Notas iniciais
Nesse capítulo, Bart conhece as pessoas com as quais ele vai trabalhar. Além disso, recebe uma misteriosa ligação no meio da noite para que investigasse uma pequena casa no subúrbio.

Para acompanhar, por que não:

Pink - Funhouse
3Oh!3 feat. Katy Perry - Starstrukk
Evanescence - Haunted

Havia também uma música do Vocaloid que eu ouvi durante a cena da casa, mas esqueci o nome! No próximo eu coloco :P

- Você de volta. – o segurança do prédio disse, desanimado ao ver o garoto do outro dia entrando no prédio.

- Pois é, James, a partir de hoje você irá me ver mais do que você sequer sonhou. – o outro respondeu com um sorriso claramente falso nos lábios.

- Meu nome não é James.

- Que seja. Agora eu sou o novo colunista do sexto andar. Isso não é o máximo?

- Woohoo. – o negro de cabelos raspados respondeu, com ânimo algum em sua voz. Ele não via a hora de que o elevador chegasse para que não fosse mais incomodado pelo sujeito patético do qual já não gostava nem um pouco. Não conseguia entender como alguém como o outro fora contratado em uma empresa de tão alto porte na sociedade. O jornal poderia ser esquecido pelas pessoas, mas ainda possuía seu status.

- Nos vemos mais tarde, James. Tenha um bom dia! – Bart acenou antes de desaparecer pelas portas de aço do elevador, já ansioso por seu primeiro dia no trabalho.

Vestia uma camisa listrada entre azul e branco e uma jeans batida e já retirava seu cartão de acesso do bolso. Não sabia como aquilo iria funcionar, afinal, desde quando uma empresa tranca seus próprios funcionários em andares separados? Quando houve espaço o suficiente para que pudesse enxergar o andar o qual havia parado, suas dúvidas foram em partes respondidas. Separados por um grande portal de aço, igual aos que se encontra em cofres, havia somente um pequeno espaço para inserir o cartão que segurava em sua mão. Somente isto e uma lâmpada que bruxuleava no teto do pequenino corredor que suportava, no máximo, três pessoas. Com um curto passo, alcançou o espaço para inserir seu cartão e logo ouviu o clique que lhe autorizava a entrada.

Nada ali parecia com a redação de um jornal. Sempre imaginava diversas baias nos quais os colunistas e jornalistas se espremiam para escrever suas histórias e telefonar aos seus contatos para manterem-se informados, banhados de post-its e outros itens de escritório. Encontrava-se no que poderia ser comparado a uma sala de estar, cheio de pufes, sofás e almofadas coloridas, os mais diversos quadros estampando as paredes igualmente psicodélicas, possuindo um grande astral criativo e domiciliar. As escrivaninhas eram encostadas nas paredes com um espaço ideal para colocar o quanto quisessem de objetos por cima, cada uma com um notebook estilizado com o nome de seu proprietário. Era claro que o escrito “Bart” já estava lá, escrito em letras de graffiti entre desenhos que lembravam uma balada.

Por volta de cinco pessoas andavam por todo o espaço, duas delas disputando o que parecia ser uma versão atual de Mario Kart em uma TV LED pendurada em uma das paredes. Outros dois conversavam animadamente sentados em pufes, enquanto uma terceira digitava animadamente em seu computador pessoal. Assim que a porta fechou com outro estalo por trás de si, todas as cabeças pararam o que estavam fazendo somente para virar em sua direção, alguns o olhando simpaticamente e outros de forma indiferente.

— É O NOVATO! – a garota por trás do notebook mais fantasioso guinchou, antes de largar o aparelho ao seu lado e sair correndo para perto do moreno. – Sou Leah. Muito prazer!

Talvez de todos ali, Leah fosse a que ele consideraria mais estranha de todas as formas imagináveis. Era uma mulher alta e magra, num corpo que até uma modelo a invejaria, não possuindo uma gordura local sequer. Os cabelos loiros, cortados no estilo Chanel, possuíam mechas rosa perdidas por ele, combinando, levemente, com os óculos de aro de gato na cor vermelha. Parecia que ela havia acabado de sair de um editorial de moda escrito por uma pessoa bem excêntrica.

- Prazer, sou Bartholomeu. – ele respondeu sem se sentir acuado pela movimentação que havia causado. Muito pelo contrário, adorara.

