Cinco dias se passaram desde que a jovem Eve, Chefe de Segurança de Bergham, voltara à Dollenham, trazendo consigo o homem que podia ser a única salvação daquele povo: Hellion.

Nos dias que se seguiram à chegada, não houve investigação alguma. Como o planejado, estabeleceram-se em uma casa bastante simplória e sem mobília, alugada pela Chefe de Segurança no centro da província de Bergham.

Se quisesse a ajuda de Hellion, teriam de agir secretamente, uma vez que, se fosse visto publicamente e isso chegasse aos ouvidos do governo, seria imediatamente expulso, ou – o que era mais provável – tentariam prendê-lo.

O cargo de importância permitia à jovem mulher ter acesso a todos os resultados das investigações realizadas pela aliança entre as cidades. Uma vez por dia, visitava seu gabinete na Central de Segurança de Bergham, procurando por novos resultados que quase nunca encontrava.

O tempo que tiveram desde o retorno servira apenas para que Eve passasse todas as informações que tinha para o velho homem, que assimilava tudo o que era dito sem perguntar uma segunda vez.


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– Olá?



Eve estivera tão imersa em seus pensamentos que demorou alguns segundos para perceber que batiam à porta. Com um sobressalto, levantou-se e foi até ela. Quem esperava do outro lado era uma jovem. Provavelmente alguns anos mais nova do que Eve. Tinha cabelos ruivos e lisos que levava presos em uma trança, o rosto era levemente arredondado, os olhos verdes e as feições reservadas e intelectuais. Vestia-se austeramente, usando branco e marrom claro.


Levou alguns segundos para notar que, atrás da jovem, havia outra pessoa: um homem. Esse aparentava cerca de quarenta anos de idade. Era magro e alto. O rosto fino era enfeitado por cabelos negros, curtos, e um grosso bigode.

– Bo-boa tarde – gaguejou, tentando ao máximo disfarçar a confusão. – O que desejam?

– Eve, – Hellion aproximara-se sem que a jovem percebesse. – quero lhe apresentar... – indicou as duas figuras postadas à porta. – Vein, minha filha, e Elliot, seu professor na Universidade de June.


Passados os cumprimentos e apresentações, Hellion explicou à Chefe de Segurança que convocara-os para que ajudassem, frisando o quanto a presença dos dois lhes seria útil.



Eve havia ganhado novos hóspedes. E novos aliados.



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O bar estava barulhento, como de costume. Dele vinha a única luz naquele beco escuro. Aglomerações de homens entregues aos prazeres da bebida tomavam conta do estabelecimento. Apenas um parecia afastado. Naquela noite, um persistente enjoo o estava impedindo de se unir aos colegas.



Massageando o estômago, saiu do bar para respirar um pouco do ar puro e contemplar o céu noturno. O que pôde fazer em paz por apenas alguns segundos...



Aaargh!

Um urro de dor escapou por entre os dentes. Uma dor lancinante tomava conta do calcanhar. Atônito, olhou para baixo. O coração disparou ao vê-la. Uma cobra em meio à cidade?!

Mal tivera tempo de se surpreender, uma sombra surgiu a poucos metros. A figura coberta por um manto negro disparou em sua direção. O barulho de ferro colidindo contra ferro encheu o ar. Com a rapidez adquirida do treinamento, o soldado desembainhara a espada e bloqueara a adaga do encapuzado. Contra-atacou com agilidade, cravando a espada no local que deveria estar o ombro do assassino.

A porta do bar foi escancarada. Cerca de uma dezena dos colegas, também soldados, disparou em direção à figura negra. Provavelmente o urro de dor que emitira com a picada chamara-lhes a atenção. As espada já estavam em punho, preparadas para defender o amigo.

Em um piscar de olhos, porém, não havia mais nada a ataca-lo. O encapuzado estivera ali... há um segundo atrás. Agora não havia mais nada. Pelo menos, nada visível aos olhos humanos.

Em uma fração de segundo, uma adaga cravou-se na jugular do homem, que gritou de dor pela última vez.


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Os primeiros raios de sol ainda despontavam no horizonte e Eve já estava a caminho de seu gabinete. Hellion e seus dois novos inquilinos haviam ficado na casa, estudando incessantemente uma pilha de livros trazida por Vein. Ela não os interrogara sobre o conteúdo, mas a curiosidade era uma companheiro constante da jovem Chefe de Segurança.



Cerca de uma hora depois, já retornava. Nos olhos estava visível a decepção. Afinal, a única notícia que havia recebido fora...



– Mais um vítima – anunciou, assim que entrou na casa.

Todos ergueram os olhares. Eve percebeu que esperavam mais detalhes.

– Parece que dessa vez houve uma tentativa de reação. A vítima era um soldado, que conseguiu resistir por algum tempo ao ataque. Os colegas de profissão estavam em um bar próximo. Ouviram-no e foram socorrê-lo. A partir daí os relatos são confusos: os soldados disseram que, ao chegar, viram apenas um borrão negro, que simplesmente desapareceu. Um segundo depois, havia uma adaga no corpo do homem. Estranhamente, foram encontradas também marcas de uma picada de cobra – ela suspirou. – Bem, como os soldados estavam em um bar... supõe-se que estavam sob o efeito de litros de bebida alcoólica. Então ninguém deu muita credibilidade para o relato que deram – fez uma pausa prolongada. – Pelo menos dessa vez não houve como o assassino levar o corpo...

Eve viu que Vein levantou-se um pouco na cadeira, como se houvesse se lembrado de algo importante. Fitou-a com feições de interrogação.

– Se houve uma luta... – disse a filha de Hellion. – deve haver no corpo do homem um fio de cabelo, ou algo assim, certo?

– Não exatamente – respondeu, confusa. – Os assassinos desse “grupo” estão sempre vestidos com um manto negro, usando o capuz... então, é pouco provável que tenha caído um fio de cabelo.

Vein sentou-se novamente, tomada pela decepção.

– Ah, mas... – Eve lembrou-se de repente. – parece que o homem conseguiu cravar uma espada no ombro do assassino antes de morrer. O crime aconteceu apenas há algumas horas, então ainda deve haver...

– Sangue! – Vein levantou-se. – Eve, eu preciso de uma amostra desse sangue. – seus olhos brilhavam de ansiedade. – Com isso, vamos poder encontrar o assassino!

Notas finais
O próximo capítulo será mais animado :)
Espero que continuem acompanhado e gostando.