Capítulo 10 — Desconhecido

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Aya esperou as outras meninas se afastarem para cochichar no ouvido de Akemi:

–Que vermelhão no seu rosto era aquele na cantina hein?

Aya tinha um sorriso torto e lançava um olhar de suspeita sobre Akemi.

–A gente só estava conversando! E-e não tinha vermelho nenhum no meu rosto!

–Aham — Aya revirou os olhos — Eu vi como vocês estavam se divertindo.

–Isso não quer dizer nada! — Akemi já estava ficando sem saber o que dizer e até entendia a amiga, já que era muito raro ela conversar com meninos.

As aulas da tarde eram as atividades seguintes. Depois delas, os alunos davam seu dia por encerrado. Como era ainda o primeiro dia de aula, poucos clubes já estavam formados, então a maioria dos alunos foi embora para casa mais cedo.

A noite chegou tão rápido que Akemi já estava em sua cama sem conseguir mais uma vez pregar os olhos. Ela cobriu a cabeça com o cobertor como se aquilo pudesse ser capaz de afastar aquele pesadelo da noite anterior.

Tudo fora em vão. Mais uma vez, o pesadelo voltara.

Quando Akemi foi finalmente capaz de abrir os olhos, um grito sufocou sua garganta.

–Você está pálida, Akemi — Aya disse a ela na manhã seguinte.

–Não consegui dormir direito de novo...

Aya baixou os olhos. Algo tinha acontecido com ela também.

–Eu também tive um pesadelo. Mas parecia tão real, tão vivo que ainda anão consegui tirar ele da cabeça.

Akemi a encarou. Seria possível que...

–Me conte seu sonho — a garota pediu.

Aya pareceu hesitar um instante, mas prosseguiu:

–Começou com uma garota... uma arqueira, acho. Ela estava lutando contra uma criatura gigante, e o mais estranho era que ela não revidava! Só fugia dos ataques. — Aya parou para respirar. O coração de Akemi batia tão descontrolado que estava quase a deixando zonza — Espinhos de um guarda-chuva gigante caíam sobre ela e a garota deixava. Eu não entendia... por que ela não revidava nenhum ataque?! Ai, Akemi, foi um sonho muito estranho mesmo.

–E se eu te dissesse que foi exatamente isso que sonhei também?

Aya moveu a boca para dizer algo, porém, nenhum som saiu.

O sinal anunciando o início das aulas tocou.

–Eu não consigo assistir nenhuma aula com isso na cabeça — Aya sussurrou.

–Nem eu — Akemi disse — O que acha de irmos ao terraço?

As duas deram uma rápida olhada na porta. O professor não tinha chegado ainda.

–Vamos.

Do terraço, ambas olhavam para o pátio da escola. Cada uma estava presa em seus próprios pensamentos.

–Isso não faz sentido. — Aya sacudia a cabeça negativamente.

–Mas deve significar algo, né?

Aya não sabia o que dizer.

As duas ficaram novamente em silêncio.

Mesmo no alto daquele prédio, o vento parecia inexistente. E não havia pássaros em lugar nenhum. Nenhum som, nenhum movimento. Era como se o tempo tivesse parado.

–Quem era ela...? — Akemi sussurrou. As palavras se perdendo no horizonte.

–Uma garota mágica.

Nem Aya ou Akemi haviam dito aquilo. Era uma voz vinda de trás delas. Aya não esperou um segundo para virar-se e ver quem estava ali, apenas Akemi ficou congelada no lugar, como se algo dentro dela gritasse para ignorar aquela voz.

–Meu nome é Kyubey, e eu vim aqui para realizar o desejo mais profundo de vocês. Façam um contrato comigo e se tornem garotas mágicas.

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Capítulo 11 — Descoberta

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Akemi girou seu corpo até encontrar o pronunciador naquelas palavras.

Ela arfou. Quem estava ali era a criatura coelho-gato que ela vira antes. Uma sensação de pânico se expandiu dentro dela.

–Uma garota mágica...? — Aya fora a primeira a reagir.

–Sim. E a criatura com quem ela lutava era uma bruxa. Defender a humanidade desses seres que se alimentam de humanos é a função de uma garota mágica.

–Você disse humanos?! — a voz de Akemi misturou-se ao assombro.

–Sim. Suicídio, assassinato e muitos outros. As bruxas os influenciam a cometerem tais coisas para depois se alimentarem deles.

–E as garotas mágicas defendem o planeta desses monstros. — Aya concluiu.

–Sim. — com uma expressão imutável na face, Kyubey concordara. — Eu vejo um potencial incrível nas duas. Tornem-se garotas mágicas, meninas, e protejam esse mundo.

Aya olhou duvidosa para Akemi. Até que ponto tudo aquilo era verdade?

–Em troca... — Kyubey continuou — Eu realizarei o desejo mais profundo de vocês.

–Vá embora — Akemi disse de repente, cerrando os punhos.

Aqueles olhos vermelhos, aquelas palavras tão questionantes... Akemi não suportava mais um minuto daquilo.