- É claro que você é. Todo mundo aqui já te conhece.

O ator riu, observando os outros. Leah parece ter notado sua deixa para que apresentasse aqueles que compartilhavam o recinto, pois passou a tagarelar novamente. Não que isso incomodasse Bart, pelo contrário, considerava-a muito original e cativante.

- Vamos conhecer a turma, sim? Aquele no pufe laranja é o Andrea Kösche. Ele é o responsável pela parte de análise literária, é basicamente o crítico literário daqui. Não demora muito e ele é transferido de área, mas isso eu explico depois. Outro detalhe, chame-o de Andy.

Um homem esguio, vestido com uma bermuda relativamente curta para seu tamanho a qual não combinava com a camiseta roxa com detalhes que parecia que alvejante havia caído sobre suas roupas, acenou. Seus cabelos um pouco longos estavam amarrados num relaxado rabo-de-cavalo, dando-lhe um aspecto ligeiramente hippie, principalmente por ser um cabelo acompanhado por uma barba que deixava seu queixo pontudo parecendo um bode. Isso fez com que Bart o apelidasse mentalmente por este animal, parecendo muito antipático de sua parte já mencionar esse detalhe.

Em seguida, a mulher esticou o indicador para o outro homem que estava num pufe. Ele era extremamente ordinário, se Bart pudesse defini-lo de alguma forma. Possuía um corpo atlético, os cabelos pretos curtos o suficiente para espetá-los levemente. A única coisa que mais chamava a atenção era seu aspecto um pouco mais sério que o dos outros, parecendo possuir traços de ensinamento militar.

- O próximo, que estava conversando conosco pouco antes de você chegar, é Robert Hojver. Ele é o cara das artes plásticas, não tem um museu nesse mundo que ele não tenha visitado ainda. Sério. – ela fez uma careta esbugalhando um pouco os olhos, como se estivesse assustada com algo bem estranho, enquanto Robert ria levemente.

- Prazer, cara. Bem vindo ao setor. Essa coisa de conhecer todos os museus é uma puta mentira, ignora. Eu só fui aos mais conhecidos, sabe? Mas pela empresa que eu trabalhava pra fazer algumas matérias. – a teoria de Bart de que ele era o mais sério da turma havia acabado de ir ao chão. – Agora responda uma coisa... Você joga beer-pong?

- EU ADORO ESSA MERDA! – o moreno respondeu bem entusiasmado quanto à brincadeira mais bêbada que aprendera durante a época de colégio.

- Você está oficialmente desafiado, parceiro. – Robert deu uma leve piscada, pouco antes de ser interrompido pela energética Leah.

- Depois vocês resolvem do campeonato, poxa. – disse enquanto balançava as mãos no ar, parecendo que iria voar. – Eu estou terminando! Ele não pode ficar sem saber com quem vai trabalhar e informações básicas do departamento.

Ninguém conseguiu não rir quando ela suspirou como se a coisa mais trágica do mundo tivesse acontecido. Os dois que jogavam vídeo-game, um ruivo com feições infantis e o outro loiro de olhos bem negros, aproximaram-se após o fim da partida.

- Everett Cooper, o ruivo. Ele cuida de tecnologia e games, basicamente. Mas mais na área artística da coisa, se é que me entende. Qualidade gráfica, algumas críticas de vez em quando... Oliver Ostair é o colunista sobre as novidades da música.

Ambos apertaram a mão de Bartholomeu, num sinal de simpatia, logo voltando para o canto em que estavam jogando vídeo-game. Não demorou a começar a nova partida de kart entre eles, recheado de palavrões, gritarias e risadas.

- E por último, mas não menos importante, eu fico responsável por moda. Qualquer coisa relacionada às novidades da área e tudo mais que você já sabe ficam por minha conta. Então se você for um agressor, no estilo do Andy, já se prepare mentalmente para meus discursos sobre como combinar peças e se vestir bem. Não é mesmo, Andy?

O garoto revirou os olhos, quase que numa comprovação do que ela dizia.

- Você tem um bom timing, Bart. Leah estava criticando a blusa dele.

- Ela não consegue entender que eu gosto de me vestir assim.

