O Desaparecido
4 O Jeito Foi Dar no Pé
Notas iniciais
Capítulo 4 – O Jeito Foi Dar no Pé
Pois ninguém aguenta uma égua furiosa
Não aguentava mais seus pés enquanto descia as escadas do sótão. Com certeza tinha ficado tempo demais em pé e agora já conseguia senti-lo doer. Mas continuou. Sabia que tinha sido ilegal visitar o oráculo naquela hora, mas não tinha resistido. Algo dentro dela tinha dito que deveria fazer aquilo, e por isso fez.
Quando chegou ao segundo andar, porém, viu o vulto de alguém, sentado no divã em frente a lareira. Todas as salas da Casa Grande tinham lareiras? Ah, pelo amor deus deuses! Que povo mais friorento! Por isso eu digo e repito: Sou mais desenvolvido, não sou tão primitivo. O frio não me abate, o calor não me consome. Sou pó, puro e vento. Sou o nada, o vazio da sua alma. Eu sou a voz que fala contigo durante uma leitura.
A pessoa sentada de frente para a lareira parecia dourada, brilhante, por causa da fraca chama que lá queimava. Quanto mais olhava para ela, porém, mais percebia que com certeza não era um humano ou um meio-sangue. Nem mesmo uma dríade ou ninfa. Era uma deusa. Quando se levantou, os dedos demoraram sobre o divã, e ela não se virou para Nádia. Por outro lado, ficou de frente para o fogo, querendo se aquecer. Os cabelos cacheados e enrolados ao lado da orelha estavam vibrantes e pareciam cheirar a recém-lavado. Os olhos eram de um dourado aconchegante e ela vestia uma camiseta surrada do Acampamento Meio-Sangue, combinando com um pequeno short apertado. Calçava sandálias, mas não algo heroico, era mais uma daquelas que se compra nas lojas por ai.
– Nádia. – a mulher chamou-lhe, e de imediato ela reconheceu a voz. Era Elizabeth.
– Liz?
– Sou o espírito do deus Apolo. Deus da poesia, da música, deus do arco e da flecha, deus das profecias, sou eu quem dirige o carro do Sol. Eu sou filho do Rei do Olimpo e irmão da Caçada.
– Eu já sei quem você é. – ela revirou os olhos
– Ah, que bom, gracinha. – Elizabeth/Apolo sorriu-lhe. – Isso poupa tempo e espaço. Muito bem... O que vim falar mesmo... Ah, sim!
– Fala logo. – Nádia bateu o pé impacientemente. – Se a Senhora M aparecer eu juro que te...
– Calminha, linda. – Elizabeth cruzou os braços – Pois bem, trago uma notícia das Parcas!
– Nossa, você é muito íntimo dessas Parcas ai, hein? Primeiro a notícia do filho de Dionísio, agora uma notícia pra mim...
– Somos amigos de infância e... Ah, vê se não amola, garota! Sinta-se honrada em estar na minha presença. Quer dizer, na minha quase presença. Muito dos meus filhos adorariam estar no seu lugar.
– Só os seus filhos...
– Vê se cala a boca... Zeus! Enfim, eu venho te falar que você vai morrer.
– Ah, grande novidade... – ela bateu os dedos sobre uma mesa próxima – Todos morrem um dia.
– Os deuses não – Apolo/Elizabeth piscou. – Mas não digo isso como uma visão do futuro, você vai morrer e logo. A não ser que consiga impedir.
– E como posso impedir? – Nádia estava mais série e menos sarcástica. Ela realmente não queria morrer.
– Simples: Você tem que arrumar uma alma para Hades!
– O quê? – ela deu alguns passos para trás – Uma alma para Hades? M-Mas...
– Acontece o seguinte, gatinha, quando Hades quer uma alma, e você não quer morrer, você entrega á ele uma alma que ele quer ainda mais e ele te abençoa com mais cinquenta ou cem anos de vida, isso depende da alma.
– Mas quem Hades iria querer?
