriam dadas pela portadora do terno branco. Não esperava menos, o rapaz viajava sozinho com Lorin, e uma de suas paradas ocorreu justamente para que pudesse salvar Aurora do ataque de uma criatura sobrenatural. Aquelas informações eram fatos em sua mente.
Aurora acenou com a cabeça. Estava quase se mostrando uma mania.
— Não faz muito tempo que os seres humanos deixaram de estar no topo da cadeia alimentar — começou Lorin, enrijecendo o corpo. -, o posto é agora ocupado por aqueles seres, os quais nós chamamos de Hisanna.
O estômago de Aurora começava a pesar, como se a explicação de Lorin fosse fantasiosa demais para ser absolutamente verdade. Entretanto, sabia que tinha que ser verdade, ela havia vislumbrado o ser com seus próprios olhos. A estrutura gosmenta caminhando em direção a ela.
— Porém — continuava Lorin. -, eles são apenas artifícios da seleção natural. Suponho que já tenha ouvido falar desse conceito.
— Seleção natural? — indagou Aurora, rapidamente.
Aquelas palavras lhe eram familiar, mas não conseguia se lembrar, precisamente, de onde.
— Charles Darwin — Lorin tentou ajudar, visivelmente. — Você costuma dar isso no ensino médio.
Nada. Aurora ainda não reconhecia aquele conceito, mesmo tendo ideia de quem havia sido Charles Darwin. Havia parado de estudar assim que concluiu o ensino fundamental, se aquele assunto era mencionado no médio, ela não saberia dizer.
— Tudo bem — consentiu Lorin, notando a expressão confusa de Aurora. -, é melhor prestar atenção, então. — Ela deslocou-se um pouco mais para a ponta do assento. — Os Hisanna surgiram, no planeta, para eliminar os seres humanos que não sofreram as adaptações necessárias para sobreviver a eles.
Aurora não conseguiu evitar o desgosto. Sabia que Lorin estava tendo cuidado para não exagerar demais nas informações, ou bombardeá-la e deixá-la mais confusa do que já estava, porém, não estava tendo nenhum resultado. Nunca fora muito boa em assimilar ideias rapidamente.
— Ou seja, alguns seres humanos nasceram com mutações genéticas, habilidades que os fazem diferentes — explicava Lorin. — Esses são os seres humanos que irão herdar a terra quando os Hisanna terminarem de eliminar os ordinários. No caso, nós.
— Nós? — começou Aurora, sem conter o semblante horrorizado. O que havia entendido da explicação havia sido o suficiente para que se sentisse indignada.
— Você faz parte da evolução da espécie humana, assim como eu e Walson — a voz rouca permanecia instrutiva. — É por isso que tem habilidades fora do normal.
Aurora virou o rosto, era muito para absorver. Acreditaria ou não? Que escolha tinha? Talvez a verdadeira pergunta envolvesse o fato de ela não querer acreditar no que a mulher estava falando.
— E quais são suas habilidades? — perguntou Aurora, voltando o rosto para Lorin novamente. Era possível visualizar a seriedade retornando.
— As mesmas que as suas — Lorin não demorou a responder.
— E que habilidades são essas? — a boca de Aurora insistia em continuar aberta.
— Bom — Lorin mantinha a calma, apesar de deixar um tanto claro que sentia-se levemente incomodada com o transtorno repentino de Aurora. -, até então identificamos quatro, mas é possível que haja mais.
— Você também pode escalar paredes? — perguntou Aurora. Lorin não havia respondido com exatidão o que havia perguntado.
Lorin saiu do furgão, a expressão contida, e posicionou-se contra a parede metálica do veículo. Ela encaminhou o olhar para a adolescente, que a encarava, e repousou, uma mão de cada vez, na superfície lateral, subindo lentamente, como se estivesse em uma malha grudenta. Aquela atitude fora a resposta.
Sem perceber, os olhos da garota encheram-se de lágrimas. Ela não entendia o por quê, mas sentia um aperto gigantesco em seu peito naquele momento. O fato de encontrar outras pessoas como ela a impactaram de modo indescritível.
— Ela é bastante sensível — comentou Walson, sussurrando, para Lorin.
De repente, uma raiva de si mesma a invadiu. Acabara de perder o equilíbrio na frente de desconhecidos, e o pior, desconhecidos com características em comum com ela.
Não sabia mais se queria sair de perto deles tão rápido, precisava entender um pouco mais sobre suas habilidades. Talvez nem tanto a história de seleção natural, mas os pontos objetivos. Quais eram as quatro habilidades, por que os Hisanna vieram atrás dela, já que não era uma humana comum, e o que exatamente eles eram.
O descontrole havia tirado qualquer discernimento entre realidade e fantasia, e ela agora encontrava-se mais que convencida no que haviam lhe dito. Estava mais que pronta para ouvir mais.
