O Depois de Draco Malfoy - DRASTÓRIA
6 Narguilés
Notas iniciais
NARGUILÉS
– Então eu disse: é benzoar não benzubar. Mas depois eu descobri que lá no México eles falam assim, mas você precisava ver a cara do médico agoniado gritando no hospital atrás de um benzubar e ninguém sabia o que era!
Astória riu do que eu acabara de contar. Nós estávamos em um café no centro de Oslo, aproveitando o fim de tarde, tínhamos acabado saindo mais cedo hoje pois houve um problema na sala ao lado da nossa que deixou um cheiro fétido pelos corredores. Eu tinha a convidado para conversamos mais, como fizemos mais cedo no lago, eu acabei de contar uma história de um médico mexicano que trabalhou comigo em um hospital nos Estados Unidos.
– Eu nem sou tão bom de contar histórias engraçadas. Você deve estar me achando entediante. – comentei. Há quanto tempo eu não saio com uma garota que seja apenas uma colega?
– Não se rebaixe, Draco. Eu também não tenho muito jeito pra conversas e geralmente eu que faço o seu papel, mas eu realmente achei engraçado. Muita gente não tem o mínimo de senso de humor hoje em dia! Teve uma vez que...
E foi a vez dela contar algo que pra 99% da população acharia entediante e sem graça – eu faço parte dos 1% restante – mas era como se eu e Astória tivéssemos tido os destinos cruzados, nunca me diverti tanto em um bate-papo e ela pareceu achar o mesmo. Depois que ela terminou e eu passei alguns minutos tentando voltar a respirar normalmente, me veio algo à cabeça.
– Posso te perguntar algo um pouco pessoal? – ela excitou mas assentiu. – Você tem namorado? – ela corou e abriu um sorriso de lado.
– Não, mas o que te leva a achar isso?
– É que você falou naquela hora “geralmente eu que faço seu papel” , digo, o de estar contando coisas que muita gente não acha graça só para descontrair.
– Ah, é que eu já saí com muitos caras mas eu nunca os ganhei numa conversa, não sou o que os outros chamam de divertida.
– Eu discordo. Garçom! A conta aqui, por favor! – ele foi pegar a nossa comanda e eu mexi nos bolsos para pegar dinheiro trouxa.
– Obrigada pelo elogio. Mas e você? – perguntou enquanto mexia na colherzinha de chá.
– Eu? Nunca tive nada muito sério. – paguei o garçom que chegou com a conta.
– Ei! Eu disse que a gente iria rachar! – ralhou ela.
– Deixa eu ser um cavalheiro, Astória! Continuando, eu tive algumas namoradas nos Estados Unidos e aqui, mas nunca teve aquele sentimento todo, ainda não achei a pessoa certa. E não sou gay embora eu tenha falado um pouco sentimental de mais! – lhe assegurei, ela deu um sorriso de lado, segurando o riso.
– Draco, você então faz o tipo “pra casar”? É difícil achar homem assim hoje em dia!
Estranhei o comentário dela mas falei:
– Mais ou menos isso, eu sonho sim em ter uma esposa, casa legal, um gato preto de estimação e um filho pestinha correndo pelo lugar, mas até agora a hora certa não chegou. Mas ainda estou jovem então, vou me dedicar ao trabalho por enquanto.
Já havíamos saído do café e estávamos caminhando, passamos por uma praça e Astória disse que já estava ficando tarde, ainda não me acostumei com o passar das horas aqui, fomos para um beco e eu segurei na mão dela.
– Vou acompanhar você até sua casa. – sorri e aparatamos em um imóvel simples mas com todos os espaços sendo aproveitados e decorados seja com quadros feitos à mão ou objetos de enfeite.
– Está é a minha casinha. – comentou.
– Então você está entregue sã e salva. Foi bom o dia de hoje.
– É, foi. Obrigada, Draco. E da próxima vez é por minha conta! – deu um leve soquinho no meu braço.
Ouvi um miado e entra na sala um gato preto com algumas manchinhas roxas?!
– Ora, ora! Quem é seu amiguinho? – perguntei afagando a cabeça do gato.
– Cuidado! Esse é o Ônix, ele era todo preto – corou ao relembrar o que eu havia falado sobre um gato preto e um pestinha correndo pela casa, devia ter ficado de boca fechada – mas ele mexeu nas minhas amostras de essência de narguilé e ficou com as pintas roxas, ainda não descobri como tirar.
– Essência de narguilé? Sério?
– Sim, uma biobruxióloga, Luna Lovegood, descobriu esses bichos e estou fazendo experiências com o pó roxo que é retirado das caudas deles, mas não se preocupe, as caudas se regeneram. Sabe, eles vão dar um grande avanço nas pesquisas de várias áreas, mas só descobri algumas coisas. Por que o interesse? – questionou vendo que eu estava com os olhos arregalados.
– Astória, é que digamos que ontem, eu derrubei um frasco. Acho que era o último.
Ela fez uma cara de raiva, depois muita raiva, chegou o momento que eu vi a morte nos olhos dela, mas aí ela fechou os olhos e contou até dez, ela fez isso sete vezes até se acalmar.
– Tudo bem, me disseram que tinha pesquisas importantes pra fazer, mas eu também tenho então... façamos um acordo. Você vai atrás de mais frascos de essência de narguilé, eu só tinha aquele mesmo, preciso de pelo menos oito e se não conseguir em duas semanas, pode me substituir nas pesquisas sobre febre da nimbletonia com os cientistas medibruxos japoneses. Combinado? – apertei a mão dela, ela estava contente, isso me assustou.
– Onde eu acho narguilés?
– Vou conversar com uns colegas, te dou duas semanas.
Engoli em seco. Do jeito que ela falou, deu a entender que seria bem complicado. Aparatei poucos minutos depois em minha casa e fui descansar. O dia seguinte prometia.
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