– Ah, isso eu não sei – Apolo deu de ombros, utilizando o corpo de Elizabeth, claro. – Alguém que ele procura já faz tempo... Se você fosse mais nova, poderia ser Dédalo, mas esse ai bateu as botas faz uns vinte anos...
– Eu só tenho dezesseis...
– A idade do ápice da juventude feminina! Ah, isso me lembra um poema que eu tinha esquecido de continuar!
– Vai embora – ela resmungou mudando de direção e descendo as escadas lentamente.
– Espere só mais um pouco, Nádia. – Apolo/Elizabeth suspirou e olhou seus pés, então levantou a cabeça e disse claramente: — Se não entregar uma alma para Hades até o Solstício de Verão... Você morrerá. E nada poderá mudar. Até o solstício! – ele parecia agora desesperado – Qualquer problema, me avise, estou do seu lado!
– Mas por quê?
– Digamos que eu e Dionísio tenhamos uma longa história juntos e... Bem, nós compartilhamos coisas com um certo deus dos crimes... Somos bons amigos de balada, sabe como é... Nenhum outro deus gosta disso, por isso só tenho Dionísio! Não me decepcione, gatinha.
Ela então continuou a descer, deixando Elizabeth para trás.
º º º
A noite reinava do lado de fora, e já era possível ouvir as corujas e os grilos. Os sons do bater de asas das Harpias vinham ao longe, enquanto elas arrumavam o Acampamento. Nádia caminhava perto do Lago de Canoagem, quando avistou Senhora M trotando e cuidado de um dos recém-nascidos. Era um centauro de dois meses, e ela já estava ensinando-o a caminhar com suas patinhas miúdas e magrelas.
Nádia não queria atrapalhar, mas como estava com pressa estava decidida ir lá direto.
–Sra.M posso falar com você?
– Ah, sim Nádia... Jenny vá lá com seus amigos — Jenny vai tropeçando sobre seus próprios cascos para perto de seus amigos — O que foi Nádia? Aconteceu alguma coisa?
– Bom... Hoje eu fui na Casa Grande e não tinha ninguém lá estava sozinha e, bom eu vi as escadas e resolvi subir quando cheguei no sótão tinha muitas velharias e uma senhora, de uma hora pra outra um fumaça invadiu o corpo dela e ela começou a falar uma coisa como “Oi Aqui é o Oraculo”, esse tal de Oraculo sabia até o meu nome e... Ele ou ela não sei, citou uma profecia- M interrompe.
– Como assim você foi ao sótão sem ao menos me perguntar se podia ou não?
– Sra.M eu sentia que eu precisava ir.
– Sentiu errado, mas que profecia ela citou para você?
– A Profecia era assim “Um chalé irá faltar, um deus Irá Sumir, 4 crianças atrás terão de ir, um irá por amor, outro ficará por confusão, um por obrigação e outro para se divertir“
– Descubra o que essa profecia diz até o jantar, se não descobrir você lava a louça da janta... — M se vira para o sol não bater no rosto dela — Você tem 3 horas, no Jantar irei anunciar uma nova missão, e você vai ser a líder dela, agora vou indo tenho muito trabalho a fazer.
– Tchau sra.M – M Sai.
Nádia senta em um banco ali perto para pensar um pouco e logo vê que a resposta está em baixo do seu nariz, passa praticamente uma hora e meia e já fica na hora do jantar ela vai para o refeitório e M diz para ela sentar na “Mesa dos chefes” já que ela vai dizer sobre a profecia.
– Garotas e Garotos, temos uma coisa para anunciar! – Diz M, que logo fala para Nádia dizer o que ela “descobriu”.
– Bom, Hoje eu fui ao Sotão, e ouvi a seguinte profecia “Um chalé irá faltar, um Deus Irá Sumir, 4 crianças atrás terão de ir, um irá por amor, outro ficará por confusão, um por obrigação e outro para se divertir“ ou seja o Chalé, é o meu o da Deusa Bia, o deus é Dionísio, que todos nós sabemos que ele praticamente sumiu – Diz Nádia tentando esconder o desaparecimento do sr.D – e bom são 4 crianças.
