O Demônio E O Soldado

9 Capítulo 9 - O último treinamento de Demi


Enquanto caminhava com o demônio se perguntava qual seria o seu último treinamento. Seria o monstro do lago nessie? Ou seria um Frankstein?

Antes fosse.

O demônio explicou que Demi teria que se alimentar de mais sangue humano e teria que lutar contra um vampiro de 600 anos. 600 anos? Ela tava morta!

Ela se preparou psicologicamente para essa batalha, estava quase certa de que ia sair de lá morta, mas não poderia desistir. Não agora.

- Mas eu já lutei contra um vampiro. – Indagou Demi.

- Um vampiro fraco. Quero ver se você é capas de matar um vampiro de 600 anos.

- Mas o Mike não tem 600 anos.

- Mas é mais forte que um. Ele só não sabe. – O demônio deu um sorrisinho de canto.

- Que merda... Eu não vou matar o Mike.

- Demi, presta atenção. Nenhum demônio pode fazer pacto algum por ele. Devido à profecia.

- Quer dizer que se eu estivesse morta, ele não poderia me trazer com um pacto? – Perguntou Demi.

- Ele pode, mas só depois que você morrer.

Demi arqueou a sobrancelha. – E daí?

- E daí. Que se você não matar, eu mato você. Ele vai morrer de desgosto.

- Não vai. – Disse Demi impaciente.

- Ta certo, ele não vai. Mas ele vai querer trazer você de volta. E com a irmã morta, qualquer demônio pode fazer pacto pelo Mike. E garanto que nenhum vai ser generoso. Vai levá-lo logo para o inferno e assim a profecia estará cumprida de qualquer forma.

- E por que você não me mata logo? – Perguntou Demi.

- Por que eu gosto de desafios. Vou garantir um credito com lúcifer.

Demi pensou por alguns instantes e percebeu que como antes não tinha saída. Ela ia abrir a boca pra dizer qualquer coisa, mas foi interrompida pelo demônio.

- A primeira parte será moleza. Você vai beber o sangue e ficar ainda mais forte. Não é legal?

- Eu não vou beber sangue de criança de novo ok?

- Tudo bem, você precisa de um sangue mais adulto.

- Adulto? – Perguntou Demi.

O demônio mostrou três dedos para Demi e sorriu.

- Três adultos. – Terminou ele antes de estalar os dedos.

Três homens adultos apareceram na frente de Demi. Eram fortes e estavam vestindo o uniforme do batalhão do exército. Estavam paralisados. A partir daí Demi entendeu que a dimensão da coisa se limitava apenas ao quartel. Demi sabia o que tinha que fazer, o problema era: O demônio iria ficar ali assistindo? Não poderia enganá-lo como fez no prédio?

- Bom apetite.

Bom, o que Demi sabia é que estava com poder o bastante para controlar sua sede. Sangue de criança sempre é a melhor opção para poder instantâneo. Então, nem precisaria matar os três homens, poderia se alimentar, se fortificar e ainda salvar os três inocentes.

Demi avançou para frente, quem sabe se fingisse hesitação, o demônio acreditasse que era isso que ela realmente queria. Ela pegou o primeiro homem e sem pensar muito mordeu ele, sugou o sangue com bastante força até sentir seus olhos queimarem, era uma sanção prazerosa. Ela fez um pouco de força para resistir ao homem. Depois de sugar boa parte do sangue dele, ela olhou fixamente e por telicinese mandou ele fechar os olhos e deitar e ficar quieto. Fez o mesmo com os dois outros homens. Demi estava realmente bem, se sentia forte e sadia. Depois do serviço, Demi limpou a boca e olhou fixamente para o demônio. Ela ergueu o braço e fechou a mão com força, o demônio começou a engasgar. Ela ia acabar com aquilo de uma vez por todas.

O demônio cerrou os dentes e pareceu assustado.

