O Desejo de Kuno
2 Capítulo 2 - A senha do pendrive
Agh... droga... por quê o alarme tá tocando? Aghh...
Ao se levantar e olhar a hora no seu celular, Kuno nota que é o seu celular antigo, com um pendrive ao lado, e então ele decide ligar o celular.
O-O quê? Nove horas... Nem adianta tentar ir pra escola; já devem estar no recreio. Droga! Mas espera... O QUÊ? Por que o meu celular tá dizendo que é 2015? Algum bug? Não... É o meu celular antigo também... Ok, Kuno. Raciocina. O que pode ter acontecido? Pode ser uma brincadeira, uma pegadinha...,mas não... Ninguém faria algo tão realista assim. Então a única resposta é... Sim. Eu viajei no tempo! Haha! Finalmente! Depois de desejar aquilo na fonte dos desejos, alguma força superior pode ter me trazido para cá. Que dahora! Nem to acreditando! Então agora eu só preciso descobrir o que tem naquele pendrive, e tentar me lembrar mais dessa época, e aí posso fazer coisas que eu me arrependia de não ter feito! SIM! HAHAHA!
Beleza, vou começar indo pro meu computador. Assim descubro o conteúdo do pendrive.
Subindo as escadas que levam ao segundo andar de sua casa, Kuno se encontra com sua avó:
— Kuno, hoje é seu primeiro dia de aula. A gente vai te levar, mas só hoje. Você pode jogar no seu computador até o meio-dia. – A Avó de Kuno desce as escadas, em direção a cozinha.
Tsc... primeiro dia de aula? Droga. Ou não? Não sei. Como eu não vejo meus colegas à uns... Três meses, eu acho que eles ficariam bem confusos com minhas novas notas e habilidades, e a minha personalidade do futuro. Eu era bem diferente quando era menor. Bom, não que isso seja um problema, mas... Eu gostaria que eles notassem mais a diferença. Talvez eles acreditem se eu disser que sou do futuro? Não... Eles não acreditariam. Mas, espera. Em 2015, eu e a Gare... SIM! Nós estavamos em uma relação. Então talvez ela acredite. Vou tentar.
Conectando o pendrive no computador, ele abre uma pasta que pede uma senha para abrir.
Quem usa senha em um pendrive!? Droga. Ok. Então eu tenho que descobrir a senha... Talvez seja algum evento que vá acontecer hoje. Ou talvez seja um dois três? Não... quem colocaria isso?
Distraído, Kuno não percebe uma notificação em seu navegador; é no seu Messenger. E em seguida, recebe uma ligação em seu celular:
O que? Por quê tão me ligando essa hora? Não é como se eu tivesse vários amigos... Caramba. É a Gare. Meu deus. O que eu faço? Eu atendo? Ok, fique confiante, Kuno. Nessa época, vocês ainda são amigos.
— Oi? – Kuno arrasta o celular até sua orelha direita – Quem é?
— Lê... A mensagem... – Gare sussurra.
— O que? Não deu pra te ouvir direito; você tá falando muito baixo. Repete?
— Droga, Kuno! Lê a mensagem logo. Eu não posso falar agora. – Gare desliga a chamada.
Haha... Ela fala de um jeito tão fofo... ah, ela me falou pra ver a mensagem, né? Nem tinha notado...
Ao abrir o Messenger, Kuno lê a mensagem:
" Kuno... Como hoje é o primeiro dia de aula... Você pode ficar comigo no recreio? A Liri vai faltar, então eu pensei que a gente pudesse... você entendeu, né? Quer ou não? "
Hm... Claro que eu quero, mas... Espera... Sim! Isso é perfeito. Eu posso falar pra ela que eu vim do futuro. Mas como provar? Isso é um problema. Eu penso nisso quando chegar na escola.
" Sim, claro. Agora eu não posso conversar, to ocupado. "
" Tá. Tchau, Kuno. "
Eu não sei mais conversar... Me sinto estranho... Acho que vou jogar algo até a hora do almoço.
Após almoçar e chegar na escola, Kuno vai até sua nova sala, e olha até a lista de alunos:
Hm... Nada mudou. Os mesmos alunos, mesma sala, ta tudo igual. Como vou provar que sou do futuro, se eu não lembro quase nada dessa épo— Nossa. Eu sou muito lerdo, meu deus. Esse aluno, Fukashi, ele é novo. Eu posso usar a descrição dele para provar. Mas até lá ela já vai saber... Ok, vou esperar ela chegar e aí vou falar dele.
— Eaí, Kuno. – Diz Arotoru, Com Auroku ao seu lado.
— Oi. – Kuno levanta seu punho, tocando o de Arotoru, e a seguir, o de Auroku. – Não tenho tempo pra conversar agora.
— Beleza. Só queria falar que a gente vai sentar no fundo. Só te avisando mesmo. – Disse Auroku, indo embora.
