O Desastre - repostagem
3 Capítulo 3 - Sobrevivendo
Notas iniciais
“Uma lágrima rolou...
Um grito ecoou pelas ruas desertas...
Um grito de desespero, de dor, de alguém que perdeu algo importante da sua vida. Não era um grito qualquer, era o pior grito que alguém poderia dar. Neste momento, existe uma garota que chora, que grita, pois tudo o que tinha lhe foi tirado. A única parte de sua família que restou lhe foi tirada. Tudo por causa de um tiro. Um único tiro acabou com as suas esperanças. Dizem que a esperança é a última que morre, mas para Sam não tinha mais vida. Então se a vida dela acabou, para quê continuar lutando? Para quê continuar tendo esperanças? Sua vida estava acabada. Terminada. Não tinha mais nada para se ser feito. Ela parou no tempo. Na vida dela era tudo tão sem graça; tudo o que tinha, todas as pessoas que amava, eram tirados dela em um piscar de olhos. Tudo. E esperança? Pra quê? Sempre que a esperança surgia, como uma leve chama que surge de uma fogueira, era apagada com apenas o soprar do vento... nada na vida dela durava para sempre.
Ela não tinha mãe. Sua mãe havia morrido em alguns meses, e seu pai...bom, ela estava lamentando sua morte. Já não bastava ter perdido a sua mãe, o destino frio e cruel lhe bateu à porta e lhe tirou o pai. Não tinha irmãos, avós, tios.... estava sozinha pelo mundo, vagando sem ter esperanças. Talvez a esperança ressurgiria como das outras vezes, talvez ressurgisse das cinzas. Esperança..... era a única coisa que lhe restava. Mas como ter esperança, se em tudo aquilo que você a depositava lhe tinha sido tirado? Como? Era o que Sam se perguntava. Esperança nunca lhe serviu de nada, nunca foi o bastante. Só tolos ainda mantinham as esperanças! Sam não era tola. Ou era? Talvez. Seria ela capaz de acreditar em esperança? Qual a vantagem de ainda ter esperança? Sam estava em um conflito dentro de si. Adiantaria ter mais esperança? Talvez. Ela só saberia se tentasse mais uma vez.
Então, Sam tomou uma atitude. Ficar sentada esperando a morte chegar não adiantaria de nada! Fez com que sua esperança ressuscitasse, a reuniu com coragem, revestiu de força, pegou sua boneca que tinha ganhado de aniversário e se colocou de pé. Ela tinha a chance de mudar o futuro. Ela ainda tinha tempo de mudar o curso de sua vida. Mas ela se lembrou que todos os órfãos eram levados para o orfanato. O lugar que ela jamais quis ir. Mas era inevitável não passar por esse lugar. Ela teria que enfrentá-lo e reunir forças e esperanças para um dia poder sair de lá. Esse seria apenas um lugar em que ela poderia cuidar de suas feridas, consertar as partes quebradas e se reerguer das cinzas. Tudo dependia dela. Podia parecer impossível aos olhos das outras pessoas, mas não para ela. E dentro do carro que a levaria até o orfanato ela viu. Viu que estava decidida a lutar por sua vida. A mudar de vida. Isso dependia inteiramente dela. E se ela escolhesse esse caminho, teria que seguir até o fim. Mas ela não desistiria como das outras vezes não. Todas as dificuldades que ela teve que passar lhe serviram de lições, que ela usaria para a vida toda. Ela estava determinada, e, ninguém iria matar o que havia acabado de ressuscitar: sua esperança!”
Alguns anos depois
“Chamo-me Samanta Wright mas gosto que as pessoas me chamem de Sam. Tenho 15 anos e vivo em um hospício , digo, orfanato. A minha vida é uma loucura desde que eu era menor, e, agora esta loucura aumentou ainda mais, minha vida está muito bagunçada, como Alex diria: de pernas pro ar! Já se passaram 10 anos que meu pai morreu e que eu estou aqui, mas eu nunca me adaptei, eu sinto que aqui não é o meu lugar, estou como um peixe fora d’água, e essa sensação é horrível!! Mesmo que estando em um lugar que só existem pessoas órfãos, eu não consigo me adaptar aqui. É como se eu estivesse presa no tempo, no passado, e não conseguisse sair, parece que as pessoas que dirigem esse orfanato escondem de mim, de nós um mundo maravilhoso, cheio de aventuras a serem vividas, emoções, histórias para serem contadas no futuro. Eu sinto que eles escondem um mundo diferente do que vivemos.