Aya olhou aflita de um para o outro.

–Kyubey... nós precisamos ficar um pouco sozinhas agora para pensar nisso tudo, tudo bem?

–Tudo bem — Kyubey pareceu não ser afetado pela súbita explosão de Akemi — Mas bastam pensarem em mim que eu retornarei para encontrar vocês.

Dizendo isto, ele correu para longe das garotas até desaparecer da vista delas.

Akemi desabou no chão.

–Akemi-chan! — Aya gritou surpresa.

O que podia ter deixado a amiga desse jeito?! Aya não sabia o que podia ser.

–Tem alguma coisa errada nisso, Aya... — Akemi tremia enquanto falava.

–Mas nós estivemos naquele mundo, vimos a luta. Eu não quero que as pessoas sejam mortas por monstros como aquele.

Um movimento no pátio da escola atraiu os olhos de Aya.

–Parece que já é a hora do almoço... Vamos descer, Akemi. Comer alguma coisa, esfriar a cabeça, sei lá.

–Tudo bem. — Akemi só queria sair dali e esquecer tudo que acabara de acontecer.

As duas desciam as escadas em silêncio. No entanto, por mais que Akemi tentasse, aqueles olhos vermelhos continuavam a persegui-la.

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Capítulo 12 — Escolha

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–Akemi, yo! — gritou Hideki Tadashi, assim que viu as duas no pátio.

Ele e seus dois amigos se aproximaram das garotas.

–O que aconteceu, Akemi-san? Que olhar preocupado. Já está tão cansada da escola assim?!

A garota abriu um leve sorriso. Sabia que ele faria qualquer piada pra ver um sorriso no rosto dela.

–Não é nada, não. E pode tirar esse san aí. Só Akemi está ótimo.

O garoto cruzou os braços atrás da cabeça e sorriu. E foi esse sorriso que acalmou o coração de Akemi.

Almoçaram, conversaram e assistiram às aulas da tarde.

Akemi passou o resto do dia praticamente em silêncio. Até quando Hideki conversava com ela e Aya, era Aya quem respondia a quase tudo que eles diziam. Sobrava para Akemi, uma vez ou outra, mostrar um sorriso ou uma cara de espanto.

Quando o sinal que anunciava o fim daquele dia letivo soou, Akemi já estava com os cadernos arrumados e pronta para ir embora.

–Se quiser, pode ir na frente. — Aya começou a dizer — A gente se encontra no parque daqui a pouco, pode ser?

–Ok — Akemi respondeu no automático. Mesmo sem saber o porquê da amiga pedir isso, ela até achou melhor, pois assim teria um tempo para pensar em tudo que aconteceu antes de saber a opinião da amiga.

Ela já estava na metade do caminho quando olhou para os pés e percebeu que havia se esquecido de trocar de sapatos. Por mais que ela não se importasse muito, seria falta de educação e contra as regras da escola andar com aqueles sapatos fora do colégio.

Akemi deu meia volta e foi correndo para a escola. Mesmo com aquele uniforme, ela se sentiu bem correndo. Era como se aquilo limpasse a mente e até mesmo a alma dela.

Quando chegou perto da entrada da escola, Akemi avistou Aya ao longe, embaixo da sombra de uma árvore. Ela levantou a mão para acenar para a amiga no exato momento em que braços envolveram o corpo de Aya. Akemi parou de se mover no mesmo instante.

Ela conhecia aqueles braços, aqueles movimentos. Era Hideki que estava ali.

Alguma coisa se despedaçou dentro dela. Embaixo daquela árvore, seu mundo a traía.

Ela não aguentou continuar a olhar aquilo. Aqueles sorrisos dos dois, aquele abraço...

O que tinha acontecido aquele dia entre eles que Akemi não tinha percebido!!?

“Se quiser, pode ir na frente”, ela se lembrou da frase da amiga. Um choque a rasgou ao meio.

Então era isso.

Akemi virou as costas e voltou a correr. Se isso pudesse ser capaz de tirar aquela dor de dentro dela, ela continuaria correndo, até todas as suas forças acabarem.

Aya era a única em quem Akemi realmente confiava. Por todos esses anos que passaram juntas... ela jamais imaginaria que tudo fosse terminar assim.

–Sinto seu coração pedir por socorro — uma voz embalou os passos de Akemi.

Ela parou de correr subitamente.

Era Kyubey que aparecera em sua frente.

–Eu posso te ajudar, basta você dizer seu desejo.

As lágrimas fugiam dos olhos dela. Ela não queria sentir mais dor — não queria sentir mais nada.

Pela primeira vez em muito tempo, Akemi sentiu que finalmente encontrava um caminho que acalmaria seu coração.

–Está bem, me torne uma garota mágica.

Kyubey se aproximou dela. Desta vez, ele estava diferente; não, não era somente ele, e sim toda a atmosfera ao redor dos dois.

Eles se encaravam.

– Qual desejo vale a sua alma?