O Desabrochar de Uma Dinastia
22 Capítulo XXI.
24|01|1740 Palácio de Hampton Court
Um sinal de que tudo iria ficar ruim, era quando todo parecia estar muito bem. E assim era a muito mal fadada vida de um Tudor-Habsburg.
A apresentação das duas príncesas mais velhas a corte aconteceu muito bem. Elas parecem ter encantado toda a corte, e o mais importante, o rei. Mas foi nesse momento que tudo começou a dar errado.
Especificamente isso aconteceu em uma das festas da duquesa de Newcastle, quando Catherine se recusou a dançar com Sir Alexander Aniter. E ele não gostou e espalhou que a príncesa do meio era rude, e a mais velha muito fria e insensível. O que era uma mentira, uma quase mentira.
William não sabia se isso tinha alguma conexão, mas depois disso a comissão de lords entrou em um impasse horrível. O duque de Devonshire, que não estava na comissão, comentou que a discórdia era tão grande que se poderia ouvir das partes mais distantes de Westminster, e a cada momento o lord chanceler tinha que ameaçar tira alguém da sala.
Então a situação era perigosa, o que fez William tomar ações sobre isso, como aumentar o número de guardas.
– Papai eu sei que sempre houveram guardas nos seguindo quando fazemos nossos passeios. Mas hoje não tinham dois ou três. Eram seis!- Catherine estava então furiosa com o número de guardas.
– O que ela quer dizer é que, é realmente necessário isso?- William apenas suspirou para isso. Era cansativo.
– Pode ser perigoso no momento sair sem proteção Alice. Não sei se é de seu conhecimento, mas o parlamento está em confusão, não só por causa da política externa do país, mas também por causa de Anne.- Era melhor não dar detalhes sobre toda a situação de problemas com a Espanha.
– Não seria melhor então sermos mandadas para Cornwall?
– Não vamos mostrar medo Anne.- Agora foi Catherine que entrou na conversa, e pela sua expressão não estava muito feliz.– Mas acho melhor fazer passeios apenas nos jardins de Hampton Court.
– Mamãe não podemos ficar presas...- a princesa Catherine não parecia muito animada com isso. Muito diferente de Anne que parecia sempre disposta a fazer o necessário para se proteger.
– Catherine vá brincar com Alice por favor.- Ela não parece ter gostado da ordem, mas ela apenas deu as costas e saiu.– Quanto a você Anne, acho que deveria práticar seu latim.
Anne apenas fez uma mesura e saiu. Visivelmente mais calma que Catherine, Anne realmente parecia poder suportar tudo com muita calma.
– Eu fico pensando com quem Catherine se parece, não temos uma personalidade tão forte assim.- Para William parecia ser uma resposta bem fácil.
– Ela se parece muito com o seu pai.- Os olhos de Catherine ficaram maiores com isso, talvez tenha sido um erro de William.
— Meu pai era um homem de devassidão. Mas não era esse meu objetivo ao vir falar com você.- William sabia que esse não seria o fim dessa conversa.– Lord Carlisle enviou uma mensagem, nela se dizia que eles virão até nós, para falar de nossa situação.
Catherine entregou o bilhete para William, e ele pode ver que não foi escrita de uma maneira muito positiva.
– Acho que a situação não está favorável. Mas como isso é possível? O medo é muito bem visível entre o parlamento.
– Parece que o povo inglês, escocês e galês não treme ao medo.– Ou não tinham sabedoria prática. Teria sido evitado muita coisa se a Casa dos Lords tivesse apenas feito como William desejava.
– E foi assim que derrotaram a armada espanhola, e expulsaram os ingleses. Mas bem, sejamos como eles e não vamos desistir.- Catherine então se sentou e esperou os lords.
Ela claramente não estava com medo, mas não era como se ela não estivesse pensando no que fariam. Isso William iria agradecer depois, ele não achava que teria forças para pensar em outra opção agora.
Os lords não tardaram a chegar, e logo depois das formalidades e da hospitalidade, eles logo falaram da horrível situação. E pelo seu modo de falar realmente não era favorável, mas ainda havia esperança.
– Meu senhor, não tem possibilidade de isso ser aceito.- Na verdade tinha esperança no passado, o conde de Carlishe acabou de as destruir.
