O Demônio E O Soldado
4 Capítulo 4 - O demônio
Demi estremeceu. Suspirou lentamente e não teve forçar para se levantar. Sentiu como se estivesse em uma montanha russa, com aquele frio na barriga e muito bem presa. Ela revirou os olhos e tomou uma iniciativa. O silencio permaneceu enquanto ela tentava pegar o colt da cintura. Demi quebrou o silêncio.
- O que você quer aqui?
O demônio olhou para Demi como se tivesse nojo dela.
- Os Winchesters no exército? Isso é novidade.
- Fala logo o que você quer. – Demi falou com bastante calma. Estava com medo.
- Eu faço as perguntas aqui ok, Demetria.
Dificilmente alguém a chama pelo nome original, até por que era horrível, mas só alguém que a conhecia muito bem a chamaria assim.
Demi pegou o colt e apontou para o demônio.
- Acha mesmo que isso vai me machucar? Sério, a mim?
- Não, mas posso acabar com seu receptáculo.
- E eu concerto ele de novo. Eu ganhei alguns podres novos que logo você poderá desfrutar. Ah e lembre-se que há muitas pessoas que eu posso matar por aqui. – O demônio estava sendo sagas.
- Fala logo, o que você quer? – Demi gritou dessa vez.
- Ok, você venceu. Estou aqui para treiná-la.
- Me treinar para que? – Demi guardou a colt na cintura.
O demônio não estava tão a fim de seguir as regras da Demi.
- Logo você vai saber, o mais importante eu já fiz, agora eu vou indo. – Ele deu um sorrisinho. – Ah, e faça o favor de apagar a memória do Diego quando eu sair dele. E se contar ao Mike, o quartel todo morre.
Demi abriu a boca pra soltar um gemido de pavor. Mas não deu tempo. O demônio saiu de Diego e desapareceu no céu escuro. Diego caiu no chão, ainda tonto e se perguntando o que tinha acontecido, começou a falar de uma tal fumaça negra e Demi fez o que o demônio pediu, apagou a memória dele.
Quando eu voltei, percebi que alguma coisa não estava certo. Todos estavam em silencio. Todos, eu me referia somente a Demi, por que o Diego estava exatamente igual a quando sai para buscar comida. Eu estava segurando uns três coelhos amarrados em um pedaço de madeira. Coloquei todos no chão e comecei a andar de vagar. Não falei nada, mas ainda assim dava uns olhares indiretos para ver que alguém me contava alguma coisa. Eu sentei do lado da Demi, olhei direto para a fogueira e abri a boca.
- Aconteceu alguma coisa?
Demi olhou para mim, estava quase chorando. Tinha certeza que tinha acontecido alguma coisa. E eu estava disposto a descobrir.
Demi engoliu a seco e começou a me falar. Tudo. Menos a verdade.
- É o Sam, Mike. Ele deve estar sofrendo. Eu fico mal por isso.
E eu, por mais ingênuo possível, ou talvez por que confiava muito na Demi, acreditei em todas as palavras dela. Eu assei os coelhos e servi a todos, logo depois de comer, Diego foi para a barraca improvisada, e dormiu um pesado sono. O resto da madrugada foi realmente deprimente. Eu e Demi ficamos conversando sobre o Sam, sobre os nossos erros, o que poderíamos fazer. Mas Demi não abriu o bico. Nenhuma palavra sobre o Demônio que estava possuindo Diego.
Já estava quase amanhecendo, quando pegamos no sono... Ali mesmo, em cima do tronco da árvore. Eu acordei primeiro, com, mau jeito nas costas. Levantei-me e me espreguicei, e pude sentir metade dos meus ossos estralarem. Olhei Demi, deitada, que estava numa posição nada confortável. Peguei-a no colo e coloquei-a deitada na barraca, bem afastada do Diego. Sentei de novo no tronco e fiquei observando as fagulhas da fogueira que ainda estavam acesas. Observando e pensando. Peguei no sono novamente.
Quando acordei pela segunda vez, me deparei com Demi procurando alguma coisa na minha mochila. Fiquei olhando até acordar realmente.
— O que você esta procurando?
Demi se assustou e olhou para mim. Olhou para o Diego que ainda estava dormindo e falou quase cochichando.
- Seu diário. – Respondeu ela. – Cadê ele?
- Você queimou, lembra? Junto com seu autografo do Jensen.
Relembrei a cena, do dia que quebramos todas as coisas um do outro. Eu quebrei os óculos caro, rasguei alguns pôsteres e picotei o cabelo dela, e ela pra se vingar queimou meu diário e detonou o Impala.
