O Desaparecido

11 Águas de Dionísio


Notas iniciais
Feito por: Mellyne Saboia Roteiro por: Hanna Sakamoto.

Águas de Dionísio

Não o que ele solta na privada.

Enquanto Victoria acalmava os surtos de Nádia, Sebastian corria de Roxana, após ter caído sobre o tornozelo e quase pego pelo fazendeiro, mas continuou correndo. Quando, por fim, sua energia acabou, ele rasgou a camisa, puxando-a para frente, e liberou as asas. Voou por cinco minutos, até seu cansaço lhe tomar por inteiro. Mas Roxana era pura velocidade. O pegou pelos braços quando a noite ainda era uma criança. O amarrou pelos pés e pelos braços nas videiras e o levou para sua casa da fazenda.

Sebastian ainda não tinha entrado lá, mas quando entrou desejou desesperadamente estar em qualquer outro lugar. A casa do fazendeiro era muito espaçosa por fora, mas por dentro era um pequeno caminho, um túnel, com paredes de pedra, que levava para o fundo. E de alguma maneira Sebastian sentiu que o túnel terminava no Mundo Inferior. O ambiente era úmido, e quanto mais Roxana adentrava lá, mais o suor escorria pela testa de Sebastian. Ele não podia resmungar, pois sua boca estava tampada por uma maçã.

Quando chegaram no final da caverna, porém, ele percebeu que não era nada do imaginara. Aquele não era o Mundo Inferior, na verdade era somente uma pedra lisa e sem mais nada. Algumas tochas estavam nela e a ventilação era quase zero, fazendo Sebastian ofegar, buscando ar para seu pulmão.

Sentiu que Roxana segurava seu rosto, enquanto vociferava palavras feias. Sebastian foi chutado na boca do estômago, e se não estivesse segurado pelas videiras, teria caído de cara no chão. Um soco no ouvido o fez ouvir vozes do além, ou somente sua imaginação. Sentiu uma coisa molhada nos lábios e percebeu que Roxana lhe oferecia um copo de líquido translúcido. Água, pensou. Bebeu com força e fontade, enquanto mergulhava no copo até molhar o nariz.

Em dois segundos, não existia mais Sebastian.