— Perdão — desculpou-se ela, limpando os olhos, a maquiagem do dia anterior permanecia sobre seu rosto. Ela endireitou o corpo, buscando sinalizar que voltara a si, e exibiu um leve sorriso. Esperava que estivesse transparecendo confiança.
Lorin sentou-se na parte de cima do furgão, com as pernas pendendo além do teto. A mulher examinava Aurora com olhos de águia, aparentemente realizando uma decisão.
E enfim, ela disse:
— Vamos fazer uma caminhada.
Walson tornou o rosto para Lorin, claramente com a intenção de contrariá-la.
— Tem certeza de que é uma boa ideia? — indagou o rapaz, tocando a franja ondulada dos cabelos que desciam até o ombro.
Lorin permaneceu parada, encarando-o, como se esperando que Walson justificasse o motivo daquela pergunta.
— Com tudo o que aconteceu ontem — explicou ele. — É provável que o rosto de vocês duas já seja bem conhecido em Munique.
Lorin bufou, transparecendo decepção com relação ao argumento de Walson. De fato, ou não concordava com ele ou tinha algo a mais a dizer. A moça saltou do teto do furgão, alcançando o chão em um pouso certeiro.
— Acha mesmo que eu levaria ela para a cidade? — perguntou Lorin, fazendo parecer que a resposta para aquela pergunta era nada menos que óbvia. Indicou para Aurora com a cabeça, e fitou Walson com os braços cruzados.
O rapaz olhou para o lado, desconfortável, exibindo a lateral límpida do rosto. Possuía a mandíbula alargada, e os cabelos negros finos como cadeias de aminoácidos que formavam uma teia de aranha.
— Não precisa se preocupar – disse a mulher, dirigindo-se à Aurora, como se ela tivesse se preocupado com o que Walson acabara de supôr. – Estamos bem longe do centro de Munique. É provável que nunca nem tenham ouvido falar de você.
Aurora apenas fez um gesto com a cabeça, assentindo. Não encontrava-se preocupada com aquilo, mesmo que suas vestes não fossem apropriadas para um passeio ao ar livre — ainda trajava a fantasia da atração final do circo. Naquele momento, sua preocupação centrava-se em obter mais informações.
Precisava saber sobre cada elemento com o qual lidava. Não era fácil para ela assimilar a ideia de que não era humana, muito menos de que estava na presença de outro sobre-humanos. Suas habilidades ainda eram desconhecidas, e a importância que teria no futuro do mundo, ainda muito surreal. As breves explicações que acabara de receber ainda circulavam em sua mente, como pontas soltas de um grande mecanismo ainda não descoberto.
— Estamos indo — disse Lorin, para Walson, praticamente sinalizando que ele não era bem vindo naquela caminhada.
Ela seguiu em frente, com os olhos fixos em uma trilha rural que se formava diante dela, as folhas secas caídas no chão contribuindo para o acúmulo de húmus que se formaria dali a algum tempo. O inverno chegava, e a paisagem à sua volta anunciava isso.
Walson suspirou. Provavelmente encontrava-se abalado por não ter pulso suficiente para deter aquela mulher — Lorin — de fazer o que queria, no caso, dar uma caminhada com Aurora. Quase sentia pena dele, imaginando como deveria ter sido uma longa e exaustiva jornada ao lado dela, sem que pudesse ter muito poder de decisão.
— Vamos? — Lorin inclinou o rosto um pouco para trás, notando Aurora destraída. O semblante rígido.
A adolescente nem ousou dizer alguma coisa, apenas apressou o passo e tratou de seguir o ritmo de Lorin, os cabelos frisados da moça movimentando-se com as leves rajadas de vento que chegavam do norte. Considerou que talvez ela demorasse um tempo para começar a falar, mas, quando menos percebeu, já abria a boca.
— É muito cedo para dizer algo como isso — exprimiu Lorin, sem olhar para trás. Parecia nem se incomodar com a brisa fria em sua pele. -, mas... você precisa escolher um lado — dessa vez, ela fitou Aurora, de relance.
Aquele havia sido um comentário intrigante. A impressão que a garota havia tido fora a de que haviam apenas dois lados, o lado dos Hisanna, criaturas do mal, e o lado dos humanos e sobre-humanos. Seria possível que Lorin estivesse se referindo a esses dois lados? Por que raios Aurora escolheria o lado dos Hisanna?
— Como evolução da raça humana, não temos o dever de lutar pelos próprios humanos — explicou a mulher. Pelo tom de voz, aquele era um assunto que também a afetava, mas ela não queria demonstrar muito isso. -, entretanto, muitos de nós pretendem fazer isso.
Aurora seguia as árvores que se erguiam à direita, um tanto pensativa. Os troncos esguios que sobressaíam-se, com maestria, formavam uma coluna natural para a floresta. Eram magníficos. Seus olhos passavam por eles enquanto sua mente absorvia os comentários de Lorin.