Como se eu quisesse saber disso... Bom, todo mundo agora é mais novo, então conversar com eles vai ser meio chato, e...
Kuno é interrompido ao ver Gare chegar, e fica distraído olhando para ela.
Haha... Tão fofa... Há... Não. Para. Foco. Vou conversar normalmente.
Ao se aproximar de Gare, Kuno levanta sua mão aberta, e diz:
— Oi, Gare! – Kuno pega a mão de Gare e a puxa – Tenho que falar com você.
— Ok. Mas onde a gente tá indo? – Gare larga a mão de Kuno.
— A gente tá indo para um lugar quieto. Um lugar sem ninguém.
— A-ah.
Chegando em um lugar escondido, Kuno para em frente de Gare, olha nos seus olhos, e diz:
— Olha, eu tenho que te contar algo. Você talvez não acredite, mas... Por favor, tente acreditar.
— T-tudo bem. – Gare diz com uma voz suave, envergonhada por estar tão próxima de Kuno.
— Olha, não tem jeito fácil de dizer isso, mas... Eu sou do futuro.
— Tss... Haha... É difícil levar isso a sério... – Gare dá risadas baixas.
— É sério. Eu posso provar. – Ok. Já que o Fukashi ainda não chegou, ele provavelmente vai se atrasar. Então eu só digo as características dele, e isso, e... Sim. Vai dar certo. – Quando a aula começar, nós vamos ter que nos apresentar; e um aluno novo vai chegar atrasado. O nome dele é Fukashi, ele tem a nossa idade, mais ou menos a minha altura, e o cabelo estilo anime, sabe?
— Isso não prova nada, Kuno. Você pode ter visto ele antes da aula. Mas... – Gare é interrompida por Kuno:
— Como eu vi ele se eu disse que ele se atrasaria?
— Você não me deixou terminar..., mas é verdade, se ele se atrasar não tem como você ter visto ele. E como eu ia dizendo, eu... – Gare lentamente abraça Kuno, envergonhada. – Acredito em você.
Em um dia quente de verão, o abraço aquecia ainda mais o corpo dos dois.
O quê? Ela nunca tinha me abraçado... É bom, mas... Ela tá diferente. Será que é porque eu to diferente? Eu fui direto demais? Eu não sei o que tá acontecendo...,mas... ébom...
Ao se abraçarem por alguns segundos, o sinal toca. Os dois separam o abraço lentamente, e ao olhar para os olhos de Gare envergonhado, Kuno diz:
— A gente tem que ir... Eu te mostro onde fica a nossa sala.
— Ok. – Com um pequeno sorriso, Gare segura a mão de Kuno. – Eu... Posso?
Tsc, o que deu nela? A gente tem o quê, onze anos? Por que ela tá se aproximando tanto? Bom, eu acho que eu também tenho que me aproximar... Se ela tá dando a iniciativa, vou seguir ela.
— C-claro que pode, mas... você não ficaria com vergonha se nossos colegas vissem?
— Eu vou ficar. Sei que vou ficar envergonhada, mas... Eu gosto de você, Kuno... você sabe.
Eu acho que me lembro... Ela disse a mesma coisa no Messenger na outra linha do tempo... Ela criou coragem pra falar isso diretamente... Caramba, ela tem mais coragem que eu. Droga. O que eu respondo? Ok. Vou fingir que isso é um jogo. Assim, fica mais facil escolher ações e falas.
— Eu também gosto de você, Gare. – Diz Kuno, com um tom de voz confiante e direto. Seus dedos se entrelaçam, e eles vão andando até a sala, de mãos dadas.– Que tal se... A gente largar agora...
— Tá. – Gare faz uma cara de emburrada.
Os dois entram na sala de aula, e o período ocorre como planejado; Fukashi chega atrasado, se apresenta, e a aula começa. Após o primeiro período, no recreio, Kuno se encontra com Gare em seu lugar:
— Oi. – Kuno estende sua mão direita para Gare. – Vamos para o recreio?
Antes ela ficou emburrada quando larguei sua mão na frente dos colegas. Agora, eu não vou largar. Tenho que deixar ela feliz. Eu acho.
Gare, com um pequeno sorriso, pega a mão de Kuno, e juntos, os dois se sentam em uma mesa customizada que apenas sua escola tem:
— Damas primeiro, hehe.
— V-você pode falar normalmente... não precisa ser formal assim... – Diz Gare, ao se sentar.
— Então, você quer conversar sobre o quê? Eu acho que temos... Quinze minutos? É. Algo assim.
— Você... é do futuro mesmo, né? Não lembra nem do tempo de recreio.
— Como eu disse, sou sim. Quer saber algo sobre o futuro? Ah! Posso te ajudar nas provas, eu sei bem mais do que qualquer um da nossa turma agora. E eu também... – Kuno é interrompido por Gare:
— Então, você pode falar sobre... nós?
