Notas iniciais
Único capítulo. Espero que gostem.

Eu estava a pairar por cima dele. Via as suas lágrimas correrem apesar de ele não fazer som nenhum a chorar. Porque ele chorava? Eu não queria ele triste. Eu queria que ele sorrisse como sempre sorria quando eu estava ali. O que aconteceu para ele chorar? O que aconteceu para ele perder aquele sorriso que tantas vezes parou meu coração quando eu ainda era viva?

- Porque é que me deixaste, Sophie? — Ele estava a falar de mim. Mas o que é que eu tinha feito para ele ficar assim? — Porque é que te mataste e me deixaste sozinho? Não eras feliz comigo? Porque decidiste matar-te e deixar-me sozinho? Porque é que me proibiste de ver o teu sorriso e os teus olhos negros? Podias ter-me deixado mas nunca desta maneira... Porquê? — Ele sussurrou na noite. O que ele estava a falar? Eu era feliz com ele, claro que era! Eu escrevi isso na minha carta! A minha morte nada teve a ver com ele! Porque é que ele chorava então? - Eu amo-te tanto, Sophie... Eu ainda te amo tanto...

O meu coração fantasma quebrou. Eu também o amava... Porque é que ele pensava que eu não o amava? Porque é que ele pensava que eu o tinha deixado sozinho como uma espécie de castigo? Eu amava-o tanto mas pensava que ele era infeliz comigo. Ele tinha sempre um brilho triste nos olhos mesmo quando olhava para mim. E... bem, eu não estava bem. Eu tinha entrado em depressão há uns anos e nunca saí. Por mais que o amasse, nem ele me tirou disso e tornou-se insuportável continuar minha vida assim. Eu sabia que ele se sentia mal por me ver deprimida e ninguém me conseguir curar, nem mesmo ele, então decidi tirar a minha própria vida, na esperança que ele sorrisse feliz. Eu estava feliz aqui. Agora já não, ao vê-lo assim senti-me mais infeliz do que quando estava em depressão. Mas antes eu estava. Quando me livrei daquela depressão quando morri, eu estava feliz. E pensava que ele ia ficar também. Ele já não tinha de tomar conta de mim, de me levar a milhares de médicos na esperança que alguém me curasse.

- eu amo-te, Richard. — Eu sussurrei na minha voz fantasma, calma e sem vida, ao seu ouvido. Não gostava da minha voz. Era igual à que eu tinha depois de entrar em depressão e eu odiava lembrar esses tempos... mas ele ouviu-me.

- sophie? — Ele chamou, olhando em volta, com a esperança espelhada nos seus olhos.

- sim, meu princípe. — Tornei a sussurrar ao seu ouvido. Vi a pele do seu pescoço arrepiar. — Não chores. Ficas tão lindo quando sorris. Eu amo quando sorris. Eu era feliz contigo, só queria que o fosses também e tu não eras graças à minha doença...

- Eu era feliz, Soph, era mesmo. Eu só ficava um pouco triste por não te poder curar. Mas eu era feliz, Soph, não queria que fosses embora, queria que tivesses ficado aqui comigo. — Ele chorou mais. Beijei suavemente os seus lábios como ele fizera comigo quando achava que eu já dormia. Ele tremeu, sentindo o frio do meu corpo flutuante contra o seu.

- sorri. — Eu disse.

- Eu não consigo, eu preciso de ti... — Ele chorou de novo.

- eu estou contigo desde que morri, meu amor. Sorri. Parte-me o coração ver-te assim. Por favor, Ricky, sorri...

- Vai embora, Soph... Deixa-me sozinho agora... — Ele disse. Isso magoou-me e então eu disse um "adeus" e voei dali.

Eu fizera aquilo porque o amava. Eu só queria que ele soubesse o quanto eu ainda o amava, só queria que ele visse o quanto eu tinha sido feliz com ele, tanto quanto a minha doença permitia. Porque é que ele não via que eu só o fizera para o livrar daquele peso que eu era na sua vida? Mas eu não o deixara... Eu continuava com ele, eu ainda estava lá com ele, protegendo-o, dando-lhe a mão nos momentos difíceis apesar de ele não parecer sentir-me. mas hoje ele sentiu e ouviu-me... E jogou-me para trás, magoado. Ele nunca me iria perdoar. Mas eu só fiz aquilo porque queria vê-lo bem, porque é que ele não compreendia isso? Eu escrevera na carta o quanto o amava e que esperava que ele fosse feliz depois de eu morrer, porque é que ele não era feliz, porque é que ele não percebia que eu o amava? Foi com amor que eu engoli os comprimidos e me matei. Foi para o livrar dessa dor. Me perdoa por querer o teu bem e a tua felicidade e achar que essa era a maneira correta, Ricky. Só não chora mais por mim... Não chora mais... Sorri, pois essa é a maior dádiva que alguma vez poderás dar a quem te ama... que alguma vez me poderás dar a mim. Me perdoa, Ricky, eu amo-te.

Notas finais
Deixem reviews. Não está grande coisa pois não? Minha deusa, eu nem sei mas eu estava com isto na cabeça e quando escrevi ficou bem parva, eu sei, mas na minha cabeça estava lindo. Oh, esqueçam. Espero que tenham gostado, de qualquer maneira /: xx
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!