O Descendente da Guerra
5 Um simples papel que muda minha vida
Caro Nathan,
Caso você esteja lendo essa carta, pode significar apenas duas coisas: ou você completou treze anos recentemente e sente as mudanças em seu corpo e naquilo à sua volta, ou você foi atacado por um monstro. Talvez os dois. Neste exato momento, estou olhando-te em teu berço. Meu filho, consigo sentir que você um dia, será um grande herói.
Sei que deve estar pensando que você está ficando louco. Queria poder dizer-te que é verdade. Não queria te envolver nesse mundo, meu filho. Na verdade, você já nasceu envolvido. Você faz parte dos dois mundos, Nathan.
Torço para que, ao ler sua história que aqui escrevo, acredite cegamente no que te conto. Sei que isso parece fantasia, mas não é. Tive uma prova viva, um presente, de que tudo foi real. Você. Enfim, vou te contar tudo, começando pela minha história.
Eu cresci em uma família humilde, não tínhamos nada além do que era o necessário. Frequentei escolas públicas, sempre com um sonho em mente: servir ao exército. Nunca tive o apoio de minha família, pois eles acreditavam que aquilo não renderia uma boa fonte de dinheiro, para eu poder ajudar nas despesas da casa. Mas era o que eu queria para minha vida. Fui contra todos, e por fim, sai de casa.
Se está se perguntando se valeu a pena, te digo com toda a certeza: se pudesse voltar no tempo, faria as mesmas escolhas. Pois, por causa dessas escolhas, que conheci a melhor mulher que poderia existir no mundo. Sua mãe.
Ela era completamente e inteiramente linda. Seu corpo definido pelo trabalho no exército, seus cabelos curtos na altura dos ombros. Seu rosto lindo, com traços fortes, era como o primeiro raio de sol após um longo dia de chuva. Era a única mulher que servia o exército naquela época.
Nos apaixonamos quase que imediatamente e, depois de algumas semanas, ela revelou que estava grávida. Porém, ao me falar que gerava uma criança, parecia estar assinando o meu atestado de óbito. Na verdade, era o seu atestado de óbito que ela assinava, meu filho. Daqui para frente, talvez as coisas fiquem confusas para você.
Sua mãe, me confidenciou seu maior segredo. Eu confiei e acreditei em tudo o que ela me contou. Foi nesse dia que tomei conhecimento do mundo que existia paralelo ao nosso, e quase ninguém percebia. O mundo dos deuses.
Exatamente, deuses no plural. Sabe todas aquelas histórias de mitologia, onde os deuses apareciam no mundo mortal e tinham filhos com humanos? Pois bem, esses eram conhecidos por serem metade deuses, metade humanos. O termo correto é semideus. E você Nathan, faz parte desse termo.
Não poderei revelar aqui quem era sua mãe, pois chegará um momento em que ela mesmo aparecerá para você. Mas sinto dizer, que já não estou mais aí para poder te ajudar no que for preciso.
Estou escrevendo essa carta enquanto te vejo dormir. Amanhã, partirei para uma guerra. Se está lendo isso, é porque não voltei. Essas pessoas que você achou que eram seus pais pela vida toda, amam você. Eles são um casal de semideuses, e estavam preparados para proteger-te de todos os perigos. Chegou a sua vez de agir meu filho, o mundo conta contigo.
Peço apenas para que tu confies naqueles que querem te ajudar. Chegará o dia em que te buscarão. Nunca, jamais, esqueça-te que te amo. Não deixe de procurar Marie e Thomaz, eles sacrificaram muito para proteger você. E o mais importante de tudo: jamais culpe sua mãe por algo. Você alcançará grandes conquistas, meu filho. Mas será por próprio mérito. Sejas fraco, e tua própria mãe te punirá.
Apesar de tudo isso, peço para que se cuide ao extremo. Quero que o mundo o conheça pelos seus feitos, Nathan.
Com amor, George Foster.
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