– E Uma delas vai ser você senhorita Nádia, Escolha seus companheiros.
– Está bem... – pensou e chegou a conclusão de que não tinha uma companhia amigável para a missão. Quem poderia ser agradável o suficiente? — Arthur, Victoria e... Não sei, desculpa, não conheço muitas pessoas...
– Porque não escolhe o Sebastian – Grita uma menina da mesa de Hipnos. Espera aquela era a Hanna...
– Ótima ideia Hanna, Sebastian você vai junto – Confirma M
– Não, eu não quero ir nessa missão!
– Que pena, vai ter que ir – Hanna debocha depois de várias discussões Hanna faz Sebastian ir.
º º º
Arrumar as malas era fácil, o difícil era convencer Hanna de que ela não cabia na mala.
– Sério, eu quero ir! – implorava nos seus joelhos.
– Deveria ter pensado nisso antes de oferecer Sebastian como acompanhante... – Nádia a fuzilou – E desde quando eu te deixo entrar no meu chalé?
– Este chalé é de Hermes, praticamente comunitário. Ah, por favor, Nádia! Não me culpe, é que depois de ter ouvido o que o Sebastian falou pro Teo eu não pude pensar em coisa melhor que vocês dois juntos!
– Espere! O que o Sebastian disse pra esse tal de Teo?
– Segredo! – Hanna pulou na cama – Só conto se me levar.
– Prefiro ficar sem saber, então...
– Nádia! – Hanna fez bico. – Eu quero participar de uma aventura...
– Você vai, um dia. Por hora, esta é a minha aventura – Nádia sorriu, companheira – E eu tenho de vive-la somente com mais três pessoas, não quatro.
Hanna bufou, cruzando os braços e se jogando na cama improvisada de Nádia. Ela aceitou que não poderia ir, mas nem por isso deixaria barato. Jurou fazer com que Nádia acordasse atrasada até o final do verão.
Quando finalmente fechou a mochila, ela a colocou nas costas e então se certificou de ter guardado tudo num lugar seguro (já que com os filhos de Hermes não se pode confiar) e por fim arrumou uma das mechas do cabelo. Arthur e Victoria tinham combinado de passar em seu chalé para pegá-la mais cedo, e por isso ela ficou esperando sentada na cama. O chalé estava vazio e todos os beliches desarrumados, o que era típico do Chalé 11.
Escutou batidas na porta e de um salto foi atender. Não era Arthur, era Sebastian. O menino, com os cabelos louros todos para trás, numa espécime de onda, recém-lavados, e os olhos escuros e frios, a pele exalava o cheiro de sabonete de coco. Ele vestia uma camisa de rock verde escura e uma calça jeans rasgada nos joelhos. Tênis preto e uma mochila cheia de buttons de bandas de rock.
– O que é isso?
– Meus irmãos me emprestaram – ele sorriu envergonhado – Me disseram que ajudaria a me enturmar com os mortais, mas... Não sei não... O rock não é minha praia.
Nádia não perguntou mais nada, indicou o chalé para que ele entrasse, e fechou a porta com cuidado depois que ele o fez.
Ele entrou pedindo licença, o que ela não achou que fosse necessário, mas apreciou a educação dele. Quando colocou a mochila sobre a cama de um dos filhos de Hermes, ela apenas torceu para que Jessica não aparecesse, pois ela odiava que tocassem em sua cama. E Nádia sabia disso por experiência própria.
– Pode sentar ali, é minha cama.- Nádia indicou, e ele obedeceu.
Ela também se sentou e, embora estivesse se roendo internamente para não perguntar o que ele tinha dito á Teo, tentou manter o diálogo fluindo, o que era um desafio para ela. Quando Arthur e Victoria chegaram, eles pegaram as mochilas e partiram em caminhada colina Meio-Sangue acima.
No topo, Argos já os esperava.
