O Desastre - repostagem

1 Capítulo 1 - relembrando o passado - pt 1


Notas iniciais
espero que gostem!

“O desespero tomou conta de mim, e me impediu de olhar para os lados, e principalmente, de seguir em frente.” – Valeska

“Parecia ser um dia normal, bom era, mas não para minha família. Porque este era o dia em que eu haveria de nascer. Foram no dia 28 de Julho de 2020 que iniciaram os meus problemas. Meus pais não tinham condições, e eu era a mais nova de nove irmãos.”

Diário da Sam. 26/9/2024

– Hoje é um novo dia! Bom dia irmãos!

– Olha lá e vê se não é a queridinha do papai! — disseram meus irmãos.

– Eu não vejo a hora de sair! – disse eu.

– Oi filha, está preparada para sair? –disse papai.

– Mas é claro que estou!

Algumas horas depois...

– Olha mãe eu fiz isso para você! Espero que goste!

– Oh, obrigada filha. Agora vá se divertir.- disse ela.

Porque tinha que acontecer tamanha tragédia, justo naquele dia? Queria saber o que eu tinha feito para merecer aquilo...

– Querida, eu e as crianças vamos pescar e voltaremos para o jantar!- disse papai.

– Tudo bem querido, boa sorte!- disse ela.

Porque eu não podia saber que seria justo num dia tão lindo que aconteceria uma das maiores tragédias?

Se eu soubesse, teria aproveitado cada minuto de tudo o que eu fizesse, e talvez não me sentisse culpada.

Bom, eu, meu pai e meus irmãos, estávamos pescando enquanto minha mãe e meus outros 4 irmãos estavam ajudando ela na cozinha. É tão chato ficar pescando! Tem que ficar em silêncio, sem fazer nenhum barulho, para não “espantar os peixes”. Eu acho que pescaria é uma bobagem! Poderíamos comprar comida se tivéssemos dinheiro.

Enquanto estávamos pescando, eu caí no rio e meu pai me mandou voltar para o chalé em que estávamos para eu não pegar um resfriado, já que estava muito frio.

Perto de casa, eu sentia um cheiro meio que familiar, pelo menos era um cheiro bom. Quando entrei dentro do chalé, alguns dos meus irmãos estavam na volta do fogão junto com minha mãe. Eles estavam fazendo o jantar com os peixes que tínhamos pescado de manhã.

Bom, pelo menos era peixe frito. Minha mãe pediu para eu lhe alcançar uma garrafa de sei lá o que, enquanto eu estava levando o líquido caiu todo no chão, porque eu não tinha visto que a garrafa estava aberta.

Mamãe ficou furiosa, por isso me mandou para fora do chalé e esperar o resto dos meus irmãos e meu pai chegarem da pescaria. A noite estava fria, e estava começando a cair uma névoa, deixando a noite ainda mais fria. Eu já estava começando a ficar preocupada porque já fazia mais ou menos umas duas horas que eu estava ali e eles não haviam voltado.

Bati na porta do chalé e perguntei se poderia entrar, porque já estava começando a me sentir mal, e a minha mãe disse que não. É claro que eu fiquei furiosa e dei a volta no chalé até encontrar uma brecha, isso foi muito fácil, já que eu era quase transparente!

Quando eu entrei, vi que ela estava na sala conversando com meus irmãos para irem ver o resto da família, eu fui para a cozinha com uma pequena vela, minha mãe me viu e mandou que eu saísse da cozinha mas não falou o porquê e eu não entendi, e quando eu estava saindo, acabei caindo no chão e a vela caiu naquele líquido e pegou fogo! Em poucos segundos, o chalé todo estava em chamas!

Os meus irmãos e minha mãe ficaram apavorados e ficaram quase que paralisados, porque viram o fogo se espalhar, dava tempo de sair correndo pela porta e eles não conseguiram mover nem um músculo.

Quando meu pai e meus irmãos chegaram, largaram tudo o que estavam carregando e pegaram quase que de imediato, baldes de água, para tentarem apagar o fogo. Mas como estava garoando, ficava mais difícil de apagá-lo!