Ele colocou a mão na garganta como se fosse impedir. Começou a gaguejar, tossir e a cuspir uma fumaça preta. A fumaça caiu aos poucos e os olhos dos demônios ficaram pretos.

Demi fechou o punho com mais força.

O demônio soltou o próprio pescoço e sorriu.

- Sério Demi? Sério mesmo? – Deu uma risada seca.

Demi parou de fazer força. – Droga! – Pensou ela.

- Primeiro: você é vampira, e não pai de santo. Segundo, só seu irmão Sam pode matar demônios com a mente, esqueceu?

- Como poderia? – Disse Demi, ainda passando a língua nos dentes sujos de sangue.

- Mas enfim, bom trabalho. Você esta mesmo ficando muito forte. – Terminou o demônio.

- E agora? – Perguntou Demi retoricamente.

- Eu trarei o vampiro aqui. E você espera quietinha ok?

- Eu não tenho outro lugar para ir. – Disse Demi ironicamente.

- Boa garota.

O demônio sumiu.

Antes que Demi pudesse pensar em suspirar, o demônio voltou. Estava usando um óculos preto e parecia um homem perfeitamente normal. Que ironia. Mas um pouco a frente havia outro homem, muito novo, atraente e forte, tinha uma pele lisa de bebê e estava preso no ar. Debatia-se com muita força tentando se soltar. Demi podia perceber que o demônio estava tendo dificuldade para segurar o vampiro, mas não era um problema de verdade.

- Vamos Demi. Não temos o dia todo. Seu irmão vem aí. Esta noite será a noite.

O demônio soltou o vampiro.

Como se não houvesse regras, e como se o vampiro soubesse que Demi estava ali para matá-lo, assim que ele caiu no chão, se levantou e correu em direção a Demi. Demi afastou as pernas, se equilibrou um pouco e se preparou. Sentiu o baque do vampiro a empurrando e voou longe. Voou em horizontal, uns cinco metros de altura e bateu em um tronco de árvore. Sentiu sua costela quebrar. Enquanto se arrastava pelo chão, e seus ossos se curavam rapidamente, o vampiro a pegou pela jaqueta e a ergueu do chão novamente, jogou mais uma vez para o auto. Dessa vez acima da altura das arvores. Demi sentiu a brisa gelada do anoitecer e caiu em queda livre por uns quatro segundos. Antes de cair no chão o vampiro a acertou com um chute e ela bateu com força em outra árvore. Cuspiu muito sangue e não conseguia se levantar. Estava com um osso do braço exposto. O vampiro começou a andar majestosamente até Demi. Enquanto ele vinha, Demi tentou encaixar o osso novamente no lugar. Conseguiu. Esperou o braço cicatrizar e sentiu o vampiro do seu lado. Assim que o vampiro a segurou pelos cabelos, prestes a jogá-la de novo para mais algum lugar, Demi segurou a perna dele e o fez cair. Enquanto o vampiro caiu no chão, Demi se levantou rapidamente e quebrou um galho de uma árvore que estava do seu lado. O vampiro tentou se levantar, mas Demi o pressionou com o pé. Fez força o suficiente para o vampiro ficar imóvel no chão, se debatendo. Enfiou o pedaço de madeira no coração do vampiro que ressecou até morrer. Demi estava coberta de sangue. Estava vibrando por dentro.

Alguma coisa se mexeu no mato, e Demi pode perceber alguma coisa se aproximando. Ela não foi a única a perceber. O demônio se camuflou pelas plantas e ficou transparente, começou a se dissolver entre o verde como se fosse um camaleão fugindo da caça. Finalmente ficou invisível.

- O que aconteceu aqui? – Eu estava boquiaberto. Vi o sangue no chão e na roupa de Demi. Vi o vampiro deitado no chão, também ensangüentado e vi os três homens meramente desmaiados no chão.

Demi começou a chorar.

- Mike, me ajuda. – As lagrimas estavam escorrendo pelo rosto dela.

Eu não entendi o que estava havendo. – Por favor. – Implorou ela.