Se havia naquela praça algum som além do canto das cigarras, o homem não percebia. Sonolento e atordoado pelos efeitos da bebida, permanecia inerte e jogado no banco de madeira.

Era uma madrugada escura, sem lua e com poucas estrelas, o que reduzia aquela praça a um verdadeiro breu. Uma escuridão na qual não se podia enxergar um palmo a frente.

A morte chegou em uma fração de segundo. Se ele pôde sentir a lâmina fria cravando-se em sua garganta ninguém poderia dizer. Caiu do banco, tombando no chão para nunca mais se levantar. Em alguns segundos, tudo o que restaria de sua existência seria uma larga poça de sangue maculando a grama.

– Um velho esquelético não é exatamente do que o Mestre precisa.

Duas figuras encapuzadas postavam-se a alguns centímetros do corpo. De algum modo, a escuridão não parecia impedir-lhes de ver. Com um chute, um dos seres virou o cadáver. Por alguns segundos, pareceu avalia-lo.

– Tem razão. Não me parece de grande serventia – terminou de falar e virou-se de costas, rumando para longe do corpo sangrento. – Vamos. Precisamos encontrar algum cadáver melhor.

– E o que faço com esse?!

Com um olhar carregado de displicência, virou-se para o outro.

– Queime.