Já não basta ter que morar aqui, eu tenho que trabalhar. Eu trabalho em uma lancheria, pouco movimento, eu gosto, um lugar calmo, perfeito para pensar. A maioria das pessoas que lá vão são viajantes e parecem bem surpresos pelas roupas que usamos. Também, roupas do século passado! Ok estou exagerando. Mas tem um pouco de verdade isso. As costureiras em vez de fazer roupas novas para nós, pegam as roupas que foram usadas há muito tempo, as reformam e nos dão. Uma vez por ano uma costureira vai até a cidade grande e observa os novos modelos. E quando ela chega tem novas ideias para reformular as roupas. Um saco eu sei.
Além de eu trabalhar na lancheria eu tenho que cuidar de crianças nas minhas horas vagas, o que é raro! Então eu nem tenho tempo para me divertir que nem os outros adolescentes. Não que tenha muitos tipos de diversões, mas um tempo só para mim não mataria ninguém. Como se já não bastasse ter pouco tempo para mim ( geralmente umas duas horas antes do toque de recolher ), eu fico sempre com a cabeça enfiada em um livro. As histórias me fascinam! Os personagens sempre vivem uma aventura, com muito drama, emoções, tudo o que eu sempre quis para mim e não posso ter.
Já não chega viver sozinha, sem ter uma família como as maiorias das pessoas do mundo têm que ser conhecida como nerd, cdf. As pessoas nem sabem o meu nome, só me conhecem por nerd. Nerd isso nerd aquilo. Ajuda-me com isso, me ajuda com aquilo. E como essa burra aqui é quase que solitária, aceita tudo o que as pessoas pedem (mandam) daqui uns vão bater nela e ela vai deixar. É eu sou uma idiota.
As garotas ficam em um lado e os garotos ficam em outro completamente longe. Longínquo! Chega a cansar só de pensar em ir para lá. E como a burra aqui é mandada por todo mundo e é a única que eles deixam passar para a ala masculina 24 horas por dia, ela tem que fazer “pontes” entre garotas e garotos. ¬¬ (litro:10000000000000000000000000).
Só nos encontramos com os garotos nas aulas ou no intervalo.
Também somos divididos em grupos (popular, nerd, rock, punk, esquisitos, excluídos, e os chamados “sociáveis” que estão quase que em todos os grupos e se dão com praticamente todos) e eu me encaixo mais no grupo dos “sociáveis”. Mas infelizmente sou conhecida como “nerd” porque não tenho tempo para diversão. Essas pessoas sempre me veem com um livro na mão e tirando boas notas; infelizmente.
Agora eu tenho que me dirigir à sala de aula ou vou chegar atrasada!”
Sam guarda seu diário em sua mochila e se dirige ao prédio onde ficam as salas de aula. Ela se encontra com seus amigos mas como não gostava de se atrasar, só os cumprimentou e foi para a sala de aula. Eles já haviam se acostumado com as atitudes da amiga, então aquilo não era nenhuma novidade para eles. Pelo menos eles podiam se ver no intervalo.
O tempo se passava arrastado para a maioria das pessoas que só iam na escola por obrigação, mas para Sam, o tempo estava voando. Odiava quando isso acontecia. Qual o motivo? Simples, quando a aula acabasse teria que trabalhar! Não que ela estivesse reclamando, mas era um tédio ter que aguentar as patricinhas de sua sala no local de trabalho. Mas onde trabalhava? Em uma lanchonete. Então, era óbvio que quase a escola inteira ia para lá, principalmente por ser a única lanchonete perto dos dormitórios.
Então, o tão esperado alarme soou, anunciando o início do intervalo. Todos saíram como loucos para encontrarem seus amigos e poderem colocar as fofocas em dia. Sam adorava ficar no silêncio absoluto, então quase sempre que possível, “fugia” para um local que tinha sido abandonado, e como não tinha mais ninguém para cuidar do local, se encheu de matos, e só algumas pessoas sabiam de sua existência. Sam observa o local empoeirado e logo vê que seus amigos chegaram. Alex, uma garota muito animada, e Freddie, um garoto nerd/esquisito, muito tímido, que tinha uma “queda” por Sam.
– Você não vai acreditar no que aconteceu!! O mundo vai acabar por causa disso!! Eu to tão feliz!!
– Você conseguiu tirar 10 em matemática??
– Não sua chata! É outra coisa muito melhor!!
– O que é mais importante que tirar notas boas na escola?? Não consigo entender você!
– Aff Sam. Lembra-te da festa que teve final de semana? Pois é, eu fiquei com... – e lá se ia Alex ditando o nome de vários garotos que havia ficado. Como Sam odiava ter que ouvir a amiga falando de garotos! Era uma coisa quase que insuportável! Às vezes Sam achava que era um garoto, só que deu “erro” na parte de escolherem o seu sexo, deixando-a assim, uma garota. O que ela faria se não fosse uma garota? Ah, muita coisa. Poderia ser o garoto mais inteligente de todo mundo! Não que ela não fosse inteligente, já era desde criançinha. Teria mais “voz” em meio ao público se fosse um homem. Que triste realidade. Tinha que ser ela uma garota? O que poderia ser pior do que isso para Sam?