Droga, nunca pensei que ela perguntaria sobre a única coisa ruim que aconteceu no futuro. Eu não sei se eu falo a verdade ou invento uma mentira... droga... Eu acho que vou falar a verdade. Talvez assim eu possa manipular ela, fazendo ela não querer que o que eu vou dizer aconteça. É uma boa ideia, mas funcionaria? Vou tentar...
— Ah. Bom... daqui um ano e meio, você para de falar comigo... Eu acho que te deixei brava ou algo assim. – Kuno finge estar arrependido. – Eu... me desculpa... Sério.
— Não precisa se desculpar. Se ainda não aconteceu, você pode evitar que aconteça agora!
O modo de pensar dela... Mesmo que eu tenha deixado ela brava, ela parece não querer que aconteça... isso é bom.
— É. Eu acho que já comecei a evitar isso. – Kuno dá um pequeno sorriso. – Mas, mudando de assunto, você pode me falar sobre algumas coisas que tão acontecendo? Eu não lembro muito dessa época...
— Ehm... Claro, mas eu não sei muito o que falar...
— Coisas tipo, se a gente tá namorando ou não... – É muito vergonhoso falar isso. Muito. —
— Ah... A gente... Eu não sei... A gente nunca falou disso. Acho que... Talvez estamos namorando... –Gare desvia a visão de Kuno, embaraçada. – ...se você concordar, claro.
Não. Eu acho que ainda não devíamos namorar... Não desse jeito. Talvez se a gente saísse juntos... É. eu acho que vou convidar ela pra sair daqui um tempo. E aí, eu peço ela em namoro. Assim deve ser mais impactante, eu acho.
— Olha... Eu acho que a gente não devia começar um namoro assim, de repente, sabe?
— Ah... claro.
Envergonhados e sem nada para dizer, um silêncio estranho toma conta da conversa.
Droga... Ela não tá falando nada, eu acho que eu deveria começar um novo assunto...,mas o que? Vamos ver... no futuro, o gosto musical dela fica bem precário... acho que posso converter ela pro meu lado musical.
— Então, Gare.
— S-sim! – Gare dá uma resposta imediata a Kuno.
— Que tipo de música você gosta agora?
— Ah... eu gosto de pop e alternativa, eu acho... e... – Gare olha nos olhos de Kuno, e dá um leve sorriso. – ...E você, Kuno?
— Bom, como eu tenho um gosto musical muito bom e sofisticado, eu gosto de Metal, Rock clássico e música clássica, como orquestras, pianos, violinos... etc. – Kuno sorri. – Você devia ouvir algum desses gêneros. São todos muito bons.
— T-Tá, seu exibido. Eu vou ouvir. E Kuno, você quer... – Gare é interrompida pelo sinal. –
— Ah, o sinal. Vamos para a sala.
— Tá.
Kuno pega a mão de Gare, de um jeito confidente; mas Gare solta, e diz:
— Eu tenho que passar no banheiro.
— Ah, beleza.
Isso foi estranho. Ela queria me dizer algo e não disse, e depois largou a minha mão e foi seca... Talvez eu tenha feito algo errado? Eu devia ter perguntado o que ela ia me falar. É provavel que não tenha mais nenhuma situação boa para trazer esse assunto de volta. Droga. Tomara que isso não afete nada importante.
Após a aula acabar, Gare e Kuno se encontram:
— Eu... tenho que ir. – Diz Gare. – Eu não posso me atrasar, se não a van vai sem mim.
— Ah, tudo bem. A partir de amanhã eu vou ir com a mesma van que você, aí podemos conversar lá. – Kuno abraça Gare rapidamente, de um jeito forte, e com um sorriso, diz – Te vejo amanhã.
— Tá. Tchau, Kuno. – Gare murmura, soltando-se do abraço lentamente.
Ao andar em direção a sua van, Gare vira e corre atras de Kuno gritando:
— KUNO! KUNO! Volta aqui!
— Hã? O que foi?
— Eu acabei de me lembrar; alguem me mandou uma mensagem hoje de manhã, e tava me falando pra te dizer "Não duvide da simplicidade." Eu não sei quem era, porque não tinha foto nem nome, mas vou falar, porque pode ser importante pra você. – Gare sai correndo de volta para sua van.
Hm; Estranho. "Não duvide da simplicidade". O que é simples e eu não posso duvidar? Um desenho abstrato? Não, eu não vi nenhum desenho hoje. Uma palavra? Não, uma senha. Isso. É a senha dos arquivos do pendrive. Mas algo simples? Hm... um dois três? Isso é simples. E eu duvidei da simplicidade dela. É, pode ser isso. Boa Kuno, você é um gênio!
Ao chegar em casa, Kuno liga o computador e coloca o pendrive na entrada USB.
Beleza. Um dois três. Carregando... e... Mas... o que? Por que? MAS QUE DROGA! Por que alguem faria algo tão mau assim? Droga...
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