Eles entraram no carro devagar, era a primeira vez que iam andar no carro de Argos, e isso era uma grande novidade. Sebastian sentou na frente, ao lado dele, e se encolheu um pouco, pois sentia-se incomodado com aqueles olhos. O casal sentou a trás, e Nádia sentou-se na janela atrás de Argos. Ela tentou ignorar a conversa dos dois, mas estava chegando a um nível insuportável até para ela, e como última escolha, se apoiou no banco de Argos, e começou a puxar conversa com ele e Sebastian.
Após uma hora, ou mais, eles chegaram ao centro de Nova Iorque, e agora rodavam as ruas, enquanto os semideuses não se decidia para onde queriam ir. Nádia alegava que deveriam tentar mandar uma mensagem de Íris para a Sra. M, e perguntar por onde deveriam começar — já que nem isso eles haviam perguntado. Já Sebastian era neutro, ele ia onde eles fossem, e Victoria exigia ir para o Olimpo, porque era mais fácil para eles perguntarem a quem sabia de tudo, Zeus.
Claro, meus leitores queridos, não façam essa besteira que Victoria anunciou. Zeus odeia visitas, muito menos as sem hora marcada. Sabe, ele tornou-se muito arrogante nesse último século, antes ele era mais gentil. Uma vez até me convidara para beber com ele, mas logo eu descobri que era apenas para enrolar sua mulher, Hera.
Mas não me leve a mal, só estou dizendo que Zeus não é lá muito agradável quando a situação não o favorece. Dá pra saber de onde Dionísio e Apolo puxaram seu lado mais egocêntrico.
– Então vamos visitar meu pai — incentivou Sebastian.
Nádia o fuzilou com os olhos, e ele se encolheu, mas nisso Victoria já tinha concordado e Arthur seguia seu exemplo. Com todos querendo ir ao Olimpo, Argos os levou. Todos, é claro, com exceção de nossa enjoada Nádia.
– Quero tanto ver o Olimpo! — Victoria exclamou de excitação.
Nádia bufou e se afundou no assento do carro.
– Então você só quer ir lá para ver o Olimpo, não para descobrir por onde começar...
Victoria fuzilou-a com o olhar, e depois agarrou-se ao braço de Arthur, que manteve-se quieto.
Ao chegarem na rua da Empire States, tiveram de parar o carro no meio da rua, devido ao trânsito, e saíram correndo entre os carros, recebendo buzinadas e luz altas, até chegarem na recepção.
Havia uma senhora gorducha na recepção, com seu terninho parecendo ligeiramente pequeno para o seu tamanho. Ela abriu um sorriso forçado ao vê-los, e perguntou:
– Bem vindos a Empire States, o que procuram?
– 600º Andar, por favor. — pediu Sebastian, com um sorriso deslumbrante.
– Espere — a senhora gorducha segurou o rosto de Sebastian e o examinou em cada centímetro. Olhos dentro dos olhos de Sebastian. A cada segundo que se passava daquele interminável minuto, Sebastian ia se encolhendo mais. — Sebastian Montte'Reagge, filho de Zeus, dezessete anos e tem medo de shows de rock. Pode ir, lindinho. Vocês ficam! — ela indicou o resto da gangue.
– Mas por que? — Victoria se exaltou, batendo fortemente na mesa da gorducha.
– Vocês tem hora marcada?
– Não — Arthur respondeu antes de Victoria.
– Então não entram!
Nádia suspirou. Não queria partir para a baixaria, mas se fosse preciso... Ela empurrou Victoria fortemente, e a garota foi parar na parede, não machucada, mas atordoada.
– Olha aqui, sua Rolha de Poço, ta achando que é quem, hein? — Nádia apontou o dedo para a cara da velha — Você vai me deixar entrar, se não costuro seus olhos num envelope rosa e mando para Hades de presente de Natal!
A velha a encarou firmemente por três segundos. Olho no olho.
– Nádia Hana, filha de Bia, quase dezesseis, tem medo de que lhe ignorem.
– Eu não tenho medo disso! — Nádia se defendeu, porém aquela velha lhe trouxe a dúvida, pois ela parecia saber muito mais do que Nádia.
Certo. Ela e o filho de Zeus podem entrar. Os outros ficam!