– Sam!!!! – disse Alex tirando Sam de seus devaneios – você não escutou nenhuma palavra que eu disse, não é mesmo? – Sam negou com a cabeça – nem a parte que eu disse que Matt e sua “gangue” estudarão conosco?
– Cof, cof, cof, cof,cof – tossiu Sam colocando a mão no peito – o que você disse?? Então é verdade? Quando eles chegam?? Quando começam os treinos de seleção??
– Minha nossa! Calma miga! Sim é verdade. Amanhã. E o quê? Para que quer saber quando os treinos começam?? – disse Alex fingindo pensar – espera! Já sei! Você quer ver eles treinando, não é mesmo??
– O-O QUÊ??!! VOCÊ ENLOUQUECEU!!! ONDE ESTÁ COM A CABEÇA????
– Calma Sam, minha cabeça está bem acima do pescoço ok? É que, para que você quer saber dos treinos? Isso está me intrigando. Desembucha amiga!
– É que essa pode ser a minha única chance de entrar para o time de futebol! Você sabe que é o meu sonho!! Fala sério que você não gostaria que seu sonho se realizasse??
– Garota, você É uma garota! Você não pode jogar futebol! Onde VOCÊ está com a cabeça??! Não precisa responder! Mas sabe de uma coisa?
– O quê?
– Você fica bem melhor jogando futebol do que lendo livros! – Alex dizia enquanto se levantava e se preparava para correr. Não era bom ver a amiga zangada.
– Prepare-se para morrer Alex!!! – dizendo isso, Sam saiu em disparada em direção à amiga, que é claro, não esperou para ser morta e saiu correndo na frente.
As duas amigas saem do esconderijo e Alex que era mais rápida, se esconde em atrás de uma árvore (N/A: vantagens de ser magra) e Sam que não se percebe que a amiga havia “desaparecido” continua a correr. O ar estava lhe faltando mas mesmo assim ela não parou de correr. Não poderia Alex insultar-lhe mais uma vez sobre aquele assunto sem sair impune. Não mesmo. Sam olhava para todos os lados (exceto para frente) quando, de repente, se bate contra algo, alguém mais precisamente, e quando levanta os olhos se depara com um par de olhos castanhos claros e sente que estava sendo segurada por aquele cara “misterioso”. Ele lhe segurava pela cintura, e pelo jeito que ele respirava, também deveria estar correndo. Sam ao perceber da proximidade em que estavam dá um passo para trás, corando violentamente. Nenhum garoto, jamais, em hipótese alguma, tinha coragem de tocar nela (tinha uma fama de ser muito brava), e pelo jeito ele não era dali. Pelo jeito que estava vestido deveria ser um dos jogadores do time de futebol e deveria ser novo na área. Nunca o tinha visto por ali. Ou talvez nenhuma garota tivesse percebido que ele existisse. Para tudo. Como um cara como ele, alto, atlético e super bonito não teria sido notado pelas garotas? Isso era praticamente impossível!! Isso com certeza era um tipo de universo alternativo. Sam jamais tinha chegado tão perto de um garoto, exceto Freddie. Mas espera, Freddie poderia ser considerado um garoto? Sam nunca tinha pensado nisso. Mas o garoto a sua frente tratou logo de tirar Sam de seus devaneios.
– Hum.. Olá. Chamo-me Matt, e você?? – “hum. Matt. Que nome bonito. Aliás combina muito com o dono. Peraí! O que eu to pensando? Eu, Sam reparando em detalhes como esses? Onde fostes parar oh voz da razão??” – oi?
– Oi! Eu me chamo Sam! Você é novo por aqui não é? – Sam perguntou, nem um pouco direta, como sempre.
– Sim acabei de chegar! Eu e meus amigos acabamos de chegar e estamos um pouco perdidos, e é claro que toda ajuda é bem-vinda. – disse Matt piscando o olho direito para Sam. – o que acha de me ajudar?
– MATT!!! – um garoto se aproximou dele correndo – até que enfim eu te encontrei!
– Por quê? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Matt, visivelmente preocupado.
– só vou te dar uma dica: não fala em hipótese alguma com uma garota meio baixinha, usa uns óculos gigantes, só usa preto e vermelho. É uma garota muito esquisita e metida. Não vai querer se encontrar com ela.
– por quê? – Matt disse curioso.
– Ela é muito brava. Cara, me escuta, se eu...- o garoto parou de falar assim que viu Sam que olhava estática para ele.