- QUEM NO MUNDO GOSTA DE PARECER QUE CAIU NUMA CESTA DE FRAPOS E SAIU PENSANDO QUE O MUNDO É HIPPIE? De qualquer forma... O departamento, pelo o que você pode percebeu, é dos designers basicamente. Eu sei que você é o garoto pop, mas como não existe um departamento sobre isso, o que mais se encaixava ao que você irá escrever era o nosso. Existe outro andar também sobre o design, mas lá só ficam os jornalistas efetivos do jornal. Se gostarem do seu trabalho, em alguns meses você sai daqui e se junta a eles.

- Meio que uma escala social?

- Mais ou menos isso mesmo. Ao menos é o que nos dizem quando alguém sai daqui. Semana passada uma garota que trabalhava conosco sobre moda foi promovida. Ela foi chamada na sala do big boss e ele fez a troca. Tudo aqui só acontece se ele disser que acontecerá.

- Interessante.

- Muito burocrático, mas...

- Enfim, vamos a nossa partida de beer-pong? – Robert interrompeu a garota, deixando-a um pouco frustrada. Porém não por muito tempo, pois ela mesma começou a se divertir com a disputa entre os morenos.

***

Já havia passado uma semana desde que começara seu novo emprego. Geralmente, almoçava com o pessoal do departamento e logo já rumava para o escritório, passando a tarde a escrever, isso quando não disputando no vídeo-game contra Everett e Oliver ou então jogando qualquer esporte com Robert. Realmente possuía simpatia por eles, deveria admitir que era mais do que imaginava que teria se trabalhasse em qualquer outro lugar. Afinal, passavam muito tempo juntos e boa parte desse tempo não era destinado ao trabalho em si, já que seu chefe gostava que as coisas acontecessem naturalmente.

De fato, não havia muita cobrança pela parte de Matthew quanto às matérias, o que facilitava muito para o outro, que não sabia trabalhar sob pressão. Em uma semana, já havia escrito três revisões sobre filmes lançados no cinema os quais havia assistido com Andy e Leah, além de uma pequena crítica sobre a influência do cinema na população americana. Ele possuía a grande certeza de que, se fosse o contrário, ainda estaria na primeira reportagem.

Era uma noite extremamente calma, mais do que as demais, devido já ter comprado comida e outras coisas para a casa. Estava adquirindo o hábito de dormir antes da meia noite para que passasse a lembrar dos almoços com o pessoal do trabalho, e até havia alimentado seu gato. Vestido o pijama, Bart estava quase começando a dormir quando um rock começou a ecoar pelo pequeno quarto.

Tateando a mesinha com o despertador, encontrou o celular com desgosto, abrindo-o para que pudesse atender. Uma voz preocupada respondeu do outro lado, extremamente diferente daquela a qual o moreno estava acostumado.

- Preciso de você.

- Matthew?

- Escute, não estou com jornalistas no prédio agora e houve um assalto a uma residência próxima a sua. Preciso que você chegue ao local antes que alguém chegue e destrua as evidências. Você pode fazer isso por mim?

- Porra, Matt, por que eu? Eu estava quase dormindo!

- Como eu disse, não tenho outro jornalista no prédio nesse momento e, sinceramente, você é o único dos colunistas que eu entregaria essa tarefa.

- Certo, certo... Mas espero que a recompensa seja boa.

- Não se preocupe, eu vou compensá-lo depois, Bart. – o garoto pode ouvir o outro rir de leve.

- Só isso?

- Não se esqueça de levar câmera fotográfica e lanterna. E... Tome cuidado, sim?

- Pode deixar, Matt. Eu estou no caso.

O endereço dito rapidamente por Matthew terminava em uma casa um pouco distante, na periferia da cidade. Possuía um aspecto erudito, erguendo-se em dois andares simples, porém extremamente alinhados com o pequeno cercado de madeira e jardim. Sem pedir licença, Bart abriu o portão fazendo um pequeno e irritante barulho de objeto enferrujado, dando passos tímidos conforme observava tudo. Pode notar, ao chegar ao batente, que não havia sinal algum de arrombamento na porta, podendo abri-la devagar, procurando não produzir mais sons.

A escuridão fez com que o garoto tateasse a parede ao lado, encontrando um interruptor. No entanto, como o esperado, este não funcionava, obrigando-o a acender a luz fraca de sua lanterna para ver o que acontecia ali.

Seu estômago embrulhou instantaneamente ao ver manchas escuras no chão, algumas por serem poças de um líquido vermelho, outras por parecerem que algo foi arrastado pesadamente enquanto sangrava. As paredes e seus quadros pendentes não estavam em estado muito melhor, possuindo diversas faixas de profundo desespero. Os móveis estavam jogados pelos cantos, alguns até mesmo quebrados.