– Como não há possibilidade? Foi prometido pelos milordes que iríamos ganhar. Os milordes nós fizeram colocar nossas filhas em negociações como se fossem um pedaço de lombo de porco. E nós dizem que não tem esperança.- Era muito melhor Catherine falar isso, ela pelo menos saberia onde parar, William não iria.– William diga algo!
– Achei que os honoráveis eram bons oradores. Bons o suficiente para persuadir os seus pares. Pensei também que os rumores que correm pela cidade os iriam forçar a tomar a melhor decisão.
– Você já se perguntou Bristol o motivo de duques ou marquêses não poderem mudar suas regras de sucessão quando eles não tem filhos?- William toco agora em um ponto sensível. Lord Hertford parecia não ter gostado.– A resposta meu senhor é porque eles vão ter muita dificuldade, é algo horrivelmente difícil mudar regras de sucessão, a Áustria é um bom exemplo disso.
– Meu marquês os lords estão sim temerosos, um rumor, mesmo sendo visivelmente mentira, pode trazer sensações que não haviam antes. Mas eles rebatem dizendo que já vencemos muitas guerras, uma com a Áustria seria fácil de vencer.- Lord Carlisle realmente explicou bem a situação.
William não sabia o que responder ou fazer. Parecia realmente sem esperanças. Mas eles sabiam o que fazer. Eles deveriam saber.
– Então o que será feito?- Novamente William teria que depois agradecer a Catherine por fazer o que ele não tinha mais forças.
A sala entrou então em silêncio. Nem mesmo o experiente Lord Hertford parecia saber o que fazer.
– Eu acho meu marquês que há algo que possamos fazer.- Graças a Deus, o duque tinha uma solução.– Acho que deveríamos fazer com que seu pedido seja mais tolerável aos lords.
– E como seria isso?- Os outros lords não iriam falar, mas era bem visível que eles também desejavam saber
– A câmara dos lords tem um grande medo de que uma grande sucessão de mulheres tenham títulos por ganho próprio. Então o melhor seria permitir que uma mulher tenha o título de marquesa de Bristol, mas não que uma mulher seja a marquesa no lugar de outra.
Em outras palavras uma mulher não poderia suceder outra. Isso praticamente dizia que eles fracassaram e Anne deveria pagar esse fracasso, tendo filhos homens. Mas...
– Se essa é a única opção que temos, a nós caberá aceitar essa mudança. A marquesa concorda?- William não desejava fazer nada sem saber a opinião de Catherine.
– Não podemos sempre fazer como desejamos. E as vezes para sermos vitoriosos devemos fazer sacrifícios, é isso que significa ser um Habsburg.- Ela aceitou então.
– Então isso, junto com o apoio de outras casas soberanas, vai ajudar. Logo Bristol terá uma herdeira novamente.- O duque de Devonshire falou, então a sim seria.
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30|01|1740 Palácio de Hampton Court
Catherine estava muito agitada, a alguns minutos atrás uma mensageiro chegou de Westminster. Esse mensageiro não poderia saber, mas ele trazia a ruína ou a glória de uma família.
– Por que será que o marquês está demorando tanto?- Catherine em resposta a Charlotte, que tinha vindo fazer uma visita, apenas sinalizou para ela ficar calada.
Era um momento muito importante, e a mente de Catherine não parava de vagar. Ela ia de coisas como as comemorações, a o que eles fariam caso tivessem uma resposta negativa.
O único arrependimento de Catherine era não desejar fazer esse pedido antes. O medo, a vergonha e o orgulho não deixavam, mas embora todos os medos de Catherine tivessem se tornado realidade. Ela não faria diferente.
Logo os pensamentos de Catherine foram dispersados quando William entrou muito agitado na sala de visitas.
– O marquês entrou. Qual foi a...- A condessa viúva não pode responder. William foi para Catherine a deu um abraçou apertado, e a beijou apaixonadamente, de um modo que Catherine não lembrava se tinha precedência.
– Pelas suas ações posso ver então que a decisão dos lords foi positiva.‐ William apenas assentiu animadamente, e rindo.– Não ouve baixas de nossa parte?
William novamente fez que sim. Era uma alegria, uma benção. Catherine nunca falaria isso alto, mas pensamentos negativos já estavam tomando conta de sua mente. Mas não mais.