Não pensou que houvesse sobre-humanos que rejeitassem lutar contra os Hisanna. Quer dizer, claro que pensou, pois era um caso comum em todas as situações. Mas imaginou que cuidar dos humanos fosse mais uma obrigação do que uma opção.
— Ah, e falando nisso — continuava Lorin. — Nós nos denominamos Shinkas.
Aurora franziu o cenho. Hisannas. Shinkas. A pessoa que havia criado aqueles nomes deveria estar bem inspirada. Ou talvez significassem alguma coisa em outra linguagem.
— É japonês — respondeu a moça, como se tivesse lido sua mente.
Os ventos ficavam mais fortes conforme caminhavam, o bafejo gélido invadindo a vestimenta delicada de Aurora. Ela tentava não transluzir muito que estava sentindo frio, mas pela expressão no rosto de Lorin, a mulher já havia percebido.
— Você devia ter trazido um cobertor do furgão — observou ela, sem ao menos estremecer com a frieira que chegava.
— Eu sei — disse Aurora.
Vapor quente saía de suas bocas enquanto falavam, e a floresta ao lado delas parecia querer comunicar-se também, com traços de neblina surgindo dos espaços entre os troncos. A vegetação encontrava-se em transição para um estágio sombrio, com poucas folhas e coloração mais escura.
— Como eu ia dizendo, podemos decidir de que lado ficar — discursava Lorin, enquanto pisava sobre as folhas secas do outono. — O nosso lado, dos Shinkas, ou o lado dos humanos.
— Que lado você escolheu? — perguntou Aurora, reprimida. Pela forma como Lorin falava, não tinha muita certeza se estava do lado dos seres humanos.
— Acredito que eu não tenho lado — expressava-se ela. Agora ela olhava para a garota com mais frequência. — Sou uma espécie de mercenária, vou para onde me oferecerem mais.
— E que lado está oferecendo mais, agora? — a adolescente sentia-se mais confortável em fazer aquelas perguntas, combatendo a intimidação que Lorin causara nela.
— O lado dos humanos.
A mulher não parecia mesmo estar seguindo um destino fixo, davam voltas e mais voltas ao longo da trilha, como se a intenção daquela caminhada houvesse sido apenas conversa. Já era de se imaginar, mas, durante o percurso, Aurora imaginou se, realmente, Lorin não quisesse levá-la a algum lugar.
O sol já se encontrava mais consistente no céu, iluminando as diversificadas folhas do ambiente ao seu redor com mais intensidade. A folhagem parecia mais alegre, despertando de um longo e profundo sono.
— O lado dos humanos, no momento, é o mais favorável para mim — disse Lorin, sem, de certo, explicar o por quê. Se não havia dito, era provável que não desejasse revelar, até então.
— E... me salvar ajuda os humanos? — indagou Aurora, fugindo um pouco dos motivos de Lorin para escolher o lado humano.
— Não exatamente — a adolescente conseguiu sentir o desconforto na voz dela, como se estivesse respondendo a alguma coisa que Walson falara, contra sua vontade. Provável que Lorin tivesse achado aquela pergunta meio idiota. — Salvar você ajuda os Shinkas — enfim, respondeu. -, pois impede que os Hisanna coloquem as mãos em um dos nossos e tentem descobrir formas de nos derrotar.
— É como uma guerra secreta, não é?
— Não é secreta — disse Lorin. — É emergente. Instituições governamentais do mundo inteiro tentaram esconder a nossa existência, mas não adiantou.
Aurora acenou com a cabeça. Era daquela forma que correspondia sempre que não sabia o que fazer. Nunca tinha ouvido falar de Shinkas ou Hisannas, mas, pelo visto, aquela não era uma informação sigilosa.
— Se você prestasse atenção na mídia — continuava a mulher. — Veria que já está bem claro que nós existimos — ela vetou os passos. — Não nos chamam de Shinkas, obviamente, mas nos enxergam como espécies de super-heróis que vieram salvar a humanidade dos Hisanna.
— Então a humanidade já sabe dos Hisanna — conformou-se Aurora, parando ao lado de Lorin.
— O que você esperava? Eles aparecem em qualquer lugar, matam humanos e somem — comentou, com uma pontada de irritação. Agia como se não tivesse paciência para pessoas que faziam comentários estúpidos ou, ao menos, que não fossem bem informadas.
Ela estudou o ambiente ao seu redor, verificando características específicas que Aurora não soube discernir, e confirmou com a cabeça, indicando que aprovara aquela localidade.
— Bom, acho que aqui está perfeito — concluiu Lorin, enrijecendo o corpo.
— Perfeito para quê? — Aurora encontrava-se receosa.
— Para lhe ensinar algumas coisas — a mulher exibiu um sorriso desafiador.
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