- Droga. E o diário do papai? – Ela voltou a perguntar.
Eu me esforcei para lembrar onde tinha colocado. Até mesmo se tinha trazido ele apara o acampamento.
- Deve estar no carro Demi. Por que quer o diário? – Perguntei por fim.
- Preciso decorar um exorcismo.
Eu olhei para ela.
- Estamos protegidos aqui. Eu coloquei pentagramas e amuletos em volta do nosso acampamento todo.
- O que? – Ela parecia assustada.
- Isso mesmo. Estamos seguros aqui.
Demi estremeceu ao saber que o demônio que a tinha visitado mais cedo era imune a pentagramas. Ou ele nem sequer era um demônio.
- Não importa Mike. É melhor não ariscar. Eu vou até o carro. – Ela saiu em direção da saída do acampamento.
Eu fiquei olhando ela sair. Eu não entendi muito bem o que ela estava tentando fazer, na verdade eu não estava entendendo mais nada. Não sei por que essa neura, agora. Faltavam apenas mais dois dias pra sobrevivência na selva e ela estava preocupada com demônios.
Diego parecia estar morto. Cutuquei-o com o pé, e vi que ele se mexeu. Ordenei que pegasse água e eu sai atrás de frutas. O quartel estava longe da floresta. A umas três horas mais ou menos. Demi já devia estar lá, por causa da super velocidade. Mas eu não ia correr atrás dela. Estava muito lesado para fazer isso.
Demi pegou o diário, tão rápido, que ninguém notou. Voltou correndo para o inicio da floresta e começou a folhar o diário do papai. Estava andando devagar agora. Estava concentrada nas anotações, e procurava uma em especifico. O exorcismo de demônio.
Ela encontrou o tal exorcismo e começou a ler baixinho, tentando decorar. Ela percebeu que era boa de latim, e que talvez sua dicção pudesse ajudar em um exorcismo rápido e eficaz. Mas, alguma coisa a mais a preocupava. Ela tinha medo de não dar certo. Se o demônio passou por pentagramas e amuletos, um exorcismo simples não o impediria de conseguir o que quer. Mas essa era a pergunta de um milhão. O que ele quer?
Mas ela não estava nem aí. Demi começou a murmurar para si mesma.
- Exorcizamos-te. Omnus spiritus protestas. Omnus spiritus diabólica...
A voz masculina prevaleceu no vácuo.
- Realmente, isso não vai funcionar.
O demônio agitou a mãos, num movimento rápido e forte. Deixou o diário cair no chão. Demi decolou uns três metros do chão e caiu com força. Os ossos se quebrando podiam ser ouvido com facilidade. Depois Demi levantou se no ar de vagar e ficou presa em uma árvore. Fez força, serrou os dentes e começou a se regenerar.
Ela engasgou algumas palavras.
- Por que eu?
- Por que tem que ser você docinho.
Demi reparou que o demônio estava possuindo outro corpo. Um mais velho, um homem alto e forte, de bigode. Era o homem que cuidava da entrada do quartel.
Demi manteve a calma. Ficar desesperada agora não ia ajudar em nada.
- Você tem que me treinar não é? Por que não escolhe outra pessoa? – Ela perguntou, desafiando o demônio.
- Você vai me obedecer, só entenda isso. Sem mais perguntas ok?
Demi riu.
- É ruim, ein. – Estava usando aquele tom de ironia que qualquer pessoa odeia até mesmo um demônio.
O demônio ergueu a mão direita, fechou com força e começou a torcê-la. A garganta de Demi fechou naquele mesmo momento. Sua cara ficou vermelha e não conseguia mais respirar. Estava presa na árvore, e sem ar.
Ela estava engolindo as palavras em vez de jogá-las para fora.
- Ok, eu faço.
- Boa menina. – o demônio soltou a mão e Demi voltou a respirar com força.
Passando a mão no pescoço e tossindo ela xingou algumas palavras que para variar não ofenderam o demônio. Na verdade ele até gostou, pareciam elogios.
- Ok, vamos a parte que interessa. Presta atenção. – O demônio fitou os olhos de Demi e fez um biquinho com os lábios. – Você acha que nasceu por acaso?
- E qual você acha a razão de eu ter nascido?
- Ah, Demi. Vamos lá, estou decepcionado com você. Pense um pouco.
Demi estava odiando o joguinho do demônio, mas mesmo assim ele continuou a falar:
- Nós implantamos você na família Winchester. Sua mãe biológica estava possuída. Você nasceu por que queríamos que nascesse. Fazia parte do plano.
- O plano! – Pensou Demi.
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