O Desespero no Nada
3 Afogados no Desespero
— O que eles diziam? — era a pergunta que faziam à médium, Elizabeth.
— Um conceito do espiritismo era que os que acabam de morrer, são atraídos por uma luz branca e brilhante. E ao atravessá-la, os espíritos entravam nas dimensões espirituais e chegavam ao ‘lar’. Por muito tempo foi assim, até que se outros espíritos se comunicaram comigo... Diziam estar no mundo. Em um mundo diferente do nosso, mas ao mesmo tempo muito próximo. Espalhados nas plantas, no ar, e em tudo. Seus átomos faziam parte de tudo.
Todos os espíritos escutavam com atenção. Eles não tinham se juntado a Dumbledore, preferiram ficar onde estavam, e esperar.
Entreolhavam-se assustados e temerosos. Estavam confusos; as harpias não disseram que iam fazer parte de um lugar maravilhoso?
— O que fazer? — um senhor fez a pergunta que açoitava todas as mentes.
E para a qual alguém já tinha uma resposta.
“Vamos procurar a luz”.
Ninguém discordou. Ninguém queria discordar. Queriam procurar a luz, ter a satisfação de encontrá-la, e ir para um lugar maravilhoso. Muito, muito longe do ‘Nada’.
Andaram sem rumo. Afinal, onde procurariam primeiro, quando não havia lugar algum? Era simplesmente nada, puro nada. A luz teria que ir de encontro a eles.
E depois de muito tempo andando, ainda não tinham perdido a esperança. Oh, sim, foram tolos o bastante para ter esperança. Será que não aprenderam que por mais ínfima que seja a esperança acaba? Que no ‘Nada’, a esperança sempre acaba?
Pois eles depararam-se com um oceano. Em suas águas vermelhas, alguns “espíritos” boiavam. Não faziam nada, apenas se deixavam levar.
E no meio do Nada, as ondas de sangue alcançaram todos. Os espíritos foram parar nas profundezas. Afogando-se no sangue. Afogando-se no desespero.
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