O Desafio de Aizen Reeditando

22 Capítulo 22: O Segundo Plano


Notas iniciais
Era justo receber uma explicação do formentador de todo o processo. Aizen devia justificativas sensatas por suas atitudes. Porém, quem seria capaz de cobrá-las? A resposta para esta pergunta era pouco importante, pois quando um subordinado é tomado pela raiva, a última coisa que se reflete neste momento, é a extensão de uma autoridade.

A garganta se fechou e logo depois se abriu em frente á fortaleza de Aizen. Ichimaru, apoiando Ulquiorra caminhou alguns passos e avistou Aporro logo á frente, perante a entrada. O portal do Hueco Mundo para a Soul Society fechou-se logo depois. Gin caminhou em direção á Aporro e entregou o esapada para o mesmo. O cientista segurou-o com receio e percebendo que o comportamento de Gin estava muito estranho, não protestou contra a atitude.

O ex-capitão adentrou a fortaleza, sem dirigir qualquer palavra ao cientista. Caminhou rapidamente alguns passos e em seguida desapareceu por meio do shunpo. O ex-capitão parecia estar nervoso, mas seu sorriso característico permanecia em sua face. Era possível que por tal expressão não condizer com seu comportamento, isto contribui para que Aporro evitasse as piadinhas.

Aizen Sousuke encontrava-se sentado em sua confortável poltrona, observando as últimas imagens do quarto espada repetidas vezes. Assim que o mesmo bloco começou a se iniciar mais uma vez, Ichimaru Gin entrou no aposento exaurindo uma enorme quantidade de reiatsu, distorcendo o ambiente. O senhor de Las Noches, pausou o vídeo e virou-se para encarar seu subordinado.

- Ichimaru Gin... – pronunciou Aizen, apoiando sua bochecha contra o punho fechado de sua mão. – Controle-se...

Desobedecendo as ordens de seu mestre, o ex-capitão aumentou a intensidade de sua reiatsu fazendo Aizen alterar sua fisionomia.

- Não está me ouvindo, Gin? – indagou Aizen, assumindo uma expressão séria. – Controle-se. – acrescentou e em seguida expandiu sua reiatsu, que disputou com a de Gin por alguns segundos e em seguida a superou, imobilizando-o.

A reiatsu de Aizen atingiu uma intensidade tão forte que fez Gin sentir o efeito em seus ossos que começaram a estalar. A intensidade aumentou drasticamente por um instante gerando inúmeras rachaduras nas paredes, no chão e no teto e logo depois cessou inesperadamente. Aizen levantou-se e caminhou em direção ao subordinado desobediente, permanecendo a um metro de distância do mesmo após uma lenta caminhada.

Ichimaru encarou Aizen, fitando seus olhos, com o mesmo sorriso de sempre. Aguardou as palavras daquele que por pouco não desvalorizou todos os seus esforços.

- Você não é eminente para me desafiar. Você não tem capacidade para isto. – disse Aizen. – É irônico, sabia? – indagou, flexionando suas pálpebras, enquanto observava os trajes de seu subordinado. – Seu harou possui manchas de sangue, pertencente a um ser, que você resgatou e não que você assassinou; como é de praxe. – sorriu.

- Me dê uma explicação, por favor. – suplicou Ichimaru, tentando se controlar.

- A explicação é que você me mostrou ser o meu mais fiel subordinado, Gin. – disse Aizen.

- Como assim? Você mandou Ulquiorra para a morte, comprometendo todo o nosso plano.

- Aí está. – disse o senhor de Las Noches, caminhando alguns passos para trás. – Desde o começo, o meu objetivo tratava-se de testá-lo. Queria obter a certeza de que você não me trairia durante a conclusão de meus objetivos, quando invadíssemos a Sereitei. – enquanto Aizen pronunciava tais palavras, o vídeo das últimas imagens da missão de Ulquiorra, continuou a passar na tela e Ichimaru a observava enquanto ouvia as palavras do líder dos espadas. – Foi preciso articular tal plano, para poder testar a sua fidelidade, Ichimaru. O fato de a missão ter sido absurda foi fundamental para que você se atentasse a ela. Em tese, você deveria proteger esta missão e o sigilo do nosso plano com sua própria vida e foi exatamente isto que aconteceu. Salvando o 4° espada você me mostrou ser capaz de proteger o plano e meus interesses, colocando-os acima de tudo.