Eles tinham ganhado, eles tinham vencido. Eles podem ter falhado na missão de ter herdeiros, mas eles garantiram que o título não morresse.
– Devemos comemorar Catherine. Vamos depois fazer uma grande festa. Mas hoje vamos pedir que o Lord Gerald mude seus planos e pinte nossa família.- Isso era surpreendente, pinturas assim só eram feitas uma vez por ano.
– Sim vamos fazer isso. Mas nossas rosas devem saber também. Vá as chamar Charlotte.- A condessa fez uma mesura suave e então saiu. Certas coisas nunca mudam, nem mesmo a bondade e submissão de Charlotte Everton.
As príncesas foram chamadas e então foram avisadas dos acontecimentos. Elas ficararam fortemente alegres embora Anne não parecesse muito. Parecia que havia uma sombra sobre a alegria dela. E Catherine sabia bem qual era essa sombra.
Mas apenas pela tarde, quando já era a hora de se sentar para a pintura, que a certeza pode ser confirmadar. Eles não conseguiram encontrar Anne em seus aposentos, nem nos jardins, ou mesmo na biblioteca.
Por um momento Catherine não poderia imaginar onde ela estava, mas uma ideia lhe veio a mente. Quando isso lhe veio a mente, a primeira reação de Catherine foi olhar para William, que tinha o mesmo olhar preocupado.
Então ambos foram a galeria, e lá eles encontraram Anne, sentada e olhando para uma pintura, uma pintura que a todos trazia muitas lembranças.
– Anne? Minha rosa o que você faz aqui?- Foi William que teve que falar algo, Catherine não conseguia falar sem ficar emocionada ao ver seus dois filhos.
– Papai, mamãe. Estou apenas pensando.- Não pareciam ser o mais felizes pensamentos.– Não se preocupem.
– Anne, sabemos que você não está feliz. Conte a mim e a seu pai o que você sente.
Eles então se sentaram ao lado dela. Por um momento Anne parecia que iria resistir, mais foi apenas por um momento.
– Ah mamãe. Estou tão triste, eu me sinto tomando o lugar de Ernest, ele seria o marquês, não eu. Agora foi decidido que eu iria receber o título. Não me deixa feliz esse pensamento.
Pobre Anne, tinha que suportar isso e nunca os falou. William e Catherine fizeram apenas o que lhes cabia, a abraçaram.
– Anne minha rosa, não pense assim. Seu irmão não iria pensar assim.- Catherine não sabia mais o que falar.
– Tenho certeza que Ernest estaria muito feliz com você recebendo esse título. Você estaria dando continuidade à nossa família, esse era o seu desejo.
– Mas, eu sei disso. Mas se sinto o traindo da mesma forma.
– Anne, esse sentimento é impossível que você para de sentir, isso apenas mostra que você o amava.- E enquanto William falava, mais ainda Catherine a abraçava.– Mas quando eles vierem, pense que era assim que ele iria querer.
Anne apenas tentou sorrir, e foi um sorriso sincero. Eles não gostavam a a ver triste, de ver suas filhas tristes.
– Veja Alice. Eles estão se abraçando. Nós também queremos isso.- Logo depois Catherine e Alice também se juntaram a eles.
– Sim Catherine. Eu também quero, é infelizmente algo raro.- E com isso elas também se juntaram.
Para Catherine era uma alegria isso, não era toda a sua família. Mas era o necessário, os que faltavam estariam sempre no coração. Mas mesmo assim, Catherine sentia que eles finalmente tinham paz. Logo depois Catherine e William se retiraram para que Catherine e Alice ajudassem Anne a se recompor.
A caminhada até onde seria feita a pintura foi calma, e Catherine pode apreciar sua paz e suas conquistas, eles venceram e era isso.
– Você também pode ver o que vejo Catherine?- Catherine poderia dizer que sim.– Eu vejo um futuro. Agora garantido.
– E esse futuro está cheio de tristezas, tragédias, escândalos e conflitos. Mas junto com vitórias, glórias, riquezas e paz.
– Nossa família vai realmente fazer como diz nosso lema "continuaremos".
Já era visível, uma era Tudor-Habsburgo já tinha se iniciado, ela não seria pacífica, mas assim como aconteceu nesse momento, todos iriam continuar.
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