Trêmulo, Bart segurou sua câmera fotográfica de uma forma que pudesse registrar aquela cena macabra a qual havia sido inserido. Não conseguia deixar de amaldiçoar seu chefe, pensar que deveria sair correndo de lá ou qualquer coisa assim, porém ele simplesmente não conseguia largar tudo para fugir. Sentia-se a cada segundo mais instigado a continuar, quase que involuntariamente, como se aquilo precisasse de sua presença.

Disparou o primeiro flash, fixando o olhar na imagem que a tela havia transcrito. Nada além de muito sangue e terror, talvez o suficiente para deixar qualquer pessoa doente somente com sua reprodução.

TUM! TUM! TUM! TUM!

O som de passos no andar de cima fez com que Bart sentisse todos os pêlos de sua nuca arrepiar. Seja lá o que tivesse feito todo aquele estrago ainda estava lá, era muito claro isso, e parecia ter conhecimento do estranho visitante que havia chego. A proximidade dos passos ficava cada vez maior, dando a impressão que o seu dono estava chegando às escadarias, que davam exatamente para onde o garoto estava estacionado. Num ímpeto de desespero, o moreno seguiu para o cômodo mais próximo, passando pela porta entreaberta ao seu lado.

Igualmente destruída como o Hall de Entrada, a sala de jantar possuía suas cadeiras reviradas, algumas com pernas e encosto quebrados, espalhados pelos mais diversos lugares. Sem tempo sequer para pensar em fotografar aquilo, o ator continuou a caminhar, tentando manter-se encoberto, enquanto procurava um local que pudesse se esconder.

Os passos grotescos chegavam próximos, juntamente ao cheiro cadavérico que os acompanhavam, fazendo o homem tossir pela ânsia de vomitar que sentira. Precisou apressar o passo, andando o mais rápido que pode para cozinha, conseguindo somente pular para dentro de um dos armários antes que a porta da copa fosse aberta num estalo alto.

Desligou a lanterna, tentando manter sua respiração baixa e calma, enquanto se esforçava para não vomitar com o cheiro que ficava cada vez mais forte. Bart podia sentir a presença do que seja que estivesse do outro lado da fina madeira que os separavam, assim como ouvir sua respiração pesada e lenta, como se estivesse aproveitando cada segundo da caçada. De alguma forma, ele sabia que o outro possuía conhecimento de sua exata localização e que tudo aquilo não passava nada além de uma sádica brincadeira psicológica. Esperava, com toda sua convicção, que aquilo fosse embora o quanto antes, pois tudo naquele ser o apavorava. Não possuía sequer uma noção do que ele era, sequer se era humano, mas sabia que o temia.

Os passos pararam e o moreno segurou sua respiração, acreditando que isto o faria conseguir algo. Suas mãos tremiam, ainda sem conseguir esquecer o sangue espalhado pelo hall, temendo ser o próximo a estampar os móveis.

- Agradeça a princesa, garoto, senão você já estaria morto há essa hora. – pode ouvir próximo à madeira, uma voz rouca e levemente lunática, seguido do som de intensa movimentação de sua fonte.

Bartholomeu não conseguia mais ouvir nada vindo de fora de seu armário, mesmo que já avisado que não seria morto naquela noite. Ainda trêmulo, empurrou a porta para que pudesse sair, dando em uma cozinha abandonada e totalmente destruída. Uma faca ainda rodava em cima do balcão, deixando uma marca de sangue enquanto virava lentamente. O garoto voltara a usar sua lanterna, iluminando pequenos pedaços da casa, procurando algo que o pudesse ferir.

Após tirar algumas fotografias da cozinha, voltou para o hall, subindo as escadas sem saber o que iria encontrar no seu topo. O quarto de frente ao último degrau estava com a porta entreaberta, produzindo um rangido baixo e contínuo. Bart sabia que se odiaria se a abrisse, mas precisava saber o que acontecera naquela casa.

Quando abriu a porta, levou alguns segundos para processar o que via. O corpo de Andy estava pendurado por uma grossa corda amarrada em seu pescoço, sangue pingava e várias partes, mas principalmente de dois buracos profundos e bem dilacerados em sua coxa.

Notas finais
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Qualquer erro, é só avisar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.