- E se eu falhasse? E se eu não me preocupasse com os seus planos? – indagou Gin, indignado.

- Eu lhe retorno suas perguntas com uma pergunta alternativa. Seria útil para mim um subordinado que não protegesse meus interesses? – indagou Aizen, em tom sombrio e sério.

- Não. – respondeu Gin.

- O que eu deveria fazer com um subordinado que não zelasse pelos meus interesses? – indagou novamente.

- Matar? – retrucou com outra pergunta.

Aizen suspirou e caminhou alguns passos em direção á Gin.

- Eu o mataria sem hesitar. – respondeu. – Aliás... – desviou seus olhos para a direita e para cima simultaneamente e em seguida fitou os olhos de Gin mais uma vez. – Mataria você e Ulquiorra.

- Você... – controlou-se Gin.

- Sabe... Eu não gosto de desperdiçar peças valiosas do meu lado do tabuleiro. Não pense que tomarei atitudes semelhantes repetidas vezes.

- Por que não testou o Tousen?

- Boa pergunta. – disse Aizen. – Digamos que sei que o Tousen é fiel. É algo que posso ter certeza. – sorriu. – Espero que tenha entendido. Realizei um teste de fidelidade para você, utilizando Ulquiorra como artifício. E não se sinta mal, você me mostrou ser um ótimo subordinado. Perceba que minha confiança a você aumentou muito.

- A minha em você em compensação decaiu muito.

- Felizmente eu não preciso lhe ceder confiança, pois nossas posições não favorecem um mutualismo, concorda? – dizendo tais palavras, Aizen enfureceu Gin novamente. - Espero que esteja claro em sua mente, que você não tem autoridade para me repreender. Portanto, pouco me importa se você gostou do que fiz ou não. Tudo está fundamentado no interesse maior e aqueles que o protegem merecem os privilégios provindos da virtude de lutar por este interesse.

Ichimaru assumiu uma expressão de seriedade extremamente rara de se ver e dirigiu suas palavras á Aizen.

- Nunca mais faça isto de novo. – disse seriamente. – Lembre-se o que me fez concordar em lhe ajudar. – Se for preciso, eu farei o impossível para lhe derrotar caso você não cumpra os objetivos que nos propomos a perseguir.

- Oh...Isto é raro de se ver. Faz muito tempo que não lhe vejo tão sério assim.

Ignorando as palavras de Aizen, Ichimaru Gin se retirou do aposento. Enquanto se retirava, Aizen observou seu fiel subordinado. Percebeu que se Gin se rebelasse contra ele, teria sérios problemas. Refletiu se seu plano na verdade acabou promovendo um sentimento de vingança que poderia se desencadear em uma rebelião liderada por Ichimaru ao invés de impedir tal coisa. De qualquer forma, teve certeza que ele não cogitou a hipótese de traí-lo em nenhum momento. Pelo menos esta certeza, foi capaz de responder a principal questão que assolara Aizen durante centenas de anos.

O ex-capitão após se retirar do aposento de Aizen, se dirigiu até o laboratório de Aporro. Alguns instantes depois, os dois se encontravam em um local pouco iluminado e estavam frente a um grande recipiente oval e no seu interior se encontrava Ulquiorra, mergulhado em um líquido esverdeado. O 4° espada sondado por uma porção de tubos curava-se das feridas da batalha contra o comandante.

- Como foi o confronto com Aizen-sama? – indagou Aporro, curiosamente.

- Você tem uma ousadia que causa inveja, sabia? – disse Gin, se irritando com a curiosidade do espada.

- Não me culpe. Aconteceram muitas coisas fora do comum, por isso é normal eu estar curioso. – tentou justificar-se.

- Quando Ulquiorra se recuperará completamente? – indagou o ex-capitão.

- Daqui a alguns dias.

- Você sabia de tudo Aporro. – acusou Gin.

- Ahm... – o espada sentiu-se encurralado, mas acabou cedendo a verdade. – Sim, eu sabia de tudo, mas fui obrigado a permanecer em silêncio.