– Ah ok, eu e o Arthur podemos passear por aí, enquanto vocês vão! — Sorriu Victoria, agarrando o namorado e praticamente arrastando-o até fora do prédio.
Nádia encarou Sebastian por alguns segundos, e depois ambos subiram no elevador, e seguiram até o 600º andar. Ambos mantiveram-se quietos, nervosos, e cada um em uma extremidade do elevador, chegando até a ser cômico.
Quando finalmente abriu as portas, eles se encararam, e Nádia puxou o filho de Zeus para fora da cabine, e os dois pararam para observar a bela arquitetura do local.
Realmente, o Olimpo mudou diversas vezes enquanto existiu, em todas estava belo, mas agora, após alguns anos da reforma daquela criança de Atena — que já não deve ser mais criança — ele ficou deslumbrante. E até mais colorido, já que o senhor todo poderoso resolveu acolher as sugestões de cores dos outros deuses, e agora, havia nuvens de inúmeras cores.
Até eu leitor, teria ficado parado olhando, mas eles resolveram seguir em frente, para não perder tempo.
Na verdade, fora Nádia que saíra apressada, em sua mente estavam as palavras de Apolo, de que não havia tempo de vida para ela.
Os dois praticamente correram por todo o lugar, até chegarem onde estavam os doze. Ou deveriam estar, na verdade, é raro todos aparecerem, a maioria está tão atarefada que não aparece já faz alguns anos.
Sebastian hesitou na hora de abrir a porta, porém Nádia praticamente a arrombou, adentrando a passos largos e firmes, assustando as ninfas que havia ali, e saíram correndo para todos os lados. Zeus estava em seu trono, e encarou a eles com raiva, mas logo amoleceu, ao avistar seu filho.
– O que vocês — ele encarou Sebastian, e pareceu desconfortável. — O que querem? — Seu tom de voz mudou, era mais dócil agora.
– Zeus — Nádia se pôs a frente, curvando-se tão minimamente, que mal dera para perceber. — Estamos aqui porque fui escolhida pelo Oráculo, para buscar Dionísio.
– Não é você quem tem de me dar explicações, quero ouvir de meu próprio filho — lançou lhe um olhar duro, e depois arrumou-se no trono.
– Pa-pai, eu vim nessa missão com ela e... O problema é: não fazemos ideia de onde procurar, e precisávamos de uma pista, qualquer coisa. — Ele tremia muito, e parecia estar cada vez mais branco. — O senhor não o viu antes de sumir?
Zeus parecia desconfortável em sua cadeira, mas assentiu devagar, e levantou-se de seu trono. Ele caminhou até uma extremidade da sala, e estendeu a mão, fazendo uma pequena nuvem aparecer, e a mesma começar a criar chuva, que mais parecia névoa.
– Algum de vocês tem um dracma? — Ele perguntou, como se fosse a coisa mais normal vinda de um deus.
Sebastian e Nádia começaram a remexer nas suas vestes, e encontraram um dracma perdido na mochila de Sebastian, e o mesmo correu para entregar ao pai, e antes de se afastar, o mesmo o puxou pelo ombro, terno, abrindo um sorriso gentil.
– Apolo — Zeus disse, jogando o dracma na névoa, e depois apertou o ombro de seu filho, que gelava a cada instante.
Nádia estava praticamente na ponta dos pés, desejando saber o que faziam. Mas logo ouviu aquela voz, que ouvira antes.
– Pai? — Apolou perguntou, parecia estar dirigindo, e freou bruscamente. Deu para ouvir o som dos freios, e sua cabeça balançando para frente e para trás. — O que aconteceu? Alguma emergência?
– Eu sei que você tem muitos contatos com Dionísio, e creio que seja o melhor deus para guiá-lo nessa jornada. — Ele fez uma pausa, vendo o deus do Sol assentir, e abrir um sorriso. — E cuide bem de seu irmão, e ajude os amiguinhos dele a chegarem onde for preciso.
Antes mesmo de Nádia fazer alguma objeção, uma buzina alta do lado de fora, que fez todos olharem para fora. Nádia abriu a porta, e viu um belo conversível amarelo parado, com o deus do sol sorrindo, e chamando-os para dentro.