Tinha mais algumas pessoas que moravam perto (mais ou menos uma hora e meia de caminhada até ali) viram a fumaça e sentiram o cheiro e saíram rapidamente para ver o que estava acontecendo. Mas eles haviam chegado tarde demais para ajudar.

Em poucos segundos, o fogo tinha tomado cada cômodo da casa, o que tornava impossível tentar abrir a porta, porque daí, o fogo aumentaria.

Eu estava dentro do chalé e observava tudo em silêncio apesar das chamas e dos gritos de socorro dos meus irmãos e da minha mãe. Minha mãe já estava totalmente sufocada com a fumaça, mas foi aí que ela teve uma ideia: embaixo do tapete tinha um pequeno buraco, que eles não haviam consertado, e então, ela começou a passar cada um dos meus irmãos para dentro do buraco.

Ela estava muito nervosa. Nunca tinha acontecido isso antes de eu nascer. Agora eu me achava realmente culpada. Era tudo culpa minha.

Enquanto todos tentavam apagar o fogo,ele ia cada vez mais crescendo e a fumaça já estava quase matando eu e ela,ela me colocou para dentro do buraco e disse que eu teria que seguir sem ela.

Foi aí que eu me lembrei que tínhamos um machado, só que não me lembrava onde ele estava. O tempo estava se esgotando! Eu fui onde ele deveria estar, mas ele não estava lá! Não o encontrava.

Quando entrei embaixo da casa correndo, tropecei em alguma coisa, quando me virei, vi que era embaixo do buraco. Foi aí que eu me lembrei que aquele machado estava ali porque eu tinha quebrado o chão, e o machado caiu dentro do buraco e ninguém nunca mais o achou.

Comecei a quebrar a madeira para tentar soltar ela, até hoje não sei da onde tirei tanta força, porque o machado era pesado. Quando consegui quebrar a madeira, cai em cima da perna dela umas das tábuas que haviam queimado, prendendo ela, impedindo que ela saísse dali para se salvar.

Comecei a ficar desesperada, não queria que ela ficasse presa, não queria que ela morresse. Ela viu o pânico em meu rosto, mandou eu sair dali, mas eu não podia deixá-la ali, daquele jeito, sozinha.

Meu irmão mais velho, vendo que eu não saía de dentro da casa, entrou em baixo da casa. Minha mãe estava me empurrando para dentro do buraco, mas eu queria ficar com ela até o último suspiro. Mas meu irmão me pegou e não me deixou ficar.

Eu saí dali aos gritos, não queria deixá-la.

Saímos segundos antes de a casa desabar. Tudo tinha sido consumido pelo fogo. Não havia sobrado nada. Naquela noite, ninguém quis comer, tomar água ou até mesmo falar nada. Todos me observavam. A raiva e a culpa eram tão grandes que eu não pude me conter. Saí dali correndo, não queria mais viver.

Quando ouvia as pessoas falarem devia ser horrível se sentir culpado por não ajudarem,ou quando se sentiam culpados por matarem alguém, logo depois eles riam, então eu pensava que não era tão ruim assim.

Mas era muito pior. Eu não queria mais olhar para minha família novamente.

No outro dia, chegaram algumas pessoas falando que levariam alguns dos meus irmãos para outras famílias que tinham condições de sustentá-los. Levaram os mais novos. Só não me levaram porque eu estava escondida dentro de uma árvore oca.

Além de termos a nossa mãe morta, não bastavam, eles queriam levar meus irmãos também. Mas eu não me contentava com isso. Eu queria uma explicação para tudo isso.

Os dias foram passando, e eu me sentia cada vez mais culpada pelo que estava acontecendo. Agora, eles queriam levar meus irmãos mais velhos para o exército, porque uma guerra estava chegando.

Todos os moradores do país inteiro estavam assustados e todos fugiram para os montes. Eu e meu pai não fomos para os montes porque ele estava fazendo uma viagem de negócios. Eu achava aquilo muito estranho, já que eram com coisas feitas de metal.

Algumas faziam um barulho estranho, e aquilo machucava as pessoas. Mas eu já havia me acostumado com isso, então tudo isso era normal para mim.Mas eu gostaria que mamãe estivesse ali, porque eu sei como ela reagiria mediante uma ação daquelas; sinto saudades suas, mamãe.

Notas finais
espero que tenham gostado!