- Você percebeu que também foi testado?

- Sim. Percebi no último momento apenas. – disse Aporro, ajeitando os óculos. – Contudo, me senti aliviado quando percebi que passara no teste. O dispositivo que Ulquiorra roubou da minha sala de pesquisas me fez passar no teste. Às vezes fico imaginando o que teria acontecido comigo se eu tivesse manifestado indiferença sobre a missão do Ulquiorra.

- Não seja ingênuo. Você sabe que Aizen lhe eliminaria imediatamente.

- Eu sei. Mas por um momento acreditei que haveria outra punição.

- Não haveria.

- Realmente. Não haveria.

- Exatamente.

- De certa forma, apesar de termos passado no teste, quem ganhou mais confiança de Aizen-sama nisto tudo foi Ulquiorra, porque desde o princípio ele demonstrou fidelidade e em nenhum momento se desviou da proposta.

- Quando Aizen formula uma teoria Aporro... O que vou lhe dizer agora é de extrema importância, sinta-se privilegiado por ouvir isto. Quando Aizen formula uma teoria e a utiliza como orientação, os alvos devem tomar atitudes exatamente como as esperadas por ele. Quando um alvo perde o equilíbrio sobre sua linha de raciocínio e se distancia, neste momento este alvo não possui mais valor algum, a primeira atitude e vontade de Aizen acabam se tornando a de matar este alvo, pois ele deixou de se tornar interessante. O segredo para adquirir a confiança de Aizen e sua admiração, é descobrir seus planos primeiramente e agir de acordo com tais planos simulando espontaneidade.

- Oh! Você... – Aporro se surpreendeu com o comentário de Gin.

- Estou lhe contando isto, para mostrar que Aizen não é tão influente como aparenta e que existe a chance de ludibriá-lo. – disse Gin, e logo depois se retirou da sala, deixando Aporro perplexo com suas palavras.

- Não é possível... – balbuciou Aporro.

Alguns dias depois, Ulquiorra recebeu ordens de Aizen para comparecer a seu aposento. O espada dirigiu-se lentamente pelo corredor, era o primeiro encontro com Aizen após o desastre da missão destinada a sua pessoa. Controlando-se, adentrou o aposento com ar de seriedade, reverenciou seu mestre em seguida e aguardou as palavras do mesmo. Neste instante, percebeu que outro espada se encontrava no aposento e o mesmo também estava reverenciando o senhor de Las Noches que se encontrava sentado no seu trono de mármore.

- Ulquiorra. – disse Aizen. – Lhe enviarei em uma outra missão.

- Aizen-sama, por favor. Perdoe-me por não ter cumprido a missão que o senhor me destinou. Eu prometo que nunca mais irei perder uma batalha novamente.

- Não se preocupe. Este evento se tornou um fantasma do passado. – Aizen após pronunciar tais palavras, soltou uma breve risada divertindo-se com o caráter irônico de suas palavras. – Desta vez você terá um auxiliar.

- Sinto muito Aizen-sama, mas não preciso de um auxiliar. Sou capaz de realizar a missão sozinho.

- Meu desejo é que você tenha um nesta missão. Será preciso. – retrucou Aizen.

- Está bem. Perdoe-me novamente. – disse Ulquiorra.

- Aizen-sama, o que é um auxiliar? – indagou Yammi, confuso.

Neste instante, Ulquiorra fez uma careta de repúdio.

- Não faça perguntas tolas, Yammi.

- Desculpe. – disse Yammi.

- Bom... Esta missão será de reconhecimento, Ulquiorra. Você irá até a cidade de Karakura, e rastreará as maiores reiatsus que encontrar e depois trará para mim seu relatório.

- Sim, Aizen-sama.

- Vão. – ordenou Aizen.

Neste momento os espadas desapareceram com o sonido.

Passados uma porção de minutos, uma garganta em um parque na cidade de Karakura tomou forma e começou a se abrir. Dentro da garganta, surgiram o espada Yammi e o espada Ulquiorra. Após atravessarem, o segundo plano de Aizen, se iniciou.

FIM.

Notas finais
Finalmente terminei a fic.....Espero que vocês comentem e me contem o que acharam pela visão geral ...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!