– Ao menos alguém está se divertindo — murmurou ela, caminhando até o carro.
Apolo e Zeus pararam para conversar um pouco, encostados no carro. Zeus tinha um ar de muita afinidade, enquanto Apolo fazia gestos com as mãos explicando algo. Eram como pai e filho. Na verdade eles realmente eram pai e filho... Zeus tinha uma cabeleira grisalha penteada para trás, no mesmo estilo do cabelo de Sebastian, já Apolo tinha os cabelos vivos e muito bem arrumados num topete pontudo, mas ligeiramente ondulado, como se fosse rebelde.
– Seu pai parece ser sensível aos filhos — brincou Nádia, enquanto arrumava assunto com Sebastian, para que não ficassem em silêncio.
– Eu não sei — Sebastian ainda estava atordoado com tudo aquilo. — Meu pai nunca falou comigo.
Nádia assentiu.
– Nem Bia falou comigo, mas não me importo comigo. Ela me reconheceu, não foi? Então com certeza ela sabe que existo.
Sebastian enfiou as mãos no bolso da jaqueta de couro, outro presente de seu irmãos. Nádia estranhou o estilo dos filhos de Zeus em relação ao pai, que parecia muito sereno e mais ligado ao clássico da música ópera.
Ele era muito afeiçoado, era verdade. Sebastian tinha aquele brilho de relâmpago no olhar, e isso era meio misterioso.
– Você não pode fazer raios? — ela puxou conversa novamente.
– Não. — ele concordou, com desânimo — Todos os meus irmãos conseguem, menos eu. Eu tenho isso — ele apontou para as costas, na direção da corcunda da camiseta. — Asas que me permitem voar tão alto quanto qualquer coisa.
– Alguém já te confundiu com Eros? — ela riu.
– Acredite ou não, mas uma filha de Afrodite já.
Nádia segurou uma risada e então balançou o braço na direção dos deuses.
– Vamos logo com isso, seus anciões! — gritou. — Quero chegar logo no destino final!
Apolo sorriu e fez um positivo com o dedo, deu adeus ao pai e pediu para que entrassem todos pela porta de trás. Apolo até mesmo desceu até a cidade para buscar Victoria e Arthur. Victoria implorou para sentar no banco da frente, junto com Apolo, e Arthur teve de deixar.
Enquanto o carro seguia na direção do pôr-do-Sol, eles batiam um papo-cabeça, dizendo a primeira coisa que pensavam. Victoria estava entretida demais com as cidades que iam passando lá embaixo. Arthur perguntava para Apolo como funcionava o carro do Sol, e isso deixava Sebastian e Nádia quietos e encolhidos no banco do conversível apertado.
– Esse carro não foi feito para quatro pessoas... Era melhor eu ter usado o bonde. — Apolo piscou para Victoria — Mas com uma bela dama do meu lado, eu tinha de mostrar o meu melhor, não?
– Ei. — chamou-lhe a atenção. — A Victoria já tem dono, Apolo. — Arthur se inclinou em seu banco, fazendo com que Sebastian se espremesse ainda mais em Nádia.
– Você tem sorte de eu não ter claustrofobia. — Nádia resmungou para o filho de Zeus.
– Claustrofobia? — Sebastian riu, meio bobamente, ele parecia envergonhado.
– Você está apertando a minha barriga — ela reclamou, enquanto o empurrava com o ombro.
– Ei, calma! — reclamou Arthur do outro lado, empurrando de volta.
Enquanto Nádia e Arthur ficavam se empurrando e espremendo Sebastian entre eles, o carro do Sol levemente se movimentava para a direita e para a esquerda.
– Meu pé! — exclamou Arthur.
– Amor, o que aconteceu? — Victoria se virou para trás, esbarrando no braço de Apolo.
– Crianças, se comportem, ou a gente vai... Merda, tarde demais...
Dito isso, uma tela escrito "Alerta de Deus" apareceu e o carro despencou.
Para onde? Nem mesmo eu sei.
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