02|02|1721 Inglaterra

O arquiduque e a arquiduquesa, praticamente atravessaram a Europa no último mês. Simbolicamente isso mostrava que o arquiduque estava sendo devolvido ao seu lugar de origem. Embora nem mesmo sua avó tenha estado na Inglaterra.

A mais de cem anos atrás a bisavó do arquiduque fez o mesmo trajeto, mas de Bruges a Viena, ela sem título, sem uma riqueza digna da realeza e exilada, foi e se casou com um arquiduque, a arquiduquesa Anne foi deixada a própria sorte pelo rei James I da Inglaterra, mas e ela venceu, e sua filha se tornou Imperatriz.

E agora seu bisneto fez o mesmo, ele foi praticamente deixado a própria sorte, quase sem riqueza e sem título, mas questão era: ele iria vencer? Ninguém sabia.

O simbolismo foi muito bem pensado nessa viagem, em Bruges, a arquiduquesa Anne se tornou católica, seu bisneto fez o mesmo, ele era agora luterano, já que não tinha um bispo anglicano em Bruges, e agora não mais se chamavam Wilhelm e Katharina, mas eram agora William e Catherine, um novo lar, um novo nome.

E agora prestes a desembarcar na Inglaterra William, não parava de pensar, no que viria a seguir, não seria nada fácil, mas era o seu dever.

– Willst du Wilhelm nicht essen?- Logo William foi despertado de seus pensamentos pela arquiduquesa.

– Em inglês Catherine.- Catherine apenas suspirou, falar inglês não era nada fácil para quem viveu falando alemão.

– Eu perguntei se você não vai comer o café da manhã.- Mas William estava com um xícara de chocolate!– Mas eu ainda não entendo, o rei, o príncipe de Gales e sua esposa, são alemães, ele claramente falam essa língua, por que não podemos fazer o mesmo?

– A resposta é simples: Nós somos Habsburg, somos adaptáveis.- Catherine apenas o olhou com escárnio, ela parecia ter uma resposta bem apropriada.

– Eu saí do conforto de Viena, atravessei a Europa, estive em lugares em que nenhuma arquiduquesa deveria estar, me converti para o protestantismo e fiz tudo isso grávida. Eu então espero que possa pelos menos continuar a falar alemão.

– Eu...- William não pode responder, o capitão Nelson Pembroke, o comandante do navio, entrou na cabine. E como sempre ele tinha um sorriso de superioridade no rosto.

– Altezas eu sinto interromper, novamente, mas vim avisar de que logo estaremos no porto de Londres, mas ainda tenho algumas dúvidas.- William e Catherine apenas suspiraram, era o fim do café da manhã, que estava lindo por sinal.

– Claro capitão, e espero que a minha guarda não tenham dado trabalho?- A guarda em questão, a agora chamada Guarda Germânica, veio com eles para cuidar da proteção do arquiduque e da arquiduquesa.

– Eles se comportaram. Mas gostaria de perguntar se sabem como chamar a nobreza.- Isso era algo muito fácil, William faz questão de aprender isso, embora Catherine o fez por insistência dele.

– Os duques são Sua Graça, os marqueses são os Mais Honrados, e o resto são os Honoráveis. Quanto aos filhos são lordes, mas apenas os filhos de duques e marqueses. E as filhas de duques, marqueses e condes são ladys. É um sistema bem simples.

William estava impressionado, Catherine aprendeu muito bem esse sistema e falou melhor do que ele falaria. E parece que o capitão achava o mesmo.

– Está certo, mas e o herdeiro?

– Eles recebem um dos títulos inferiores de seu pai, mas apenas os filhos mais velhos de duques, marquêses e condes recebem o... o... título de cortesia..- William estava muito feliz por si mesmo por se lembrar disso. Mas o capitão ainda os olhava de maneira condescente.

– Sim, mas vamos ver um exemplo prático. Como se chama o herdeiro do Duque de Norfolk?- Era uma resposta bastante fácil.

– É o conde de... de... Arundal?- O capitão aumentou mais ainda seu ar de superioridade, mas o erro de Catherine era simples.

– É o conde de Arundel.
Depois disso o capitão ficou novamente calado, mas o que será que ele ainda queria?

– Mas alguma coisa capitão?

– Sim. Me disseram para avisar a sua que meu senhor o arquiduque deve escolher um novo nome, Habsburg é muito alemão.

Era isso então. William não poderia ser mais um Habsburg, isso representava um sistema católico e absolutista, os ingleses não gostavam disso.

– Bem... O que você acha Catherine?- Catherine apenas suspirou, ela não queria mudar seu nome. E William não queria a entristecer mais ainda.

– Acho que podemos usar um nome, composto, com o nome Habsburg em segundo lugar, mas qual seria o primeiro.

William sabia que só havia um nome que eles poderiam usar, mas não seria nada criativo.

– Já que quando minha bisavó saiu da Inglaterra ela era uma Tudor, a mim basta voltar a usar Tudor, nos chamaremos Tudor-Habsburg. Pode se retirar capitão.

O capitão então saiu e as damas de companhia de Catherine entraram para a vestir, e William foi então para sua cabine.

William foi então vestido e arrumado, nesse meio tempo William pode sentir o navio parar, e quando ele olhou por uma das janelas ele pode ver que tinham chegado, assim como pode ver que tinha uma grande multidão no porto.

– Me disseram Alteza que o príncipe e a príncesa de Gales estão lá para os condizir ao palácio de Saint James.- O que o conde Rodolf disse, chamou muito a atenção de William, se o rei mandou seu herdeiro, significava que ele os achava importante. E se ele os achava importante não os iria esquecer.

Mas não era momento para isso, mas sim para William tinha se concentrar em sorrir e pensar positivo, os ingleses não iriam gostar se eles estivessem abatidos. O que o lembrava que ele deveria ver se Catherine já estava pronta.

Quando William entrou novamente nos aposentos de Catherine ela parecia ter acabado de empoar o cabelo.

– As senhoras podem sair.- As nobres alemães apenas se curvaram e saíram.

– Você não deveria ter mandado elas embora Wilhe... Digo William. Ainda tenho que colocar o colar, e me adaptar a esses novos nomes.- Se isso estivesse no poder de William eles não teria mudado, mas não estava.

– Se você desejar eu coloco.- Catherine apenas estendeu o colar de rubis para ele e se virou. Quando William acabou de colocar ele não poderia esquecer de dizer algo.– Eu agradeço Katha... Catherine por estar disposta a passar tudo isso, você é a melhor companhia que eu poderia ter.

Catherine apenas sorriu, um sorriso que falava mais que palavras, ela faria tudo novamente se precisasse.

– E como vai o nosso pequeno?- Catherine sorriu novamente.

– Como você sabe que vai ser ele? Pode ser ela.- Era um bom ponto, não se poderia saber o que seria.– Mas ele está parece bem. Por que tanto barulho? Parece que tem uma multidão lá fora.

– Tem uma multidão lá fora, estão lá para nos ver.- Os olhos de Catherine ficaram apavorados, ela estava acostumada a ver multidões, mas tinha uma grande diferença entre as multidões austriacas e as inglesas. Não era segredo nenhum que os ingleses tinham um pequeno disgosto por católicos.

– Você pode me dar um perqueno momento.- William apenas assentiu, ele se sentia do mesmo modo que ela. Mas os dois teriam que ter forças.