Agora Sam lhe reconheceu. Era o garoto com quem se cruzara mais cedo. O encontro entre eles não foi um dos mais agradáveis. Pelo menos não para ele. Sam saíra vitoriosa, lhe mostrando que quem mandava no pedaço era ela. Sim ela bateu nele. E agora estava super envergonhada quando descobriu que ele era amigo de Matt. “Tenho que parar com essa mania, ou vou acabar todas as pessoas do meu redor.” Era o que Sam repetia para si continuamente.
– Você – disse o garoto estreitando os olhos e apontando o dedo para Sam – você...
– o que tem ela Tom?
– ela é a garota-problema que eu tava te falando. Tava tentando te prevenir, mas pelo jeito, você só atrai garotas desse tipo – disse Tom, frisando bem a palavra. Aquilo havia magoado. Mas Sam não deixou transparecer isso.
– oi – disse Sam cínica – bom revê-lo também.
– de onde vocês se conhecem?
– Tivemos um encontro nada agradável hoje no corredor. – disse Tom enfurecido
– o que você fez para ele Sam? – Matt se virou, mas como Sam era tinha muita sorte, o interfone soou:.
–“Atenção caros alunos, estamos avisando que não terá mais aula está manhã por motivos técnicos. Estamos com alguns problemas e não será possível continuarmos as aulas. Todos os alunos estão dispensados e pedidos encarecidamente para que todos, TODOS se dirijam para seus quartos. É só isso e tenham um ótimo dia.”
– Tchau Matt, Tom. Vemos-nos por aí.
Todos os alunos saíram dando “vivas” por as aulas terem sido suspensas pelo resto da manhã. Todos eles estavam alegres por enfim poderem ficar sem fazer nada, saírem com os amigos para a lanchonete. Pelo menos a maioria. E Sam não fazia parte da maioria. Sam aproveitando que saíra mais cedo da escola já foi se dirigindo à lanchonete em que trabalhava. Hoje chegaria mais cedo e com toda a certeza a lanchonete estaria lotada. L-O-T-A-D-A.Tudo o que Sam não queria. Só queria um pouco de paz, silêncio e descanso. Mas parece que essas palavras não existiam no vocabulário dela.
A passos rápidos, Sam se dirigia à lanchonete, poderia talvez até ganhar um aumento se chegasse antes do seu horário. Demoraria aproximadamente uma hora até chegar ao local. Precisava andar mais rápido. Enquanto caminhava, Sam perdia-se em pensamentos, repassando uma lista de coisas que deveria fazer assim que chegasse em “casa”. Apenas um quarto de cinco metros quadrados. Minúsculo. “Organizar os livros, limpar o quarto, separar as folhas usadas, guardar os trabalhos nas pastas, lavar a roupa, ver como estão às criancinhas, e... o que estou esquecendo mesmo? Ah, comer”.
Eram tantas atividades que Sam mal conseguia lembrá-las! E como não tinha tempo para pensar, estava trabalhando! Não queria ser demitida bem agora! “Foco, Sam, foco!!”.
E a tarde se foi, bem movimentada, mais do que os outros dias, alguns até davam gorjetas a Sam, o que era geralmente uma raridade. Muitos queriam apenas conversar, e pediam algo apenas por obrigação. Pois é, a vida não podia ser mais difícil do que estudar em uma lanchonete. Se ficasse mais de uma hora ali, era certo que precisariam comprar algo, o que geralmente ocorria.
Até que, pela porta da frente, entram alguns garotos diferentes, que deixam todo o ambiente em silêncio, todos queriam ver quem eram os novatos da escola, ver como eles eram, e como poderiam se aproximar deles. Sam, estranhando o silêncio repentino, saiu de onde estava e se arrependeu disso: era Matt e sua “gangue”! Que sorte ela tinha. Não podia nem trabalhar em um local sem ser perturbada por alguém! Não, ninguém lhe havia perturbado ainda, mais em breve ela seria, sentia isso.
Os garotos sentaram-se em uma mesa qualquer e Sam foi atendê-los, mas eles nada quiserem. Os minutos foram passando, e quando deu uma hora, era o fim do expediente de Sam! “Que se dane Matt e companhia!! Eu quero é ir para casa e é o que eu vou fazer!”, pensava Sam alegremente.
Saiu rapidamente do local, sendo seguida por Matt, levantou-se rapidamente, pegou o braço de Sam de uma maneira brusca, fazendo com que Sam batesse contra seu peito. Sam olhou para cima, e, ao ver quem era, corou violentamente. “Droga, meu rosto fica me entregando!!”, estava pensando até que foi tirada de seus devaneios por Matt.
– Para onde estava indo??
–Para casa ué!
– Vai ir a pé?
– Tá vendo outro veículo que não seja o seu lá fora?? – Sam disse seca.
– Não! – suspirou – e é por isso que eu vou levá-la para casa.
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